Atualidades, Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Motivos para Continuar

Na próxima semana nós celebramos o Dia do Nutricionista (31/08). 

O nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que podem nos motivar a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender sendo nutricionista?

Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos a história de uma nutricionista para que possamos refletir sobre a mudança de vida podemos proporcionar: 

Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil. 

Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.

Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.

Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal. 

Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado! 

Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”

E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante? 

Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!

Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar: 

Até mais!

Atualidades

Transtornos alimentares: qual é o papel do nutricionista?

Os transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas, com etiologia multifatorial, e que apresentam comportamentos inadequados para a perda ou a manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos (1).

Para um melhor tratamento e prognóstico é preconizado que o acompanhamento seja multidisciplinar. Assim, diferentes aspectos são trabalhados:

“Compreender sobre a relação dos transtornos alimentares abre espaço para reflexões acerca (…) de possíveis estratégias de intervenções que considerem o paciente como um todo, ou seja, amplia o olhar do transtorno alimentar desde aspectos emocionais, comportamentais, nutricionais, de humor, e de cognição que possam estar impactados pelo diagnóstico.”

Ana Carolina Rost de Borba G. R.; Andressa Aparecida G. G. Salem para: https://sbnpbrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/05/04-Boletim_Abr-21.pdf 

Então, qual é o papel do nutricionista?

A psiquiatria e psicologia serão a base do tratamento, no entanto, outros profissionais são importantes em uma equipe multidisciplinar, como os nutricionistas. Além de realizarem a avaliação nutricional, também podem desenvolver estratégias que permitam mudanças na alimentação.

No entanto, o encaminhamento para profissionais que possuem capacitação técnica deve ser realizado; pois o modelo de prescrição dietética tradicional não é a conduta indicada para o tratamento de transtornos alimentares.

Nutri, tenha atenção:

Mesmo assim, todos os profissionais precisam saber identificar possíveis sinais e comportamentos disfuncionais, tornando a identificação mais precoce do quadro possível, como um melhor prognóstico. Sempre observe esses cinco pontos:

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito);
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração);
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal;
  • Preocupação excessiva com o peso e a forma corporal;
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação.

Mais informações sobre outros pontos de atenção e os fatores de risco você pode encontrar nessa revisão de meta-análises:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32997075/.

Outras sugestões de materiais: 

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Conta com relato de casos, descrição do acompanhamento de pacientes e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento para transtornos alimentares. 
  • Transtornos Alimentares: Diagnóstico e Manejo – organizado por José Carlos Appolinario, Maria Angélica Nunes e Táki Athanássios Cordás (Editora Artmed): Para quem busca por um livro de apoio mais atualizado, essa é uma ótima opção. 

Até mais!

Atualidades

Meditação e a prática de comer com atenção

As práticas meditativas podem ser ótimas ferramentas de autoconhecimento, auxílio na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente. O mindful eating, ou seja, o conceito de comer com atenção plena surge desse contexto. 

Nessa prática, baseada em técnicas do mindfulness, o objetivo é estar com o foco na refeição e até mesmo em todos os processos envolvidos nesse momento, desde o preparo até lavar as louças, por exemplo. Toda atenção é destinada ao ambiente, estímulos externos e sensações internas (1). 

Apesar de ótimos benefícios que podem surgir dessas práticas, há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam as práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa vir a ser uma consequência secundária ao comer com maior atenção (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Nessa página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! Também sugerimos os vídeos da médica Paula Teixeira.

Todas as práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Seguem três aplicativos que podem te ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong
Atualidades

A linguagem importa: uma abordagem diante das condições crônicas de saúde

Cada vez mais, a função da comunicação e a seriedade da linguagem vêm sendo destacadas. Livros como “Comunicação não-violenta” e “Comunicação Assertiva” se tornaram guias para muitos profissionais, ainda mais os atuantes na área da saúde. 

Comunicação não é apenas sobre palavras, a entonação, os olhares e a gesticulação falam muito por si só. No entanto, mesmo que uma mudança global de comportamento seja necessária, um bom começo pode ser a partir da porta de entrada em um diálogo: as palavras (Jacquelin et al, 2021).

Na área da saúde, mudanças vêm sendo propostas visando melhorar a relação entre o profissional e a pessoa atendida, transmitindo maior acolhimento, vínculo e cuidado. Um documento recente, elaborado por especialistas, abordou sobre o quanto a linguagem importa. 

