Usar um software durante o atendimento permite que o nutricionista tenha apoio em diversas etapas, deixando tudo mais simples e automatizado. Para auxiliar quem é novo em nossa comunidade, segue o passo a passo de como realizar o cadastro de um paciente e iniciar uma nova consulta! Confira:
1. Para começar um novo cadastro vá no menu lateral, clique em paciente e depois cadastrar novo paciente. Se preferir, na tela inicial também há um atalho chamado “cadastrar novo paciente“;
2. Então, preencha os campos que aparecem. São três os obrigatórios: nome completo, CPF (garante que não tenham cadastros duplicados e facilita no momento da emissão de nota fiscal) e data de nascimento (indicamos todos os aniversariantes do mês).
Além disso, recomendamos inserir o e-mail da pessoa para que consiga enviar os resultados de Antropometria e do Plano Alimentar de forma automatizada quando finalizar a consulta. Indique também se o paciente apresenta alguma especificidade indicada (atleta, gestante, etc.), pois interfere na etapa de antropometria.
3. Após cadastrar um novo paciente você é direcionado para o começo de um novo atendimento. Caso a consulta seja para uma pessoa já cadastrada, no menu lateral clique em “pacientes”, depois em “listar” e selecione a pessoa desejada. Também é possível acessar a mesma página por um atalho na tela inicial: “cadastrar nova consulta“.
Tenha melhor controle financeiro do seu consultório preenchendo se o atendimento foi ou não pago e qual a forma de pagamento. É através do menu lateral que há acesso à essa ferramenta tão importante!
4. Para editar os dados de uma consulta já realizada, no menu lateral clique em “listar pacientes”, depois no nome da pessoa desejada e então em “acessar consultas já realizadas“. Lembrando que ao clicar no nome do paciente todas as ferramentas/funcionalidades específicas da consulta já aparecem (avaliação clínica, conduta, etc.) e você pode editar cada uma delas.
Nos próximos tutoriais explicaremos cada etapa que constitui uma consulta nutricional. Tenha um atendimento cada vez mais completo com o auxílio do nosso software!
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Ferro é um nutriente essencial para diversas funções fisiológicas, por isso que a sua deficiência é tão grave e está associada com muitas disfunções clínicas; a mais conhecida e comum é a anemia. O artigo que foi traduzido e resumido a seguir irá expor quais são as evidências atuais para o impacto da deficiência de ferro nas doenças tireoidianas!
Introdução
Em pacientes com doenças tireoidianas a anemia por deficiência de ferro é uma comorbidade comum, afetando quase 5% da população.
O funcionamento da enzima peroxidase tireoidiana (TPO), importante para produção de hormônios tireoidianos, é afetado pela deficiência de ferro, gerando impacto negativo na síntese e função dos hormônios tireoidianos.
A deficiência de ferro também é comum entre mulheres grávidas e em idade fértil. Os hormônios tireoidianos desempenham um papel crucial no desenvolvimento fetal.
O objetivo do estudo em questão é resumir e avaliar as evidências disponíveis sobre a associação entre o estado de ferro e a função tireoidiana, a prevalência de deficiência de ferro em pacientes com doenças da tireoide e o impacto da suplementação de ferro na a função da tireoide.
Materiais e Métodos
A pesquisa foi conduzida em 2023 nas bases de dados Pubmed e Scopus. Foram incluídos estudos com modelo transversal, ensaio clínico randomizado controlado, caso-controle e coorte. Consideraram apenas estudos em que a amostra era composta por adultos, ou mulheres grávidas
Entre os critérios de exclusão: estudos realizados em pacientes com comorbidades, ou em uso de medicamentos que afetem a função tireoidiana ou o nível de ferro; idade inferior a 18 anos; modelo de estudo in vitro, em animais, relatos de casos.
Resultados e Discussão
Apenas dez estudos, de quatrocentos e dezoito encontrados, foram considerados para essa revisão. Nove avaliaram a associação entre deficiência de ferro (DI) e a função tireoidiana em mulheres grávidas ou em idade fértil. Apenas um estudo foi realizado na população geral.
Sete relataram uma relação direta com a gravidade da deficiência de ferro e os níveis do hormônio estimulador da tireoide (TSH). Os pacientes com DI apresentaram valores mais elevados, em comparação ao grupo controle. No entanto, três estudos não mostraram diferenças significativas nos níveis de TSH entre pacientes com e sem DI.
Em quatro estudos, pacientes com DI, apresentaram aumento na prevalência de positividade para anti-tireoperoxidase (anti-TPO); já para anti-tireoglobulina (anti-Tg) em dois estudos. Apenas um estudo não encontrou diferenças nos níveis de anti-TPO e anti-Tg em relação aos níveis de ferritina sérica.
Níveis mais baixos de TSH, FT4 e FT3 foram encontrados em mulheres grávidas. As mulheres não grávidas apresentaram significativamente níveis séricos mais baixos de FT4 e FT3, mas sem diferença nos valores de TSH.
É possível que as variações encontradas sejam por conta das diferentes populações incluídas nos estudos, alguns avaliaram gestantes, outros mulheres em idade fértil e alguns população em geral.
Esta revisão sistemática e metanálise tem algumas limitações. Diferentes populações foram incluídas nos estudos, sendo a maioria realizada em mulheres grávidas.
Os estudos consideraram diferentes pontos de corte de ferritina sérica para o diagnóstico de DI, apesar de <20 ng/dL ser comumente o ponto de corte. Além disso, muitos não consideram o nível sérico de iodo.
A maioria dos estudos da literatura que incluem grupo controle são transversais. Ensaios prospectivos randomizados e controlados são necessários para esclarecer a importância do estado nutricional do ferro na saúde da tireoide, inclusive na população em geral ou em outros grupos de pacientes.
Alguns estudos sugerem que a DI está associada a um risco aumentado de disfunção tireoidiana, mas outros não encontraram nenhuma associação significativa. As evidências científicas ainda são inconclusivas e os resultados conflitantes.
Conclusão
Estudos publicados atualmente na literatura indicam uma possível relação entre ID, função tireoidiana e autoimunidade, especialmente em alguns grupos de pacientes.
Análise de dados mostra que os níveis de hormônio tireoidiano são mais baixos em pacientes com DI, principalmente em gestantes.
Apesar das limitações, a revisão em questão observou que a deficiência de ferro está associada com um aumento significante da prevalência de positividade de autoanticorpos tireoidianos (anticorpos antitireoglobulina e anticorpos antiperoxidase tireoidiana).
O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida é uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Também é recomendado que a amamentação seja continuada até os dois anos de idade, em conjunto com uma alimentação sólida complementar.
No entanto, essa não é uma realidade absoluta. Muitos bebês são alimentados com bebidas lácteas alternativas, como fórmulas infantis ou produtos lácteos de animais não exclusivos da alimentação infantil.
A revisão sistemática em questão teve o objetivo de reunir e analisar os efeitos para a saúde da criança ao comparar o consumo de leite animal com a fórmula infantil; considerando uma amostra entre 6 e 11 meses de idade que não recebia leite materno ou era alimentada de forma mista.
Materiais e Métodos
A pesquisa foi realizada em diversas bases de dados, incluindo ensaios clínicos randomizados (ECR) e estudos observacionais com grupo controle. Foram excluídos estudos de caso-controle, séries de casos e relatos de casos.
Resultados e Discussão
Nove estudos foram incluídos na presente revisão com uma amostra total de 2.536 indivíduos. Quatro foram ensaios clínicos randomizados e cinco de coorte observacionais.
Todos os estudos utilizaram como leite animal o leite de vaca, assim, os resultados dessa revisão não podem ser generalizados para outros leite de outros animais. Houve variabilidade na composição das fórmulas infantis apresentadas.
O uso de leite de vaca comparado ao leite artificial em bebês de 6 a 11 meses de idade em bebês amamentados/alimentados de forma mista parece aumentar o risco de anemia.
É necessário considerar que a fórmula infantil não é um produto acessível para todos em países de baixa e média renda, por isso, o leite de vaca é utilizado como alternativa.
Estratégias para reduzir o risco de anemia em bebês nessa faixa etária que não são amamentados, como a utilização de alimentos complementares fortificados, devem ser estudadas.
Já que o número de artigos incluídos na revisão sistemática foi baixo, os resultados encontrados receberam uma classificação baixa ou muito baixa de evidência.
Conclusão
Manter uma alimentação de bebês, entre 6 a 11 meses de idade, com leite de vaca, em comparação com a fórmula infantil, aumenta o risco de anemia, incluindo anemia por deficiência de ferro, diminuição da hemoglobina e ferritina no sangue.
No entanto, não houve diferença relevante para peso corporal ou crescimento entre os bebês quando se comparou a alimentação por fórmula infantil ou leite de vaca.
Quanto ao neurodesenvolvimento e efeitos adversos, como diarréia e constipação, os dados são limitados e nenhuma conclusão foi determinada.
A maioria dos estudos utilizados como base para a revisão em questão foram realizados em países de alta renda. Por isso, estudos futuros são necessários em países de baixa e média renda.
O Software Allivici tem o potencial de auxiliar o nutricionista em diversas etapas do atendimento clínico, principalmente ao deixar diversas etapas mais simples e automatizadas.
Alguns materiais podem ser enviados diretamente ao paciente, por e-mail. Uma dica é deixar essas páginas personalizadas! Confira o passo a passo de como fazer isso:
Após realizar o seu acesso com usuário e senha, ainda na página inicial clique em “editar meu perfil”.
2. Na “área de usuário” diversos dados cadastrais são editáveis. Adicione a sua foto ou logo ao seu perfil! Assim, sempre que acessar o nosso site terá uma página inicial com a sua cara!
3. Além disso, é possível adicionar ou editar a imagem de logotipo e de rodapé. Em “frase de rodapé” uma ideia é colocar o seu telefone ou e-mail de contato.
4. As informações adicionadas estarão disponíveis em materiais que são enviadas ao paciente, como o plano alimentar ou a evolução antropométrica.
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Na suplementação nutricional muitas orientações passam por mudanças ao longo dos anos; algo que era promissor em uma época passa a não ser tão interessante em outra, e vice e versa.
Por isso, a importância do nutricionista se manter atualizado. Principalmente para obter resultados seguros e eficazes junto aos seus pacientes/clientes.
Para a performance esportiva há suplementos que já são bem difundidos, como a cafeína. Também é essencial entender que a efetividade de cada suplemento dependerá da modalidade esportiva, entre outros fatores.
No caso do suco de beterraba, ou de produtos derivados, o efeito ergogênico acontece por um alto teor de nitrato (NO3 −). Essa substância promove um aumento nos níveis de óxido nítrico e melhor vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo para o músculo e reduzindo a fadiga.
No texto de hoje, leia o resumo de uma revisão da literatura sobre a efetividade dessa estratégia para a performance esportiva.
Materiais e Métodos
Na atual revisão foram utilizados artigos dos últimos cinco anos, com indivíduos entre dezoito e sessenta e cinco anos de idade. Após a avaliação da qualidade e nível de evidência, apenas seis estudos foram selecionados.
Resultados e Discussão
Para avaliar o efeito da suplementação, quatro estudos aplicaram testes aeróbicos, enquanto os outros exercícios de força. Quatro estudos foram realizados com atletas e dois com indivíduos ativos fisicamente.
Em todos os estudos o suco de beterraba foi consumido em combinação com outro suplemento. Sempre havendo também o consumo de placebo ou suco de beterraba puro no grupo controle.
Em três estudos resultados significativos não foram demonstrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína; ou com nitrato; nem nitrato com arginina ou nitrato com citrulina.
Já em outros três estudos, efeitos positivos foram encontrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína, também com citrulina e com carboidratos.
É importante compreender que a variação de resultados pode acontecer por diversos fatores, como o tipo de exercício, nível de treinamento do indivíduo, efeito placebo, quantidade ou frequência de consumo de outros suplementos.
Conclusão
Poucos estudos que avaliam a combinação de suco de beterraba com outros suplementos foram conduzidos até o momento.
A análise das evidências atuais indicam que há efetividade na estratégia, especialmente quando há um uso crônico e o exercício praticado é de alta intensidade.
Estudos que avaliaram o efeito agudo da combinação de suco de beterraba com outro suplemento indicaram um menor impacto na performance esportiva.
A cada começo de ano todos são estimulados a refletir mais sobre as suas vidas, escolhas e mudanças desejadas. Por isso, a campanha sobre saúde mental e emocional em janeiro acontece de forma muito propícia (1).
O nutricionista não é o profissional responsável por esse cuidado, mas obter conhecimento sobre o tema é essencial para conceder mais atenção ao paciente/cliente.
Manter uma escuta ativa é um dos principais pontos para promover estratégias efetivas durante o tratamento e prezar pelo vínculo terapêutico;
Respeitar os limites de cada um e os seus estágios de mudança, mas sem deixar de lado intervenções ativas e reforçar a importância de estratégias/ações;
Saber até que ponto o nutricionista pode auxiliar, é preciso identificar o momento de sugerir um encaminhamento para outros especialistas, como psicólogo, por exemplo;
Nutricionistas que atendem pessoas com transtornos alimentares devem ter atenção atenção redobrada, principalmente para sinais de depressão ou comportamentos de possível risco para suicídio.
Além disso, o consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino.
Por fim, o nutricionista exerce uma atividade profissional de cuidado com o outro, por isso um maior autocuidado deve existir. Algumas recomendações importantes:
Compreender que você é apenas um auxiliar na mudança do outro, não o responsável;
Procurar o auxílio de outro nutricionista, ou um psicólogo, caso enfrente questões com a alimentação e o próprio corpo;
Trabalhar com parcerias no desenvolvimento de projetos poderá te trazer mais segurança, principalmente se estiver no início da carreira.
As comemorações de fim de ano estão chegando e muitas pessoas encaram o momento com grande ansiedade. Com quais orientações o nutricionista pode ajudar?
Antes das festas: pergunte ao seu paciente sobre as celebrações de fim de ano, como e onde acontecem, pois muitas sugestões e orientações podem surgir nesse momento.
Durante as festas: ofereça sugestões que facilitem a passagem por esse período. Por exemplo, levar preparos que condizem com a sua alimentação (vegetariano, por exemplo) ou se sentar à mesa para comer.
Após as festas: não incentive restrições alimentares compensatórias. Aborde como foi o período de festas propondo reflexões: houve culpa ao comer? Exageros? O que gostaria que tivesse acontecido?
Além disso, é interessante que o paciente também seja incentivado para:
Entrar em contato com o ato de cozinhar;
Experimentar receitas mais elaboradas;
Perceber o própria comportamento alimentar;
Compartilhar momentos e descansar.
É importante transmitir ao paciente quea comida faz parte de muitos momentos de celebração em nossa vida, mas que esses momentos não precisam se resumir no ato de comer.
Uma estratégia interessante é que o paciente faça uma lista do que mais ele gosta durante o fim e ano, como rever amigos e familiares, ganhar presentes, etc.; praticando assim uma transferência de foco, da comida para esses outros fatores.
Desenvolver atenção e consciência alimentar no momento das refeições também pode ser um caminho interessante a ser trabalhado.
Algumas atitudes simples, quando aderidas, favorecem o desenvolvimento dessa habilidade. Deixar o talher sobre a mesa enquanto mastiga, por exemplo, pode auxiliar na melhora da consciência alimentar.
Outra questão, também importante, é que muitas pessoas que apresentam restrições alimentares não se sentem confortáveis em comer fora de casa.
Por isso, indicar receitas que condizem com a alimentação e estilo de vida de cada um pode ser uma ótima estratégia. Assim, elas podem levar esses preparos e aproveitar o momento entre amigos e familiares!
Separamos algumas receitas sem glúten, leite ou derivados animais. Confira a seguir!
Muitos suplementos são usados com finalidade ergogênica em práticas esportivas, um dos mais conhecidos e utilizados é a cafeína. Quais são as orientações mais importantes para se saber antes de suplementar?
