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Artigo Científico: Qual é a segurança e eficácia de glucosamina com condroitina para adultos?

Doenças articulares, ou disfunções articulares, impactam muito na qualidade de vida e podem se manifestar de diversas formas. Em alguns casos há dores que parecem vir das articulações, mas têm origem em outras estruturas, como nos ligamentos, tendões ou músculos.

No caso das doenças articulares podemos citar três principais: osteoartrite (relacionada ao envelhecimento e ao estresse mecânico), artrite reumatóide (dano articular mediado por autoimunidade) e o transtorno temporomandibular (fatores físicos e psicológicos, como estresse, enxaqueca e distúrbios do sono).

glucosamina e a condroitina são substâncias usadas como suplementos visando a prevenção da degradação da cartilagem, regulação de processos anabólicos e o potencial anti-inflamatório.

O objetivo do estudo em questão foi avaliar se a suplementação de glucosamina e/ou condroitina em humanos é segura e eficaz para disfunções articulares; além de determinar as dosagens mais utilizadas. Confira!

Metodologia

Foi realizada uma revisão sistemática, com buscas feitas nas bases de dados PubMed e Web of Science, para publicações entre 1990 e 2024. Os resultados foram carregados em uma plataforma, na qual dois pesquisadores independentes revisaram os artigos de acordo com critérios de inclusão e exclusão. A avaliação da qualidade foi feita utilizando a ferramenta Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT).

Resultados e Discussão

Dos 2013 artigos avaliados, 146 estudos foram incluídos na revisão atual, sendo quase 60% ensaios clínicos randomizados. A maioria focou em osteoartrite e dor articular, com mais de 90% dos estudos de eficácia relatando resultados positivos e a maioria dos estudos de segurança indicando efeitos adversos mínimos ou inexistentes.

dose diária mais frequente de glucosamina foi de 1500 mg, com uma variação nos estudos de 10 mg a 2250 mg por dia. Para a condroitina, a dose diária mais comum foi de 1200 mg, variando de 2,5 mg a 1600 mg por dia.

A maioria dos estudos administrou glucosamina e condroitina em duas ou três doses divididas ao longo do dia. Além do placebo, o comparador de eficácia mais comum nos estudos foi o celecoxibe (medicamento analgésico e anti-inflamatório), com dose de 200 mg por dia.

Os principais biomarcadores analisados para avaliar a eficácia foram: proteína C reativa (PCR), velocidade de hemossedimentação (VHS), interleucinas (ILs) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Marcadores de degradação da cartilagem/osso também foram avaliados, como o telopetídeo C-terminal entrecruzado do colágeno tipo II (CTX-II) e as metaloproteinases da matriz (MMPs).

Para avaliar a eficácia de diferentes intervenções na saúde articular, diversos questionários foram utilizados nos estudos. Os principais foram: Índice de Osteoartrite das Universidades de Western Ontario e McMaster (WOMAC), o Índice de Lequesne (LI) e o Índice Funcional de Lequesne (LFI). 

Analisando a eficácia, a maioria dos estudos verificou resultados satisfatórios nos efeitos de glucosamina e/ou condroitina comparados com placebo. Além disso, os efeitos benéficos também foram observados quando os resultados foram comparados ao uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.

Mediadores inflamatórios foram reduzidos em muitos estudos com a suplementação, incluindo PCR, IL-1β e IL-6, VHS e TNF-α. Estudos também observaram a prevenção ou redução da taxa de degradação da cartilagem, por exemplo ao reduzir o estreitamento do espaço articular, ou diminuir marcadores de degradação da cartilagem.

Os achados objetivos somados às melhoras subjetivas, analisadas a partir dos questionários de satisfação do paciente, redução da dor e melhora da qualidade de vida, demonstraram que a suplementação de glicosamina e condroitina pode oferecer diversas vantagens no tratamento de condições articulares.

Em relação à segurança, a maioria dos estudos relatou nenhum efeito colateral ou eventos adversos mínimos/brandos. Os mais comuns foram relacionados ao sistema gastrointestinal, como náusea, diarreia, constipação, dispepsia e distensão abdominal.

Ambos compostos atuam com ação anti-inflamatória, contribuindo para a proteção da cartilagem, além de inibir enzimas católicas, promovendo efeitos anabólicos. Por conta desses mecanismos, acredita-se que esses dois suplementos nutricionais atuem de forma benéfica no manejo condições que afetam as articulações e cartilagens.

Conclusão

No geral, as evidências sugerem que a glucosamina e a condroitina são geralmente eficazes e bem toleradas, especialmente para o manejo da osteoartrite e dor articular. A dose diária mais comum foi de 1500 mg para glucosamina e 1200 mg para condroitina, com fracionamento de consumo em três vezes ao dia.

A pesquisa foi centrada na osteoartrite e dor articular, por isso mais estudos são necessários para uma avaliação aprofundada dessa suplementação para outras condições clínicas. Além disso, também é essencial avaliar a eficácia, segurança e dosagem ideal de uso dessas substâncias de acordo com a idade, sexo e comorbidades clínicas.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/13/2093

Até mais!

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Artigo Científico: Suplementação de melatonina na nutrição

A suplementação de melatonina tem se popularizado entre muitas pessoas. Em geral, é utilizada visando a melhora do sono e ajuste do ciclo circadiano. No entanto, não deve ser tida como uma substância “para dormir”. 