Confira algumas recomendações apresentadas: 

  • Usar o termo condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) ao invés de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs);
  • Manejo, gerenciamento ou cuidado são termos mais adequados do que “controle”, para quadros estáveis da glicemia ou colesterol, por exemplo;
  • Doente ou enfermo são palavras associadas à hospitalização em cuidado passivo. Falar “pessoa com/que tem” diz de alguém ativo em seu autocuidado; 
  • Seguindo esse rumo, dizer “ansioso, diabético ou obeso” não seria adequado. Podendo ser dito “pessoa com” transtorno de ansiedade, diabetes ou obesidade; 

Os especialistas ressaltam que não há imposição nas formas de tratamento propostas, apenas orientações de como aderir a uma linguagem mais neutra para tratar quem vive com condições crônicas de saúde. 

Se referir a alguém a partir do seu quadro de saúde reduz a existência desse a tal condição. Essa publicação também falou sobre a importância da linguagem, representatividade e educação em saúde. 

Inclusive, pontuar a importância desse assunto se faz ainda mais necessário no Dia Mundial da Obesidade (04/03). Por ser uma condição de saúde carregada de muito estigma, a abordagem pode interferir no desenvolvimento e tratamento da obesidade.

Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Acesse ao documento “Linguagem Importa” aqui

Até mais!

Atualidades

Há relação entre alimentação, depressão e ansiedade?

O padrão alimentar e estado nutricional de um indivíduo pode exercer impacto em diversas condições de saúde. Novos estudos sugerem que a dieta pode exercer um papel na prevenção e tratamento da depressão e ansiedade

Buscando trazer maior esclarecimento entre a possível associação, trouxemos a adaptação e tradução de um artigo recente sobre o tema. Afinal, estratégias nutricionais podem prevenir, recuperar ou auxiliar no tratamento de tais condições?

Alimentação e saúde mental

O consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. Alguns nutrientes já demonstraram isso, como: 

  • Os aminoácidos triptofano, tirosina, histidina, fenilalanina, ácido glutâmico;
  • As vitaminas ácido fólico, colina, piridoxina, cobalamina;
  • Os minerais selênio, magnésio, zinco;
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3.

Esses, desenvolvem papéis importantes da produção de neurotransmissores que estão associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Desordens depressivas e de ansiedade não possuem uma única causa, sendo difícil que um fator isolado possa estabelecer causalidade direta. Porém, há alguns pontos e associações importantes a serem destacados: 

Nutrição e depressão

  • Priorizar um padrão alimentar com consumo regular de vegetais, frutas, oleaginosas, óleo de oliva, cereais integrais e fontes protéicas com baixo teor de gordura; e com limitado consumo de doces, bebidas açucaradas e açúcar de adição. 
  • Atentar para o consumo das vitaminas B6, B12, B9 e D. Apesar de apresentarem um papel essencial no sistema neuroendócrino, não há recomendação de suplementação para a prevenção ou tratamento da depressão.
  • Adultos com depressão apresentam maior deficiência de magnésio e zinco. Não há evidências que demonstrem benefícios na suplementação de magnésio. Efeitos favoráveis foram observados em meta-análise para o uso de zinco (25 mg/dia por 6 a 12 semanas) como terapia adjunta ao antidepressivo.
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 foram associados a uma melhora no tratamento da depressão, podendo ser utilizado de forma associada à medicação (~1.5-1.8g/d). Porém, não há indicação de suplementação visando a prevenção.
  • Não há evidências que a composição de macronutrientes da dieta pode interferir nos sintomas depressivos, mas, dietas que estimulam a perda de peso apresentaram possível aumento da recorrência dos mesmos. 
  • Não há consenso quanto ao consumo de carnes, embutidos ou leite e derivados com o risco, ou aumento, de sintomas depressivos. 

Nutrição e ansiedade 

  • Atenção para o consumo de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e vitamina C. Esses nutrientes atuam na regulação do metabolismo de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e norepinefrina. 
  • Não há consenso que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 apresentam benefícios para os sintomas de ansiedade.
  • Nas revisões sistemáticas avaliadas, apenas dois estudos indicaram melhoras da intervenção dietética nos sintomas ansiosos; mas, não apresentaram uma metodologia sólida que pudesse indicar uma associação direta.

Conclusão 

relação entre consumo alimentar e o desenvolvimento de depressão e ansiedade, pois a deficiência dos nutrientes citados como essenciais pode ser mais um fator de risco, entre tantos outros em tais condições multifatoriais. 