Há diversas formas de consumo, via suplemento oral, bebidas e gomas; além do próprio café como bebida. A cafeína é uma substância também encontrada no guaraná, chá ou suplementos com a erva Camellia Sinensis.
A suplementação é utilizada em diversas práticas esportivas, como ciclismo, corrida e natação; ou em práticas coletivas, vôlei, basquete e futebol. Já para modalidades de força não há benefícios comprovados.
Os resultados principais, com a suplementação de cafeína no esporte, são: redução no tempo de provas, resistência mesmo com aumento de intensidade de carga ou velocidade.
Por proporcionar aumento do foco e concentração, a cafeína também tem sido utilizada em suplementos por indivíduos que desejam esses benefícios para além da prática esportiva. Nesses casos, a dosagem nos estudos varia de 200 a 300 mg ou 5-6 mg/kg.
Alguns estudos indicam uma tolerância progressiva para a cafeína, ou seja, há um melhor efeito agudo quando os indivíduos não apresentam um consumo regular.
Por isso, para se beneficiar da suplementação deve haver a ausência do consumo crônico de bebidas cafeinadas ou de café, por exemplo.
Além disso, também é preciso considerar os possíveis efeitos colaterais associados ao consumo. Os principais relatados são taquicardia e efeitos negativos no sono, além de aumento da ansiedade, com maior ocorrência e intensidade quando a dosagem é próxima de 9 mg/kg.
Os estudos que apresentam benefícios para a prática esportiva utilizam de 3 a 6 mg/kg. É possível que a dose ideal para muitos seja de ~3.0 mg/kg, a qual já apresenta resultados na performance esportiva e com menor prevalência e magnitude dos efeitos colaterais.
É comum que a ingestão aconteça 60 minutos antes do momento de treinamento ou prova; já o pico de concentração pode acontecer de 30 a 120 minutos após o consumo.
A depender da forma de consumo, há variação nesse tempo de ação também. Por exemplo, ao comparar com cápsulas, o suplemento em goma apresenta um leve atraso no pico de absorção após o consumo.
Também existe uma diferença de absorção decorrente da capacidade genética de cada indivíduo para metabolizar a cafeína, associada ao gene CYP1A2 e possivelmente ao ADORA2A também.
Inclusive, há indivíduos muito sensíveis ao consumo de cafeína. Por isso, é sempre importante iniciar a suplementação com uma baixa dosagem para avaliar os resultados.
International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. J Int Soc Sports Nutr., 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33388079/
Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, em que o organismo apresenta deficiência na utilização (DM tipo 2) ou síntese de insulina (DM tipo 1). Quase a totalidade das pessoas com diabetes, cerca de 90%, convivem com o tipo 2; já 5 a 10% com o tipo 1 (1).
Ainda existem outros tipos, menos comum, como Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA) em que indivíduos “migram” do tipo 2 para 1; e o Diabetes Gestacional, no qual há alteração na utilização da insulina e captação da glicose por mudanças hormonais decorrentes da gestação (2).
Já pré-diabetes é uma condição em que o resultado da glicemia em jejum, ou capilar, está acima do nível esperado, mas não há sinais ou sintomas suficientes para fechar um diagnóstico de Diabetes Tipo 2. Deve ser encarado como um sinal de atenção e oportunidade de mudar fatores que possam estar contribuindo para tal condição.
Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais, como estévia, fica a sugestão de orientar o consumo desses adoçantes, podendo acontecer em substituição dos comumente utilizados;
Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição do açúcar por edulcorantes, a estratégia de contagem de carboidratos pode ser aplicada, por exemplo;
Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.
Suplementação: vitamina D, canela, nicotinamida, gengibre, feno-grego e picolinato de cromo são os principais citados e estudados pela literatura científica. No entanto, ainda há discussões sobre a efetividade de cada um a depender da dosagem utilizada e a viabilidade da suplementação (3).
É importante que o profissional também considere o quanto a condição atual do paciente impacta em seu cotidiano e momentos de lazer.
Por exemplo, o paciente pode aprender a aproveitar com segurança uma festa de aniversário, ou um almoço de família com a contagem de carboidratos. Entender qual a dosagem adequada de insulina em cada situação possibilita mais qualidade de vida ao paciente com DM1.
A prática de atividade física também é outro exemplo, pois interfere nos níveis de glicemia e consequentemente na quantidade de carboidratos que precisa ser ingerida, além da dosagem de insulina a ser aplicada.
O acompanhamento de uma equipe multiprofissional faz muita diferença no tratamento de doenças crônicas, principalmente para a aplicação de estratégias alinhadas, ampliando as possibilidades de melhora dos sintomas.
A insegurança alimentar é definida por falta de acesso regular, permanente e irrestrito a alimentos seguros e de qualidade; em quantidade e qualidade adequadas para cada um, considerando também a cultura alimentar local (1).
No Brasil, os dados mais recentes apontam que 70,3 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar, que pode ser moderada ou severa. Os principais grupos que vivem em vulnerabilidade são: populações rurais, povos indígenas e a comunidade de baixa renda (2).
Confira no texto de hoje o resumo de um artigo científico que avaliou a existência de associação entre insegurança alimentar e a deficiência de micronutrientes entre adultos.
Introdução
De acordo com a FAO, em 2021, estima-se que 40,6% da população (268 milhões de pessoas) enfrentava algum nível de insegurança alimentar. A deficiência de micronutrientes está muito atrelada a esse contexto, além de ser mais um agravante ao estado de saúde.
As principais deficiências nutricionais são de ferro, iodo, zinco, folato e vitamina A; as quais têm impacto em funções corporais, na capacidade de aprendizagem e na produtividade.
O presente estudo avaliou se existe associação entre insegurança alimentar e a deficiência de micronutrientes em adultos, com o propósito de mensurar a importância de tal avaliação para a saúde pública.
Métodos
Foi realizada uma revisão sistemática de meta-análise, baseada no protocolo PRISMA. Nos artigos selecionados a amostra era adulta, homens e mulheres, com a avaliação de micronutrientes realizada por exames bioquímicos nos indivíduos.
Resultados e Discussão
Foram selecionados dezoito artigos, todos com modelo transversal e publicados entre 2001 e 2022. Demonstrou-se associação entre insegurança alimentar com a deficiência de micronutrientes em 16 estudos.
Em sua maioria, 94% (n = 17), os estudos avaliaram a deficiência de ferro, a hemoglobina como marcador escolhido, mas alguns também incluíram ferritina e transferrina. Anemia foi um resultado presente em
Há poucos artigos que avaliam, em um contexto de insegurança alimentar, as deficiências nutricionais por meio de exames bioquímicos em adultos. Inclusive, esses estudos são mais encontrados com crianças na literatura.
No entanto, é um tema muito importante a ser estudado, além de monitorado, se possível. Já que a desnutrição proteico-energética e/ou a deficiência de micronutrientes (fome oculta) é um fator de risco para o desenvolvimento de algumas doenças, ou para a redução da produtividade e disposição.
Os testes bioquímicos são indicadores diretos, mais propensos a serem utilizados em análises individuais. Para a população em geral, tal avaliação pode ser feita através da análise do consumo alimentar, apesar de ser uma ferramenta indireta e apresentar maior potencial de erro, pode ser eficaz.
A avaliação do estudo em questão apresenta algumas limitações, como: não considerar a presença de outros fatores relacionados à deficiência de micronutrientes, não podendo estabelecer uma relação de causa e efeito, apenas de associação.
Além disso, na maioria, a amostra era composta por mulheres, as quais são mais vulneráveis para deficiências nutricionais.
Conclusão
Uma associação, nos estudos revisados, entre insegurança alimentar e deficiência de micronutrientes foi encontrada, especialmente para ferro e vitamina A.
Os dados encontrados indicam a importância de avaliar a existência de deficiências nutricionais entre a população, pois as mesmas podem causar custos sociais e econômicos ao país.
O Dia Mundial da Alimentação (16/10) é uma data instituída em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) (1).
A cada ano um tema é pauta das campanhas e iniciativas que acontecem, em 2023 é “Comida, Água, Direitos e Equidade: Celebrando o Dia Mundial da Alimentação” (2). No entanto, um princípio que sempre está presente é o da segurança alimentar e nutricional.
Segundo a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional – LOSAN (Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006) todos devem ter acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.
Também é essencial que a diversidade cultural, ambiental, econômica e social sejam respeitadas e consideradas em políticas de alimentação e condutas nutricionais (3).
Um ponto essencial quando falamos sobre equidade alimentar é analisar como está o acesso da população aos alimentos de qualidade nutricional, para que ações mais direcionadas sejam realizadas.
Um estudo recente analisou o consumo alimentar de adolescentes. Como um todo, o grupo demonstrou um alto consumo de ultraprocessados, mas esse era maior entre adolescentes do sexo feminino, brancas, que frequentavam escolas privadas e residiam fora da capital (4).
A prática de educação nutricional em escolas, ambulatórios e campanhas públicas são essenciais para uma alimentação mais saudável e é uma pauta que deve ser levada para todas as esferas sociais.
Leia na íntegra o artigo citados acima, sobre a associação entre fatores sociodemográficos e o consumo de ultraprocessados: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/9/2027
Doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1).
O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).
O Dia Mundial do Coração (29/09) chama a atenção da população sobre as doenças cardiovasculares e a importância da conscientização sobre as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce (4, 5).
Os principais fatores de risco são: sedentarismo, tabagismo e um padrão alimentar inadequado. O nutricionista é um dos profissionais capazes de contribuir para a prevenção das doenças cardiovasculares, ensinando a população sobre a importância de:
exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (6).
Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento.
Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais de órgãos oficiais da saúde que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais para a população brasileira:
No mês de setembro, uma das importantes datas na área da saúde é o Dia Mundial do Alzheimer (21/09).
Cada vez mais, estudos demonstram associações entre fatores dietéticos e diversas condições de saúde, como as doenças neurodegenerativas.
Alzheimer é um dos tipos mais comuns de demência, os primeiros sintomas podem aparecer após 20 anos das primeiras alterações estruturais no cérebro. A alimentação é um dos principais fatores de impacto na saúde cognitiva e neurológica (1).
A nutrição tem um papel essencial no sistema neurocentral, há vitaminas e minerais essenciais para o metabolismo de neurotransmissores e enzimas essenciais em processos de sinalização celular (2).
A deficiência, ou o consumo restrito, das vitaminas A, D, E e B12 foi associada com a doença de Alzheimer. Já o consumo adequado das vitaminas A, D, E, K e B12 apresentou associação com uma melhora da cognição. Há outras associações analisadas em estudos com modelos animais, inclusive para a expressão de beta-amilóide (3).
Um artigo mais recente uniu todas as atuais orientações dietéticas para a prevenção do Alzheimer. Uma dieta que está sendo mais estudada é a MIND, uma combinação da dieta Mediterrânea e DASH, com foco na prevenção de doenças neurodegenerativas.
Os alimentos apresentados como benéficos são vegetais, verduras verde-escuras, oleaginosas, azeite de oliva, frutas vermelhas, grãos integrais, peixe, aves e vinho tinto. Já os alimentos contraindicados são ricos em açúcar ou gordura saturada, como carne vermelha,manteiga, queijo e preparações fritas (4).
Inclusive, já trouxemos aqui a adaptação e tradução de uma revisão sistemática de meta-análises (5). Foram encontradas associações inversas entre Alzheimer e fatores dietéticos para o consumo alimentar de peixe e na dieta mediterrânea.
No entanto, as associações apresentaram nível moderado para a qualidade de evidência, mas com nível baixo para relação de dose-resposta. Inclusive, nenhuma das intervenções encontradas apresentaram alto nível de evidência.
Isso demonstra a importância de que mais pesquisas sejam realizadas avaliando a associação entre fatores dietéticos e o desenvolvimento e prevenção de doenças neurodegenerativas.
Por fim, além dos benefícios que a nutrição pode proporcionar para a prevenção de doenças neurológicas, as intervenções devem sempre fazer parte de uma estratégia multidisciplinar. Há cuidados importantes como o incentivo para a prática de atividade física, interação social, terapias cognitivas e cuidado com a saúde odontológica, além do acompanhamento médico (6).
Durante a gestação há intensas mudanças fisiológicas, anatômicas e metabólicas. Para manter a saúde da pessoa gestante é preciso se atentar ao risco de deficiências nutricionais, à manutenção do peso e ao desenvolvimento de certas doenças (diabetes mellitus gestacional, transtornos alimentares, anemia, verminoses, etc.)
Além disso, todo o desenvolvimento fetal depende do estado e consumo nutricional da gestante. Por isso, a importância de se atentar, ainda mais, à nutrição durante esse período (1).
Inclusive, já citamos vários cuidados em postagens anteriores:
No entanto, há necessidades distintas durante os meses da gestação. Quais são os principais cuidados a cada trimestre?
1º Trimestre
Durante as primeiras 13 semanas o corpo se adapta para gerar outra vida. Há mudanças que são individuais, pois dependem muito de como cada gestante está encarando esse momento. Há aumento dos seios, mais sono e fome, mas muitos enjoos e mais cansaço.
Para melhorar os sintomas de náuseas é preciso evitar longos períodos em jejum, consumir alimentos mais secos e frutas, a adição de gengibre em preparos auxilia também. Pode haver recusa de determinados alimentos, isso é natural.
Mudanças na alimentação são essenciais, tanto no consumo adequado de certos nutrientes (vitaminas do complexo B, vitamina D, ferro, cálcio, zinco, ômega 3, fibras); como na restrição de determinados alimentos e ingredientes (edulcorantes artificiais, álcool, café, chá verde ou preto, carnes cruas).
Com todas as alterações fisiológicas a necessidade energética também se altera. Mas, no primeiro trimestre ainda é muito similar ao período em que não se estava gestando. Por isso, geralmente, ainda não há necessidade de aumentar a ingesta calórica.
A realização de exames laboratoriais nesse período é importante para identificar carências nutricionais e ajustes de micronutrientes. Quanto aos macronutrientes há maior necessidade de ingestão de proteínas (60g/dia, ou 1.1g proteína/kg/dia).
2º Trimestre
Entre a 14ª e 27ª semana os desconfortos iniciais (náusea, cansaço, etc.) tendem a desaparecer. Há um crescimento acelerado do feto, com a formação não só de órgãos, mas até mesmo de cílios e sobrancelhas.
Já é indicado aumentar a ingestão diária em 340 kcal. Lembrando que essa é uma indicação genérica, que deve ser ajustada e individualizada a partir da idade, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade.
O maior fracionamento das refeições auxilia tanto no consumo adequado de nutrientes, como também na redução de sintomas como estufamento ou enjoos. Não ingerir líquidos com as refeições evita azia e refluxo.
3º Trimestre
A partir da 28ª semana há aumento do desconforto, pois o espaço vai se tornando cada vez menor com o crescimento do bebê que ganha peso e atinge o tamanho final para o nascimento.
No fim da gestação a indicação é de um acréscimo médio de 452 kcal/dia, mas deve ser individualizada de acordo com as necessidades e limitações de cada gestante (idade, peso, nível de atividade).
A suplementação de ácido fólico e sulfato ferroso ainda é mantida e pode ser recomendada até o terceiro mês do pós-parto.
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Michelle A. Kominiarek; Priya Rajan. Nutrition Recommendations in Pregnancy and Lactation. Med Clin North Am. 2016, november; 100(6): 1199–1215. Doi: 10.1016/j.mcna.2016.06.004
Há diversos cuidados nutricionais que são requeridos durante o período da gestação e lactação. Adequações na alimentação são muito importantes, pois é preciso garantir o desenvolvimento fetal, e da criança após o nascimento, além da nutrição de quem gesta e amamenta (1).