A produção de melatonina acontece naturalmente para todos, a suplementação visa auxiliar essa via, principalmente se está em “deficit“. Sabemos que é um composto interessante, ainda mais por muitos estudos apresentarem o seu uso associado com diversos benefícios para a saúde. 

No entanto, quando o assunto é suplementação, muita atenção precisa ser concedida ao tema. Como a imagem abaixo indica, sempre há uma cadeia de fatores interferentes, os quais precisam ser avaliados individualmente. 

Por exemplo, para obter melhora no sono, há fatores mais importantes que a suplementação de melatonina, como a adequação da luz e do ambiente, o padrão alimentar e o consumo de determinados nutrientes. 

No texto de hoje, selecionamos os pontos principais de um artigo científico, para deixar o nutricionista atualizado sobre a suplementação de melatonina. Confira! 

  • Mecanismo de ação:

A suplementação de melatonina tem sido associada com a melhora da defesa antioxidante, redução do estresse oxidativo e efeitos anti inflamatórios. Há indícios de que a microbiota intestinal tenha participação na produção de melatonina, e que o funcionamento mitocondrial também exerce importante papel nesse sentido.

  • Uso clínico:

Aplicações têm ocorrido visando a modulação do ciclo circadiano, regulação do sono e distúrbios noturnos, melhora de condições cognitivas de saúde, como também há uso para casos de demência, TDH, autismo e enxaqueca. 

Alguns estudos avaliam o impacto da suplementação em outras condições como hipercolesterolemia, hipertensão, síndrome metabólica, regulação da glicemia, osteopenia fertilidade, SOP e tratamento conjunto para endometriose, doença do refluxo gastroesofágico, úlceras e Síndrome do Intestino Irritável, doenças autoimunes, melhora da imunidade em atletas e outras condições estressantes. 

  • Considerações Terapêuticas: 

A quantidade disponível de melatonina via fonte alimentar é relativamente baixa, mas há indícios de que o consumo de alimentos ricos em melatonina (ou seus precursores, o aminoácido triptofano, por exemplo) pode aumentar a disponibilidade da mesma no corpo. 

Ao comparar fontes alimentares vegetais com animais, o seguinte fator precisa ser considerado: a melatonina é encontrada em menor quantidade em alimentos de origem vegetal, no entanto, nesses alimentos há mais triptofano disponível. Por isso, a conversão final precisa ser levada em consideração. 

Alimentos ricos em triptofano facilitam a produção endógena de melatonina (banana, maçã, cereja, abacaxi, morango, amêndoas, nozes, linhaça e semente de girassol, lentilha, soja, leite e derivados); também é importante considerar a disponibilidade das enzimas N-acetiltransferase (NAT) e Hidroxindol-O-metiltransferase (HIOMT), para que ocorra a conversão de serotonina em N-acetilserotonina e por fim em melatonina.

  • Dosagem da Suplementação: 

Como suplemento dietético, a melatonina pode ser encontrada em variadas doses, desde 0.3 mg até 200 mg. No entanto, a orientação é que sempre seja utilizada a menor dose com maior eficiência. 

Os limites máximos ainda não foram definidos. A produção endógena varia de 0.1 a 0.9mg de melatonina diariamente. Resultados favoráveis foram encontrados com as seguintes dosagens: 0.3mg/dia (para a melhora do sono). 

Produtos com dose de 3 a 5 mg são comumente escolhidos por apresentarem uma errônea percepção de serem superiores. No entanto, suplementar acima do que é requerido fisiologicamente não acarreta em nenhum benefício. 

O indicado é que a suplementação se inicie em 0.3 mg e seja aumentada, se necessário, dependendo da finalidade pretendida. Em citação de outro estudo (Trends in Use of Melatonin Supplements Among US Adults, 1999-2018), há recomendação de que as pessoas não tomem melatonina em alta dose (>5mg), pois não há estudos de longo prazo avaliando a segurança de tal consumo na população em geral”. 

  • Recomendações: 

Consumir com 30 a 60 minutos de antecedência, já com as luzes baixas e sem uso de televisões ou equipamentos com luz azul. 

Não há estudos suficientes que indiquem a suplementação de melatonina em associação a outro composto. No entanto, os seguintes nutrientes têm sido estudados para tal finalidade: vitamina C, vitamina B12, glutationa, vitamina D e ácido fólico. 

Para escolher qual produto obter, considere seis fatores importantes: 

  • fonte (sintética e fitomelatonina – formas mais comuns), 
  • via (oral, sublingual, intravenosa, intranasal, intramuscular, etc) 
  • delivery (cápsula, comprimido, goma, mastigável)
  • ativos (isolada ou composta com outros nutrientes – ainda não há evidências de melhor efetividade por estar combinada)  
  • qualidade (certificação de boas práticas, livre de metais pesados e contaminantes, embalagem com garantia de shelf-life) 
  • dosagem (0.3-1.0mg é o comum) 
  • Contraindicações:

A melatonina é metabolizada com grande atividade da CYP1A2, e em menor proporção da CYP1A1, CYP1B1, CYP2C19. Cuidados devem ser tidos quando há uso de medicações do tipo sedativas e antidepressivos. Não há estudos que demonstrem a segurança da suplementação para gestantes ou lactantes.  

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/14/19/3934/htm 

Até mais,