Uma possível relação bidirecional deve ser considerada, pois uma dieta pobre em tais nutrientes pode ser tanto causa como consequência de alterações na saúde e comportamento. Assim, estabelecer uma relação temporal pode ser complexo. 

Há indicação direta na manutenção de um padrão alimentar que oferece nutrientes importantes para o funcionamento neuroendócrino, no entanto, outros estudos são necessários para esclarecer o uso suplementar de nutrientes específicos. 

Confira o artigo na íntegra aqui !

Até mais!

Atualidades

Nutrição, Saúde Mental e Janeiro Branco

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Ao começar mais um ano, muitos refletem sobre o seu papel profissional na nutrição, traçando novas metas profissionais e buscando aprimoramentos. Também há um incentivo coletivo para que todos pensem mais sobre a própria saúde, não só física, como também mental. 

O objetivo da campanha ‘Janeiro Branco’ é justamente levar a atenção das pessoas para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional. 

Há maior prioridade no autocuidado quando cuidar do outro é uma atividade desenvolvida em nível profissional, como é o caso do nutricionista. Por isso, é preciso saber a hora de buscar ajuda. Ela pode ser encontrada em outro nutricionista, na terapia individual ou em supervisão profissional. 

É importante que aquele que trabalha com o cuidado esteja 100% presente, escutando, entendendo, analisando. Mas, e nas outras horas do seu dia? Você consegue cuidar de si? Quem cuida de você?

Então, como cuidar mais de si?

  • Entender que ninguém muda ninguém: o profissional nutricionista é um facilitador de mudanças. Se posicionar como inteiramente responsável pela mudança do outro não só reduz a auto responsabilidade do paciente, como também reforça a errônea posição de autoridade do profissional;
  • Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: possuir uma profissão não quer dizer que você não possa ter questões nessa mesma área. Inclusive, é recomendado que busque auxílio com outro nutricionista quando encarar dificuldades na alimentação; 
  • Realizar acompanhamento psicológico: buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até o consultório, saber lidar com isso é essencial para a saúde mental; 
  • Ter apoio profissional: trabalhar com parcerias pode ser um grande incentivo, com o apoio de outros profissionais você pode desenvolver projetos, dividir espaços de trabalho, ou apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista.  

Tem uma frase que eu gosto bastante e reflete o quanto o cuidado não é de responsabilidade única daquele que cuida: “o bom médico é aquele que desperta o curador no outro”. Que possamos despertar o desejo nas pessoas de cuidarem de si! 

Para saber mais sobre “Janeiro Branco”, acesse: https://janeirobranco.com.br 🙂

Até mais!

Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Saúde Mental

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Saiba quatro formas de cuidar mais de si

Faz poucas semanas que encerramos o mês de campanha em prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, e apesar de ainda estarmos a alguns meses de Janeiro Branco, saúde mental é um assunto a ser falado o ano inteiro, não acha?

Além de tudo, hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental, por isso o assunto será sobre como cuidar mais de si e zelar por sua saúde mental sendo nutricionista

A postura tradicional de autoridade, adotada por alguns profissionais de saúde, pode não proporcionar um ambiente terapêutico seguro para o paciente/cliente. Já observou como algumas pessoas sentem medo de serem transparentes no consultório?

Quando o profissional apresenta uma escuta ativa, a chance das pessoas se sentirem mais confortáveis e compartilharem muito mais sobre si são bem maiores. Atuar dessa forma promove resultados mais satisfatórios, mas exige mais energia. Então, como cuidar mais de si?

  1. Entender que ninguém muda ninguém: não caia na cilada de querer mudar o outro, e na melhor das intenções, enchê-lo de “conselhos”. Inclusive, isso pode aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. Lembre, o nutricionista é apenas um facilitador! 
  1. Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: somos muito mais do que nutricionistas, essa divisão pode parecer turva muitas vezes, mas se lembrar disso é necessário. Possuir uma profissão não te isenta de não ter questões nessa mesma área. Inclusive, ter dificuldade para se alimentar como gostaria é normal, ok? 
  1. Realizar acompanhamento psicológico: se colocar como prioridade para cuidar do próximo é muito necessário. Inclusive, buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até nós em consultório, saber lidar com isso é essencial para nossa saúde mental. 
  1. Ter apoio profissional: alguns nutricionistas podem se ver em uma situação profissional um tanto competitiva. Por isso, ainda há muita insegurança para trabalhar com parcerias. Só que ter apoio pode ser essencial para o seu trabalho. Já pensou em desenvolver projetos em grupo, dividir um consultório, ou até mesmo apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista? 