Por uma demanda nutricional aumentada durante essas etapas da vida, só a ingestão alimentar nem sempre atende às necessidades, por isso a suplementação tem um papel muito importante (2).
Quais são as novidades na nutrição para gestantes quanto à suplementação? Por aqui no Allivici sempre buscamos referências atualizadas para manter o profissional atualizado.
Pensando nisso, no texto de hoje, segue o resumo de um artigo científico que avaliou o impacto da suplementaçãode Moringa oleifera para gestantes e lactantes.
Introdução
O consumo nutricional da gestante ou lactante impacta diretamente no desenvolvimento do feto e da criança. Inclusive, a prática da amamentação é indicada para prevenção de deficiências nutricionais.
Moringa oleifera é uma planta conhecida por propriedades medicinais, além de conter uma composição nutricional rica em vitaminas e minerais, como ferro, cálcio e vitamina C. O seu uso também tem sido utilizado para aumentar a produção de leite materno.
No artigo em questão, estudos atestando a segurança e dosagem de uso foram avaliados.
Métodos
Uma revisão sistemática foi conduzida para avaliar o impacto do consumo de Moringa em mulheres gestantes ou lactantes. Os doze estudos selecionados foram publicados entre 2018 e 2023, com grupo controle e realizados apenas com humanos.
Resultados e Discussão
Moringa e gestação
A anemia é uma das complicações clínicas mais frequentes durante a gestação e a deficiência de ferro impacta no desenvolvimento fetal.
A suplementação de moringa oleifera demonstrou aumentar o nível de hemoglobina e melhora dos parâmetros VCM, HCM e CHCM; em comparação ao uso de suplementos com ferro e ácido fólico. Esses resultados podem ser atribuídos à concentração de ferro na composição da planta.
As doses utilizadas nos estudos avaliados variaram, em média, de 500 mg a 1.6 g, na forma de extract, powder e até mesmo presente em receitas. Em doses mais altas o consumo era fragmentado ao longo do dia.
Moringa e amamentação
Moringa oleifera também é estudada por ser uma substância classificada como galactagogo, ou seja, que promove o início e a manutenção da produção adequada de leite em mamíferos. Também aumenta a produção de prolactina e ocitocina.
Entre os artigos selecionados, alguns avaliaram o maior crescimento e ganho de peso nas crianças em que as mães consumiram produtos com Moringa. Esses efeitos também podem ser atribuídos ao maior consumo de polifenóis e nutrientes com a suplementação em questão.
Conclusão
Há indícios de que pode ser uma suplementação interessante para prevenir deficiências nutricionais, mas novos estudos são necessários para monitorar dosagem e efeitos adversos.
A resistência à insulina, ou hiperinsulinemia, é um sintoma presente em algumas condições clínicas, como a síndrome metabólica, diabetes, síndrome do ovário policístico, entre outras (1).
A insulina é o hormônio responsável pelo metabolismo da glicose. Quando há resistência nos tecidos à sua ação e uma menor captação de glicose, uma resposta de aumento da produção de insulina acontece. Assim, há uma maior circulação de insulina e uma hiperestimulação do pâncreas para essa produção (2).
No diabetes tipo 2, além da resistência à insulina, já há também uma falência parcial na secreção de insulina e de incretinas, devido à hiperestimulação do pâncreas e outras alterações metabólicas (3).
A seguir, confira as orientações nutricionais mais importantes:
Atenção para a microbiota intestinal
Constatou-se, a partir de estudos, que há possível associação entre características do microbioma intestinal e a resposta glicêmica pós-prandial. Ou seja, a microbiota intestinal pode exercer impacto direto no diabetes. A partir de modificações na dieta também há melhora da resistência à insulina entre pacientes com diabetes tipo 2 (4, 5).
Alimentos ricos em compostos bioativos
Gengibre, hibisco e cúrcuma são alimentos citados como benéficos, pensando nos compostos bioativos, para o tratamento complementar de diabetes (6). Alho, cebola e cebolinha são alimentos interessantes, por conter alicina (7). Canela também é um ingrediente a ser considerado nas prescrições dietéticas (8).
Para complementar, um estudo avaliou a associação entre diversos alimentos e os polifenóis presentes com o controle glicêmico. Os alimentos avaliados foram: chá, café, cacau, canela, uva e vinho tinto, frutas vermelhas, romã e azeite de oliva (9).
Exames importantes
Como critério diagnóstico é recomendado seguir: glicemia plasmática de jejum ≥ 126 mg/dl e HbA1c ≥ 6,5%; glicemia duas horas após sobrecarga de 75g de glicose anidra ≥ 200 mg/dl.
Sempre considere fatores clínicos para a interpretação de resultados e acompanhe exames de condições de saúde associadas (10). A depender do paciente, será necessário avaliar função renal e dislipidemia.
No Software Allivici você encontra a lista completa de exames e valores de referência ideais pensando no tratamento nutricional: https://www.allivici.com.br/tbExames
Inclusive, o tema no Grupo de Estudos em julho será:
O padrão alimentar de cada população, ou seja, os alimentos e nutrientes que são ou não consumidos por um grupo, já demonstrou ter grande impacto em múltiplas condições de saúde (1).
No Brasil, há destaque para a prevalência e mortalidade das doenças cardiovasculares, quadro de saúde que também é impactado pelo consumo alimentar (2).
Por mais de uma década se discute sobre o consumo equilibrado entre ácidos graxos ômega 3 e 6 para a saúde cardiovascular e outras condições de saúde (3).
O artigo traduzido e resumido a seguir irá expor evidências mais recentes sobre essa pauta, além de esclarecer como essa proporção de consumo impacta o metabolismo da glicose.
Introdução
Ácidos graxos polinsaturados são divididos em duas classes, ômega 3 ácido graxo alfa linolênico (ALA, 18:3 w-3) e ômega 6 ácido linoléico (LA, 18:2 w-6).
Ambos estão presentes em diversos alimentos, assim como outros (saturados e monoinsaturados), mas a proporção varia. Alimentos como oleaginosas, óleo de milho, soja e girassol são fontes de ômega 6. Já as sementes, como o óleo, de chia e linhaça se destacam para ômega 3, além do peixe.
Tabela com proporção de ácidos graxos ALA e LA, por fonte alimentar. https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672
O ácido graxo linoléico (LA ômega 6) quando consumido e metabolizado é convertido em ácido araquidônico, já o ácido graxo alfa linolênico (ALA ômega 3) em ácido docosahexaenoico (EPA) eácido eicosapentaenoico (DHA).
Além disso, ômega 3 e 6 competem pelas mesmas enzimas dessaturases. Por isso, a conversão de ALA em EPA e DHA pode ser impactada quando há excesso de LA. O equilíbrio de consumo entre ambos apresenta ser importante baseado nos possíveis efeitos fisiológicos.
O metabolismo do ácido araquidônico produz produtos como prostaglandinas e leucotrienos, mediadores inflamatórios. No caso da conversão de ALA em EPA e DHA há produção de resolvinas, maresinas e protectinas, que apresentam potencial antiinflamatório.
Resultados e Discussão
Mudanças no padrão alimentar
Principalmente para o ocidente, o consumo alimentar tem se tornado desequilibrado na relação ômega 3 e 6. Não apenas pelo maior consumo de óleos vegetais, mas o próprio conteúdo de ômega 3 em ovos e peixes têm se alterado.
A carne de peixe é considerada a maior fonte animal de ômega 3, mas estudos comparativos mostram que o conteúdo de EPA e DHA têm reduzido ao longo dos anos.
O próprio processo comercial e produtivo de peixes impacta o ecossistema marinho e a existência das microalgas, as fontes originais dos nutrientes em questão. Alguns autores incentivam que fontes plant-based de EPA e DHA são alternativas mais sustentáveis.
Para os ovos também se nota grande diferença. Isso acontece pela alteração na alimentação das espécies, cada vez mais criadas em cativeiros e sem acesso a plantas diversas e selvagens.
Recomendação de consumo
Para a população em geral, a recomendação de consumo de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) ômega 3 é de 250 a 500 mg/dia, equivalente a duas porções de peixe por dia.
A prescriçãode consumo para indivíduos com doenças cardiovasculares e triglicerídes elevados, mesmo em uso de estatinas, é de 4g por dia de EPA. Uma alimentação rica em fontes alimentares de PUFAs ômega 3 também deve ser incentivada, além da suplementação.
Interação com metabolismo da glicose
É possível que o próprio metabolismo do ácido linoléico (ômega 6), quando em desequilíbrio, impacte no desenvolvimento da resistência à insulina; isso pela maior produção de mediadores inflamatórios na conversão em ácido araquidônico, como prostaglandinas e leucotrienos.
O consumo de carboidratos refinados também pode estimular a ativação das enzimas 5 e 6 dessaturases, responsáveis pela conversão de LA em AA.
Em estudos com tratamento in vitro houve maior captação de glicose por células musculares quando havia suplementação de EPA. Possivelmente impactando na translocação de GLUT 4.
Em modelos animais, os sintomas de hiperglicemia e resistência à insulina foram amenizados em ratos com diabetes; além de impactar na microbiota intestinal e na secreção de peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1).
Em estudos populacionais, amostras com consumo alimentar rico em peixe e outras fontes de ômega 3 apresentaram menor índice de diabetes e doenças cardiovasculares.
Apesar de muitos estudos estarem avaliando a associação em questão, os mesmos ainda são inconclusivos quando à dosagem ou tipo de ômega 3 a ser consumido para tal benefício clínico.
Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, em que o organismo apresenta deficiência na utilização (DM tipo 2) ou síntese de insulina (DM tipo 1). Quase a totalidade das pessoas com diabetes, cerca de 90%, convivem com o tipo 2; já 5 a 10% com o tipo 1 (1).
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No entanto, além das peculiaridades nutricionais em cada caso, o profissional também precisa considerar em suas prescrições o quanto a condição atual do paciente impacta não apenas em seu cotidiano, mas também nos momentos de lazer.
Por exemplo, o paciente pode aprender a aproveitar com segurança uma festa de aniversário, ou um almoço de família. Aprender sobre contagem de carboidratos e a dosagem adequada de insulina possibilita mais qualidade de vida ao paciente com DM1.
A prática de atividade física também é outro exemplo, pois interfere nos níveis de glicemia e consequentemente na quantidade de carboidratos que precisa ser ingerida e dosagem de insulina a ser aplicada.
Diante de tantas variantes, torna-se ainda mais importante o nutricionista ser especializado na área e manter um ótimo contato e interação com o médico atuante em cada caso. Assim, a qualidade e segurança do tratamento será muito maior.
Aproveite e confira o nosso conteúdo complementar, uma aula completa, sobre o tema:
Na prática clínica a atualização é imprescindível, principalmente para se obter resultados seguros e eficazes. Acompanhar as mudanças de posicionamento da comunidade científica é uma ótima estratégia.
Na suplementação nutricional muitas orientações passam por mudanças ao longo dos anos; algo que era promissor passa a não ser interessante, e vice e versa. Por isso, a importância de se manter atualizado.
A creatina é um suplemento utilizado, em geral, por praticantes de atividade física com o objetivo de otimizar o ganho de massa muscular. Entretanto, outras finalidades também estão sendo estudadas e aplicadas. Inclusive, já escrevemos sobre esse tema aqui!
No texto de hoje, o resumo de um artigo publicado na Nutrients. Os autores avaliaram as evidências disponíveis sobre a creatina, quais são os riscos, benefícios e a melhor forma de suplementar.
Introdução
A creatina é um dos suplementos dietéticos mais populares, o seu consumo oral melhora o conteúdo de creatina muscular; sendo utilizado por indivíduos que desejam melhorar o desempenho em atividades esportivas, ou os sintomas de condições clínicas (doenças reumáticas, neurodegenerativas e metabólicas).
Ao longo dos anos, preocupações surgiram com o uso de creatina, principalmente quanto a possibilidade de danos renais. No estudo a seguir, os possíveis riscos ou impactos da suplementação para a saúde foram discutidos, além de também sugerir recomendações seguras para o seu uso.
Resultados e Discussão
A creatinina sérica, produto final do metabolismo da cretina, em geral é o parâmetro mais utilizado para avaliar a função renal, como também para estimar a taxa de filtração glomerular.
O uso crônico de creatina interfere nos níveis de creatinina, por exemplo, esse é um cuidado necessário para não gerar falha na interpretação de exames e diagnósticos
Assim, múltiplos marcadores (hematúria, albuminúria, proteinúria, etc) devem sempre ser avaliados, ao invés de associar o aumento de um parâmetro, a creatinina, com a possibilidade de disfunção renal.
Efeitos da suplementação de creatina no metabolismo, imagem obtida em: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/6/1466#
A revisão científica em questão também analisa as evidências disponíveis em três diferentes níveis: em estudos com modelos animais, em estudos de caso e em estudos controlados.
Ainda existem lacunas quanto aos possíveis efeitos para a função renal no longo prazo, poucos estudos com temporalidade superior a 16 semanas, por exemplo. Assim, algumas recomendações podem possibilitar um uso mais seguro da creatina:
Utilizar até 20g por dia, de forma racionada;
Abster-se do uso em caso de doença renal pré-existente ou condição clínica que induz à baixa filtração glomerular;
Monitorar a função renal de indivíduos que fazem o uso por longo prazo e são idosos ou apresentam condições clínicas agravadas.
Ter cautela ao indicar produtos com novas formulações;
Os suplementos devem ter nível de pureza atestado e livre de contaminantes.
Conclusão
A creatina é um dos suplementos mais consumidos ao redor do mundo. Apesar dos questionamentos ainda existentes sobre a sua segurança, os resultados de ensaios clínicos não corroboram com tal preocupação.
A suplementação pode aumentar a creatinina sérica de alguns indivíduos, mas esse fator não deve ser considerado isoladamente como indicativo para disfunção clínica. É contraindicada para aqueles com doenças renais pré-existentes, ou com risco de diminuição da taxa de filtração glomerular por condições clínicas, genéticas ou etárias.
Na escolha do produto, os consumidores devem priorizar marcas devidamente testadas e com certificado de pureza, evitando riscos à saúde associados com possíveis contaminantes.
A saúde digestiva engloba diversos fatores importantes do nosso cotidiano. Por exemplo, desde a alimentação até fatores emocionais podem causar impacto no que é chamado de microbiota. Ou seja, no conjunto de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal (1).
Além dos sintomas e desconfortos diários, que podem ser melhorados com mudanças na dieta, gerando mais qualidade de vida, com a doença também há interferência na absorção de nutrientes e no funcionamento da microbiota (2).
Como o nutricionista pode auxiliar no cuidado da saúde digestiva?
Avaliar os principais sinais e sintomas, e os impactos na qualidade de vida do paciente;
Analisar o consumo alimentar, histórico de peso ao longo do tempo e risco para desnutrição (principalmente em crianças);
Adaptar a dieta e o consumo alimentar, de acordo com as possibilidades do paciente, para minimizar os sintomas apresentados;
Orientar a restrição e adaptação do consumo de alimentos fermentativos (repolho, couve-flor, feijões, etc.);
Atenção para o uso de produtos com polióis (xilitol, sorbitol, eritritol, etc.);
Investigar carências nutricionais existentes e realizar a suplementação;
Considerar a suplementação de prebióticos e probióticos;
Conscientizar o paciente sobre os fatores externos que interferem nos sintomas (estilo de vida, atividade física, ansiedade, etc.).
Edulcorantes são substâncias com potencial de adoçar preparos, classificadas e regulamentadas como aditivos; podem estar na composição de produtos e suplementos alimentares, ou serem vendidas separadamente (1, 2).
O principal objetivo com o uso de edulcorantes, ou seja, adoçantes, é a substituição do açúcar na alimentação. No entanto, ao longo dos anos, questionamentos científicos surgiram sobre a segurança de certas substâncias e os riscos para a saúde no longo prazo (3).
