Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Orientações práticas para a amamentação

Apesar de todos os incentivos ao aleitamento materno exclusivo, no Brasil o mesmo apresenta indicadores aquém dos níveis desejados.

Diversos são os fatores que podem impactar na redução do desmame, como a dificuldade inicial com a técnica da mamada, ou a falta de suporte familiar. 

Assim, ainda antes do nascimento da criança, os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, como falamos no post anterior.

Como foi dito, uma das principais contribuições do nutricionista para a promoção do aleitamento materno é na educação prática de gestantes e puérperas.

Ainda pensando no “Agosto Dourado”, seguem algumas orientações importantes que podem ser anexadas ao atendimento nutricional: 

Antes de iniciar a amamentação: 

  • A mãe deve lavar as mãos, antebraço e unhas com água e sabonete. As unhas preferencialmente devem estar curtas para evitar que machuque o bebê e facilitar a higienização;
  • Um pouco do próprio leite deve ser passado na região mamilo-areolar; 
  • Verificar a flexibilidade mamilo-areolar e caso a mama esteja cheia ou ingurgitada, a mãe deverá realizar massagem ou ordenha manual antes de colocar o bebê para mamar. Facilitando assim a pega e a retirada do leite.

Durante a amamentação:

  • Apresentar a mama em “C” para auxiliar o aprendizado do bebê a ter boa pega;
  • Para facilitar o reflexo de busca do bebê, pode-se virar o rostinho em direção à mama e tocar o mamilo na comissura labial esquerda, direita, superior ou inferior do bebê;
  • As mães devem estar tranquilas no momento da amamentação, pois não há tempo fixo para o bebê mamar. Isso dependerá da pega, da posição adequada e da voracidade do bebê para retirar o leite. Pois o bebê suga, deglute, respira e pode fazer uma pausa, em alguns momentos, para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, toque nas orelhas ou pés do bebê para que retome a sucção.
fonte: https://www.promatre.com.br/wp-content/uploads/2022/02/PM_CartilhaAmamentacao_2022_compressed.pdf

A todo momento é importante que a criança esteja bem posicionada, sem o pescoço torcido ou o queixo longe da mama e verificar para corrigir caso o lábio inferior do bebê esteja virado para dentro. 

O posicionamento correto do binômio mãe-lactente, que assegura a pega adequada e evita traumas mamilares (mastite, fissura, ferida mamilar, dor, abscessos mamários, ingurgitamento mamário). 

Para tranquilizar as mães, também é interessante ensinar os cinco sinais de que a posição está correta:

  1. O bebê se aconchega até o peito da mãe, abraçando-a.
  2. A barriga do bebê encosta-se ao corpo da mãe.
  3. O rostinho do bebê fica de frente para a mama.
  4. A cabeça e a coluna do bebê estão alinhadas.
  5. A cabeça do bebê está apoiada no braço materno.

Para finalizar, é possível encontrar diversas orientações complementares em ferramentas educativas, como na própria lâmina para nutricionistas do Allivici.

Até mais!

Vida de nutricionista

Como motivar o seu paciente?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Sabemos que a motivação e prontidão para mudar são fatores essenciais para que resultados sejam obtidos no tratamento nutricional. E quando o paciente não está motivado? Podemos motivá-lo a mudar?

É importante lembrar que ninguém é capaz de motivar o outro (1), já que a motivação é um aspecto intrínseco, o que o profissional pode fazer é encontrar estratégias para que o próprio indivíduo se motive. Como fazer isso? Falaremos disso daqui a pouco!

Recentemente eu li um livro que fala bastante sobre a forma que aprendemos a comer, e como podemos mudar nosso comportamento. Há um trecho bem interessante sobre o trabalho do nutricionista:  

“Uma das nossas maiores ciladas (…) é a persuasão. Os que entram na profissão de nutricionista tendem, por razões muito boas, a desenvolver um forte desejo de mudar os outros (…) os seres humanos não respondem diante de ordens, sobretudo quando se trata de algo tão pessoal quanto o que colocar na boca”.  Bee Wilson

Muitas vezes, caímos na cilada de querer mudar o outro, e na melhor das intenções, o enchemos de “conselhos”. Ao achar que “conhecimento” basta, podemos deixar de considerar fatores muito importantes. 

Fonte: Livro “Motivación e intervención social”

O que também podemos fazer?

  • Entrevista motivacional: essa é uma forma de conduta terapêutica que permite que o nutricionista seja facilitador de um processo de mudança. Não são realizadas imposições, há responsabilidade de ambas as partes no tratamento, e planejamento em conjunto de ações comprometidas;
  • Educação nutricional: quem não gosta de entender mais sobre o que acontece com o próprio corpo? É importante que, de forma simples, processos fisiológicos sejam esclarecidos. Essa prática pode até mesmo instigar o paciente/cliente a realizar o que está sendo proposto, já que agora entende melhor a razão disso;
  • Olhar além da nutrição: há muitas questões que transpassam as alimentares e podem impedir que o nutricionista dê continuidade em seu trabalho. É essencial que o profissional tenha essa percepção e consiga realizar o encaminhamento necessário (psicólogo, educador físico, etc). 

A postura tradicional de autoridade adotada por muitos profissionais de saúde pode, na verdade, aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. 

Desenvolver uma nova percepção não é um caminho fácil, mas ele é possível de ser trilhado e pode auxiliar muito no trabalho do nutricionista!

Até mais!

Referências

  1. DUNKER, K.; ALVARENGA, M.; TIMERMAN, F.; VICENTE, C.; TEIXEIRA, P. Fundamentos e técnicas da entrevista motivacional para Nutrição in Comportamento Alimentar. p. 201-225, 2020.