Como sugestão, também deixamos outros textos – já postados aqui no Blog do Allivici, que complementam muito bem os pontos sugeridos:

Como motivar o seu paciente?

Autocuidado profissional

Parceria entre nutricionistas?

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Setembro Amarelo – Qual o papel do nutricionista nesse cenário?

Nesse mês temos uma importante campanha que merece a atenção de todos, principalmente entre os profissionais de saúde, a do “Setembro Amarelo”. Inclusive, hoje (10/09) é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

Apenas no Brasil aproximadamente 12 mil casos de suicídio são registrados todos os anos, com quase 97% desses associados a algum transtorno psiquiátrico (1). É com o objetivo de reduzir esses números que todos precisam estar envolvidos nesse movimento. Então, qual é o papel do nutricionista nesse cenário? 

O nutricionista é um dos profissionais da saúde e com modelo terapêutico de escuta ativa, isso o possibilita a receber muitos relatos pessoais que podem indicar sinais para depressão ou comportamentos de risco para suicídio. 

Mesmo o nutricionista não sendo apto para avaliar esses casos, é importante que o mesmo esteja atento aos sinais, pois ele pode realizar o devido encaminhamento para um psicólogo

Dois estudos brasileiros apontaram maior risco para suicídio entre indivíduos com sintomas para transtornos alimentares, sendo esse agravado quando também havia sintomatologia de depressão (2,3).

Os estudos apontam correlação entre transtornos alimentares e risco para suicídio, mas ainda não há clareza sobre essa associação, ou seja, se a presença do transtorno alimentar pode ser considerado um fator de risco para suicídio (4). 

Porém, esse é um dado importante a ser considerado na conduta clínica do nutricionista, para que esse esteja mais atento aos possíveis sinais e mais preparado para realizar um encaminhamento profissional.

Sabe onde pode buscar ajuda? Você pode encontrar os canais do Centro de Valorização da Vida clicando nesse link!

No mês de junho trouxemos um blog falando sobre a importância de conhecer os sinais para transtornos alimentares, principalmente para poder realizar o devido encaminhamento profissional. Acreditamos que possa ser um assunto complementar ao de hoje, você pode ler clicando aqui!

Até mais!

Atualidades

Os 5 Sinais de Atenção para Transtornos Alimentares

A última quarta-feira (02/06) foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, data que surgiu visando maior atenção dessas questões pela população, possibilitando que muitos procurem ajuda. 

Transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas de etiologia multifatorial, caracterizadas principalmente por métodos inadequados para perda ou manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos. (1

Além dos TA definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), também há comportamentos disfuncionais, com práticas inadequadas de ingestão alimentar e controle do peso (comer transtornado), mas que apresentam frequência e intensidade inferiores às exigidas pelos critérios diagnósticos. 

Qual o papel do nutricionista no tratamento?

O modelo de prescrição dietética tradicional pode não ser apropriado para o tratamento de transtornos alimentares, principalmente em quadros de transtorno de compulsão alimentar (TCA) e bulimia nervosa (BN).

Por isso, é imprescindível que nesses casos os pacientes sejam encaminhados para profissionais que possuam capacitação técnica para essa demanda, ou que trabalham com condutas não prescritivas. 

Entretanto, é importante que todos os nutricionistas tenham atenção aos sinais de TA e comportamentos disfuncionais associados ao comer, podendo assim realizar o devido encaminhamento a outros colegas de profissão e psicólogos. 

Selecionamos 5 pontos de atenção: 

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito)
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração)
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação

Não sabe onde poderia encontrar ajuda? Nesse site você encontra o contato dos centros de tratamentos espalhados pelo Brasil. Deseja aprender mais? Clicando aqui você encontra diversos materiais educativos!

Também gostaríamos de sugerir dois livros bem interessantes:

  • Diários da Anorexia – Linda M. Rio e Tara M. Rio (Editora M. Books): Auxilia o profissional a compreender a dinâmica comportamental do paciente, o aproximando do sofrimento e pensamentos que o paciente pode desenvolver no âmbito alimentar

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Há relato de casos de Anorexia e Bulimia, descrição do acompanhamento de pacientes com esses transtornos e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento. Uma boa fonte de aprendizado para nortear o profissional nutricionista.

Até mais!