Confira a seguir o resumo de uma revisão publicada na Nutrients que avaliou as atuais evidências acerca do edulcorante eritritol, atualmente muito utilizado e considerado como “saudável”.
Introdução
Em uma pesquisa com consumidores, no ano de 2015, o mel estava classificado no topo da lista como “mais saudável”, acima do açúcar de coco, estévia, agave e adoçante da fruta-dos-monges (monk fruit). Adoçantes como eritritol, xilitol, sacarina e aspartame estavam no fim da lista.
A classificação desses consumidores partiu de uma percepção que ao ser “mais natural”, uma substância seria “mais saudável”. No entanto, ser natural ou artificial são características que correspondem ao processamento de tais edulcorantes; não a sua saudabilidade.
Apesar da percepção e consumo sobre o eritritol ter mudado nos últimos anos, se tornado mais consumido e considerado saudável, ainda há questionamentos a serem esclarecidos.
Resultados e discussão
Produção: Eritritol é naturalmente encontrado em frutas, como melão, melancia, uvas, ou alimentos fermentados. Também é produzido de forma endógena, a partir de glicose pela via das pentoses-fosfato. Comercialmente a produção acontece via fermentação de monossacarídeos (glicose, frutose, xilose, etc), com novas tecnologias implementadas a cada ano.
Segurança: Os órgãos regulamentadores afirmam que não há riscos toxicológicos, reprodutivos, mutagênicos ou carcinogênicos quanto ao uso de eritritol. Os sintomas gastrointestinais, com o consumo de polióis, acontecem pela retenção de água no intestino, por efeito osmótico, e pela fermentação do que não foi absorvido/excretado. Doses de até 1g/kg/dia são bem toleradas.
Metabolismo: Todos os polióis são metabolizados de maneira similar, absorvidos no intestino delgado e excretados, de 80 a 90%, via urina. Há estudos que sugerem que parte não excretada é oxidada, em eritritose e eritronato. O eritritol apresenta apenas quatro carbonos em sua composição e peso molecular inferior a outros polióis, por isso é absorvido com maior rapidez e não apresenta tanto desconforto gastrointestinal comparado a outros polióis.
Efeitos para a saúde: Apresenta capacidade de inibir a formação de placa dentária, com maior efetividade que o sorbitol ou xilitol. O consumo de grandes doses, 20 a 75 g, não impactou nos níveis de glicose ou insulina. Há investigações sobre um potencial efeito na saciedade. Não apresenta riscos metabólicos, até o momento.
Conclusão
Eritritol é uma substância naturalmente encontrada, com segurança comprovada e um adoçante não calórico. Comparado a outros polióis, xilitol e sorbitol, não causa tantos efeitos gastrointestinais.
Pode ser utilizado como substituto ao açúcar, pois o seu consumo não gera aumento da glicose ou insulina. Apesar de estudos de longo prazo ainda serem escassos, até então, apresenta-se como uma boa alternativa, em comparação aos edulcorantes artificiais.
No dia 17 de abril é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão em todo o mundo. No Brasil, uma data semelhante é celebrada no dia 26 de abril, instituída pelalei n.10.439 com o objetivo de conscientizar a população sobre o diagnóstico preventivo e o tratamento da doença.
A hipertensão arterial (HA) é uma condição de saúde multifatorial, classificada como uma doença crônica não transmissível (DCNT) e diagnosticada pela elevação persistente da pressão arterial, PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmH (2).
Todas as recomendações de entidades referências no tema convergem em ressaltar a importância da alimentação e nutrição no tratamento e prevenção da hipertensão arterial (3).
Confira as principais orientações:
Padrão alimentar DASH ou Mediterrâneo: Manter uma alta ingestão de alimentos como frutas, hortaliças, cereais integrais, oleaginosas, azeite de oliva e laticínios com baixo teor de gordura. Reduzir o consumo de carne vermelha, açúcar, gordura saturada e trans.
Ingestão aumentada de potássio: Alimentos in natura apresentam bom teor de potássio, como frutas, legumes, verduras, laticínios, cereais integrais e leguminosas. O consumo ideal é de 4500 mg/dia, podendo ser alcançado com 5 porções de alimentos fonte, ou via suplementação. No entanto, há contraindicação em casos de doença renal crônica e no uso de medicações que aumentam a retenção de potássio.
Redução do consumo de sódio: Objetivo ideal de 1,5 ou até 2g/dia de sódio. Porém, a redução de 1g por dia para adultos já apresenta benefícios. Pode ser indicada a substituição por cloreto de potássio, se não houver restrições. Orientar a redução de sal nos preparos culinários e de alimentos com alto teor de sódio.
Moderação no consumo de álcool: Quando houver o consumo, não ultrapassar 2 drinques para homens e 1 drinque para mulheres, ou homens de baixo peso, indivíduos com sobrepeso e/ou triglicerídeos elevados. A equivalência para 2 doses, 30g/álcool, seria de 600 mL de cerveja ou 250 mL de vinho ou 60 mL de destilados.
Controle do peso corporal: Manutenção do peso segundo os padrões do índice de massa corporal (IMC), para aqueles que apresentam sobrepeso ou obesidade, sugere-se a redução gradual do peso. A medida de circunferência da cintura (CC) também pode ser referência, < 94 cm em homens e < 80 cm em mulheres para reduzir a PA e o risco cardiovascular. É estimada a redução de 1 mmHg a cada 1 kg de peso perdido.
Consumo de nutrientes estratégicos: São citados chá verde, preto ou de hibisco, cacau, alho, laticínios, alimentos ricos em vitamina D e nitrato natural, como a beterraba. o consumo de café pode ser benéfico, mas manter ≤ 200mg de cafeína.
A atuação multiprofissional é essencial em condições de saúde que exigem diferentes vias de tratamentos, como é o caso da hipertensão arterial.
Além de mudanças na alimentação, também deve haver no estilo de vida, na prática de atividade física e muitas vezes na ingestão de medicações.
A suplementação nutricional exerce um importante papel para a adequação clínica em diversas condições de saúde.
Toda suplementação precisa ser realizada com orientação profissional, em dosagens adequadas e de eficácia comprovada por estudos científicos, para não gerar riscos à saúde ou apresentar resultados aquém dos desejados.
Confira o resumo de um artigo científico que avaliou a eficácia da suplementação de potássio para a saúde cardiovascular e melhora da função endotelial.
Introdução
Potássio é um dos principais minerais para a nutrição humana, pois está envolvido em diversos processos biológicos, especialmente na regulação da pressão arterial. Inclusive, o consumo alimentar de potássio está associado inversamente com hipertensão.
Estudos experimentais e observacionais indicam que o potássio aumenta a produção de óxido nítrico e minimiza o efeito deletério de espécies reativas de oxigênio (EROS), processo que apresenta relação com as alterações vasculares na aterosclerose.
A revisão sistemática e meta-análise em questão foi realizada para avaliar os resultados das intervenções clínicas com a suplementação de potássio para melhora da função endotelial.
Metodologia
Os estudos avaliados seguiram os seguintes critérios de inclusão: originais, amostra de idade adulta, comparação de resultados entre grupo controle e grupo experimental. Entre 110 as publicações identificadas, apenas 5 se adequaram aos critérios previamente definidos e análises subsequentes.
Resultados e Discussão
Os resultados de 332 participantes de 4 países foram avaliados, com amostras variadas entre gênero, idade, raça e massa corporal. Todos os estudos avaliaram os resultados de suas intervenções da mesma forma, a excreção de potássio na urina 24h.
A duração dos estudos não foi homogênea, variando entre 6 dias e 6 semanas.
Uma parte dos estudos utilizou placebo como substância controle, outra o consumo usual de potássio. A excreção de potássio foi mais elevada quando a suplementação aconteceu via cápsula, em comparação ao maior consumo do mineral via dieta.
Os resultados avaliados não são suficientes para propor indicações, principalmente quanto ao uso no longo termo, já que o mesmo não foi avaliado. Apesar dos estudos apresentarem metodologias sólidas, entre si, eram heterogêneas, não possibilitando uma comparação viável.
Conclusão
A suplementação de potássio pode contribuir com a função endotelial, e os resultados são diretamente associados à dosagem. Ainda, é necessário maior avaliação quanto aos parâmetros clínicos a serem avaliados e uma dose-resposta a ser indicada.
Abril começa com um marco, no segundo dia do mês, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O propósito da Organização das Nações Unidas (ONU) com a criação da data foi atrair mais atenção da população para essa temática (1). Durante todo o mês diversas ações da campanha “Abril Azul” também acontecem.
No autismo, ou seja, no transtorno do espectro autista (TEA) há alterações do desenvolvimento neurológico. Não há características físicas ou comportamentais únicas, e sim uma série de condições atípicas em cada caso, por isso o diagnóstico e tratamento podem ser tão complexos (2,3).
No ano de 2012, a lei brasileira de n. 12.764/2012 instituiu a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista. No artigo terceiro da mesma, é garantido o atendimento multiprofissional e atenção nutricional adequada, assim como acesso à terapia nutricional.
Afinal, qual deve ser a atenção nutricional com pessoas com TEA?
Evitar falas/atitudes capacitistas: quando há pouco conhecimento sobre a condição apresentada, falas ou atitudes podem expressar a ideia de que pessoas com autismo são incapazes (7). Destaque para algumas orientações:
“A pessoa autista é uma pessoa com TEA. Lembre-se de evitar dizer que uma pessoa é portadora de autismo, pois o autismo não é algo que ela possa deixar de portar, mas faz parte dela (…) autismo não é apenas um diagnóstico, mas também uma característica. Sem o autismo, a pessoa autista não existiria. Esta regra vale também para outras deficiências. O autismo é considerado um espectro porque, em cada pessoa, o transtorno se manifesta de maneira específica (…) cada autista é único.”
Alimentação seletiva: pode haver aversão para certos alimentos, ou restrições por intolerância/alergia, resultando na carência do consumo de fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C (4);
Alterações gastrointestinais: há maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal. Por isso, há benefício do uso de probióticos melhora dos sintomas e modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina (5,6);
Estado nutricional e suplementação: monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação vitamínica. Não apenas pelo consumo, muitas vezes, limitado de nutrientes, mas também pelo maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia (4);
Estratégias alimentares e nutricionais: há impacto no consumo alimentar pela seletividade/aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo dos alimentos. O uso estratégico de aminoácidos como cisteína e metionina, além de ácido fólico, vitamina B6 e B12, pode ser interessante; pois são nutrientes essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM) (4);
Condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica ainda apresentam resultados conflitantes entre si e diversas limitações científicas (8).
O principal cuidado a ser adotado é que as mudanças comportamentais no TEA, como a seletividade alimentar, não causem impacto negativo no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.
Ser nutricionista autônomo no atendimento nutricional de consultório não é tarefa fácil. Principalmente por quão pouco é aprendido sobre a área ainda na faculdade. Não é incomum escutar relatos de nutricionistas que gostariam de ter aprendido mais sobre a área durante a graduação.
Mesmo para aqueles que se dedicaram aos estágios e cursos durante a formação, a maioria só descobre depois quanto trabalho há por trás da dinâmica dos atendimentos, especializações, ou identificação das próprias habilidades e pontos de melhoria.
Por isso, adquirir mais segurança e obter conhecimento técnico são pontos muito importantes para o nutricionista. Para auxiliar nessa jornada, confira essas quatro dicas essenciais para gerenciar um consultório de nutrição:
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O etanol é uma substância tóxica que precisa ser degradada pelo organismo. Por isso, o consumo de bebidas alcoólicas em altas doses é tão prejudicial e é de consenso que gera diversas consequências para a saúde.
Podem ser momentâneas após o consumo, como a desidratação e o desnorteamento; ou crônicas, como a doença hepática alcoólica. Por ser uma substância entorpecente também está associada com o agravamento de comportamentos de risco (2).
No entanto, quando o assunto é vinho, sempre parece haver uma sutil diferença em como o assunto é abordado, não é?
No texto de hoje, leia o resumo de uma revisão da literatura sobre os impactos do consumo de vinho para a saúde e saiba o que a ciência tem a dizer sobre isso.
Introdução
Toda a literatura científica deixa claro o posicionamento de que o abuso de consumo de bebidas alcoólicas causa grandes danos para a saúde.
Porém, alguns estudos epidemiológicos apontam o consumo moderado de álcool, em particular de vinho, como um fator protetor.
As associações entre tipo e dose de bebida alcoólica com o risco de determinadas doenças foram reavaliadas nesta revisão, assim como as diferenças entre vinho e outras bebidas alcoólicas.
Metodologia
Busca em base de dados por artigos publicados entre 2010 e 2022. Foram identificados 1867 artigos e apenas 24 foram selecionados por preencherem os critérios de inclusão necessários.
Resultados
Perfil fenólico do vinho e seus compostos bioativos
O vinho contém diversos compostos bioativos. O resveratrol, classificado no grupo dos estilbenos, é um dos mais estudados. O seu nível é alterado pelo tipo e variedade da uva, assim como as suas condições de cultivo.
Quanto maior for a concentração de resveratrol nas uvas, maior será no vinho. Em geral, estará mais presente em uvas vermelhas, cultivadas em clima mais frio e em posição alta geograficamente. A maior concentração de resveratrol, de acordo com a literatura, é de 36 mg/L.
Porém, o resveratrol não é o único composto capaz ou responsável pelos benefícios associados ao consumo moderado de vinho, os efeitos devem ser atribuídos ao conjunto dos compostos antioxidantes presentes e toda a sua complexidade e potencialidade de ação.
O vinho também apresenta teor significante de outros compostos fenólicos. A concentração no vinho de quercetina, um flavonoide, é de aproximadamente 50 mg/L. O mesmo é conhecido por reduzir a inflamação, inibir NF-kB e reduzir a expressão de TLR2 e TLR4.
Outros compostos devem ser explanados com maior profundidade, como os taninos, ácidos fenólicos e flavonoides. Já há estudos que demonstram participação de quercetina, catequina, epicatequina e outros como protetores contra fatores oxidativos e atuantes na regulação de enzimas como glutationa-s-transferase (GST), glutationa reduzida (GSH), heme oxigenase I (HO-1) e superóxido dismutase (SOD).
Dados epidemiológicos para o consumo baixo/moderado de vinho em:
Doenças cardiovasculares (DCV): o vinho tem demonstrado superioridade em comparação ao consumo de outras bebidas alcóolicas. Há evidências epidemiológicas que indicam que não há razão para os que bebem vinho com moderação (até 15g/dia) parem de beber. Não há indicação que abstêmios devem começar a beber álcool para a prevenção de DCV,
Diabetes tipo 2 (DM2): há indícios de que o vinho tinto protege contra o DM2 e está associado à melhora da sensibilidade à insulina, quando há consumo moderado (150ml/dia). Resultados deletérios foram observados em quantidade de álcool > 50-60 g/dia.
Doenças Neurodegenerativas: o consumo excessivo e crônico de álcool está associado com a ativação de processos neurodegenerativos. Em estudos prospectivos, o consumo de vinho foi associado com a redução do risco para demência, Alzheimer e derrame.
Câncer: há aumento do risco com o consumo de álcool, principalmente do câncer de cabeça e pescoço, esôfago, fígado, mama, cólon e reto. O risco está relacionado à dose, com aumento para ingestão de álcool > 30 g/dia. Para a prevenção do câncer, álcool não deve ser uma substância consumida com regularidade.
Longevidade: há efeito protetor na ingestão média de 20 g de álcool por dia. Segundo os estudos, os efeitos benéficos, atribuídos ao resveratrol, da ingestão moderada de álcool são maiores do que a abstinência completa, mas são perdidos quando o consumo é excessivo.
Estilo de vida mediterrâneo e o vinho
Na dieta mediterrânea é um padrão alimentar associado como protetor para diversas condições de saúde, apresenta um grande consumo de alimentos vegetais, azeite de oliva e um consumo baixo/moderado de alimentos de origem animal e de bebidas como o vinho.
Os benefícios associados a esse padrão alimentar são atribuídos ao alto nível de consumo de compostos bioativos, fibras, gorduras mono e polinsaturadas. Quanto ao consumo de vinho, há um limite, que pode variar em cada país, de até 30g de álcool para homens e 15g para mulheres; duas ou uma taça de vinho, respectivamente.
Conclusão
O vinho é uma substância complexa, rica em compostos bioativos, os quais apresentam propriedades protetoras. Por isso, estuda-se a associação positiva existente entre o consumo baixo e moderado de vinho e proteção para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e distúrbios neurológicos.
Os componentes bioativos não são a única explicação dos efeitos benéficos demonstrados em estudos epidemiológicos, há fortes fatores sociais associados ao consumo de vinho.
Na dieta mediterrânea, por exemplo, o consumo de vinho ocorre durante as refeições, quando há presença de alimentos no estômago existe um retardo da absorção de etanol, auxiliando no metabolismo e degradação do mesmo.
O estudo em questão apresenta limitações, tanto aos possíveis vieses nos estudos encontrados, quanto em avaliações individuais que são necessárias para estabelecer níveis seguros para o consumo de álcool.
Por fim, profissionais de saúde não devem recomendar o consumo de álcool, pois pesquisas adicionais ainda precisam ser realizadas para mais esclarecimentos. Todas as ações devem focar em promover educação comportamental para prevenir abuso de substâncias.
Doenças raras são todas aquelas que atingem um número reduzido de pessoas, 65 em cada 100.000 indivíduos. Podem ter origem genética, que é o caso da maioria, ou infecciosa, inflamatória e autoimune (1).
A Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras foi instituída em 2014 no Brasil, com o objetivo de promover ações de prevenção, detecção precoce, tratamento oportuno e redução de incapacidade e cuidados paliativos (2).
Dessa forma, também foi possível instituir incentivos de custeio para a doença na rede de saúde pública. Por não serem medicamentos ou tratamentos desenvolvidos em grande escala, o acesso torna-se caro e difícil (3).
O custo dessas doenças para o orçamento familiar precisa ser considerado no desenvolvimento de políticas públicas, pois muitos deixam os seus empregos para estarem com o paciente, ou vendem bens e pegam empréstimos para bancar os gastos financeiros (4).
O tratamento, muitas vezes, não é apenas farmacológico. Entre as mais de 7 mil doenças descritas como raras, algumas demandam grande atuação do nutricionista, como (5):
Fenilcetonúria;
Doença de Crohn;
Síndrome nefrótica primária;
Síndrome de Cushing;
Lúpus eritematoso sistêmico;
Hipotireoidismo congênito;
Esclerose múltipla;
Entre outras…
Na rede de saúde pública, segundo a Portaria nº 199/2014, o nutricionista apenas é requerido na equipe de tratamento quando a doença fizer parte do grupo “erros inatos do metabolismo” (EIM).
As alterações metabólicas são distintas entre as condições classificadas como EIM. Há duas categorias, a primeira inclui as alterações de um único sistema corporal ou órgão.
A segunda abrange doenças que por alteração bioquímica há o comprometimento de uma via metabólica comum entre diversos órgãos; por serem mais complexas se dividem em três grupos:
Grupo I: Distúrbios de síntese ou catabolismo de moléculas complexas;
Grupo II: Erros inatos do metabolismo intermediário que culminam em intoxicação aguda ou crônica;
Grupo III: Deficiência na produção ou utilização de energia (6).
A atuação do nutricionista em doenças raras acaba sendo mais comum para a área da pediatria, pois é nessa fase da vida que o diagnóstico acontece, por via do teste do pezinho, o qual já teve a ampliação aprovada.
No entanto, como a maioria das condições não tem cura, o paciente precisa conviver com os sintomas e complicações para toda a vida. Nesses casos, a nutrição pode atuar impedindo o agravamento de algumas condições ou melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
A suplementação de melatonina tem se popularizado entre muitas pessoas. Em geral, é utilizada visando a melhora do sono e ajuste do ciclo circadiano. No entanto, não deve ser tida como uma substância “para dormir”.
A produção de melatonina acontece naturalmente para todos, a suplementação visa auxiliar essa via, principalmente se está em “deficit“. Sabemos que é um composto interessante, ainda mais por muitos estudos apresentarem o seu uso associado com diversos benefícios para a saúde.
No entanto, quando o assunto é suplementação, muita atenção precisa ser concedida ao tema. Como a imagem abaixo indica, sempre há uma cadeia de fatores interferentes, os quais precisam ser avaliados individualmente.
Por exemplo, para obter melhora no sono, há fatores mais importantes que a suplementação de melatonina, como a adequação da luz e do ambiente, o padrão alimentar e o consumo de determinados nutrientes.
No texto de hoje, selecionamos os pontos principais de um artigo científico, para deixar o nutricionista atualizado sobre a suplementação de melatonina. Confira!
Mecanismo de ação:
A suplementação de melatonina tem sido associada com a melhora da defesa antioxidante, redução do estresse oxidativo e efeitos anti inflamatórios. Há indícios de que a microbiota intestinal tenha participação na produção de melatonina, e que o funcionamento mitocondrial também exerce importante papel nesse sentido.
Uso clínico:
Aplicações têm ocorrido visando a modulação do ciclo circadiano, regulação do sono e distúrbios noturnos, melhora de condições cognitivas de saúde, como também há uso para casos de demência, TDH, autismo e enxaqueca.
Alguns estudos avaliam o impacto da suplementação em outras condições como hipercolesterolemia, hipertensão, síndrome metabólica, regulação da glicemia, osteopenia fertilidade, SOP e tratamento conjunto para endometriose, doença do refluxo gastroesofágico, úlceras e Síndrome do Intestino Irritável, doenças autoimunes, melhora da imunidade em atletas e outras condições estressantes.
Considerações Terapêuticas:
A quantidade disponível de melatonina via fonte alimentar é relativamente baixa, mas há indícios de que o consumo de alimentos ricos em melatonina (ou seus precursores, o aminoácido triptofano, por exemplo) pode aumentar a disponibilidade da mesma no corpo.
Ao comparar fontes alimentares vegetais com animais, o seguinte fator precisa ser considerado: a melatonina é encontrada em menor quantidade em alimentos de origem vegetal, no entanto, nesses alimentos há mais triptofano disponível. Por isso, a conversão final precisa ser levada em consideração.
Alimentos ricos em triptofano facilitam a produção endógena de melatonina (banana, maçã, cereja, abacaxi, morango, amêndoas, nozes, linhaça e semente de girassol, lentilha, soja, leite e derivados); também é importante considerar a disponibilidade das enzimas N-acetiltransferase (NAT) e Hidroxindol-O-metiltransferase (HIOMT), para que ocorra a conversão de serotonina em N-acetilserotonina e por fim em melatonina.
Dosagem da Suplementação:
Como suplemento dietético, a melatonina pode ser encontrada em variadas doses, desde 0.3 mg até 200 mg. No entanto, a orientação é que sempre seja utilizada a menor dose com maior eficiência.
Os limites máximos ainda não foram definidos. A produção endógena varia de 0.1 a 0.9mg de melatonina diariamente. Resultados favoráveis foram encontrados com as seguintes dosagens: 0.3mg/dia (para a melhora do sono).
Produtos com dose de 3 a 5 mg são comumente escolhidos por apresentarem uma errônea percepção de serem superiores. No entanto, suplementar acima do que é requerido fisiologicamente não acarreta em nenhum benefício.
O indicado é que a suplementação se inicie em 0.3 mg e seja aumentada, se necessário, dependendo da finalidade pretendida. Em citação de outro estudo (Trends in Use of Melatonin Supplements Among US Adults, 1999-2018), há recomendação de que as pessoas não tomem melatonina em alta dose (>5mg), pois não há estudos de longo prazo avaliando a segurança de tal consumo na população em geral”.
Recomendações:
Consumir com 30 a 60 minutos de antecedência, já com as luzes baixas e sem uso de televisões ou equipamentos com luz azul.
Não há estudos suficientes que indiquem a suplementação de melatonina em associação a outro composto. No entanto, os seguintes nutrientes têm sido estudados para tal finalidade: vitamina C, vitamina B12, glutationa, vitamina D e ácido fólico.
Para escolher qual produto obter, considere seis fatores importantes:
fonte (sintética e fitomelatonina – formas mais comuns),
via (oral, sublingual, intravenosa, intranasal, intramuscular, etc)
delivery (cápsula, comprimido, goma, mastigável)
ativos (isolada ou composta com outros nutrientes – ainda não há evidências de melhor efetividade por estar combinada)
qualidade (certificação de boas práticas, livre de metais pesados e contaminantes, embalagem com garantia de shelf-life)
dosagem (0.3-1.0mg é o comum)
Contraindicações:
A melatonina é metabolizada com grande atividade da CYP1A2, e em menor proporção da CYP1A1, CYP1B1, CYP2C19. Cuidados devem ser tidos quando há uso de medicações do tipo sedativas e antidepressivos. Não há estudos que demonstrem a segurança da suplementação para gestantes ou lactantes.
A cada começo de ano todos são estimulados a refletir mais sobre as suas vidas, relações, escolhas e mudanças desejadas. Por isso, a campanha sobre saúde mental e emocional acontece nesse período de forma muito propícia (1).
Para o ano de 2023 o Instituto Janeiro Branco se inspirou em um dos maiores escritores brasileiros e escolheu abordar o tema “equilíbrio”.
Na nutrição, falar dos cuidados com a saúde mental também é muito importante, tanto para um cuidado próprio do profissional, como também para uma melhor atenção aos seus clientes.
Quando o cuidado com o outro é uma atividade exercida a nível profissional, como é o caso do nutricionista, uma maior atenção para o autocuidado deve existir.
(Photo by Alex Green from Pexels)
Muitas questões externas são trazidas até o nutricionista no consultório e saber lidar com essa realidade é essencial para uma melhor saúde mental. Estes três pontos poderão te ajudar:
Compreender que você é apenas um auxiliar na mudança do outro, não o responsável;
Procurar o auxílio de outro nutricionista, ou um psicólogo, caso enfrente questões com a alimentação e o próprio corpo;
Trabalhar com parcerias no desenvolvimento de projetos poderá te trazer mais segurança, principalmente se estiver no início da carreira.
O nutricionista não atua ativamente com o tratamento da saúde mental e emocional, mas obter conhecimento sobre o tema é essencial para conceder mais atenção ao paciente. Reflita:
Manter uma escuta ativa é um dos principais pontos para promover estratégias efetivas durante o tratamento e prezar pelo vínculo terapêutico,
Respeitar os limites de cada e os seus estágios de mudança, mas sem deixar de lado intervenções ativas e reforçar a importância de algumas ações;
Saber quais são os seus limites profissionais, ou seja, até que ponto o nutricionista pode ajudar? É preciso identificar o momento de sugerir um encaminhamento para outros especialistas, por exemplo.
Agir de forma funcional diante de uma grande quantidade e variedade de comida pode ser um caminho difícil para muitas pessoas. Por isso, as orientações de fim de ano são tão importantes.
A dificuldade que muitos apresentam é desfrutar desses momentos que incluem refeições atípicas. Desenvolver atenção e consciência alimentar no momento das refeições pode ser um caminho interessante a ser trabalhado com o paciente.
Algumas atitudes simples, quando aderidas, favorecem o desenvolvimento dessa habilidade. Deixar o talher sobre a mesa enquanto mastiga, por exemplo, pode auxiliar na melhora da consciência alimentar.
Comer faz parte de diversas celebrações e é importante que essa realidade seja respeitada pelo nutricionista no momento das orientações alimentares.
Algumas sugestões:
Antes das festas: pergunte ao seu paciente sobre as celebrações de fim de ano, como e onde acontecem, pois muitas sugestões e orientações podem surgir nesse momento.
Por exemplo, pacientes que possuem alguma restrição alimentar podem não se sentir confortáveis em comer fora de casa, mesmo que em família. Uma alternativa é que ele leve um que se sinta confortável em comer e compartilhar!
Photo by Nicole Michalou : https://www.pexels.com/photo/top-view-of-a-family-praying-before-christmas-dinner-5779170/
Durante as festas: ofereça sugestões que facilitem a passagem por esse período. Por exemplo, ter mais atenção à sua fome, ou sentar-se à mesa para comer.
Após as festas: não incentive restrições alimentares desnecessárias, abordar como foi o período de festas pode ser uma alternativa. Proponha reflexões: houve culpa ao comer? Exageros? O que ele gostaria que tivesse acontecido?
Além disso, é interessante que o paciente também seja incentivado para:
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é um lembrete da importância de conceder um olhar mais consciente e ativo para uma realidade que atinge mais de 12 milhões de pessoas em nosso país (1).
Há diversos tipos e níveis de deficiência visual, auditiva, intelectual, física e motora; em todos os casos há impactos na qualidade e condições de vida do indivíduo, inclusive na alimentação e acesso à educação nutricional.
Ainda há um longo caminho para que a representatividade e a inclusão façam parte do dia a dia, principalmente porque muitas pessoas são estigmatizadas, reduzidas em suas condições e recebidas em espaços com poucas condições adequadas de acesso.
O atendimento nutricional para pessoas com deficiência deve ser realizado de acordo com cada dificuldade, sempre receptivo, acolhedor e com naturalidade. Apesar das diferenças, esse trabalho é possível. Um exemplo é o guia educativo Saúde no Prato, desenvolvido para auxiliar na educação alimentar e nutricional de pessoas com deficiência visual.
O material acima contém muita informação sobre as mudanças que ocorrem na alimentação dessas pessoas e suas famílias, além de diversas atividades interativas e oficinas culinárias já adaptadas para pessoas com deficiência visual.
Pontos de atenção para oferecer um atendimento nutricional mais inclusivo:
Praticar a escuta ativa: é imprescindível que escutemos as suas necessidades, demandas e objetivos. Assim, evitamos realizar sugestões em desacordo com a realidade do paciente;
Atenção ao espaço e acessibilidade: opte por realizar os atendimentos em espaços com rampas, balança plataforma, sanitários com barras de apoio, portas que permitem a entrada de cadeira de rodas, entre outras adaptações;
Adaptar a avaliação física corretamente: em casos de deficiência motora e uso de cadeira de rodas, por exemplo, a aferição do peso e altura são realizadas de formas bem diferentes. Para pacientes que passaram por amputação de membros, também. Acesse o material com essas fórmulas aqui!
Encaminhar para um profissional especializado: caso não se sinta seguro em acompanhar um paciente com qualquer deficiência, o que acha de encaminhá-lo para um colega de profissão mais experiente? O bem-estar do paciente deve estar em primeiro lugar.
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, cerca de 15 mil mortes/ano foram registradas para o biênio 2018/2019 e é estimado que 3 milhões de homens convivam com a doença (1).
A campanha Novembro Azul é dedicada para a conscientização da população, buscando mais prevenção e cuidados dedicados ao bem-estar e saúde do homem.
O câncer é uma condição de saúde multifatorial e os fatores ambientais exercem grande participação, principalmente na prevenção. Destaca-se assim a importância da adoção e manutenção de hábitos mais saudáveis (2).
A alimentação está entre os fatores que merecem maior atenção e cuidado. Há um conhecimento geral da população sobre o impacto da alimentação no câncer, mas nem sempre o mesmo é suficiente para favorecer um consumo alimentar estratégico e preventivo (3).
Por isso, a importância da educação nutricional e avaliação do comportamento alimentar. O consumo de certos nutrientes demonstram uma associação interessante com a prevenção do câncer, como o de próstata (4).
Confira:
Selênio e Zinco: além de serem micronutrientes importantes para a resposta imunológica, também atuam na regulação de diversas enzimas importantes.
Figure 2. Possível papel do selênio e zinco para a progressão do câncer de próstata. Fonte: https://doi.org/10.3390/nu13020496
Observa-se que diversos mecanismos estão associados com essa resposta protetora do selênio. Os metabólitos desse nutriente têm o potencial de reduzir a expressão de PSA (Antígeno Prostático Específico). Um estudo baseado em uma amostra de 34.901 participantes demonstrou que havia um menor risco de câncer de próstata em homens com o selênio sérico adequado.
Quanto ao zinco, o mineral atua contribuindo para a regulação da proliferação celular. Um estudo de coorte, com 525 homens diagnosticados com câncer de próstata, mostrou que um consumo aproximado entre 15 a 20 mg/dia foi associado com uma redução em 36% na taxa de mortalidade, comparado com o consumo de 9 a 12.8 mg/dia de zinco.
Licopeno: É um carotenóide com grande potencial antioxidante e atuação no processo de peroxidação. Pode ser encontrado com maior concentração em tomates e seus derivados, como em molhos, pasta e no suco. Também está presente em outros alimentos, como melancia, goji berry e papaia, mas em menor concentração.
Um estudo de coorte mostrou que o papel protetor do consumo de licopeno está mais associado com o período de pré expressão de PSA. Dessa forma, homens saudáveis que consumiram licopeno reportaram um menor risco, em 28%, de apresentarem uma forma letal da doença.
Flavonóides: Isoflavonas, catequinas, resveratrol e outros compostos são encontrados em alta concentração em diferentes alimentos, como em pimentas, maçã, cebola, chá-verde, cereais e grãos.
Figure 3 Possíveis mecanismos de compostos flavonoides nas células no câncer de próstata. https://doi.org/10.3390/nu13020496
Diversos mecanismos estão sendo estudados, principalmente associados aos polifenóis do chá-verde, resveratrol e seus análogos e com isoflavonas. Todos esses demonstram associação com a inibição do crescimento de células cancerígenas, regulação de funções celular e redução do estresse oxidativo.
Seja você recém-formado, ou nutricionista com anos de carreira, muitos obstáculos ainda podem cruzar o seu caminho. Por isso, o apoio de outras pessoas é fundamental, principalmente de colegas de profissão.
Ao compartilhar situações e dividir inquietações, você descobrirá como algumas são mais comuns do que imaginava. A sensação de insegurança ao atender é um exemplo, profissionais com anos de mercado relatam tal experiência quando se deparam com um caso diferente ou são convidados para palestrar em um novo local.
Olhando por outra perspectiva, muitas vezes, se sentir inseguro pode ser um indicativo de áreas que merecem atenção e aprimoramento. O exercício de olhar para si e identificar pontos de melhoria é essencial para cuidar do próximo.
Trabalhar no desenvolvimento pessoal, adquirir mais segurança e obter conhecimento técnico são pontos muito importantes para o nutricionista. Por isso, selecionamos cinco ferramentas que podem te auxiliar a conduzir um atendimento nutricional de sucesso:
Parceria entre profissionais
Psicólogos, educadores físicos e fisioterapeutas, por exemplo, são profissionais que podem manter um contato mais próximo com nutricionistas. Diversos modelos de parcerias podem ser estabelecidos, o mais importante é alinhar propósitos e expectativas.
Claro, as parcerias também podem acontecer entre nutricionistas. Criar projetos em conjunto, compartilhar casos, pedir por uma segunda opinião em condutas clínicas, ou até dividir espaços de trabalho. Essas são boas ideias para quem está no começo ou em transição de carreira.
Rotina de estudos
A constante atualização é essencial, podendo acontecer em cursos, especializações e eventos, mas principalmente no dia a dia, com uma rotina estabelecida de estudos. A implantação desse hábito faz muita diferença no atendimento de cada paciente/cliente.
É possível começar da forma que preferir, mas estabeleça um dia e horário. Inclua na pauta artigos sobre um caso recente que se deparou, ou um artigo recém lançado sobre a sua área de atuação.
Materiais de apoio
É muito importante que todo material para estudo e direcionamento de conduta seja validado ou escrito com base em artigos científicos com alta relevância.
Por isso, tenha livros de confiança como base e artigos que apresentem uma metodologia sólida e tenham sido publicados em revistas criteriosas.
Aqui mesmo também é possível encontrar outros materiais de apoio, confira as nossas lâminas sobre Introdução Alimentar e Aleitamento Materno: https://www.allivici.com.br/Home/Laminas
Software de nutrição
Ter à disposição um software completo pode ser a solução para quem destina a maior parte do seu tempo com cálculos. Essa também é uma forma de valorizar o seu trabalho, destinando mais tempo para atender ou se aprimorar.
Há três etapas que um software facilita: estimativa da necessidade energética e gasto calórico, cálculo de macro e micronutrientes e o acompanhamento dos parâmetros de composição corporal. Faça um teste de 30 dias, gratuitamente: https://www.allivici.com.br
Conhecimento dos métodos de avaliação corporal
Essa é uma etapa essencial da avaliação nutricional, por isso precisa ser realizada da maneira correta, seguindo os protocolos adequados para cada população e com uma aferição precisa das medidas.
Mesmo que no software que você utilize tenha a função de cálculo automático, ou caso faça o uso da bioimpedância, um conhecimento mais aprofundado desses métodos é essencial.
Por isso, separamos dois textos nos quais falamos justamente sobre isso, confira:
Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2). Pensando no Dia Mundial do Diabetes trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:
Estratégias Nutricionais
Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais, como estévia, fica a sugestão de orientar o consumo desses adoçantes, podendo acontecer em substituição dos comumente utilizados;
Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição do açúcar por edulcorantes, a estratégia de contagem de carboidratos pode ser aplicada, por exemplo;
Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.
Materiais técnicos e educativos
Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net
Páginas profissionais da área
https://diabetes.org.br/e-books-publico/
Sociedade Brasileira de Diabetes: possui diversos materiais e guidelines, confira em diabetes.org.br/publico/
Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/
Página oficial Dia Mundial do Diabetes: outras informações e materiais podem ser encontrados em novembrodiabetesazul.com.br
No Brasil, esse tipo de câncer lidera a posição de mortalidade entre as mulheres e apresenta um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres (2).
A manutenção de hábitos saudáveis poderia auxiliar na prevenção de até 30% dos casos de câncer de mama, são eles: a prática regular de atividade física, o consumo de uma alimentação balanceada e a adequação do peso corporal (3).
Entre os fatores preventivos a nutrição exerce um grande papel. Vamos conhecer melhor a sua relação com a prevenção de câncer como o de mama?
Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer: Uma Perspectiva Global. INCA, 2020.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer) possui dois materiais muito interessantes que apresentam fatores intimamente associados com a incidência de câncer de mama, são eles (4,5):
Obesidade e acúmulo de gordura corporal
O quadro da obesidade carrega consigo uma série de alterações metabólicas que influenciam o estado do câncer: mudanças na função mitocondrial e de captação de glicose; os níveis mais elevados de insulina em jejum, estradiol, PCR e outras citocinas pró-inflamatórias; e o estímulo proliferativo e a supressão da apoptose.
A recomendação para a prevenção do câncer é a manutenção de uma circunferência da cintura menor do que 80 cm em mulheres e um IMC mais próximo de 24,9 kg/m2. Há uma intensa relação entre o maior risco para câncer de mama e o excesso de peso corporal devido às alterações acima citadas.
Consumo de bebida alcoólica
O consumo regular de álcool gera alterações no metabolismo hormonal e aumenta a síntese de metabólitos tóxicos, como o acetaldeído. A recomendação é que o consumo não ocorra, pois não há um limite seguro para a ingestão. No entanto, também é possível trabalhar com a redução.
Uma proposta de reduzir o consumo de bebidas alcoólicas para um drink por semana (15 gramas de álcool em etanol) prevê a economia de R$161,29 milhões de reais em custos despendidos pelo SUS no atendimento de pacientes oncológicos atribuíveis ao consumo de álcool.
Não aleitamento materno
Há uma alta prevalência de mulheres que não amamentaram até os 24 meses de vida do lactente. É conhecido que a amamentação protege as mães do câncer de mama e os bebês do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida.
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O alto consumo de carne vermelha e processada, assim como o baixo consumo de fibras alimentares apresentam relação com o desenvolvimento de câncer, mas em maior ocorrência com o tipo colorretal.
Além disso, não há como deixar a atividade física de lado, pois a mesma possibilita o desenvolvimento e manutenção de organismos mais resistentes, adaptáveis e com maior facilidade de recuperação
Dietas mais sustentáveis (DS) são modelos alimentares com a possibilidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo.
Na semana passada trouxemos o resumo de um artigo que explicava sobre tal conceito e outras orientações. A publicação traz como resultados cinco práticas que vão de encontro com o contexto de sustentabilidade.
Os autores citam que os candidatos ideias para compartilhar tal conhecimento com os consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. Essa é uma sugestão que vai de encontro com a prática da Educação Nutricional e Alimentar (EAN).
A EAN é um dos campos de conhecimento da ciência da nutrição, base para diferentes setores e atuações profissionais e apresenta o propósito de promover uma alimentação mais autônoma e saudável (1). Então, vamos nos aprofundar nas práticas sugeridas?
Adotar uma dieta baseada em vegetais:
Comparado ao sistema de produção de origem vegetal, os produtos de origem animal causam grande impacto ambiental, principalmente na emissão de gases de efeito estufa, alto custo e o uso exacerbado de terras, água e energia.
Muitas empresas iniciaram e aceleraram a criação e produção de produtos substitutos aqueles de origem animal. Há três possíveis categorias para tais produtos – aqueles que imitam carne em gosto, textura e aroma; os que são produzidos em laboratório com células animais; e os que possuem como base insetos, como os gafanhotos.
Há pontos positivos e negativos a serem avaliados para cada alternativa, em geral, é importante avaliar os aspectos sensoriais e nutricionais. Além de bem aceitos pelos consumidores, os produtos precisam ser enriquecidos principalmente com ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco.
Mitigar o desperdício de alimentos:
Nesse contexto, desperdício seria descartar alimentos que poderiam ser consumidos. Pode acontecer em diversas etapas, ainda na produção do alimento, no seu preparo ou na hora do consumo.
Na hierarquia de prioridades, o primeiro passo deve ser uma mudança no sistema de produção alimentar. A doação de alimentos também é um passo importante, podendo ser realizada como política fixa em grandes instituições que atuam com alimentos.
A redução do desperdício de alimentos também pode acontecer na alimentação animal, porém só é possível em pequena escala, por uma questão de segurança sanitária. Outro campo que precisa de atenção é na prática da compostagem, pouco conhecida e praticada pelo consumidor final.
Falando em sustentabilidade, como os alimentos são embalados também deve entrar em pauta. Comprar em maior quantidade para reduzir o descarte de embalagens pode nem sempre ser interessante. Pois, apesar das embalagens gerarem impacto ao meio ambiente, o desperdício alimentar pode impactar muito mais.
Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados:
O sistema produtivo de tais alimentos está associado com práticas de refinação, adição de substâncias artificiais, poluição ambiental, uso de pesticidas e herbicidas, além da redução de práticas culinárias caseiras e a dissipação de culturas alimentares.
Avaliar o impacto ambiental na geração de gases poluentes, entre outras consequências ambientais, torna-se difícil pela variedade de produtos alimentares categorizados como ultraprocessados.
No entanto, o impacto para a saúde de tais produtos é amplamente conhecido. Um consumo alimentar excessivo de ultraprocessados está associado com o aumento de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
Envolver-se em sistemas alimentares locais:
Considerando o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados, priorizar sistemas produtivos locais é uma prática possível e sustentável. No entanto, contrapontos podem ser feitos, grandes sistemas podem proporcionar maior eficiência no transporte de alimentos, por exemplo.
Mesmo sendo difícil estimar a diferença no impacto ambiental com tal mudança, outros benefícios podem ser encontrados em priorizar os produtores locais, como no aumento da produção e acesso de frutas e vegetais, maior contato com o alimento e no estímulo da economia local.
Escolher frutos do mar sustentáveis:
Uma das principais questões com o consumo de frutos do mar está no próprio sistema produtivo, como na pesca ilegal, excessiva e irresponsável com outras espécies marinhas, como tartarugas golfinhos, baleias e tubarões.
A pesca indevida invade o habitat e ciclos naturais dos animais marinhos, caso ocorra de forma excessiva também impacta na própria produção da espécie. Também há impacto na poluição marinha, pois ferramentas de pesca comumente são descartadas de maneira imprópria.
Uma alternativa são os sistemas sustentáveis de produção, a aquicultura tem como propósito criar tais espécies de consumo em um ambiente controlado, seguro e sem impacto ambiental. Mesmo assim, os selos de garantia e sustentabilidade devem ser priorizados no momento da compra.
Os dados mais recentes sobre o consumo alimentar atual da população mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de 9% para 16%, em um intervalo de seis meses, entre os anos de 2019 e 2020 (1).
É importante destacar que durante o período também a pandemia da COVID-19 estava em seu auge e também impactou nessa mudança alimentar.Hoje, iremos considerar tal cenário atual e avaliarmos: como será o futuro da alimentação?
Um recente artigo apresentou e discutiu os possíveis caminhos para se alcançar práticas dietéticas mais sustentáveis. Confira o nosso resumo a seguir!
Introdução
Dietas mais sustentáveis (DS) são aquelas que promovem benefícios para a saúde, apresentam baixo impacto ambiental, estão conectadas com certos pilares da sustentabilidade, e contribuem para a segurança alimentar atual e de futuras gerações.
O presente artigo busca sintetizar e revisar as evidências disponíveis para as dietas sustentáveis e a aplicabilidade das mesmas, assim como oferecer recomendações práticas aos educadores em nutrição.
Metodologia
O presente estudo se configura como uma revisão narrativa completa da literatura realizada no ano de 2021, com publicações datadas desde 2010 e encontradas a partir dos termos “dietas sustentáveis”, “nutrição”, “educação nutricional”, entre outros.
Resultados
Os estudos selecionados retornaram cinco recomendações consideradas adequadas para o conceito de dietas mais sustentáveis:
Adotar para uma dieta baseada em vegetais;
Mitigar o desperdício de alimentos;
Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
Envolver-se em sistemas alimentares locais;
Escolher frutos do mar sustentáveis.
Discussão
As recomendações podem ser trabalhadas de diversas formas. Mesmo que o conteúdo seja mais direcionado ao público adulto, o mesmo pode ser adaptado para outras populações e complementar programas educacionais em alimentação.
Para citar exemplos, quando a pauta é a promoção de dietas à base de plantas, é interessante que a motivação seja em direção ao consumo de alimentos fontes de proteína mais naturais e não ultraprocessados, como leguminosas, castanhas e sementes.
Conclusão
A adoção de dietas mais sustentáveis (DS) tem a capacidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo.
Os candidatos ideias para fornecer tal educação aos consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação.
Destaca-se que as recomendações práticas oferecidas são limitadas ao nível de experiência dos autores, sendo importante que uma constante atualização no assunto seja realizada.
No ano de 2021, aproximadamente 117 milhões de brasileiros se encontravam em situação de insegurança alimentar; sendo que 9% desses declarou estar passando fome (2). Apesar da escassez de alimentos já ter sido pior em território brasileiro, essa não é uma realidade extinta.
Inclusive, no mês de outubro (16/10) é celebrado oDia Mundial da Alimentação. Durante o período, eventos acontecem abordando uma alimentação mais saudável, acessível e segura para todos.
Para tanto, além da fome e insegurança alimentar, também é preciso falar sobre sustentabilidade e caminhos pelos quais poderíamos prosseguir para promover um sistema alimentar mais justo.
Segundo Mazzocchi et al., uma alimentação e nutrição sustentável contempla os aspectos sociais, econômicos, ecológicos e biológicos de uma comunidade.
Para o futuro da alimentação é desejável um sistema de produção economicamente acessível e que proteja a biodiversidade e os ecossistemas. Um cenário que sirva à saúde humana e a ambiental.
Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados auxiliaria na redução do impacto que o sistema alimentar atual causa na biodiversidade No entanto, essa ainda não é uma realidade acessível a todos.
Também é importante discutir o comportamento humano e os hábitos de consumo, pois para tal construção é importante que as pessoas sejam incentivadas a mudar a realidade atual.
Um momento importante para tal aprendizado, por exemplo, é durante a primeira infância. O consumo alimentar familiar pode refletir muito nas escolhas alimentares futuras.
Preferências para um consumo mais saudável e sustentável podem ser moldadas com a introdução de valores voltados para a sustentabilidade, sensação de comunidade e respeito com o meio ambiente.
Acesse aos textos anteriores sobre o tema e outros materiais de apoio:
As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1).
O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).
As estratégias para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisam considerar um fator importante, o nível de adesão do indivíduo ou grupo terapêutico, principalmente por se tratar de uma condição crônica.
Fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e uma alimentação inadequada devem ser trabalhados. Para o nutricionista, há algumas estratégias capazes de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares:
exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4).
Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento.
Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais:
A prática da atividade física está intimamente atrelada com a melhora global da saúde, sendo benéfica no controle de doenças cardíacas, diabetes, câncer e depressão (1).
Uma rotina ativa impacta na composição corporal e no melhor manejo de doenças como diabetes, por exemplo.
Inclusive, a mesma pode impactar até na saúde intestinal. Uma recente revisão avaliou o impacto da atividade física na microbiota intestinal de adultos mais velhos. Confira!
Introdução
A população tem envelhecido e também se tornado fisicamente inativa; estima-se que idosos passam de 65% a 80% do tempo sentados. Esse é um fator alarmante, ao considerar as consequências do sedentarismo.
Recentemente, os achados científicos têm demonstrado que a atividade física também pode melhorar a microbiota intestinal, afetando a biodiversidade e composição da mesma; sendo uma prática impactante para o processo de envelhecimento.
Envelhecer causa uma natural redução de bifidobactérias e lactobacilos, e um aumento de proteobactérias e bacteroidetes; além de ter a sua produção de metabólitos, como o butirato, reduzida.
Essa revisão buscou avaliar o impacto da atividade física em benefício da microbiota intestinal em adultos mais velhos.
Metodologia
Para a seguinte revisão foram selecionados estudos com adultos mais velhos (>60 anos), tanto observacionais, quanto de intervenção com controle randomizado. Para a avaliação da microbiota intestinal foram considerados fatores como a composição taxonômica, abundância e a diversidade bacteriana.
Resultados
Segundo os estudos, a prática de atividade física aumentou a abundância de Actinobactérias e reduziu de Firmicutes. Na avaliação final, quando todos os resultados foram unificados, Firmicutes apresentaram maior diferença, seguidos de Proteobactérias, Bacteroidetes, Actinobactérias e Verrucomicrobia.
Em relação à diversidade alfa, nenhum dos estudos encontrou alterações. Já nos resultados para a diversidade beta, alguns não encontraram diferenças, um encontrou uma relação fraca e outros encontraram diferenças significativas.
Outras contradições também foram encontradas nos estudos avaliados, as quais podem ser melhor observadas nas tabelas 2 e 3 apresentadas no artigo em questão.
Discussão
A prática de atividade física foi associada, segundo os estudos avaliados, com mudanças nos filos predominantes na microbiota intestinal, com aumento de Actinobactérias e a redução de Firmicutes.
É necessário que mais estudos de intervenção sejam realizados, com uma ampla amostra e variados tipos de exercício físico. Também é importante que os estudos procurem avaliar os mesmos parâmetros, sem esquecer de outros que influenciam na composição da microbiota, como a dieta, composição corporal, ingestão de álcool ou tabaco.
Conclusão
É possível sugerir que a prática de atividade física tem um potencial positivo na microbiota intestinal de adultos mais velhos, podendo ser uma prática benéfica para o envelhecimento.
No entanto, a quantidade limitada de estudos, as diferenças metodológicas e de amostragem não possibilitaram um consenso no assunto.
É necessário que mais estudos sejam realizados sobre os efeitos do exercício e atividade física para a microbiota intestinal, de adultos e pessoas idosas.
É de comum conhecimento que uma alimentação planejada é essencial para atingir os resultados desejados na performance e recuperação do atleta e esportista. No entanto, nem sempre esse indivíduo está sendo acompanhado por um profissional.
Por isso, é de extrema importância que o padrão alimentar seja avaliado entre esse público. Um artigo recente avaliou os fatores mais determinantes para as escolhas alimentares no meio esportivo, assim como as dietas mais comuns.
Continuando o assunto da última semana, quais são as dietas, prescritas ou realizadas por conta própria, mais seguidas por esse público?
Dietas no meio esportivo
Sem glúten
A isenção de alimentos e produtos com glúten é relevante para pessoas portadores de doença celíaca, intolerância ao glúten e alergia ao trigo. No entanto, a dieta tem se popularizado entre muitos, inclusive no meio esportivo. A principal razão para a aderência desse grupo é a crença que o consumo de glúten seja a causa de patologias gastrointestinais.
Outro fator relevante para a nutrição é que na restrição alimentar do glúten, também há uma redução dos alimentos fontes de carboidrato disponíveis para o consumo; fator que deve ser considerado, pois a maioria das modalidades necessita de um consumo alimentar adequado de carboidratos.
Baixa em FODMAPs
Essa dieta, restrita em alimentos com carboidratos de cadeia curta, apresenta alta taxa de sucesso no tratamento para síndrome do intestino irritável. Devido a grande preocupação com os sintomas gastrointestinais, essa dieta tornou-se popular no esporte.
A restrição desses alimentos mais fermentáveis visam minimizar a ocorrência dos sintomas (distensão abdominal, cólicas, flatulência, eructação e etc). É importante que o devido acompanhamento seja realizado, evitando uma restrição alimentar excessiva, ou a carência de nutrientes, como cálcio.
Plant-based
Dietas vegetarianas e veganas têm sido associadas com benefícios para a saúde, como na redução do risco de doenças crônicas. Há muitos fatores que podem ser motivadores para seguir esse estilo alimentar.
Ainda há poucos estudos que demonstram benefícios para a performance esportiva, mas por apresentar um perfil alimentar mais alto em carboidratos, pode ser vantajosa para modalidades que se beneficiam de um estoque de energia.
Também apresenta benefícios pensando no perfil de antioxidantes e fitonutrientes. No entanto, mais atenção deve ser dedicada para o consumo de certos nutrientes, como ácidos graxos ômega 3, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e vitamina B12.
Produtos Funcionais
Diferentes alimentos têm sido desenvolvidos pensando nas demandas alimentares do meio esportivo, como “barrinhas” com quantidade reduzida de açúcares, biscoito de arroz com adição de batata-doce, bebida de chocolate sem lactose e fortificada com leucina.
A criação de alternativas como as citadas pode ser interessante para a redução do risco de desordens gastrointestinais e maior efetividade nos treinamentos.
Personalizada / Genética
Recentemente, conceitos como nutrigenômica e nutrigenética ganharam espaço no meio esportivo. Nesse contexto, nutrientes que podem impactar na expressão genética e os seus mecanismos são estudados.
Leucina, por exemplo, é um aminoácido que impacta na atividade de diversas quinases e na sinalização da mTOR, funções associadas com a síntese proteica, desenvolvimento muscular e performance esportiva.
A particularidade genética de cada um também tem sido considerada para a escolha da dieta adequada. Polimorfismos nos genes LAT1 e LAT2 podem impactar na taxa de absorção de aminoácidos BCAA, como a leucina.
Conclusão
De acordo com os estudos avaliados, diversas dietas são seguidas no meio esportivo. Há destaque para uma alimentação sem glúten, baixa em FODMAPs e baseada no consumo de plantas.
Ressalta-se que sempre o ideal é o consumo alimentar adequado individualmente, considerando o nível de treinamento, objetivos e fatores pessoais.
Ter atenção para o consumo alimentar desse público é essencial, principalmente para produtos e serviços focados na genética, pois é uma temática que ainda necessita de muitos estudos diante da complexidade apresentada.
Para se obter os resultados desejados no esporte é muito importante que a rotina alimentar e de treinamentos sejam seguidas. Por isso, para profissionais que atuam com esse público, o conhecimento de estratégias nutricionais adequadas para cada modalidade e nível de performance é essencial.
No entanto, também é importante que os fatores determinantes para essas escolhas sejam avaliados, caso contrário, os resultados desejados não serão atingidos com tanta efetividade.
Dessa forma, é essencial que o nutricionista entenda sobre os fatores que podem influenciar na alimentação desse público, podendo então identificar com mais clareza as dificuldades e possíveis soluções. O estudo de hoje, recentemente publicado na Nutrients, aborda justamente esse tema.
Introdução
A nutrição é base essencial para a performance, recuperação e adaptação do atleta. Atualmente, novos estudos focados na genética, microbiota intestinal e individualidade imunológica têm visado auxiliar na efetividade das estratégias nutricionais no esporte.
Na alimentação, muitos fatores podem ser influentes para uma escolha, como preferências pessoais, custo, sustentabilidade, cultura, aspectos familiares ou religiosos.
No esporte, o peso e a forma corporal também são fatores importantes, podendo ter maior ou menor impacto dependendo da modalidade, intensidade de treinamento e nível de dedicação (esportista ou atleta).
Resultados e Discussão
Fisiológicos e biológicos
A prática de comer ou permanecer em jejum é comumente realizada por motivos além da fome ou saciedade; visando atingir uma meta de peso corporal, consumo calórico ou nível de hidratação, por exemplo. O apetite também pode ser impactado, comumente suspenso após horas de esforço físico excessivo.
Assim, os fatores fisiológicos de fome, saciedade e apetite não são os principais determinantes nas escolhas alimentares para esse público. No entanto, a escolha por alimentos conhecidos é fortemente valorizada. Isso acontece visando evitar sintomas gastrointestinais, pois afetam a rotina de treinamento e a recuperação.
Estilo de vida
As escolhas alimentares variam de acordo com a motivação da prática esportiva, modalidade, fase de treinamento e nível de competição. Por exemplo, praticantes de endurance possuem a tendência de avaliar com maior intensidade os aspectos nutricionais das refeições do que aqueles em modalidades de força.
Psicológicos
Já foi avaliado que o peso corporal é o fator mais importante para esse público. No esporte, há maior risco para transtornos alimentares, principalmente em modalidades que a forma corporal é valorizada, como na natação ou ginástica olímpica.
Sociais
A rotina de cada indivíduo pode influenciar na escolha de alimentos fáceis e rápidos de serem preparados. No esporte, é importante que as necessidades energéticas sejam supridas, por isso as refeições precisam ser melhor planejadas. Costumes e tradições familiares podem ou não ser valorizados, devendo ser um aspecto individual a ser avaliado. O conhecimento e as crenças pessoais sobre alimentação também podem ser relevantes.
Econômicos
O custo da alimentação é um fator determinante para pessoas com renda mais baixa e estudantes. No esporte, o nível de treinamento, a modalidade, renda e a presença de patrocínios são relevantes para as escolhas alimentares.
Conclusão
Essa revisão avaliou os fatores que podem influenciar no comportamento alimentar nas práticas esportivas. Saúde e peso corporal são os fatores mais relevantes, em seguida é possível observar que as escolhas alimentares são mais direcionadas visando evitar sintomas gastrointestinais e para atingir as metas de treinamento e competição.
Nesse mês temos uma importante campanha que merece a atenção de todos: “Setembro Amarelo”. No Brasil, aproximadamente 12 mil casos de suicídio são registrados todos os anos, com quase 97% desses associados a algum transtorno psiquiátrico (1).
É com o objetivo de reduzir esses números que todos precisam estar envolvidos nesse movimento. Os profissionais da saúde podem, e devem, ser os principais capacitados na identificação de possíveis sinais de atenção. Então, teria o nutricionista um papel nesse cenário?
O modelo terapêutico baseado na escuta ativa possibilita o profissional a receber muitos relatos pessoais, os quais podem indicar sinais para depressão ou comportamentos de possível risco para suicídio.
Para esses casos, mesmo que o nutricionista não seja apto para avaliá-los, o mesmo pode estar atento aos sinais e realizar o devido encaminhamento para um psicólogo, principalmente devido ao vínculo terapêutico já existente com o cliente.
Também é importante ressaltar que muitos nutricionistas atendem pessoas com transtornos alimentares, para esse público, a atenção deve ser redobrada.
Dois estudos brasileiros apontaram maior risco para suicídio entre pessoas com sintomas para transtornos alimentares, sendo esse agravado quando também havia sintomatologia de depressão (2,3).
Há uma correlação entre transtornos alimentares e risco para suicídio, mas ainda não há clareza sobre essa associação, ou seja, se a presença do transtorno alimentar pode ser considerado um fator de risco para suicídio (4).
Porém, esse é um dado importante a ser considerado na conduta clínica do nutricionista, para que esse esteja mais atento aos possíveis sinais e mais preparado para realizar um encaminhamento profissional.
Assim, o nutricionista pode ser mais uma “porta de entrada” para o atendimento desse público que precisa de suporte e atenção profissional. Além de psicólogos parceiros, você também pode indicar os canais do Centro de Valorização da Vida !
Na próxima semana nós celebramos o Dia do Nutricionista (31/08).
O nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que podem nos motivar a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender sendo nutricionista?
Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos a história de uma nutricionista para que possamos refletir sobre a mudança de vida podemos proporcionar:
“Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil.
Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.
Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.
Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal.
Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado!
Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”
E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante?
Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!
Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar:
O Dia da Gestante (15/08) é uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida, tanto para a população quanto para os profissionais da saúde.
Na nutrição, o auxílio profissional ocorre em diversas formas. Inclusive, em postagens anteriores falamos sobre o papel do nutricionista no incentivo à amamentação.
Os benefícios de um bom acompanhamento nutricional durante esta etapa da vida também é uma pauta primordial a ser abordada.
Todo o desenvolvimento fetal é dependente do estado e consumo nutricional da pessoa gestante, por isso, a importância de se atentar para esse aspecto durante esse período.
No entanto, nem sempre toda suplementação é primordial, cada caso deve ser analisado individualmente. Como é possível analisar na imagem abaixo, há alguns nutrientes que não exigem um consumo superior devido a gestação:
Já outros nutrientes precisam de maior atenção em nossa prática clínica (1):
Vitamina D
O feto é dependente da mãe, através da placenta, para adquirir vitamina D, vitamina que está intimamente relacionada à homeostase do mineral cálcio e a manutenção do tecido ósseo. Para a gestante, há aumento da absorção intestinal de vitamina D e cálcio, e a redução da excreção urinária de cálcio; ou seja, uma adaptação metabólica para atender às necessidades nutricionais do feto.
Os exames laboratoriais para hidroxivitamina D ou 25(OH)D devem apresentar níveis plasmáticos superiores a 50 nmol/L (ou 20 ng/mL). Já as recomendações de consumo alimentar para gestantes, segundo o Institute of Medicine, é de 10 µg/dia.
Para a suplementação, de acordo com a Canadian Academy of Pediatrics e American College of Obstetricians and Gynecologists, recomenda-se de 2.000 UI/dia durante a gestação e lactação. Em relação à toxicidade, o risco pode ocorrer acima de 20.000 UI/dia, com consequências de hipercalcemia e hipercalciúria.
A exposição diária ao sol, de áreas do corpo como braços e pernas, por tempo mínimo de 15 minutos já é suficiente para garantir a síntese adequada de vitamina D3 (com possível variação de acordo com a latitude, estação do ano, cor da pele, utilização de filtro solar e influência da dieta).
Vitaminas do Complexo B
Há maior necessidade de consumo para todas as vitaminas do complexo B, o ácido fólico ganha destaque no período pré-gestacional, por exemplo para tentantes, como também para o primeiro trimestre da gestação.
O consumo adequado de ácido fólico está associado com a redução de doenças congênitas e malformações do sistema neurológico, assim como a anemia materna. Por isso, é um nutriente tão suplementado, principalmente por ter a sua necessidade de consumo duplicada durante o período gestacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a suplementação deve ser de 0,4 mg/dia.
As outras vitaminas do complexo B também são importantes e estão associadas com o crescimento do feto e o desenvolvimento do sistema neurológico e cardíaco, principalmente a vitamina B12.
Ferro
É um mineral essencial para o transporte de oxigênio. Em gestantes há um aumento da necessidade metabólica desse nutriente. Inclusive, a anemia é uma das deficiências nutricionais mais comuns durante a gravidez.
Além disso, a deficiência também pode ser influenciada por uma redução de consumo, principalmente devido às mudanças no hábito alimentar que ocorrem pela gestação.
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Em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares, a demanda metabólica pode ser maior, por isso, o estado nutricional possui um impacto ainda maior para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional.
Em um estudo com gestantes, a maioria da amostra com deficiências nutricionais apresentou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas (2).
Assim, em gestações, principalmente as gemelares, é importante que a adequação nutricional e o monitoramento sejam realizados com muita cautela e responsabilidade!
Apesar de todos os incentivos ao aleitamento materno exclusivo, no Brasil o mesmo apresenta indicadores aquém dos níveis desejados.
Diversos são os fatores que podem impactar na redução do desmame, como a dificuldade inicial com a técnica da mamada, ou a falta de suporte familiar.
Assim, ainda antes do nascimento da criança, os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, como falamos no post anterior.
Como foi dito, uma das principais contribuições do nutricionista para a promoção do aleitamento materno é na educação prática de gestantes e puérperas.
Ainda pensando no “Agosto Dourado”, seguem algumas orientações importantes que podem ser anexadas ao atendimento nutricional:
Antes de iniciar a amamentação:
A mãe deve lavar as mãos, antebraço e unhas com água e sabonete. As unhas preferencialmente devem estar curtas para evitar que machuque o bebê e facilitar a higienização;
Um pouco do próprio leite deve ser passado na região mamilo-areolar;
Verificar a flexibilidade mamilo-areolar e caso a mama esteja cheia ou ingurgitada, a mãe deverá realizar massagem ou ordenha manual antes de colocar o bebê para mamar. Facilitando assim a pega e a retirada do leite.
Durante a amamentação:
Apresentar a mama em “C” para auxiliar o aprendizado do bebê a ter boa pega;
Para facilitar o reflexo de busca do bebê, pode-se virar o rostinho em direção à mama e tocar o mamilo na comissura labial esquerda, direita, superior ou inferior do bebê;
As mães devem estar tranquilas no momento da amamentação, pois não há tempo fixo para o bebê mamar. Isso dependerá da pega, da posição adequada e da voracidade do bebê para retirar o leite. Pois o bebê suga, deglute, respira e pode fazer uma pausa, em alguns momentos, para descansar;
Caso a pausa se prolongue, toque nas orelhas ou pés do bebê para que retome a sucção.
A todo momento é importante que a criança esteja bem posicionada, sem o pescoço torcido ou o queixo longe da mama e verificar para corrigir caso o lábio inferior do bebê esteja virado para dentro.
O posicionamento correto do binômio mãe-lactente, que assegura a pega adequada e evita traumas mamilares (mastite, fissura, ferida mamilar, dor, abscessos mamários, ingurgitamento mamário).
Para tranquilizar as mães, também é interessante ensinar os cinco sinais de que a posição está correta:
O bebê se aconchega até o peito da mãe, abraçando-a.
A barriga do bebê encosta-se ao corpo da mãe.
O rostinho do bebê fica de frente para a mama.
A cabeça e a coluna do bebê estão alinhadas.
A cabeça do bebê está apoiada no braço materno.
Para finalizar, é possível encontrar diversas orientações complementares em ferramentas educativas, como na próprialâmina para nutricionistasdo Allivici.
O aleitamento materno, além de nutrir adequadamente a criança, também reduz a morbimortalidade infantil e o desenvolvimento de doenças comuns na infância, como distúrbios gastrointestinais e pneumonias. Além disso, contribui fortemente para a formação do vínculo afetivo profundo entre o binômio mãe-lactente.
Por todos esses e outros benefícios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro preconizam que o aleitamento, principalmente de forma exclusiva, seja oferecido até os seis meses de idade da criança, podendo ser estendido até os 2 anos, em conjunto à alimentação complementar.
Os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, por exemplo:
Conhecer a história de vida materna e familiar, podendo nortear melhor a conversa e motivá-la a manter a amamentação;
Conversar sobre a oferta de bico/chupeta, pois podem causar confusões de bico e interferir na alimentação do bebê, inclusive, na interrupção do aleitamento;
Incentivar que o parto seja realizado em um Hospital Amigo da Criança, para que a interação mãe e filho seja o mais próximo possível no parto;
Educação prática de gestantes e puérperas sobre o processo da pega e a amamentação.
Outras observações nutricionais importantes:
Os intervalos entre as mamadas são geralmente menores em bebês em aleitamento materno exclusivo, diferentemente de bebês que recebem fórmulas infantis, pois o leite materno apresenta digestibilidade mais rápida;
É muito importante que o bebê esvazie uma mama antes de oferecer a outra, garantindo que o consumo do leite anterior e posterior;
Caso a mãe apresente trauma mamilar, mastite ou ingurgitamento, a posição ideal a ser orientada é a invertida – a cabeça do bebê fica apoiada na mão da mãe, o antebraço apoia o corpo do bebê e a barriga do bebê permanece encostada na mãe; o braço que segura o bebê é o mesmo lado da mama oferecida;
Já a posição cavaleiro pode ser indicada em casos de bebês prematuros, sonolentos, com lábio leporino, fenda palatina, com refluxo gástrico e obstrução nasal;
Para as mães que precisam retornar ao trabalho fora de casa, a retirada e o armazenamento correto do leite devem ser orientados.
Conforme os estudos indicam, a educação sobre o aleitamento materno desde o pré-natal é essencial, e deve ser continuado após o parto; quando a amamentação se concretiza surgem dúvidas, dificuldades e ansiedades maternas que podem interferir no sucesso da amamentação.
Para o nutricionista é muito interessante ter conhecimento sobre a rotina de seus clientes. Pois, antecipar situações difíceis, apresentar soluções e oferecer orientações adequadas diante de diferentes cenários, pode ser o caminho mais eficaz para motivar a continuidade da amamentação.
Até mais!
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Gessandro Elpídio Fernandes et al. Dificuldades iniciais com a técnica da mamada e impacto na duração do aleitamento materno exclusivo. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., Recife , v. 18, n. 3, p. 517-526, set. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042018000300005.
CIRICO, Michelli Oliveira Vani; SHIMODA, Gilcéria Tochika; OLIVEIRA, Rebeca Nunes Guedes de. Qualidade assistencial em aleitamento materno: implantação do indicador de trauma mamilar. Rev. Gaúcha Enferm., Porto Alegre , v. 37, n. 4, e60546, 2016 . http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2016.04.60546
MORAES, Bruna Alibio et al . Fatores associados à interrupção do aleitamento materno exclusivo em lactentes com até 30 dias. Rev. Gaúcha Enferm., Porto Alegre , v. 37, n. spe, e2016-0044, 2016 . http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2016.esp.2016-0044
O conhecimento sobre antropometria é muito importante para o nutricionista, especialmente aquele que trabalha com a prática clínica. Há diferentes protocolos destinados para cada população. Quais você conhece?
Antes de continuar, confira o nosso último texto sobre os métodos mais utilizados e a aplicabilidade de cada um
Hoje, o mais utilizado é a bioimpedância, mas você sabia que em muitas condições esse não é o método mais adequado? Também iremos abordar mais sobre as dobras cutâneas e circunferências.
Bioimpedância
Indicação
Há maior precisão ao avaliar massa magra, massa livre de gordura, hidratação corporal e monitoramento em intervenções de perda de peso; não é indicado para pessoas gestantes, com obesidade ou situações de saúde com intensa retenção de líquidos. Os equipamentos mais precisos são aqueles que contam com a medição tanto nos pés, como nas mãos, e alça de eletrodos.
Preparo
Estar em jejum, isentar o consumo de água 2h antes do procedimento, não realizar atividade física intensa nas últimas 24h, não consumir álcool nas últimas 48h, estar com a bexiga vazia antes do exame. Também é indicado realizar em jejum matinal, podendo ter uma maior dimensão de como está o estado corporal em nível basal.
Dobras cutâneas e circunferências
Indicação
As dobras cutâneas oferecem precisão ao avaliar atletas, esportistas ou mudanças corporais associadas com a performance, como o ganho de massa muscular. O uso de um adipômetro é necessário.
No caso das circunferências, há medidas que complementam a avaliação de ganho de massa muscular e perda de gordura corporal. Uma caneta marcadora lavável e uma fita métrica inelástica são necessárias.
A aferição de medidas como a da cintura, do quadril e pescoço podem ser usadas em conjunto com o Índice de Massa Corporal (IMC), principalmente para avaliação em grupos. É um protocolo rápido, de baixo custo, boa acurácia e alta acessibilidade; e possibilita avaliar condições como a obesidade e desnutrição.
Preparo
As aferições devem ser realizadas sob a pele limpa e seca, por isso, não devem ser utilizados cremes, géis ou óleos corporais antes da avaliação. O uso de roupas de banho também facilita o procedimento.
No Software do Allivici há uma aba inteiramente dedicada à antropometria, com vários protocolos disponíveis e as suas fórmulas já inseridas:
Ter uma ferramenta que facilite essa etapa do atendimento é muito importante.
Uma combinação de métodos também pode ser vantajosa, desde de que a indicação para cada protocolo seja bem seguida, para que a análise da sua intervenção nutricional seja apurada. Se mantenham atualizados!
A compreensão do estado nutricional tem íntima relação com a avaliação corporal, a qual pode ser utilizada tanto a nível individual, como populacional, por exemplo no caso de estudos epidemiológicos.
Há relevância clínica e científica para a avaliação corporal, com referenciais estabelecidos para diversas faixas etárias e grupos populacionais, como para algumas condições de saúde, como a obesidade, a sarcopenia e desnutrição.
Um ponto importante: existem métodos específicos de avaliação para cada área de atuação. Sendo assim, as medidas antropométricas mais importantes para um idoso internado não serão as mesmas que para um adolescente esportista.
Há três fatores importantes para se escolher o método de avaliação corporal:
acurácia
acessibilidade
custo.
Além de saber escolher com cautela qual método e protocolo será utilizado para cada caso, é importante adquirir a prática da avaliação. Por isso, existem cursos específicos, até mesmo com certificações oficiais, como é o caso daqueles com padrão ISAK (International Society for Advancement of Kinanthropometry).
Hoje, reunimos os métodos mais populares e as suas aplicabilidades em formato de resumo, baseado no recente estudo publicado na Nutrients, para a sua prática clínica!
Métodos de avaliação corporal
Índice de massa corporal (IMC): amplamente utilizado, por ser um método de baixa complexidade e fácil execução. A altura e peso do indivíduo são aplicados a uma fórmula e o resultado é classificado a partir de um referencial. Não entrega uma análise individualizada, mas ainda possui muita relevância para análises populacionais.
Circunferências: as principais são as da cintura e do quadril, principalmente de forma complementar ao IMC e para a avaliação de risco cardiovascular e complicações metabólicas. São práticas, fáceis de serem aferidas e exigem apenas o uso da fita métrica, mas não proporcionam uma avaliação da composição corporal.
Dobras cutâneas: É um método de baixo custo e boa eficácia para estimar a porcentagem de gordura corporal. Necessita de um equipamento, o adipômetro, e o resultado é obtido ao aplicar os valores aferidos em equações para cada grupo populacional. Há indicação para o uso de adipômetros mais precisos, como os de metal, por exemplo.
https://www.mdpi.com/2072-6643/13/8/2493#
Bioimpedância: funciona a partir de um baixo nível de corrente elétrica que mensura a composição corporal. Por ser um método sensível à quantidade total de líquido corpóreo, a avaliação deve ser sempre realizada em estados similares de hidratação e atividade física. A eficácia do método aumenta de acordo com a capacidade do equipamento.
Aplicativo de avaliação: a partir de imagens, o aplicativo estima dados como medidas, volume e tamanho corporal. Não é um recurso considerado profissional pela falta de validações científicas. Sendo assim, para a prática clínica outros métodos podem ser utilizados.
Pletismógrafo: é pouco utilizado na prática, apesar de ter alta acurácia, devido o equipamento ser robusto – uma câmara com capacidade de até 500L e sensores computadorizados. Alguns estudos, que compararam o método ao da pesagem hidrostática, demonstraram que o mesmo superestima a porcentagem de gordura corporal.
DEXA (Dual-energy X-ray absorptiometry): é o método mais completo, por também quantificar e avaliar o conteúdo corporal ósseo, além da massa magra e massa livre de gordura. No entanto, não mensura a quantidade de água corporal, assumindo um padrão de hidratação que pode não corresponder à realidade e conduzir a erros; outra limitação do método é a exposição à radiação, apesar de ser baixa.
Tomografia computadorizada: permite resultados mais precisos, devido a melhor avaliação da segmentação dos tecidos. Apesar da precisão obtida, não é utilizado na prática clínica, assim como o método acima, por exigir equipamentos de grande porte. Além de ambos serem métodos que exigem uma boa tolerância do indivíduo a permanecer imóvel em espaços pequenos.
Peso hidrostático: baseado no princípio de arquimedes, foi considerado um método padrão-ouro por muito tempo, mas devido a falta de acessibilidade ao equipamento, tornou-se um protocolo pouco praticado. A densidade corporal e a porcentagem de gordura corporal é obtida por uma equação.
→ Mantendo a atenção aos três fatores citados anteriormente, conhecendo a teoria e dominando a técnica, dificilmente haverá erros! Acesse o artigo na íntegra aqui.
Algumas mudanças na rotulagem dos alimentos começarão a ser vistas em breve. Um dos benefícios que o conhecimento sobre a leitura dos rótulos proporciona é a maior segurança para aqueles que sofrem com alergias alimentares.
É estimado que 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofram algum tipo de alergia alimentar (1). Inclusive, o Dia Mundial da Alergia (08/07) é uma data que visa a maior conscientização sobre alimentos, medicamentos ou fatores ambientais e climáticos que são alergênicos (2).
No caso dos alimentos, os principais são: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. No entanto, há outros que podem ser causadores de reações alérgicas, dependendo da reação do organismo de cada indivíduo às frações alergênicas presentes nos alimentos.
fonte: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/5/1638
É importante ressaltar que o diagnóstico nesses casos é sempre realizado por médicos. O papel do nutricionista diante de quadros de alergias é orientar um consumo alimentar seguro, minimizando o risco de contaminação e ofertando substituições acessíveis e nutricionalmente adequadas.
Por isso, a restrição de alimentos não deve ser realizada de forma indevida, ou encarada como um modismo. A própria Associação Brasileira de Imunologia (ASBAI) divulgou um texto sobre como o excesso de diagnósticos pode ser prejudicial (3).
“Enquanto a falta do correto diagnóstico pode acarretar sintomas graves, potencialmente fatais, a restrição desnecessária também acaba por levar a estigmas nutricionais, psicológicos e sociais”.
Para finalizar, já trouxemos aqui um texto exclusivo sobre a relação das alergias alimentares com a microbiota intestinal. É muito importante que o profissional se mantenha atualizado nesta pauta, uma forma é acompanhar os nossos conteúdos semanais no Blog Allivici.
Além disso, confira outros materiais que serão ferramentas nessa abordagem clínica: