Atualidades

Nutrição e Saúde Cardiovascular: Dia Mundial do Coração

As doenças cardiovasculares costumam ser a principal causa de morte no Brasil. Para a prevenção é essencial reduzir comportamentos de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada (1). Sendo assim, a nutrição tem um papel importante na promoção de mudanças.

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) começou a ser mais estudada a partir dos anos 90. Hoje é muito conhecida como uma proposta dietética de tratamento e prevenção para doenças cardiovasculares, principalmente a hipertensão arterial.

Nesse modelo dietético é preconizado o consumo de frutas, verduras, legumes, produtos lácteos com baixo teor de gordura, cereais integrais, peixes, aves e nozes; além disso, incentiva restringir o consumo de carnes vermelhas e processadas, alimentos com alto teor de sódio e bebidas açucaradas.

Os benefícios observados são principalmente atribuídos ao maior consumo de nutrientes que contribuem para redução dos níveis pressóricos, como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca) e fibras alimentares (2).

Em solo brasileiro é um padrão alimentar com obstáculos para a adesão, mas temos o Manual de Alimentação Cardioprotetora. Além de eixos estruturantes com conceitos regionais, também há grupos alimentares de acordo com a bandeira nacional: verde, amarelo e azul (3).

Há dois estudos muito interessantes que utilizam esse manual:

Grupo verde: alimentos cardioprotetores, ou seja, que contêm vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes (verduras, frutas, legumes, leguminosas, leite e iogurte desnatado);

Grupo amarelo: alimentos in natura, minimamente processados ou ingredientes culinários que devem ser consumidos com moderação, por conterem mais energia, gordura ou sal (pães, cereais, macarrão, tubérculos, castanhas, óleos vegetais, doces de frutas e mel);

Grupo azul: alimentos in natura, minimamente processados ou processados, com controle importante para cardiopatas e indivíduos com fatores de risco cardiovascular, por serem alimentos que contêm maior quantidade de gordura saturada, sal e colesterol (carnes, queijos, ovos, manteiga, doces caseiros).

Já conhecia esse material nacional? Aproveite para ler temas complementares:

Até mais!

Atualidades

Dia Nacional do Cacau

Apesar do cacau ser muito conhecido por conta do chocolate, poucas pessoas conhecem sobre a produção e benefícios nutricionais desse fruto. Pensando em 26 de março, Dia Nacional do Cacau, elaboramos um resumo do que o nutricionista precisa saber para orientar o consumo do cacau ou o chocolate.

O estado brasileiro da Bahia é um grande produtor de cacau, mas a produção tem ganhado destaque em outros locais, como no Ceará. Ter um dia no calendário nacional demonstra a relevância desse fruto para o país, além de estimular ações públicas para o desenvolvimento de um plantio cada vez mais sustentável (1).

O alimento derivado do cacau mais comumente consumido é o chocolate. Quanto maior for o teor de cacau do chocolate, mais benefícios nutricionais podem ser observados. No entanto, a qualidade do chocolate amargo irá depender do próprio fruto/amêndoa de cacau, que apresentará diferentes níveis de compostos bioativos dependendo do plantio, safra, entre outros fatores (2).

O cacau é considerado um alimento funcional por ser rico em metilxantinas (cafeína e teobromina), além de ser fonte de polifenóis, principalmente os flavonoides. Devido ao perfil de compostos fenólicos, o próprio cacau, ou o chocolate, já foram utilizados em vários estudos, principalmente para analisar os impactos positivos na saúde cardiovascular, diabetes, envelhecimento e câncer (3).

fonte da imagem: https://doi.org/10.1016/j.fct.2021.112121

Apesar de existirem estudos que há anos avaliam os benefícios acima citados, ainda não há consenso sobre o tema. Isso acontece, em partes, por conta da falta de homogeneidade metodológica. No entanto, mesmo que a maioria dos estudos sejam inconclusivos a análise dos mesmos permanece válida!

Sugestão de artigos para aprofundar os estudos:

  • O artigo avaliou a suplementação de flavonoides do cacau na resistência à insulina e obesidade, mas não houve diferença significativa dos parâmetros avaliados em comparação com o grupo controle: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36771271;
  • Impactos positivos foram observados no humor e na microbiota intestinal com o consumo de chocolate 85% cacau (30g/dia), em comparação com o consumo de chocolate 70% e o grupo controle: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530112/;
  • A revisão analisou estudos realizados no período de dez anos sobre o consumo de chocolate amargo x obesidade. Os resultados foram inconsistentes, pois as intervenções foram realizadas com diferentes doses/produtos: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33266002/;
  • Houve diferença positiva, em comparação com o grupo controle, na secreção de GLP-1 e insulina devido o consumo de chocolate amargo. No entanto, o grupo controle recebeu apenas água, fator considerado como limitação importante para os resultados: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33545542/;
  • Apesar dos resultados inconclusivos, a revisão sistemática indicou que o cacau exerce um papel importante nos caminhos metabólicos envolvidos com estresse oxidativo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31987247/;
  • O estudo foi realizado em mulheres durante a menopausa que avaliou o impacto do consumo de chocolate amargo na qualidade de sono e depressão; já o grupo controle recebeu chocolate ao leite na intervenção: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/pmid/39397049/;

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Atualidades

Tutorial Allivici: Lista de Substituições

A série de textos do #TutorialAllivici foi idealizada para explicar funcionalidades do nosso sistema, assim como novas ferramentas. A seguir falaremos de uma atualização que deixará os planos alimentares ainda mais personalizados.

A nossa Lista de Substituições foi criada e calculada com base nas orientações do livro “Cálculos Nutricionais: Análise e Planejamento Dietético“. Como funciona? Cada grupo alimentar tem um valor calórico padrão, que orienta as porções de consumo em gramas para cada alimento.

Além dos grupos alimentares existentes é possível criar novas listas. Basta clicar em novo grupo no topo da página. Importante: caso vá criar novas listas/grupos coloque alimentos do mesmo grupo alimentar (cereais, carnes, frutas etc.) e indique qual é o valor calórico da porção (150, 190, 70).

Clique em Lista de Substituições no menu lateral e você acessará os grupos alimentares existentes e o valor calórico padrão para cada porção (foto acima).

Ao clicar em cada grupo uma lista de alimentos aparecerá (foto abaixo), assim como as quantidades em gramas para atingir o referencial calórico estabelecido. É possível gerar um arquivo em pdf ao fim da página.

Exemplo: o valor calórico padrão para cada porção do grupo “cereais e tubérculos” é 150 kcal; já a quantidade em gramas de cada alimento irá variar: 120g de mandioca cozida, 50g de pão francês ou 40g de tapioca – todas essas porções apresentam aproximadamente 150kcal. Ficou claro? 🙂

Agora, para usar essa ferramenta na montagem do plano alimentar clique em substituições logo abaixo do alimento selecionado. Depois, escolha de qual grupo alimentar você deseja substitutos. Já trouxemos o conteúdo de como montar planos alimentares em outro texto – clique aqui!

Por exemplo, se quiser substituir ovo cozido por omelete, escolha “ovos e derivados”. Mas, se quer indicar quanto de frango deverá ser consumido como substituição, escolha “proteínas animais”.

Lembrando que a quantidade a ser consumida no campo de substituições é aproximada e será calculada por referencial calórico. É interessante adicionar observações também, para facilitar a compreensão do paciente quando receber o plano alimentar.

O que achou desse tutorial? A lista de substituições deixará o nosso sistema mais completo e os planos alimentares ainda mais personalizados! No próximo texto falaremos sobre como solicitar e avaliar exames laboratoriais utilizando o Software Allivici.

Até mais!

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Dieta nas Festas de Fim de Ano?

Agir de forma funcional diante de uma grande quantidade e variedade de comida pode ser um caminho difícil para muitas pessoas. Por isso, as orientações de fim de ano são tão importantes. 

A dificuldade que muitos apresentam é desfrutar desses momentos que incluem refeições atípicas. Desenvolver atenção e consciência alimentar no momento das refeições pode ser um caminho interessante a ser trabalhado com o paciente.  

Algumas atitudes simples, quando aderidas, favorecem o desenvolvimento dessa habilidade. Deixar o talher sobre a mesa enquanto mastiga, por exemplo, pode auxiliar na melhora da consciência alimentar. 

Comer faz parte de diversas celebrações e é importante que essa realidade seja respeitada pelo nutricionista no momento das orientações alimentares.

Algumas sugestões: 

Antes das festas: pergunte ao seu paciente sobre as celebrações de fim de ano, como e onde acontecem, pois muitas sugestões e orientações podem surgir nesse momento. 

Por exemplo, pacientes que possuem alguma restrição alimentar podem não se sentir confortáveis em comer fora de casa, mesmo que em família. Uma alternativa é que ele leve um que se sinta confortável em comer e compartilhar! 

Photo by Nicole Michalou : https://www.pexels.com/photo/top-view-of-a-family-praying-before-christmas-dinner-5779170/

Durante as festas: ofereça sugestões que facilitem a passagem por esse período. Por exemplo, ter mais atenção à sua fome, ou sentar-se à mesa para comer. 

Após as festas: não incentive restrições alimentares desnecessárias, abordar como foi o período de festas pode ser uma alternativa. Proponha reflexões: houve culpa ao comer? Exageros? O que ele gostaria que tivesse acontecido?

Além disso, é interessante que o paciente também seja incentivado para: 

  • Entrar em contato com o ato de cozinhar 
  • Experimentar receitas mais elaboradas
  • Perceber o própria comportamento alimentar 
  • Compartilhar momentos e descansar 

Até 2023!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Novembro Azul

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, cerca de 15 mil mortes/ano foram registradas para o biênio 2018/2019 e é estimado que 3 milhões de homens convivam com a doença (1). 

A campanha Novembro Azul é dedicada para a conscientização da população, buscando mais prevenção e cuidados dedicados ao bem-estar e saúde do homem. 

O câncer é uma condição de saúde multifatorial e os fatores ambientais exercem grande participação, principalmente na prevenção. Destaca-se assim a importância da adoção e manutenção de hábitos mais saudáveis (2). 

A alimentação está entre os fatores que merecem maior atenção e cuidado. Há um conhecimento geral da população sobre o impacto da alimentação no câncer, mas nem sempre o mesmo é suficiente para favorecer um consumo alimentar estratégico e preventivo (3).

Por isso, a importância da educação nutricional e avaliação do comportamento alimentar. O consumo de certos nutrientes demonstram uma associação interessante com a prevenção do câncer, como o de próstata (4).

Confira: 

  • Selênio e Zinco: além de serem micronutrientes importantes para a resposta imunológica, também atuam na regulação de diversas enzimas importantes. 
Figure 2. Possível papel do selênio e zinco para a progressão do câncer de próstata. Fonte: https://doi.org/10.3390/nu13020496

Observa-se que diversos mecanismos estão associados com essa resposta protetora do selênio. Os metabólitos desse nutriente têm o potencial de reduzir a expressão de PSA (Antígeno Prostático Específico). Um estudo baseado em uma amostra de 34.901 participantes demonstrou que havia um menor risco de câncer de próstata em homens com o selênio sérico adequado. 

Quanto ao zinco, o mineral atua contribuindo para a regulação da proliferação celular. Um estudo de coorte, com 525 homens diagnosticados com câncer de próstata, mostrou que um consumo aproximado entre 15 a 20 mg/dia foi associado com uma redução em 36% na taxa de mortalidade, comparado com o consumo de 9 a 12.8 mg/dia de zinco.

  • Licopeno: É um carotenóide com grande potencial antioxidante e atuação no processo de peroxidação. Pode ser encontrado com maior concentração em tomates e seus derivados, como em molhos, pasta e no suco. Também está presente em outros alimentos, como melancia, goji berry e papaia, mas em menor concentração.

Um estudo de coorte mostrou que o papel protetor do consumo de licopeno está mais associado com o período de pré expressão de PSA. Dessa forma, homens saudáveis que consumiram licopeno reportaram um menor risco, em 28%, de apresentarem uma forma letal da doença.

  • Flavonóides: Isoflavonas, catequinas, resveratrol e outros compostos são encontrados em alta concentração em diferentes alimentos, como em pimentas, maçã, cebola, chá-verde, cereais e grãos.
Figure 3 Possíveis mecanismos de compostos flavonoides nas células no câncer de próstata. https://doi.org/10.3390/nu13020496

Diversos mecanismos estão sendo estudados, principalmente associados aos polifenóis do chá-verde, resveratrol e seus análogos e com isoflavonas. Todos esses demonstram associação com a inibição do crescimento de células cancerígenas, regulação de funções celular e redução do estresse oxidativo.

Para mais informações orientamos a leitura da íntegra do artigo: Fatores Dietéticos e o Desenvolvimento, Progressão e Redução do Câncer de Próstata

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Dia Mundial do Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2). Pensando no Dia Mundial do Diabetes trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:

Estratégias Nutricionais

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais, como estévia, fica a sugestão de orientar o consumo desses adoçantes, podendo acontecer em substituição dos comumente utilizados; 
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição do açúcar por edulcorantes, a estratégia de contagem de carboidratos pode ser aplicada, por exemplo; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.

Materiais técnicos e educativos 

  • Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
  • Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net

Páginas profissionais da área 

https://diabetes.org.br/e-books-publico/
  • Sociedade Brasileira de Diabetes: possui diversos materiais e guidelines, confira em diabetes.org.br/publico/ 
  • Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/ 
  • Página oficial Dia Mundial do Diabetes: outras informações e materiais podem ser encontrados em novembrodiabetesazul.com.br

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Atualidades

Cuidado Nutricional: Prevenção no Câncer

Juntamente com a campanha do Outubro Rosa, o Dia Nacional de Luta Contra o Câncer de Mama (27/10) apresenta a proposta de conscientizar a população sobre a doença e incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce. 

No Brasil, esse tipo de câncer lidera a posição de mortalidade entre as mulheres e apresenta um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres (2). 

A manutenção de hábitos saudáveis poderia auxiliar na prevenção de até 30% dos casos de câncer de mama, são eles: a prática regular de atividade física, o consumo de uma alimentação balanceada e a adequação do peso corporal (3).

Entre os fatores preventivos a nutrição exerce um grande papel. Vamos conhecer melhor a sua relação com a prevenção de câncer como o de mama?

Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer: Uma Perspectiva Global. INCA, 2020.

O INCA (Instituto Nacional de Câncer) possui dois materiais muito interessantes que apresentam fatores intimamente associados com a incidência de câncer de mama, são eles (4,5):

  • Obesidade e acúmulo de gordura corporal

O quadro da obesidade carrega consigo uma série de alterações metabólicas que influenciam o estado do câncer: mudanças na função mitocondrial e de captação de glicose; os níveis mais elevados de insulina em jejum, estradiol, PCR e outras citocinas pró-inflamatórias; e o estímulo proliferativo e a supressão da apoptose. 

A recomendação para a prevenção do câncer é a manutenção de uma circunferência da cintura menor do que 80 cm em mulheres e um IMC mais próximo de 24,9 kg/m2. Há uma intensa relação entre o maior risco para câncer de mama e o excesso de peso corporal devido às alterações acima citadas.

  • Consumo de bebida alcoólica 

O consumo regular de álcool gera alterações no metabolismo hormonal e aumenta a síntese de metabólitos tóxicos, como o acetaldeído. A recomendação é que o consumo não ocorra, pois não há um limite seguro para a ingestão. No entanto, também é possível trabalhar com a redução. 

Uma proposta de reduzir o consumo de bebidas alcoólicas para um drink por semana (15 gramas de álcool em etanol) prevê a economia de R$161,29 milhões de reais em custos despendidos pelo SUS no atendimento de pacientes oncológicos atribuíveis ao consumo de álcool.

  • Não aleitamento materno

Há uma alta prevalência de mulheres que não amamentaram até os 24 meses de vida do lactente. É conhecido que a amamentação protege as mães do câncer de mama e os bebês do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida.

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O alto consumo de carne vermelha e processada, assim como o baixo consumo de fibras alimentares apresentam relação com o desenvolvimento de câncer, mas em maior ocorrência com o tipo colorretal. 

Além disso, não há como deixar a atividade física de lado, pois a mesma possibilita o desenvolvimento e manutenção de organismos mais resistentes, adaptáveis e com maior facilidade de recuperação 

Compartilhe mais informações sobre o câncer de mama e ajude muitas pessoas a se prevenir, sugerimos esse material: Câncer de Mama: Vamos falar sobre isso? – Ministério da Saúde 2022.

Até mais! 

Atualidades

Cinco práticas alimentares mais sustentáveis

Dietas mais sustentáveis (DS) são modelos alimentares com a possibilidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo.

Na semana passada trouxemos o resumo de um artigo que explicava sobre tal conceito e outras orientações. A publicação traz como resultados cinco práticas que vão de encontro com o contexto de sustentabilidade.

Os autores citam que os candidatos ideias para compartilhar tal conhecimento com os consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. Essa é uma sugestão que vai de encontro com a prática da Educação Nutricional e Alimentar (EAN). 

A EAN é um dos campos de conhecimento da ciência da nutrição, base para diferentes setores e atuações profissionais e apresenta o propósito de promover uma alimentação mais autônoma e saudável (1). Então, vamos nos aprofundar nas práticas sugeridas?

  • Adotar uma dieta baseada em vegetais:

Comparado ao sistema de produção de origem vegetal, os produtos de origem animal causam grande impacto ambiental, principalmente na emissão de gases de efeito estufa, alto custo e o uso exacerbado de terras, água e energia. 

Muitas empresas iniciaram e aceleraram a criação e produção de produtos substitutos aqueles de origem animal. Há três possíveis categorias para tais produtos – aqueles que imitam carne em gosto, textura e aroma; os que são produzidos em laboratório com células animais; e os que possuem como base insetos, como os gafanhotos. 

Há pontos positivos e negativos a serem avaliados para cada alternativa, em geral, é importante avaliar os aspectos sensoriais e nutricionais. Além de bem aceitos pelos consumidores, os produtos precisam ser enriquecidos principalmente com ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco.

  • Mitigar o desperdício de alimentos: 

Nesse contexto, desperdício seria descartar alimentos que poderiam ser consumidos. Pode acontecer em diversas etapas, ainda na produção do alimento, no seu preparo ou na hora do consumo. 

Na hierarquia de prioridades, o primeiro passo deve ser uma mudança no sistema de produção alimentar. A doação de alimentos também é um passo importante, podendo ser realizada como política fixa em grandes instituições que atuam com alimentos. 

A redução do desperdício de alimentos também pode acontecer na alimentação animal, porém só é possível em pequena escala, por uma questão de segurança sanitária. Outro campo que precisa de atenção é na prática da compostagem, pouco conhecida e praticada pelo consumidor final.

Falando em sustentabilidade, como os alimentos são embalados também deve entrar em pauta. Comprar em maior quantidade para reduzir o descarte de embalagens pode nem sempre ser interessante. Pois, apesar das embalagens gerarem impacto ao meio ambiente, o desperdício alimentar pode impactar muito mais. 

  • Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados:

O sistema produtivo de tais alimentos está associado com práticas de refinação, adição de substâncias artificiais, poluição ambiental, uso de pesticidas e herbicidas, além da redução de práticas culinárias caseiras e a dissipação de culturas alimentares.  

Avaliar o impacto ambiental na geração de gases poluentes, entre outras consequências ambientais, torna-se difícil pela variedade de produtos alimentares categorizados como ultraprocessados.

No entanto, o impacto para a saúde de tais produtos é amplamente conhecido. Um consumo alimentar excessivo de ultraprocessados está associado com o aumento de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. 

  • Envolver-se em sistemas alimentares locais:

Considerando o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados, priorizar sistemas produtivos locais é uma prática possível e sustentável. No entanto, contrapontos podem ser feitos, grandes sistemas podem proporcionar maior eficiência no transporte de alimentos, por exemplo. 

Mesmo sendo difícil estimar a diferença no impacto ambiental com tal mudança, outros benefícios podem ser encontrados em priorizar os produtores locais, como no aumento da produção e acesso de frutas e vegetais, maior contato com o alimento e no estímulo da economia local. 

  • Escolher frutos do mar sustentáveis: 

Uma das principais questões com o consumo de frutos do mar está no próprio sistema produtivo, como na pesca ilegal, excessiva e irresponsável com outras espécies marinhas, como tartarugas golfinhos, baleias e tubarões. 

A pesca indevida invade o habitat e ciclos naturais dos animais marinhos, caso ocorra de forma excessiva também impacta na própria produção da espécie. Também há impacto na poluição marinha, pois ferramentas de pesca comumente são descartadas de maneira imprópria. 

Uma alternativa são os sistemas sustentáveis de produção, a aquicultura tem como propósito criar tais espécies de consumo em um ambiente controlado, seguro e sem impacto ambiental. Mesmo assim, os selos de garantia e sustentabilidade devem ser priorizados no momento da compra. 

Acesse o artigo na íntegra. 

Até mais! 

Atualidades

Artigo Científico: Dietas mais sustentáveis e o futuro da alimentação

Os dados mais recentes sobre o consumo alimentar atual da população mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de 9% para 16%, em um intervalo de seis meses, entre os anos de 2019 e 2020 (1). 

É importante destacar que durante o período também a pandemia da COVID-19 estava em seu auge e também impactou nessa mudança alimentar.Hoje, iremos considerar tal cenário atual e avaliarmos: como será o futuro da alimentação? 

Um recente artigo apresentou e discutiu os possíveis caminhos para se alcançar práticas dietéticas mais sustentáveis. Confira o nosso resumo a seguir! 

Introdução

Dietas mais sustentáveis (DS) são aquelas que promovem benefícios para a saúde, apresentam baixo impacto ambiental, estão conectadas com certos pilares da sustentabilidade, e contribuem para a segurança alimentar atual e de futuras gerações. 

O presente artigo busca sintetizar e revisar as evidências disponíveis para as dietas sustentáveis e a aplicabilidade das mesmas, assim como oferecer recomendações práticas aos educadores em nutrição.

Metodologia

O presente estudo se configura como uma revisão narrativa completa da literatura realizada no ano de 2021, com publicações datadas desde 2010 e encontradas a partir dos termos “dietas sustentáveis”, “nutrição”, “educação nutricional”, entre outros. 

Resultados

Os estudos selecionados retornaram cinco recomendações consideradas adequadas para o conceito de dietas mais sustentáveis: 

  1. Adotar para uma dieta baseada em vegetais;
  2. Mitigar o desperdício de alimentos;
  3. Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
  4. Envolver-se em sistemas alimentares locais;
  5. Escolher frutos do mar sustentáveis.

Discussão 

As recomendações podem ser trabalhadas de diversas formas. Mesmo que o conteúdo seja mais direcionado ao público adulto, o mesmo pode ser adaptado para outras populações e complementar programas educacionais em alimentação.

Para citar exemplos, quando a pauta é a promoção de dietas à base de plantas, é interessante que a motivação seja em direção ao consumo de alimentos fontes de proteína mais naturais e não ultraprocessados, como leguminosas, castanhas e sementes. 

Conclusão

A adoção de dietas mais sustentáveis ​​(DS) tem a capacidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo. 

Os candidatos ideias para fornecer tal educação aos consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. 

Destaca-se que as recomendações práticas oferecidas são limitadas ao nível de experiência dos autores, sendo importante que uma constante atualização no assunto seja realizada.

Acesse o artigo completo aqui

Atualidades

Segurança alimentar e sustentabilidade

No ano de 2021, aproximadamente 117 milhões de brasileiros se encontravam em situação de insegurança alimentar; sendo que 9% desses declarou estar passando fome (2). Apesar da escassez de alimentos já ter sido pior em território brasileiro, essa não é uma realidade extinta. 

Inclusive, no mês de outubro (16/10) é celebrado o Dia Mundial da Alimentação. Durante o período, eventos acontecem abordando uma alimentação mais saudável, acessível e segura para todos. 

Para tanto, além da fome e insegurança alimentar, também é preciso falar sobre sustentabilidade e caminhos pelos quais poderíamos prosseguir para promover um sistema alimentar mais justo.  

Segundo Mazzocchi et al., uma alimentação e nutrição sustentável contempla os aspectos sociais, econômicos, ecológicos e biológicos de uma comunidade. 

Para o futuro da alimentação é desejável um sistema de produção economicamente acessível e que proteja a biodiversidade e os ecossistemas. Um cenário que sirva à saúde humana e a ambiental. 

Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados auxiliaria na redução do impacto que o sistema alimentar atual causa na biodiversidade No entanto, essa ainda não é uma realidade acessível a todos. 

Também é importante discutir o comportamento humano e os hábitos de consumo, pois para tal construção é importante que as pessoas sejam incentivadas a mudar a realidade atual. 

Um momento importante para tal aprendizado, por exemplo, é durante a primeira infância. O consumo alimentar familiar pode refletir muito nas escolhas alimentares futuras. 

Preferências para um consumo mais saudável e sustentável podem ser moldadas com a introdução de valores voltados para a sustentabilidade, sensação de comunidade e respeito com o meio ambiente. 

Acesse aos textos anteriores sobre o tema e outros materiais de apoio: 

Blog Allivici: Nutrição Sustentável e Escolhas Alimentares

Blog Allivici: Dia Mundial da Alimentação

Guia Mundial para a Segurança dos Alimentos

Até mais! 

Atualidades

Dia Mundial do Coração

Hoje é o Dia Mundial do Coração (29/09).

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1)

O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).

As estratégias para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisam considerar um fator importante, o nível de adesão do indivíduo ou grupo terapêutico, principalmente por se tratar de uma condição crônica.

Fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e uma alimentação inadequada devem ser trabalhados. Para o nutricionista, há algumas estratégias capazes de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares: 

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4).

Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento. 

Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais: 

Manual Ministério da Saúde – Alimentação Cardioprotetora

Diretriz Sociedade Brasileira de Cardiologia – Prevenção Cardiovascular

Manual Ministério da Saúde – Saúde Cardiovascular na Atenção Primária  

Até mais!

Atualidades

Quais são as dietas mais realizadas no esporte?

É de comum conhecimento que uma alimentação planejada é essencial para atingir os resultados desejados na performance e recuperação do atleta e esportista. No entanto, nem sempre esse indivíduo está sendo acompanhado por um profissional.

Por isso, é de extrema importância que o padrão alimentar seja avaliado entre esse público. Um artigo recente avaliou os fatores mais determinantes para as escolhas alimentares no meio esportivo, assim como as dietas mais comuns.

Continuando o assunto da última semana, quais são as dietas, prescritas ou realizadas por conta própria, mais seguidas por esse público? 

Dietas no meio esportivo

  • Sem glúten 

A isenção de alimentos e produtos com glúten é relevante para pessoas portadores de doença celíaca, intolerância ao glúten e alergia ao trigo. No entanto, a dieta tem se popularizado entre muitos, inclusive no meio esportivo. A principal razão para a aderência desse grupo é a crença que o consumo de glúten seja a causa de patologias gastrointestinais. 

Outro fator relevante para a nutrição é que na restrição alimentar do glúten, também há uma redução dos alimentos fontes de carboidrato disponíveis para o consumo; fator que deve ser considerado, pois a maioria das modalidades necessita de um consumo alimentar adequado de carboidratos. 

  • Baixa em FODMAPs 

Essa dieta, restrita em alimentos com carboidratos de cadeia curta, apresenta alta taxa de sucesso no tratamento para síndrome do intestino irritável. Devido a grande preocupação com os sintomas gastrointestinais, essa dieta tornou-se popular no esporte. 

A restrição desses alimentos mais fermentáveis visam minimizar a ocorrência dos sintomas (distensão abdominal, cólicas, flatulência, eructação e etc). É importante que o devido acompanhamento seja realizado, evitando uma restrição alimentar excessiva, ou a carência de nutrientes, como cálcio.

  • Plant-based 

Dietas vegetarianas e veganas têm sido associadas com benefícios para a saúde, como na redução do risco de doenças crônicas. Há muitos fatores que podem ser motivadores para seguir esse estilo alimentar.

Ainda há poucos estudos que demonstram benefícios para a performance esportiva, mas por apresentar um perfil alimentar mais alto em carboidratos, pode ser vantajosa para modalidades que se beneficiam de um estoque de energia. 

Também apresenta benefícios pensando no perfil de antioxidantes e fitonutrientes. No entanto, mais atenção deve ser dedicada para o consumo de certos nutrientes, como ácidos graxos ômega 3, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e vitamina B12. 

  • Produtos Funcionais 

Diferentes alimentos têm sido desenvolvidos pensando nas demandas alimentares do meio esportivo, como “barrinhas” com quantidade reduzida de açúcares, biscoito de arroz com adição de batata-doce, bebida de chocolate sem lactose e fortificada com leucina. 

A criação de alternativas como as citadas pode ser interessante para a redução do risco de desordens gastrointestinais e maior efetividade nos treinamentos.

  • Personalizada / Genética

Recentemente, conceitos como nutrigenômica e nutrigenética ganharam espaço no meio esportivo. Nesse contexto, nutrientes que podem impactar na expressão genética e os seus mecanismos são estudados. 

Leucina, por exemplo, é um aminoácido que impacta na atividade de diversas quinases e na sinalização da mTOR, funções associadas com a síntese proteica, desenvolvimento muscular e performance esportiva. 

A particularidade genética de cada um também tem sido considerada para a escolha da dieta adequada. Polimorfismos nos genes LAT1 e LAT2 podem impactar na taxa de absorção de aminoácidos BCAA, como a leucina. 

Conclusão 

De acordo com os estudos avaliados, diversas dietas são seguidas no meio esportivo. Há destaque para uma alimentação sem glúten, baixa em FODMAPs e baseada no consumo de plantas.

Ressalta-se que sempre o ideal é o consumo alimentar adequado individualmente, considerando o nível de treinamento, objetivos e fatores pessoais. 

Ter atenção para o consumo alimentar desse público é essencial, principalmente para produtos e serviços focados na genética, pois é uma temática que ainda necessita de muitos estudos diante da complexidade apresentada. 

Confira o artigo na íntegra aqui

Atualidades

Artigo Científico: Esporte e os fatores determinantes nas escolhas alimentares

Para se obter os resultados desejados no esporte é muito importante que a rotina alimentar e de treinamentos sejam seguidas. Por isso, para profissionais que atuam com esse público, o conhecimento de estratégias nutricionais adequadas para cada modalidade e nível de performance é essencial.

No entanto, também é importante que os fatores determinantes para essas escolhas sejam avaliados, caso contrário, os resultados desejados não serão atingidos com tanta efetividade. 

Dessa forma, é essencial que o nutricionista entenda sobre os fatores que podem influenciar na alimentação desse público, podendo então identificar com mais clareza as dificuldades e possíveis soluções. O estudo de hoje, recentemente publicado na Nutrients, aborda justamente esse tema.

Introdução

A nutrição é base essencial para a performance, recuperação e adaptação do atleta. Atualmente, novos estudos focados na genética, microbiota intestinal e individualidade imunológica têm visado auxiliar na efetividade das estratégias nutricionais no esporte. 

Na alimentação, muitos fatores podem ser influentes para uma escolha, como preferências pessoais, custo, sustentabilidade, cultura, aspectos familiares ou religiosos. 

No esporte, o peso e a forma corporal também são fatores importantes, podendo ter maior ou menor impacto dependendo da modalidade, intensidade de treinamento e nível de dedicação (esportista ou atleta). 

Resultados e Discussão

  • Fisiológicos e biológicos

A prática de comer ou permanecer em jejum é comumente realizada por motivos além da fome ou saciedade; visando atingir uma meta de peso corporal, consumo calórico ou nível de hidratação, por exemplo. O apetite também pode ser impactado, comumente suspenso após horas de esforço físico excessivo. 

Assim, os fatores fisiológicos de fome, saciedade e apetite não são os principais determinantes nas escolhas alimentares para esse público. No entanto, a escolha por alimentos conhecidos é fortemente valorizada. Isso acontece visando evitar sintomas gastrointestinais, pois afetam a rotina de treinamento e a recuperação.

  • Estilo de vida

As escolhas alimentares variam de acordo com a motivação da prática esportiva, modalidade, fase de treinamento e nível de competição. Por exemplo, praticantes de endurance possuem a tendência de avaliar com maior intensidade os aspectos nutricionais das refeições do que aqueles em modalidades de força. 

  • Psicológicos

Já foi avaliado que o peso corporal é o fator mais importante para esse público. No esporte, há maior risco para transtornos alimentares, principalmente em modalidades que a forma corporal é valorizada, como na natação ou ginástica olímpica. 

  • Sociais

A rotina de cada indivíduo pode influenciar na escolha de alimentos fáceis e rápidos de serem preparados. No esporte, é importante que as necessidades energéticas sejam supridas, por isso as refeições precisam ser melhor planejadas. Costumes e tradições familiares podem ou não ser valorizados, devendo ser um aspecto individual a ser avaliado. O conhecimento e as crenças pessoais sobre alimentação também podem ser relevantes. 

  • Econômicos

O custo da alimentação é um fator determinante para pessoas com renda mais baixa e estudantes. No esporte, o nível de treinamento, a modalidade, renda e a presença de patrocínios são relevantes para as escolhas alimentares. 

Conclusão

Essa revisão avaliou os fatores que podem influenciar no comportamento alimentar nas práticas esportivas. Saúde e peso corporal são os fatores mais relevantes, em seguida é possível observar que as escolhas alimentares são mais direcionadas visando evitar sintomas gastrointestinais e para atingir as metas de treinamento e competição. 

– Confira o artigo na íntegra aqui

Atualidades, Vida de nutricionista

A importância de Setembro Amarelo para o Nutricionista

Nesse mês temos uma importante campanha que merece a atenção de todos: “Setembro Amarelo”. No Brasil, aproximadamente 12 mil casos de suicídio são registrados todos os anos, com quase 97% desses associados a algum transtorno psiquiátrico (1). 

É com o objetivo de reduzir esses números que todos precisam estar envolvidos nesse movimento. Os profissionais da saúde podem, e devem, ser os principais capacitados na identificação de possíveis sinais de atenção. Então, teria o nutricionista um papel nesse cenário?

O modelo terapêutico baseado na escuta ativa possibilita o profissional a receber muitos relatos pessoais, os quais podem indicar sinais para depressão ou comportamentos de possível risco para suicídio.

Para esses casos, mesmo que o nutricionista não seja apto para avaliá-los, o mesmo pode estar atento aos sinais e realizar o devido encaminhamento para um psicólogo, principalmente devido ao vínculo terapêutico já existente com o cliente. 

Também é importante ressaltar que muitos nutricionistas atendem pessoas com transtornos alimentares, para esse público, a atenção deve ser redobrada. 

Dois estudos brasileiros apontaram maior risco para suicídio entre pessoas com sintomas para transtornos alimentares, sendo esse agravado quando também havia sintomatologia de depressão (2,3).

Há uma correlação entre transtornos alimentares e risco para suicídio, mas ainda não há clareza sobre essa associação, ou seja, se a presença do transtorno alimentar pode ser considerado um fator de risco para suicídio (4). 

Porém, esse é um dado importante a ser considerado na conduta clínica do nutricionista, para que esse esteja mais atento aos possíveis sinais e mais preparado para realizar um encaminhamento profissional.

Assim, o nutricionista pode ser mais uma “porta de entrada” para o atendimento desse público que precisa de suporte e atenção profissional. Além de psicólogos parceiros, você também pode indicar os canais do Centro de Valorização da Vida !

Até mais!

Atualidades

Como explicar fome e saciedade ao paciente?

Em nossos textos sobre estratégias nutricionais há muito conteúdo técnico disponível para auxiliar o nutricionista, tanto para a prescrição, quanto para abordagem de tópicos na clínica.

Muitas vezes, por conta da linguagem técnica, que é tão natural aos profissionais, muitos temas não ficam claros para os pacientes.

Um deles é como ter uma melhor percepção dos sinais de fome e saciedade, que é essencial para que este entenda melhor sobre os seus limites e tenha mais autonomia alimentar.

A questão é: como explicar?

Apesar de essa ser uma orientação mais presente em condutas focadas no comportamento alimentar, pode ser aplicada por todos os nutricionistas, mesmo que o paciente siga uma prescrição dietética quantitativa.

A ingestão alimentar é instintivamente orientada e regulada por fatores homeostáticos, hedônicos e cognitivos, os quais interagem entre si. A prescrição nutricional vai de encontro com as necessidades fisiológicas estimadas do paciente.  

A fome pode ser explicada a partir de uma gradação, aumentando progressivamente. Cada um irá percebê-la de forma diferente, mas alguns sinais são comuns para a maioria das pessoas. Incentive o paciente a observar: 

  • fisiológicos: boca amargar, barriga roncar, dor de cabeça, irritação;
  • cognitivos: pensamentos voltados para a comida, memórias alimentares;
  • sensoriais: olfato aguçado, aumento da salivação, alterações neuroendócrinas diante da presença do alimento.

O que chamamos, comumente, de saciedade pode ter diferentes significados para quem escuta. Também acontece em etapas. Por isso, é importante diferenciarmos alguns termos técnicos para então abordar esse assunto com o paciente:

  • saciação: associada a distensão estomacal devido o consumo alimentar;
  • saciedade: associada a liberação de leptina e absorção de nutrientes;
  • satisfação: associada com a liberação de dopamina, sensibilidade à recompensa, desejo de comer, nível inicial de fome e reconhecimento dos aspectos sensoriais da refeição. 

Por isso, quando o paciente se diz “satisfeito” com certa refeição, do que exatamente ele está falando? É importante que o nutricionista tenha esse olhar (ou melhor, uma escuta ativa), podendo então realizar melhores prescrições e orientações nutricionais! 

Como sugestão, para consulta e estudos, alguns artigos que falam sobre os aspectos metabólicos e neuroendócrinos da fome e saciedade: 

Sobre a fome, saciedade e sistema de recompensa (Front. Endocrinol., 2017)

Neurobiologia e consumo alimentar na saúde e doença (Nature Reviews, 2014) 

Mecanismos fisiológicos do prazer em comer (Flavour, 2015)

Até mais!

Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Motivação x Resultados

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Sabemos que a motivação e prontidão para mudar são fatores essenciais para que resultados sejam obtidos no tratamento nutricional. E quando o paciente não está motivado? Podemos motivá-lo a mudar?

É importante lembrar que ninguém é capaz de motivar o outro (1), já que a motivação é um aspecto intrínseco, o que o profissional pode fazer é encontrar estratégias para que o próprio indivíduo se motive. Como fazer isso? Falaremos disso daqui a pouco!

No livro “Como Aprendemos a Comer” há um trecho bem interessante sobre o trabalho do nutricionista:  

“Os que entram na profissão de nutricionista tendem, por razões muito boas, a desenvolver um forte desejo de mudar os outros (…) os seres humanos não respondem diante de ordens, sobretudo quando se trata de algo tão pessoal quanto o que colocar na boca”.  Bee Wilson

Muitas vezes, caímos na cilada de querer mudar o outro, e pode ser que na melhor das intenções, o enchemos de “conselhos e dicas” sem considerar outros fatores muito importantes. 

Existem técnicas destinadas para o acompanhamento nutricional que facilitam o desenvolvimento do vínculo clínico. Dessa forma, o paciente entende o ambiente terapêutico em que se encontra e pode atingir os resultados esperados com maior motivação.

Fonte: Livro “Motivación e intervención social”

O que também podemos fazer?

  • Entrevista motivacional: essa é uma forma de conduta terapêutica que permite que o nutricionista seja facilitador de um processo de mudança. Não são realizadas imposições, há responsabilidade de ambas as partes no tratamento, e planejamento em conjunto de ações comprometidas;
  • Educação nutricional: quem não gosta de entender mais sobre o que acontece com o próprio corpo? É importante que, de forma simples, processos fisiológicos sejam esclarecidos. Essa prática pode até mesmo instigar o paciente/cliente a realizar o que está sendo proposto, já que agora entende melhor a razão disso;
  • Olhar além da nutrição: há muitas questões que transpassam as alimentares e podem impedir que o nutricionista dê continuidade em seu trabalho. É essencial que o profissional tenha essa percepção e consiga realizar o encaminhamento necessário (psicólogo, educador físico, etc). 

A postura tradicional de autoridade adotada por muitos profissionais de saúde pode, na verdade, aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. 

Desenvolver uma nova percepção não é um caminho fácil, mas ele é possível de ser trilhado e pode auxiliar muito no trabalho do nutricionista!

Até mais!

Referências

  1. DUNKER, K.; ALVARENGA, M.; TIMERMAN, F.; VICENTE, C.; TEIXEIRA, P. Fundamentos e técnicas da entrevista motivacional para Nutrição in Comportamento Alimentar. p. 201-225, 2020.
Atualidades

Artigo Científico: Recomendações sobre o uso de adoçantes artificiais

Os edulcorantes, comumente conhecidos como adoçantes, são aditivos alimentares com o potencial de conceder aos preparos doçura em nível superior à sacarose (1). 

São utilizados para a substituição, total ou parcial do açúcar, em produtos comercialmente rotulados como diet ou zero, e precisam estar indicados nos ingredientes. Também são vendidos de forma isolada para a adição no momento do consumo, em bebidas, por exemplo. 

Os liberados para o uso no Brasil são: acessulfame de potássio, aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose, taumatina, glicosídeos de esteviol, neotame, maltitol, sorbitol, manitol, isomaltitol, lactitol, eritritol e xilitol. 

fonte: https://www.bmj.com/content/364/bmj.k4718

Em algumas condições crônicas de saúde, como diabetes, uma das orientações dietéticas é a ingestão controlada de açúcares. Dessa forma, a substituição por edulcorantes geralmente é indicada.

O uso também passou a ser realizado visando a perda de peso. O que os estudos dizem sobre isso? Hoje analisaremos um artigo de revisão sistemática sobre o tema. 

Introdução

O consumo diário de açúcares adicionados deveria permanecer entre 5 a 10% da ingestão calórica total. Em muitos países as estatísticas indicam que esse número é significativamente superior. 

Muitos produtos contam com a adição de adoçantes não calóricos (edulcorantes) visando a redução do teor de açúcares e atender aos indivíduos que seguem dietas restritas. 

Pouco ainda é conhecido sobre o uso dessas substâncias no longo prazo, mas há estudos que apontam possíveis riscos para a sensibilidade do paladar ao gosto doce e para a percepção de fome e saciedade. Nesse caso, se comprovados, não seria uma estratégia tão efetiva assim. 

Resultados e Discussão

Os edulcorantes que possuem rápida absorção na parte inicial do trato gastrointestinal, como aspartame e acessulfame de potássio, apresentam menor estímulo aos receptores para o gosto doce; ou seja, há menor percepção dessa substância. 

Em quadros de obesidade, estudos indicam que há menor sensibilidade ao gosto doce e alterações nos receptores de dopamina. Essa é uma questão importante, pois o nível de satisfação ao comer pode ser percebido como inferior, ainda mais se adoçado com edulcorantes, podendo levar alguns ao maior consumo de alimentos. 

Quando a substituição visa reduzir a ingestão calórica, o uso de edulcorantes apresenta válida aplicação, mas há muitas dúvidas sobre os possíveis efeitos fisiológicos causados no longo prazo. 

Apesar de os estudos analisados não concluírem que tal substituição gera compensações ou um maior desejo por alimentos doces, a realidade pode se apresentar diferente.

Pois, em um ambiente não controlado há diversos fatores que interferem no consumo alimentar. Por isso, ressalta-se a importância da consciência e educação alimentar e nutricional para o melhor controle do consumo de açúcares.

Conclusão

Até então, com base nos estudos avaliados, a substituição de sacarose (açúcar) por edulcorantes aparenta ser segura, no curto prazo, e pode ser indicada em intervenções que visam a perda de peso corporal, por gerar redução no consumo calórico total. 

No entanto, ainda não há consenso de que o uso dessas substâncias geram maior desejo por comida, alterações no sistema de recompensa e no apetite; apesar de essas serem hipóteses amplamente divulgadas. 

É sugerido que mais estudos sejam conduzidos para clarificar tais questões, principalmente sobre o uso no longo prazo e os efeitos para o controle do peso corporal, redução de sensibilidade ao gosto doce, alterações no sistema de recompensa e no apetite; hipóteses amplamente divulgadas. 

Confira o artigo na íntegra clicando aqui

Até mais!  

Atualidades

Leite ou Bebida Vegetal: Qual orientar e como prescrever?

O aumento no número de casos para alergia ao leite de vaca, ou intolerância à lactose, bem como a redução do consumo de produtos e derivados animais, têm refletido no crescimento da busca por bebidas vegetais.

Embora essas bebidas sejam comumente conhecidas como “leite vegetal”, a terminologia leite deve estar presente apenas em produtos obtidos pela ordenha (com exceção aos extratos obtidos de amêndoa e coco).

As bebidas mais consumidas são: soja, amêndoa ou castanha-de-caju, arroz, coco e aveia. Podendo haver variações quanto ao sabor, adição de outros ingredientes, ou a união de dois substratos (aveia com coco, por exemplo). 

Diante dessa mudança de comportamento alimentar, um novo desafio é destinado aos nutricionistas: educar a população acerca dos substitutos realmente adequados e disponíveis no mercado alimentício. Para tanto, trouxemos dois pontos que são chaves para auxiliar na sua prescrição. 

  • Qual é a restrição ?

É importante entender a motivação por trás da substituição. Muitos desejam trocar o leite animal por bebida vegetal por aderência à alimentação vegana ou vegetariana. No entanto, essas alternativas também podem ser indicadas em caso de hipersensibilidades alimentares. 

Em caso de alergia à proteína do leite, em geral, não deve haver o uso do leite de outros animais como ovelha, cabra ou búfala. As bebidas vegetais naturalmente não contém lactose, podendo também ser indicada para esse público.

Caso algum controle glicêmico seja necessário, as melhores opções seriam aveia (IG = 59), pela presença da beta-glucana ou soja (IG 47-61) ou amêndoa (IG 49- 64); evitando-se a de arroz ou de coco. 

Para todos os casos de substituição, vale avaliar a necessidade de suplementação ou complementação de cálcio e vitaminas com complexo B, principalmente a B12. 

  • Qual é a demanda ? 

Aqui será avaliada tanto a necessidade nutricional quanto o hábito de consumo. 

Considere a composição nutricional do leite a ser substituído. O leite de vaca, por exemplo, é rico em carboidratos (lactose), gorduras, proteínas, vitaminas do complexo B, retinol, carotenóides e minerais, com destaque para o cálcio. 

Caso a substituição vise manter a ingestão de tais nutrientes, como acontece com o cálcio, é importante que o produto a ser indicado contenha valores relevantes desse mineral. Também oriente a importância de complementar a alimentação ao longo do dia com vegetais folhosos verdes escuros, leguminosas e oleaginosas.

No entanto, pode ser que a demanda seja um desejo de dar continuidade no consumo do “leite”, nesse caso outros produtos podem ser indicados ao paciente considerando as suas preferências e formas de consumo das bebidas vegetais no dia a dia. 

As preferências variam de acordo com palatabilidade de cada um, por isso, vale a análise de diferentes produtos até que o paciente encontre o que mais lhe agrada, mas sempre tendo atenção para a composição nutricional.

Caso optem por prepará-las em casa seguem sugestões: 

Encontre mais receitas em: http://paveg.com.br/leites-vegetais/ 

O papel do profissional de nutrição é essencial para a escolha e substituição dos leites e bebidas de forma adequada. Deve também haver atenção aos casos que necessitam de suplementação ou complementação nutricional. 

Até mais!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Lúpus

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune e a sintomatologia varia de acordo com as fases, de atividade e remissão. O seu desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas, podendo incluir: intervenção farmacológica, modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades.

Por ser uma doença crônica, o tratamento precisa ser o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

Então, qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

Atender às demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES. Ou seja, possa coexistir um processo de orientação nutricional e educação alimentar com intervenções para amenizar os possíveis sintomas.

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, ajustado às alterações de apetite características do tratamento. Assim como com foco na prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo e o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda a orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para toda a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Atualidades

Doença Celíaca e Níquel: qual é a relação?

A Doença Celíaca é uma desordem autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, responsável pela condição inflamatória crônica intestinal em indivíduos geneticamente susceptíveis, que apresentam resultados positivos para o Antígeno Leucocitário Humano (HLA) DQ2 e/ou DQ8 (1). 

As principais manifestações após o consumo do glúten são gastrointestinais, como distensão abdominal, dor abdominal, diarreia e constipação. O tratamento requer uma dieta isenta de glúten e que evite o risco de contaminação cruzada. Por isso, o papel do nutricionista no tratamento é essencial.

No entanto, há quadros em que o paciente com doença celíaca segue apresentando queixas intestinais, mesmo após as restrições alimentares. O que fazer? 

Além de avaliar outras hipersensibilidades, há outras duas alternativas – avaliar e ajustar o consumo de:

Alimentos ricos em níquel

Há condições clínicas que apresentam sintomas gastrointestinais semelhantes com a doença celíaca e a síndrome do intestino irritável, como a síndrome de alergia sistêmica ao níquel (2,3).

O interessante é que muitos alimentos sem glúten contém alto teor de níquel e, assim, a sensibilidade ao níquel pode exacerbar os sintomas em indivíduos predispostos, principalmente se houver um consumo a longo prazo. São esses:

  • FRUTAS: banana, pêssego, uva, abacaxi, figo, morango, cacau, pera e cereja. 
  • VEGETAIS: alface, couve-manteiga, espinafre, tomate, aspargos, cebola, salsão, cenoura e vagem. 
  • CEREAIS E TUBÉRCULOS: batata, milho, aveia, e trigo sarraceno.
  • LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS: grão-de-bico, lentilha, ervilha, feijão, soja e amendoim.
  • PESCADOS/FRUTOS DO MAR: bacalhau, linguado, cavalinha, sardinha, marisco, camarão, lagosta, ostra e arenque.
  • OUTROS: alimentos enlatados, vinagre, ketchup, vinho tinto, café e chás.

A variabilidade de concentração de níquel nos alimentos é alta. Depende do tipo de solo, espécies de plantas, água de irrigação, fertilizantes e pesticidas. Assim, por ser impossível sua eliminação total da dieta, a recomendação é de evitar os alimentos com alto teor estimado de Ni (Ni> 100 μg / kg).

Alimentos ricos em FODMAPs

Nesse caso, uma dieta pobre em polióis e oligo -, di- e monossacarídeos fermentáveis (FODMAPs) pode amenizar os sintomas gastrointestinais. Principalmente por esses alimentos serem responsáveis por uma maior fermentação intestinal, podendo causar distensão, gases e outros sintomas semelhantes.

  • FRUTAS: maçã, cereja, abacate, banana, manga, pêssego, pera, melancia, nectarina, ameixa. 
  • CEREAIS E TUBÉRCULOS: amaranto, trigo, centeio, arroz, centeio, quinoa.
  • FRUTAS: maçã, cereja, abacate, banana, manga e coco.
  • LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS: ervilhas, feijões, pistache, castanha de caju.
  • VEGETAIS: abóbora; aspargos, alcachofra, cebola, alho, beterraba, couve, aipo.
  • OUTROS: mel, cevada, adoçantes, inulina, café instantâneo e chá de camomila.

Curiosidade: os números são maiores para o sexo feminino, tanto para a doença celíaca (3:1 (mulher/homem) quanto para a hipersensibilidade ao níquel (15 a 20%).

Outras referências: 

Borghini, R. Efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor de níquel na recidiva de sintomas semelhantes ao IBS e extra intestinais em pacientes celíacos durante uma dieta sem glúten adequada: Mucosite de contato alérgica com níquel na suspeita de doença celíaca não responsiva. Nutrients 2020 , 12 (8), 2277.

Atualidades

Cuidado Nutricional: Psoríase

No ano passado, um dos nossos textos mais lidos aqui no blog foi sobre psoríase. Então, nós decidimos trazer esse assunto novamente 🙂

psoríase é uma doença imunomediada, dermatológica e crônica. A manifestação física mais comum é a presença de placas ressecadas, avermelhadas e esbranquiçadas na pele (1). 

Sendo essa uma condição crônica de saúde, o nutricionista possui importante espaço de atuação terapêutica. Quais estratégias nutricionais podem ser aplicadas para o tratamento complementar?

  • Prescrição de alimentos ricos em nutrientes regulatórios
    • Nutrientes com potencial antioxidante (vitaminas, minerais, ácidos graxos poli e monoinsaturados) podem contribuir para a redução do nível de inflamação sistêmico (3);
    • ter atenção ao consumo ou suplementação de ácido graxo ômega 3, vitamina D e B12, fibras dietéticas, ácidos graxos de cadeia curta, genisteína, selênio e probióticos (2);
  • Educação nutricional e promoção da autonomia alimentar:
    • Indivíduos com psoríase, em geral, não seguem uma dieta específica, mas o padrão alimentar adotado influencia no consumo de nutrientes. Por isso, orientar evitar nutrientes agravantes, como: ácidos graxos saturados, carne vermelha, açúcar e álcool (2). 
  • Regulação da microbiota intestinal: em quadros de disbiose pode haver um agravamento do quadro clínico. Quando há alteração na integridade de estruturas importantes na mucosa intestinal (tight junctions) fatores pró-inflamatórios são ativados. Por isso, estratégias nutricionais baseadas em um padrão alimentar que promova equilíbrio da microbiota podem ser favoráveis (4);
fonte imagem: 10.1016/j.clnu.2019.05.006

Além disso, por ser uma doença que pode ter a sintomatologia estimulada por múltiplas condições, fatores ambientais e de estilo de vida merecem atenção, a alimentação é apenas um exemplo (5). 

Muitos portadores de psoríase apresentam outras doenças inflamatórias, ou mesmo metabólicas. As intervenções devem considerar o contexto clínico, não devendo ser indicadas de forma isolada, e sim como tratamento complementar.

Por isso, precisam estar alinhadas com a conduta médica vigente, contribuindo assim para a melhora da saúde do paciente! 

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Artigo Científico: Nutrição e Saúde da Mulher

Durante o mês de março, muitos temas relacionados à vida e saúde da mulher tiveram protagonismo. Na nutrição não foi diferente! Inclusive, sabia que há uma área de estudo especializada em saúde da mulher?

É importante ressaltar que, no contexto a seguir, o termo mulher será utilizado a partir de uma diferenciação biológica utilizada nos artigos, a qual é baseada na presença do útero e hormônios classificados como femininos. 

Na prática clínica, outros fatores também precisam ser considerados para auxiliar no acompanhamento de pessoas trans. Encontre mais informações neste livro

Como muito foi visto sobre o tema, abordaremos alguns pontos apresentados em um estudo recente sobre a associação entre dieta e a saúde da mulher:

  • Desordens ginecológicas são condições dependentes de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais. Sendo assim, o consumo nutricional possui apenas uma fração de impacto. 
  • Mesmo que o estudo apresentado tenha sido publicado em uma revista relevante, a metodologia apresentada é frágil, por isso, os resultados precisam ser avaliados cuidadosamente.

Mioma: Há possível proteção com o consumo regular de frutas e vegetais, devido à ação regulatória de micronutrientes, como a vitamina D e epigalocatequina-3-galato (composto flavonoide do chá verde). A carne vermelha pode impactar de forma negativa, assim como o consumo diário de álcool (cerveja).

Endometriose: A suplementação de vitamina C e E apresentou possível impacto na regulação de marcadores de estresse oxidativo. Mulheres com endometriose apresentaram menores níveis séricos de vitamina D. Em um estudo de coorte americano, o risco foi maior com o consumo de ácidos graxos trans; e menor quando associado ao consumo de ácidos graxos de cadeia longa ômega 3.

Síndrome do ovário policístico: Há maior risco das mulheres também apresentar resistência à insulina (80% dos casos), dislipidemia, hipertensão e outras condições metabólicas disfuncionais. 

O tratamento, em geral, foca na perda de peso, visando uma melhora das comorbidades associadas ao acúmulo de gordura excessivo. Suplementar coenzima Q10 e vitamina E pode apresentar benefícios, assim como vitamina D

Não há consenso de que uma dieta específica seja mais adequada para o tratamento. Já uma mudança na distribuição calórica, nesse estudo, resultou em diferença nos níveis de testosterona, glicose e insulina no grupo que consumia mais calorias no desjejum.

Câncer:

Conclusão: 

A relação entre a alimentação e as desordens ginecológicas ainda permanecem obscuras, para maior concretude são necessários estudos randomizados e também prospectivos. 

A potencial influência da alimentação ocorre pelo consumo de determinados nutrientes, os quais podem impactar as funções homeostáticas associadas à fisiopatologia dessas doenças.

Confira o artigo na íntegra aqui

Vida de nutricionista

Estratégias sustentáveis para um melhor uso de água

O Dia Mundial da Água (22/03) foi criado em 1992 visando promover mais discussões e ações sobre o consumo de recursos hídricos no mundo (1). O Brasil detém, em seu território, a maior parte do Aquífero Guarani, mas a disponibilidade atual de água já está sendo um fator limitante para o desenvolvimento social e econômico do país (2). 

Além de ser essencial para a maioria dos serviços, a água é um recurso indispensável para a produção de alimentos, assim a segurança alimentar é também dependente da segurança hídrica e ações que promovam a sustentabilidade (3).

Na nutrição, muito se fala sobre a importância da adequada ingestão hídrica visando a hidratação do paciente. Porém, o papel do nutricionista também envolve orientar um uso mais sustentável de água ao: 

  • Fazer compras: é importante priorizar marcas e produtores que estejam comprometidos com causas sustentáveis e em reduzir a pegada hídrica (PH);
  • Atuar em restaurantes: nutricionistas que atuam em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) também podem avaliar a PH para um melhor planejamento de cardápio (4);
  • Higienizar os alimentos: para a produção de refeições em grande escala, quanto menor o número de processos da higienização que envolvem água, melhor. Uma alternativa é a compra dos itens já higienizados. 

No ambiente doméstico, o volume de água pode ser economizado ao tampar a pia na etapa de tirar os resíduos em água corrente. Deixar o máximo de frutas e vegetais juntos na solução de hipoclorito também auxilia no menor consumo de água;

  • Cozinhar: a água do cozimento e branqueamento de alguns alimentos pode ser utilizada para o primeiro demolho de leguminosas, por exemplo, já que essa água será desprezada.

Diante das consequências ambientais que o mundo atual enfrenta, uma maior atenção ao uso sustentável dos recursos naturais é mais do que essencial. Por isso, é imprescindível que todos estejam mais atentos para essas novas demandas, inclusive os profissionais nutricionistas.

Até mais!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Doenças Digestivas

As doenças digestivas possuem participação genética em sua etiologia, mas são muito influenciadas por hábitos, fatores ambientais e comportamentais. Sendo assim, a alimentação também exerce importante papel na prevenção e tratamento das doenças digestivas.

A atuação de um nutricionista é de extrema relevância, principalmente diante de outros fatores de risco e no caso da presença de intolerâncias e alergias alimentares. De fato, a saúde da microbiota intestinal é uma temática muito discutida nos últimos anos.

Por isso, trouxemos pontos importantes de um artigo científico sobre o papel da nutrição na composição da microbiota intestinal:

  • O ser humano é formado por mais células microbianas do que humanas. Esse completo sistema está associado aos sistemas metabólicos, hormonais, neurológicos e imunológicos – regulando assim processos fisiológicos. 
  • Mudanças na composição da microbiota intestinal, as quais podem ser causadas pela alimentação, resultam em diversas consequências para o hospedeiro. 
  • A revisão incluiu 38 estudos sobre os nutrientes que impactam a microbiota intestinal realizados entre 2010 e 2018, conduzidos em humanos, todos adultos e saudáveis. Os resultados foram segmentados em: consumo calórico, macro e micronutrientes, além de alimentos e nutrientes específicos. 

Calorias

O excesso calórico entre refeições com a mesma composição nutricional resultou em alterações na diversidade da microbiota, reduzindo Bacteroidetes e aumentando Firmicutes; não sendo um fator preditivo de forma isolada, mas que pode levar a impactos negativos a longo prazo. 

Carboidratos

O tipo, quantidade e composição pode influenciar na diversidade microbiana. Um consumo alimentar rico em fibras é mais benéfico, pois carboidratos não digeríveis funcionam como substrato energético para a microbiota.

Gordura e Proteína

Uma dieta onívora rica em gordura e proteína, porém baixa em fibras, pode afetar negativamente a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. Principalmente pela possibilidade de maior formação de N-óxido de trimetilamina (TMAO).

Micronutrientes

Um estado de disbiose pode comprometer a absorção de diversos micronutrientes. Há também uma relação bidirecional, a microbiota intestinal utiliza e produz nutrientes, por isso o equilíbrio da mesma é essencial para a saúde.

Vinho, frutas vermelhas, cacau e chá

Esses alimentos possuem compostos com potencial benefício, como: antocianinas (vinho), elagitaninos (frutas vermelhas), flavonóides (cacau), catequinas e ácido gálico (chá). Ainda não há consenso sobre a definição de “microbiota saudável”

Conclusão: o consumo dietético, principalmente de fibras, afeta a composição da microbiota intestinal e que pesquisas mais aprofundadas são necessárias, principalmente com maior ênfase na metabolômica da microbiota intestinal. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

A linguagem importa: uma abordagem diante das condições crônicas de saúde

Cada vez mais, a função da comunicação e a seriedade da linguagem vêm sendo destacadas. Livros como “Comunicação não-violenta” e “Comunicação Assertiva” se tornaram guias para muitos profissionais, ainda mais os atuantes na área da saúde. 

Comunicação não é apenas sobre palavras, a entonação, os olhares e a gesticulação falam muito por si só. No entanto, mesmo que uma mudança global de comportamento seja necessária, um bom começo pode ser a partir da porta de entrada em um diálogo: as palavras (Jacquelin et al, 2021).

Na área da saúde, mudanças vêm sendo propostas visando melhorar a relação entre o profissional e a pessoa atendida, transmitindo maior acolhimento, vínculo e cuidado. Um documento recente, elaborado por especialistas, abordou sobre o quanto a linguagem importa. 

Confira algumas recomendações apresentadas: 

  • Usar o termo condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) ao invés de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs);
  • Manejo, gerenciamento ou cuidado são termos mais adequados do que “controle”, para quadros estáveis da glicemia ou colesterol, por exemplo;
  • Doente ou enfermo são palavras associadas à hospitalização em cuidado passivo. Falar “pessoa com/que tem” diz de alguém ativo em seu autocuidado; 
  • Seguindo esse rumo, dizer “ansioso, diabético ou obeso” não seria adequado. Podendo ser dito “pessoa com” transtorno de ansiedade, diabetes ou obesidade; 

Os especialistas ressaltam que não há imposição nas formas de tratamento propostas, apenas orientações de como aderir a uma linguagem mais neutra para tratar quem vive com condições crônicas de saúde. 

Se referir a alguém a partir do seu quadro de saúde reduz a existência desse a tal condição. Essa publicação também falou sobre a importância da linguagem, representatividade e educação em saúde. 

Inclusive, pontuar a importância desse assunto se faz ainda mais necessário no Dia Mundial da Obesidade (04/03). Por ser uma condição de saúde carregada de muito estigma, a abordagem pode interferir no desenvolvimento e tratamento da obesidade.

Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Acesse ao documento “Linguagem Importa” aqui

Até mais!

Atualidades

Há relação entre alimentação, depressão e ansiedade?

O padrão alimentar e estado nutricional de um indivíduo pode exercer impacto em diversas condições de saúde. Novos estudos sugerem que a dieta pode exercer um papel na prevenção e tratamento da depressão e ansiedade

Buscando trazer maior esclarecimento entre a possível associação, trouxemos a adaptação e tradução de um artigo recente sobre o tema. Afinal, estratégias nutricionais podem prevenir, recuperar ou auxiliar no tratamento de tais condições?

Alimentação e saúde mental

O consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. Alguns nutrientes já demonstraram isso, como: 

  • Os aminoácidos triptofano, tirosina, histidina, fenilalanina, ácido glutâmico;
  • As vitaminas ácido fólico, colina, piridoxina, cobalamina;
  • Os minerais selênio, magnésio, zinco;
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3.

Esses, desenvolvem papéis importantes da produção de neurotransmissores que estão associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Desordens depressivas e de ansiedade não possuem uma única causa, sendo difícil que um fator isolado possa estabelecer causalidade direta. Porém, há alguns pontos e associações importantes a serem destacados: 

Nutrição e depressão

  • Priorizar um padrão alimentar com consumo regular de vegetais, frutas, oleaginosas, óleo de oliva, cereais integrais e fontes protéicas com baixo teor de gordura; e com limitado consumo de doces, bebidas açucaradas e açúcar de adição. 
  • Atentar para o consumo das vitaminas B6, B12, B9 e D. Apesar de apresentarem um papel essencial no sistema neuroendócrino, não há recomendação de suplementação para a prevenção ou tratamento da depressão.
  • Adultos com depressão apresentam maior deficiência de magnésio e zinco. Não há evidências que demonstrem benefícios na suplementação de magnésio. Efeitos favoráveis foram observados em meta-análise para o uso de zinco (25 mg/dia por 6 a 12 semanas) como terapia adjunta ao antidepressivo.
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 foram associados a uma melhora no tratamento da depressão, podendo ser utilizado de forma associada à medicação (~1.5-1.8g/d). Porém, não há indicação de suplementação visando a prevenção.
  • Não há evidências que a composição de macronutrientes da dieta pode interferir nos sintomas depressivos, mas, dietas que estimulam a perda de peso apresentaram possível aumento da recorrência dos mesmos. 
  • Não há consenso quanto ao consumo de carnes, embutidos ou leite e derivados com o risco, ou aumento, de sintomas depressivos. 

Nutrição e ansiedade 

  • Atenção para o consumo de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e vitamina C. Esses nutrientes atuam na regulação do metabolismo de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e norepinefrina. 
  • Não há consenso que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 apresentam benefícios para os sintomas de ansiedade.
  • Nas revisões sistemáticas avaliadas, apenas dois estudos indicaram melhoras da intervenção dietética nos sintomas ansiosos; mas, não apresentaram uma metodologia sólida que pudesse indicar uma associação direta.

Conclusão 

relação entre consumo alimentar e o desenvolvimento de depressão e ansiedade, pois a deficiência dos nutrientes citados como essenciais pode ser mais um fator de risco, entre tantos outros em tais condições multifatoriais. 

Uma possível relação bidirecional deve ser considerada, pois uma dieta pobre em tais nutrientes pode ser tanto causa como consequência de alterações na saúde e comportamento. Assim, estabelecer uma relação temporal pode ser complexo. 

Há indicação direta na manutenção de um padrão alimentar que oferece nutrientes importantes para o funcionamento neuroendócrino, no entanto, outros estudos são necessários para esclarecer o uso suplementar de nutrientes específicos. 

Confira o artigo na íntegra aqui !

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Atualidades

Orientações para a época de recesso

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Em época de feriados e celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação: 

“Quanto pode comer? O que tem menos calorias?

E as bebidas, tá ou não liberado? Mas, nem no carnaval?”

Como na nutrição costumamos dizer, depende. Cada caso é um caso. Há quem não celebre esses momentos com festas, mas com muito descanso. Por isso que, para cada um, uma orientação diferente será dada. 

Mas, para todos, é importante lembrar que a comida não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar. A questão é conseguir desfrutar desses momentos, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida.

Conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada pode ser um bom caminho, seguem três:

  • Antes do recesso: é importante saber quais são os planos do paciente para o recesso, podendo assim conceder orientações de acordo com a provável realidade. Por exemplo, orientações diferentes serão dadas se o mesmo for ficar em casa, visitar familiares, ou se hospedar em um hotel;
  • Durante o recesso: entendendo como esse período será passado, orientações mais específicas podem ser dadas. Uma meta de consumo de água, ou uma lista de compras de alimentos saudáveis e de fácil conservação podem ser trabalhadas, por exemplo; 
  • Após o recesso: incentivar restrições alimentares após esse período pode ser um caminho complicado. Mesmo que tenham ocorrido exageros, reconhecer o que aconteceu para que em uma próxima vez um melhor planejamento possa ser proposto é uma boa alternativa. 

Manter o foco no longo prazo é sempre importante, pois proporciona ao paciente mais consciência de que grandes mudanças, sejam elas positivas ou negativas, dificilmente vão ocorrer de uma semana para outra. 

Assim, pode haver maior motivação, tanto para aproveitar os momentos sem ultrapassar os próprios limites, quanto para voltar de um recesso sabendo que pela frente sempre haverá caminho para o progresso.

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Vegetarianismo

Vegetariano é toda pessoa que não possui como parte de sua alimentação carne, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

Já o veganismo é uma forma de vegetarianismo, mas busca também a exclusão da compra e consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados, independente de ser um alimento.

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a sua redução. 

As razões para a adesão desse estilo de vida são diversas, mas em geral, focam em questões éticas, sociais, de saúde e preservação do meio ambiente. 

https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/mercado-vegetariano

Independente da escolha, ou de seus motivos, quando a alimentação é bem orientada poder ser sim adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há estratégias nutricionais que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Já falamos sobre algumas – confira aqui

É importante que o nutricionista entenda as razões de adesão dos seus pacientes, para então poder adequar as orientações prescritas de acordo com as prioridades de cada um. Além disso, também é essencial se manter sempre atualizado.

Alguns destaques de um estudo realizado em 2021 sobre o tema:

  • quanto maior a adesão ao vegetarianismo, menor é o impacto ambiental gerado, devido a redução estimada da emissão de carbono em 35%, do uso de terras para plantio em 42%, e o uso de água potável em 28%;
  • seguir uma dieta vegetariana promove benefícios ao sistema cardiovascular, controle glicêmico e um maior consumo de fitonutrientes. Não há contraindicação para gestantes, lactantes, crianças, idosos ou atletas;
  • há aspectos nutricionais que merecem mais atenção, como: o consumo de cálcio e a interação com o oxalato, a absorção adequada de ferro e zinco, a suplementação de vitamina B12 e vitamina D, a quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) presente na dieta e a ingestão de EPA e DHA.

Acesse o estudo na integra, clique aqui !

Até mais!

Estudante de Nutrição

Atuação do nutricionista na oncologia

O Dia Mundial de Combate ao Câncer (04/02) visa promover maior conscientização sobre o tema. A atuação do nutricionista na área oncológica é imprescindível, uma vez que a terapia nutricional específica pode auxiliar tanto na resposta ao tratamento, como na melhora de sintomas que são desencadeados.

Falando um pouco mais sobre a fisiopatologia do câncer, essa é uma doença que ataca as células do organismo humano, sem uma causa específica e que ocorre de maneira desordenada, promovendo uma alteração na divisão de células anormais ao invadir órgãos e tecidos adjacentes (1). 

Os fatores de risco associados ao câncer são hereditários e ambientais. Nesse âmbito, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação está associada ao surgimento do câncer, principalmente no consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas (2).

Ou seja, a alimentação adequada pode atuar na prevenção, como também no tratamento. O nutricionista oncológico é o profissional que vai auxiliar o paciente a receber os nutrientes necessários, possibilitando que o mesmo tenha mais disposição para encarar os processos terapêuticos necessários. 

Os métodos de tratamentos da doença, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia são invasivos e aumentam a probabilidade de alguns efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, boca seca, aftas, alteração no paladar, disfagia, ganho ou perda de peso.

ESTRATÉGIAS PARA AUXILIAR OS PACIENTES EM SITUAÇÃO DE EFEITOS COLATERAIS:

  • Náuseas: oriente o paciente a não fazer jejum prolongado, impedindo que a liberação de ácido clorídrico aumente a irritação da mucosa. Os alimentos consumidos devem estar em temperaturas amenas ou ambiente;
  • Boca seca: indicar a ingestão hídrica adequada, orientar a prática de estratégias como água saborizada, gelo de fruta, e outras que reduzem as chances do paciente desenvolver desidratação. O uso de saliva artificial pode ser avaliado;
  • Disfagia: apresente ao seu paciente a postura ereta ao comer e beber, ressaltando que não é indicado se deitar após as refeições. Oferte alimentos macios e em porções menores, mas com maior fracionamento; 

Além disso, algumas deficiências nutricionais também podem estar presentes em pacientes com câncer:

  • Anorexia: distúrbio alimentar que leva a perda do apetite, provocando uma perda de peso não considerada saudável para idade e altura. Se atente para a reposição de potássio, ingestão calórica diária, e de encaminhar o paciente a um psicólogo e psiquiatra;
  • Caquexia: síndrome de perda progressiva de massa magra esquelética em que o paciente perde a sua capacidade funcional. Oriente de uma dieta diversificada com vegetais escuros, folhas, frutas, proteínas, vitaminas e minerais. Avalie a possibilidade de suplementação com ômega-3, pois vem sendo apontada como importante para a melhora da caquexia (4);
  • Sarcopenia: perda da massa muscular, a qual faz a perda de força do corpo e atinge a função cognitiva do paciente. Os alimentos que podem auxiliar nessa condição são aqueles com maior teor de proteína, cálcio e vitamina D; 
  • Desnutrição: consumo inadequado ou absorção insuficiente dos nutrientes necessários para o funcionamento correto do corpo. Gera cansaço, fraqueza e outras condições físicas. Modificações na consistência e temperatura dos alimentos podem favorecer melhor aceitabilidade alimentar. 

Em alguns quadros mais avançados essas condições nutricionais podem ser irreversíveis, mesmo assim, promover uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais é de extrema importância. Nesses casos é válido que o nutricionista esteja bem atualizado quanto à evolução do câncer, bem como aos efeitos colaterais que este possa promover.

Assim, reforçamos a importância do nutricionista na equipe multiprofissional para auxiliar na melhor qualidade de vida ao paciente em qualquer fase do tratamento, inclusive quando se torna necessário optar pelos cuidados paliativos. 

REFERÊNCIAS:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). O que é câncer?, 2020
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dieta, Nutrição, Atividade Física e câncer: Uma perspectiva global, 2020
  3. Caro, Monica María Maim.; Laviano, Alessandra.; Pichar, Claude.; Impacto of Nutrition on Quality of Life During Câncer, 2007.
  4. Correia, Maria Luísa de Sousa.; Vaz, Sáskia Ribeiro.; Ômega-3 como Composto Bioativo Adjuvante à Terapia Nutricional da Caquexia Oncológica, 2020.

Vida de nutricionista

Como começar sendo recém-formado?

Estamos nos aproximando do início de um novo mês, para os estudantes esse é o momento de se programar para voltar às aulas. Mas, para o recém-formado um novo ciclo se inicia. 

Sim, começar não é fácil. Diante das alegrias busque celebrar cada conquista, já ao encarar dificuldades e frustrações tente sempre se lembrar de quem você é e o que a profissão simboliza em sua vida.

A cada começo novas escolhas se apresentam. Algumas serão mais fáceis do que outras, umas podem te distanciar dos seus objetivos, e outras que, sem você saber, podem te aproximar deles.

A carreira é construída no dia a dia e vai muito além de certificados. O sucesso profissional é individual e pode estar conectado aos seus valores e objetivos. 

Ser nutricionista é estar disposto a nutrir, sejam pessoas, comunidades, ou bases científicas. Como começar sendo recém formado? Nós separamos cinco pontos que podem ser muito importantes: 

  • Autocuidado: estabelecer prioridade no autocuidado é essencial para cuidar do próximo. Busque manter uma rotina condizente com a sua realidade, ter apoio da psicoterapia e realizar supervisão profissional;
  • Apoio profissional: ter o apoio de colegas de profissão, poder trocar experiências e compartilhar condutas clínicas pode te proporcionar maior segurança para desenvolver o seu trabalho; 
  • Rotina de estudos: a vida de estudos após a graduação não acaba, mas tenha em mente que você não precisa “saber tudo”, pois cada um possui a sua especialização e área de atuação. Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o do Allivici, assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar;
  • Organização financeira: se possível, tenha uma reserva de emergência, esse apoio financeiro pode te proporcionar mais tranquilidade nesse começo de carreira. Ter o apoio de um profissional contador e de outros que possam te orientar é de grande auxílio também; 
  • Flexibilidade emocional: medo, tensão, frustração e outras vivências negativas irão transpor o seu caminho, mas precisamos encontrar outras formas de encará-las. A insegurança, por exemplo, pode até mesmo ser positiva, pois demonstra as nossas limitações e como podemos aprimorá-las. 

Te desejamos coragem para buscar o que foi sonhado e persistência em continuar. 

Para ter acesso ao software e materiais de apoio visite https://www.allivici.com.br !

Até mais!

Atualidades

Nutrição, Saúde Mental e Janeiro Branco

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Ao começar mais um ano, muitos refletem sobre o seu papel profissional na nutrição, traçando novas metas profissionais e buscando aprimoramentos. Também há um incentivo coletivo para que todos pensem mais sobre a própria saúde, não só física, como também mental. 

O objetivo da campanha ‘Janeiro Branco’ é justamente levar a atenção das pessoas para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional. 

Há maior prioridade no autocuidado quando cuidar do outro é uma atividade desenvolvida em nível profissional, como é o caso do nutricionista. Por isso, é preciso saber a hora de buscar ajuda. Ela pode ser encontrada em outro nutricionista, na terapia individual ou em supervisão profissional. 

É importante que aquele que trabalha com o cuidado esteja 100% presente, escutando, entendendo, analisando. Mas, e nas outras horas do seu dia? Você consegue cuidar de si? Quem cuida de você?

Então, como cuidar mais de si?

  • Entender que ninguém muda ninguém: o profissional nutricionista é um facilitador de mudanças. Se posicionar como inteiramente responsável pela mudança do outro não só reduz a auto responsabilidade do paciente, como também reforça a errônea posição de autoridade do profissional;
  • Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: possuir uma profissão não quer dizer que você não possa ter questões nessa mesma área. Inclusive, é recomendado que busque auxílio com outro nutricionista quando encarar dificuldades na alimentação; 
  • Realizar acompanhamento psicológico: buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até o consultório, saber lidar com isso é essencial para a saúde mental; 
  • Ter apoio profissional: trabalhar com parcerias pode ser um grande incentivo, com o apoio de outros profissionais você pode desenvolver projetos, dividir espaços de trabalho, ou apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista.  

Tem uma frase que eu gosto bastante e reflete o quanto o cuidado não é de responsabilidade única daquele que cuida: “o bom médico é aquele que desperta o curador no outro”. Que possamos despertar o desejo nas pessoas de cuidarem de si! 

Para saber mais sobre “Janeiro Branco”, acesse: https://janeirobranco.com.br 🙂

Até mais!

Atualidades

Vida de Nutricionista: Orientações de Fim de Ano

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Em época de celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação. Agir de forma funcional diante de uma grande quantidade e variedade de comida pode ser um caminho muito difícil para algumas pessoas.

É importante entender, para poder transmitir ao paciente, que a comida permeia muitos momentos da nossa vida, porque ela não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar! 

A questão é conseguir desfrutar desses alimentos, e do momento, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida. Acrescento que, se essa consciência não for trabalhada em outros momentos do ano, diante das festas será muito difícil de começar isso. 

Nessa época, muitos aproveitam em seu ápice, para depois retornarem ao consultório do nutricionista buscando por um “milagre”, ou prometendo que agora vão “entrar na linha”. Mas, será que conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada não seria um bom caminho?

3 orientações para dar ao seu paciente sobre as festas de fim de ano:  

  • Antes das festas: quem possui um consumo alimentar mais restrito, pode não se sentir confortável em comer fora, mesmo que em família. Converse com o seu paciente sobre isso. Se houver uma divisão do preparo de pratos entre os participantes da festa, uma sugestão é que o paciente leve um que se sinta confortável em comer e compartilhar! 
  • Durante as festas: é importante conversar sobre como o seu paciente lida com uma grande disponibilidade de alimentos. Em alguns casos, uma sugestão é que ele fique mais atento à sua fome nesses eventos, podendo se servir e sentar à mesa para comer, ao invés de ficar petiscando, por exemplo. 
  • Após as festas: incentivar restrições alimentares desnecessárias após o período de festas pode ser um caminho perigoso. A conversa sobre o que aconteceu pode acontecer com menos cobranças e mais reflexões. Houve culpa ao comer? Exageros? O que ele gostaria que tivesse acontecido?  

Dizer que “é só voltar para a dieta” pode parecer simples, mas na prática há muito mais que o nutricionista pode levar em consideração! 

Que possamos ter um ótimo natal e fim de ano! 

Até mais!

Atualidades

Como ter um atendimento nutricional mais inclusivo

Amanhã (03/12) é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, sendo um lembrete de como representatividade e inclusão são palavras que precisam estar mais presentes em nosso dia a dia. 

A data visa trazer conscientização para uma realidade que atinge mais de 12 milhões de pessoas no nosso país (2), a qual ainda é muito estigmatizada e com poucas condições adequadas de acesso e representatividade.

Há diversos tipos e níveis de deficiência (visual, auditiva, intelectual, física e motora), que podem impactar na qualidade de vida e autonomia do indivíduo, inclusive na alimentação e acesso à educação nutricional. 

O atendimento para pessoas com deficiência deve ser diferenciado, de acordo com cada dificuldade, mas sempre receptivo, acolhedor e com naturalidade (3). Pensando nisso, trouxemos quatro pontos de atenção para ter um atendimento nutricional mais inclusivo:

  1. Praticar a escuta ativa: é imprescindível que escutemos o que a pessoa a nossa frente compartilha, as suas necessidades, demandas e os objetivos. Assim, evitamos realizar sugestões em desacordo com a realidade do paciente; 
  1. Atenção ao espaço e acessibilidade: é indicado optar por realizar os atendimentos em espaços com rampas, balança plataforma, sanitários com barras de apoio, portas que permitem a entrada de cadeira de rodas, entre outras adaptações; 
  1. Adaptar a avaliação física corretamente: em casos de deficiência motora e uso de cadeira de rodas, por exemplo, a aferição do peso e altura são realizadas de formas bem diferentes. Para pacientes que passaram por amputação de membros, também. Acesse o material com essas fórmulas aqui!
  1. Encaminhar para um profissional especializado: caso não se sinta seguro em acompanhar um paciente com qualquer deficiência, o que acha de encaminhá-lo para um colega de profissão mais experiente? O bem-estar do paciente deve estar em primeiro lugar.

Outras sugestões: 

Material Educativo: Alimentação Saudável para Pessoas com Deficiência Visual

Artigo Científico: Promovendo Equidade Nutricional para Pessoas com Deficiências

Até mais!

Atualidades

Manejo nutricional – Cirurgia bariátrica e metabólica

O histórico da cirurgia bariátrica ainda é recente no Brasil. As primeiras cirurgias foram realizadas em 1960, no início dos anos 2000 os benefícios metabólicos da técnica passaram a ser compreendidos, e apenas em 2017 a cirurgia metabólica foi reconhecida como válida para o tratamento de diabetes mellitus (1). 

Considerando tal percurso, é importante ressaltar que ainda há muito para ser aprendido diante de todas as técnicas e novos estudos sendo descobertos.  

No entanto, com os avanços das técnicas cirúrgicas, se tornando mais seguras e com um pós-operatório menos indolor, muitos pacientes passaram a confiar mais no procedimento, e consequentemente houve um crescimento do número de operações. 

Por isso, o papel do nutricionista se torna essencial. Não apenas durante o pré e pós-operatório, mas também no manejo alimentar e nutricional durante toda a vida. Saiba alguns cuidados e orientações essenciais para o acompanhamento daqueles que já passaram por esse procedimento cirúrgico:

Cinco cuidados essenciais

  • Suplementação – Os suplementos que acompanham o paciente por toda a vida variam de acordo com a técnica cirúrgica adotada, mas alguns nutrientes sempre merecem atenção especial, por exemplo: as vitaminas B12 (cobalamina), B9 (ácido fólico), B1 (tiamina) e lipossolúveis (A, D, E, K); e os minerais, cálcio, ferro, zinco e selênio (2).
  • Adequação nutricional – O consumo proteico, principalmente no pós-operatório, é de extrema importância para a recuperação e manutenção da massa muscular. Nesse período e no decorrer da vida a recomendação pode variar de acordo com o peso, padrão alimentar adotado, e outras particularidades.
  • Mudanças alimentares – Diante de novas restrições e mudanças alimentares é muito importante que os pacientes se habituem a cozinhar, isso gera mais autonomia e permite que encarem a alimentação de uma forma mais positiva.
  • Acompanhar o ganho de peso – é esperado um retorno de 10% do peso atingido, mas há possibilidade desse percentual sem maior. Quando o paciente já sabe disso há um melhor alinhamento de expectativas e da aceitação corporal. O acompanhamento nutricional após a fase de recuperação visa atender às necessidades nutricionais e a manutenção do peso e composição corporal.  
  • Atenção para o comportamento – O vínculo terapêutico é muito importante para notar restrições indevidas durante e após o período de recuperação, como o medo de ganhar peso, a recidiva ou aparição de transtornos alimentares (3). Uma maior atenção deve ser concedida aos relatos de beliscar com frequência (grazing) e mastigar sem engolir os alimentos (ruminação). 

Sugiro também a leitura do seguinte artigo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33581762/ 

A cirurgia bariátrica ou metabólica, quando bem indicadas e acompanhadas por uma equipe multiprofissional, permite grande melhora para a qualidade de vida dos pacientes.

Os cuidados alimentares são imprescindíveis para toda a vida, por isso a atuação do nutricionista é muito importante e deve ser reforçada por outros profissionais da saúde da equipe. 

Até mais!

Atualidades

Representação social da doença e adesão do paciente ao tratamento

A forma com que muitas condições de saúde são encaradas e vividas pode influenciar na adesão do indivíduo ao tratamento, assim como nos desfechos clínicos (1). Esse conceito, ou seja, como encaramos a própria realidade, pode ser chamado de representação social (common sense model). 

É importante ressaltar que tal representação pode ser determinada por diversos fatores

  • como o quadro clínico foi apresentado ao paciente;
  • história clínica familiar e de conhecidos;
  • a forma que a sociedade em que ele está inserido encara tal quadro clínico;
  • e como a doença pode afetar as interações sociais do indivíduo.  

Durante a etapa de anamnese há muito espaço para perguntas diretas, mas pouco para escutar a história de alguém. Quando o paciente conta sobre as suas queixas e dores, nunca é apenas sobre a sua doença, e sim sobre a sua vida, alterada pela doença. A forma com que ele fala de si, da sua saúde e motivação para mudar hábitos é muito importante para a conduta do nutricionista. 

É a partir da representação da própria doença que o paciente pode, ou não, tomar atitudes que visam a sua saúde (2). Precisamos entender o entendimento deles sobre o que está acontecendo, pois isso tem grande impacto no tratamento. 

Por exemplo, uma visão extremamente negativa do prognóstico pode ser desmotivante para persistir em mudanças. Já uma visão positiva e realista pode fazer com que o paciente coopere com o profissional e tenha melhor adesão ao tratamento. 

Em um estudo, focado em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2, o modelo de intervenção terapêutica foi avaliado e associado à adesão do paciente ao tratamento. Quanto mais pressionados esses se sentiam por orientações rígidas, menos eles: 

  • relataram o consumo alimentar real;
  • aderiram ao plano alimentar proposto;
  • apresentaram autocontrole associado à alimentação. 
fonte: DOI 10.1900/RDS.2006.3.11

Uma conduta terapêutica mais acolhedora, além de compreensível às demandas de saúde e sociais do paciente, promove melhor aderência ao tratamento, e consequentemente, maiores chances de resultados positivos serem colhidos (3).  

O nutricionista enfrenta diversas barreiras no manejo nutricional de doenças crônicas, como a educação alimentar, desconstrução de desinformações, e incentivar uma constante auto observação por parte do paciente. Para isso, a adesão ao tratamento e às orientações é essencial! 

Deixo também um artigo de sugestão para leitura, sobre como as normas do senso comum e o ambiente social podem impactar nas escolhas alimentares: https://doi.org/10.1016/j.appet.2014.10.021

Até mais! 

Atualidades

Estratégias Nutricionais: Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2).

Como no domingo (14/11) é o Dia Mundial do Diabetes, nós trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:

Estratégias Nutricionais

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais (estévia ou xilitol) a sugestão e orientação do consumo desses pode acontecer em substituição dos comumente utilizados (aspartame, sacarina, sucralose); 
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição por edulcorantes; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.

No nosso software o nutricionista consegue calcular cada refeição prescrita, se atentando para os macronutrientes, com a quantidade de carboidrato em cada refeição, como também aos micronutrientes!

Materiais técnicos e educativos

  • Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
  • Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net

Páginas profissionais da área

  • Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/ 

Até mais!

Vida de nutricionista

Como orientar o paciente a perceber fome e saciedade?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Para quem sai da faculdade de nutrição em busca de realizar atendimentos em consultório, esse caminho pode ser mais longo e com percalços peculiares. A prática da experiência clínica não aprendemos na faculdade, e pessoalmente, ainda menos sobre manejo terapêutico. Em momentos de orientação nutricional essa habilidade se torna essencial. 

Falar sobre os sinais de fome, saciedade e a percepção desses pode ser desafiador na prática. Esse é um tópico mais abordado em condutas focadas no comportamento alimentar, mas pode ser aplicada por todos os nutricionistas em diversos quadros clínicos. A questão é: como essa orientação pode ser realizada?

O consumo alimentar é orientado e regulado por fatores homeostáticos, hedônicos e cognitivos, os quais interagem entre si. 

A prescrição nutricional vai de encontro com as necessidades fisiológicas do paciente, como a necessidade energética total (NET), ou a quantidade de proteína por quilo de peso dependendo do objetivo atual, por exemplo.  

Porém, nem sempre a percepção dos níveis de fome e saciedade são abordadas, mas esse é um tópico essencial para que o paciente entenda melhor sobre os seus limites e tenha mais autonomia alimentar. 

fonte: DOI 10.1186/s13411-014-0029-2

A fome pode ser explicada a partir de uma gradação, cada um irá percebê-la de forma diferente, mas alguns sinais são comuns para a maioria das pessoas: 

  • fisiológicos: boca amargar, barriga roncar, dor de cabeça, irritação;
  • cognitivos: pensamentos voltados para a comida, memórias alimentares;
  • sensoriais: olfato aguçado, aumento da salivação, alterações neuroendócrinas diante da presença do alimento.

O que chamamos, comumente, de saciedade pode ter diferentes significados para quem escuta, por isso, é importante diferenciar alguns termos técnicos: 

  • saciação: associada a distensão estomacal devido o consumo alimentar;
  • saciedade: associada a liberação de leptina e absorção de nutrientes;
  • satisfação: associada com a liberação de dopamina, sensibilidade à recompensa, desejo de comer, nível inicial de fome e reconhecimento dos aspectos sensoriais da refeição. 

Por isso, quando o paciente se diz “satisfeito” com certa refeição, do que exatamente ele está falando? É importante que o nutricionista tenha esse olhar (ou melhor, escuta), podendo então realizar melhores prescrições, e orientações nutricionais! 

Deixo como sugestão, para consulta e estudos, alguns artigos que falam sobre os aspectos metabólicos e neuroendócrinos da fome e saciedade: 

Sobre a fome, saciedade e sistema de recompensa (Front. Endocrinol., 2017)

Neurobiologia e consumo alimentar na saúde e doença (Nature Reviews, 2014) 

Mecanismos fisiológicos do prazer em comer (Flavour, 2015)

Até mais! 

Atualidades

Nutrição, Osteoporose e Saúde da Mulher

Ontem foi o Dia Mundial e Nacional de Combate a Osteoporose (20/10), data que visa promover maior conscientização sobre o diagnóstico, tratamento e também prevenção.  

Há diversos fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento de osteoporose e fratura óssea, como o histórico familiar, idade superior aos 60 anos, falta de exposição solar, diabetes e outras condições clínicas. 

No caso da saúde da mulher há particularidades que aumentam ainda mais esse risco, como alterações hormonais no período da menopausa. Tanto a prática da atividade física regular quanto a adesão à alimentação adequada são fatores preventivos. (1)

É atribuição do nutricionista realizar ajustes no consumo alimentar, o adequando de forma preventiva para condições clínicas, como a osteoporose. Além da intervenção dietética, novos suplementos e outras alternativas têm surgido nos últimos anos. 

Hoje trouxemos a adaptação e tradução de uma meta-análise sobre o possível efeito terapêutico de probióticos na densidade óssea em mulheres pós-menopausa. 

Introdução

Osteoporose e fraturas ósseas acontecem com maior frequência em mulheres pós-menopausa, principalmente pelo declínio natural de estrogênio, impactando na massa mineral óssea. Buscando alternativas terapêuticas o uso de probióticos tem sido estudado. Essa revisão sistemática e meta-análise buscou avaliar os atuais resultados dessa intervenção.

Metodologia

O protocolo PRIMA foi utilizado para a análise em questão, apenas estudos com controle randomizado e estudos de coorte foram incluídos.

Resultados e Discussão

Um total de 604 artigos foram identificados, 547 não preenchiam os critérios de inclusão e apenas cinco foram selecionados; a amostra correspondeu a um total de 497 mulheres pós-menopausa. 

Os resultados apontam que o uso de probióticos de forma suplementada diariamente, de 24 semanas a 12 meses, pode reduzir a perda de massa óssea, quando essa intervenção é comparada com placebo. 

Alterações na microbiota intestinal promovem mudanças na expressão de mediadores inflamatórios, podendo impactar o hospedeiro de diversas formas, como na saúde óssea. Osteoblastos e osteoclastos podem ter seu funcionamento alterado por exemplo, dessa forma, probióticos podem exercer um papel regulatório

Conclusão 

A suplementação de probióticos foi associada com a preservação de massa óssea. Futuros estudos são necessários para avaliar essa indicação terapêutica, considerando as limitações atuais sobre a temática, como o reduzido número de estudos avaliados. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Alimentação

No último ano a fome no Brasil foi uma temática muito mais presente em debates informais entre a população. Com a pandemia do novo coronavírus e o aumento do desemprego, assim como dos preços, muitos sofreram com a insegurança alimentar, até mesmo em seu nível mais intenso – a fome. 

O Dia Mundial da Alimentação (16/10) é uma data instituída em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) (1). As pautas de segurança alimentar sempre estiveram presentes na agenda da FAO, além da importância de possibilitar uma alimentação mais acessível, sustentável e saudável.

Com tudo que vivemos nos últimos dois anos, não há como deixar de se aprofundar no assunto. Para citar números, trouxemos os resultados de um inquérito realizado para avaliar a situação de insegurança alimentar no Brasil divulgados no início deste ano (2021).

fonte: http://olheparaafome.com.br

No período da pesquisa, 116,7 milhões de brasileiros não se encontravam em situação de segurança alimentar. Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome (2).

fonte: http://olheparaafome.com.br

O nutricionista é muito conhecido por propor mudanças alimentares, seja trabalhando com alimentação institucional, em hospitais ou em atendimento individual no consultório. Compreendendo que a alimentação vai além da nutrição, acreditamos que três pontos são essenciais no momento do atendimento:

  • Considerar condições de acesso e renda quando realizar uma orientação alimentar precisa ser parte da rotina clínica de todo nutricionista, uma alimentação saudável é aquela que considera muito além dos nutrientes;
  • Entender que a alimentação perpassa muitas camadas além da saúde e nutrição. Comer é um ato político, as pessoas também tem a alimentação como forma de identificação e posição da sociedade, isso deve ser considerado.
  • Atentar-se para temas como política e economia é uma forma interessante de permanecer disposto a considerar mudanças nos preços dos alimentos, por exemplo, antes de realizar uma orientação.
fonte: http://olheparaafome.com.br

Claro, há muitas outras questões que poderíamos pontuar. O quanto a realidade da fome é diferente nas regiões do Brasil é um ponto. Porém, infelizmente, precisamos nos lembrar que os desertos alimentares também estão presentes em regiões como sul/sudeste do país. Você pode encontrar mais informações sobre o Dia Mundial da Alimentação acessando o site oficial.

Até mais!

Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Saúde Mental

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Saiba quatro formas de cuidar mais de si

Faz poucas semanas que encerramos o mês de campanha em prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, e apesar de ainda estarmos a alguns meses de Janeiro Branco, saúde mental é um assunto a ser falado o ano inteiro, não acha?

Além de tudo, hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental, por isso o assunto será sobre como cuidar mais de si e zelar por sua saúde mental sendo nutricionista

A postura tradicional de autoridade, adotada por alguns profissionais de saúde, pode não proporcionar um ambiente terapêutico seguro para o paciente/cliente. Já observou como algumas pessoas sentem medo de serem transparentes no consultório?

Quando o profissional apresenta uma escuta ativa, a chance das pessoas se sentirem mais confortáveis e compartilharem muito mais sobre si são bem maiores. Atuar dessa forma promove resultados mais satisfatórios, mas exige mais energia. Então, como cuidar mais de si?

  1. Entender que ninguém muda ninguém: não caia na cilada de querer mudar o outro, e na melhor das intenções, enchê-lo de “conselhos”. Inclusive, isso pode aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. Lembre, o nutricionista é apenas um facilitador! 
  1. Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: somos muito mais do que nutricionistas, essa divisão pode parecer turva muitas vezes, mas se lembrar disso é necessário. Possuir uma profissão não te isenta de não ter questões nessa mesma área. Inclusive, ter dificuldade para se alimentar como gostaria é normal, ok? 
  1. Realizar acompanhamento psicológico: se colocar como prioridade para cuidar do próximo é muito necessário. Inclusive, buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até nós em consultório, saber lidar com isso é essencial para nossa saúde mental. 
  1. Ter apoio profissional: alguns nutricionistas podem se ver em uma situação profissional um tanto competitiva. Por isso, ainda há muita insegurança para trabalhar com parcerias. Só que ter apoio pode ser essencial para o seu trabalho. Já pensou em desenvolver projetos em grupo, dividir um consultório, ou até mesmo apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista? 

Como sugestão, também deixamos outros textos – já postados aqui no Blog do Allivici, que complementam muito bem os pontos sugeridos:

Como motivar o seu paciente?

Autocuidado profissional

Parceria entre nutricionistas?

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Nutrição sustentável e escolhas alimentares

No mês de outubro celebramos o Dia Mundial da Alimentação (16/10). Falaremos mais sobre esse tema em breve, mas desde já queremos propor uma reflexão sobre a importância de uma base alimentar sustentável.

Sustentabilidade tem sido pauta em muitas áreas, porém possui significados diferentes. Mesmo na alimentação, o termo pode ser encarado de várias formas, apontando para muitas dinâmicas.

Por isso, trouxemos alguns pontos interessantes, baseados em um recente artigo, sobre como podemos conduzir nossas escolhas alimentares para uma nutrição mais sustentável.  

O que é uma nutrição sustentável?

  • Compreende o papel da nutrição tanto na saúde humana, quanto na preservação ambiental, considerando fatores econômicos e aspectos socioculturais;
  • Prioriza um padrão de consumo que promove baixo impacto ambiental, protegendo a biodiversidade e ecossistemas, e contribuindo para segurança alimentar e nutricional. 
  • É culturalmente aceito e acessível economicamente; sendo saudável para a geração atual, assim como as futuras.
  • Considera o impacto da produção de alimentos para o meio ambiente. Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados reduz o impacto negativo na biodiversidade e promove mudanças na cadeia de produção alimentar.

Qual o impacto das experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida?

  • Desde a vivência uterina, através do líquido amniótico, a criança já é exposta a diferentes sabores. Essa experiência continua com o consumo de leite materno e as refeições complementares. A exposição à maior variedade de sabores é importante para melhor aceitação alimentar no futuro. 
  • Há predileção natural por sabores doces e salgados, com rejeição de sabores amargos. É importante que vegetais verde-escuros sejam introduzidos desde o início da alimentação, mesmo com a recusa inicial, para melhor aceitação futura.
  • As primeiras experiências sensoriais interagem de forma intensa com mudanças no aprendizado. A alimentação complementar pode ser uma janela de oportunidade para um bom desenvolvimento do comportamento alimentar.  

Como o meio, familiar e cultural, pode influenciar nas escolhas alimentares?

  • O consumo alimentar familiar reflete muito nas futuras escolhas da criança. Um modelo parental positivo é mais efetivo, para a construção de hábitos alimentares saudáveis, do que determinar dietas e controles alimentares na infância. 
  • Mudanças no padrão alimentar na vida adulta são muito mais difíceis de ocorrerem, por isso, preferências por um consumo mais saudável devem ser trabalhadas na primeira infância, protegendo a saúde desse adulto no futuro. 
  • Valores culturais demonstraram ser importantes para a inclinação de um comportamento sustentável, como o altruísmo, sensação de comunidade,  aderência a um estilo de vida mais natural, confiança e respeito por outros. Esses podem ser incentivados já na fase de introdução alimentar, podendo ser atrelados com a alimentação também. 

O consumo alimentar de frutas e vegetais, locais e sazonais, de preferência orgânicos, além de outros alimentos minimamente processados contribuem para uma nutrição sustentável. 

É importante que desde a primeira infância, ainda na introdução alimentar, a criança seja exposta a esse contexto alimentar, priorizando a variedade de aromas, sabores e texturas. 

Um modelo parental positivo é importante para a construção de hábitos alimentares saudáveis. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Nutrição e Doenças Neurodegenerativas

Na próxima terça-feira (21/09) é o Dia Mundial do Alzheimer. Cada vez mais, novos estudos têm surgido trazendo associações entre fatores dietéticos e diversas condições de saúde, como nas doenças neurodegenerativas. 

No entanto, o que de fato temos de evidência sobre esse assunto? Trouxemos a adaptação e tradução de uma revisão sistemática de meta-análises que avaliou justamente isso. 

Introdução

Doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, têm ganhado importante espaço para pesquisa e desenvolvimento de políticas públicas, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida. 

Fatores ambientais e de estilo de vida, como a alimentação, aparentam exercer um papel preventivo para tais doenças. No entanto, o nível de evidência e qualidade das mesmas ainda precisam ser esclarecidos. 

Metodologia

A presente revisão seguiu as normas PRISMA, apenas meta-análises foram incluídas.

Resultados e Discussão

Após as buscas, 320 publicações foram identificadas, mas dessas, apenas 20 foram selecionadas para compor essa revisão. Todas foram publicadas entre 2012 e 2018. 

A qualidade das intervenções realizadas foram classificadas em diferentes níveis – ‘muito baixo’, ‘baixo’, ‘moderado’ e ‘alto’. Não foram encontradas intervenções com alto nível para a qualidade de evidência. 

Você pode acessar aos resultados encontrados e a qualidade de evidência de cada um para a doença de Alzheimer clicando aqui

Associações inversas, entre Alzheimer e fatores dietéticos, foram encontradas para o consumo alimentar da Dieta Mediterrânea e de peixe; ambas com nível moderado para a qualidade de evidência. Porém, a relação dose-resposta de ambos foi identificada com qualidade de evidência de baixo nível. 

Conclusão

As associações encontradas apresentaram nível moderado de evidência, e todos os estudos apresentaram alto nível de viés, principalmente devido à heterogeneidade metodológica. 

É importante que, para melhor compreensão, mais pesquisas sejam realizadas avaliando a associação entre fatores dietéticos e o desenvolvimento e prevenção de doenças neurodegenerativas. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Vida de nutricionista

Como motivar o seu paciente?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Sabemos que a motivação e prontidão para mudar são fatores essenciais para que resultados sejam obtidos no tratamento nutricional. E quando o paciente não está motivado? Podemos motivá-lo a mudar?

É importante lembrar que ninguém é capaz de motivar o outro (1), já que a motivação é um aspecto intrínseco, o que o profissional pode fazer é encontrar estratégias para que o próprio indivíduo se motive. Como fazer isso? Falaremos disso daqui a pouco!

Recentemente eu li um livro que fala bastante sobre a forma que aprendemos a comer, e como podemos mudar nosso comportamento. Há um trecho bem interessante sobre o trabalho do nutricionista:  

“Uma das nossas maiores ciladas (…) é a persuasão. Os que entram na profissão de nutricionista tendem, por razões muito boas, a desenvolver um forte desejo de mudar os outros (…) os seres humanos não respondem diante de ordens, sobretudo quando se trata de algo tão pessoal quanto o que colocar na boca”.  Bee Wilson

Muitas vezes, caímos na cilada de querer mudar o outro, e na melhor das intenções, o enchemos de “conselhos”. Ao achar que “conhecimento” basta, podemos deixar de considerar fatores muito importantes. 

Fonte: Livro “Motivación e intervención social”

O que também podemos fazer?

  • Entrevista motivacional: essa é uma forma de conduta terapêutica que permite que o nutricionista seja facilitador de um processo de mudança. Não são realizadas imposições, há responsabilidade de ambas as partes no tratamento, e planejamento em conjunto de ações comprometidas;
  • Educação nutricional: quem não gosta de entender mais sobre o que acontece com o próprio corpo? É importante que, de forma simples, processos fisiológicos sejam esclarecidos. Essa prática pode até mesmo instigar o paciente/cliente a realizar o que está sendo proposto, já que agora entende melhor a razão disso;
  • Olhar além da nutrição: há muitas questões que transpassam as alimentares e podem impedir que o nutricionista dê continuidade em seu trabalho. É essencial que o profissional tenha essa percepção e consiga realizar o encaminhamento necessário (psicólogo, educador físico, etc). 

A postura tradicional de autoridade adotada por muitos profissionais de saúde pode, na verdade, aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. 

Desenvolver uma nova percepção não é um caminho fácil, mas ele é possível de ser trilhado e pode auxiliar muito no trabalho do nutricionista!

Até mais!

Referências

  1. DUNKER, K.; ALVARENGA, M.; TIMERMAN, F.; VICENTE, C.; TEIXEIRA, P. Fundamentos e técnicas da entrevista motivacional para Nutrição in Comportamento Alimentar. p. 201-225, 2020.
Vida de nutricionista

O que te motiva a continuar?

Na segunda-feira (31/08), nós celebramos o Dia do Nutricionista

De fato, o nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que nos motivam a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender, no dia a dia, sendo nutricionista? 

Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos uma história para que possamos refletir sobre a mudança de vida que o cuidado nutricional pode proporcionar: 

Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil. 

Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.

Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.

Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal. 

Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado! 

Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”

E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante? 

Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!

Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar: 

Até mais!

Atualidades

Estratégias Nutricionais no Tratamento de Lúpus

A última segunda-feira (10/05) foi o Dia Mundial do Lúpus. Pensando nisso, o blog de hoje será sobre o papel do nutricionista no tratamento multiprofissional em indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). 

Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, a sintomatologia varia de acordo com as fases de atividade e remissão. O desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas apresentados, inclui intervenção farmacológica para modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades, como hipertensão e dislipidemia.  

Por ser uma doença crônica é essencial que o tratamento seja o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

A atuação do nutricionista será de atender as demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES, mas sempre orientando uma alimentação mais equilibrada, além de propor intervenções que possam vir a amenizar possíveis sintomas.  

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, mesmo com alterações no apetite características do tratamento, além da prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo, o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Sem categoria

Vida de Nutricionista – Páscoa

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Domingo foi a Páscoa, você comeu chocolate?

A data muitas vezes é celebrada com chocolate, mas na verdade a Páscoa tem sua origem na tradição judaica em memória da libertação de um povo. É interessante observarmos como como hoje a celebração acaba sendo em torno do chocolate para muitas pessoas! 

A data não é apenas sobre chocolate, mas se esse alimento estiver presente é importante que esteja inserido sem julgamentos, exageros, promessas ou comportamentos compensatórios após o consumo. 

Muitas pessoas relatam um consumo excessivo de chocolate, ou outros doces, justificado pela “saudabilidade” desse alimento, quando esses são sem açúcar/lactose. Porém, sabemos que nenhum consumo em excesso, independente de qual seja, é saudável. 

É claro que o conceito de saudável passa pela qualidade alimentar, mas será que apenas não possuir lactose ou açúcar classificaria um alimento como saudável?

Em a “História do Chocolate”, um TED-Ed curto e bem interessante, uma questão importante é levantada sobre como é importante considerarmos a produção do que comemos, já que grandes empresas, muitas vezes, a realizam aos custos de condições inapropriadas de trabalho. Assista ao vídeo

Então, será que a atenção não deveria estar em outro lugar? 

Por exemplo, de que forma o chocolate foi consumido durante a páscoa, ou como o paciente está lidando com a disponibilidade desse alimento agora? Será que houve culpa ao comer? Restrições desnecessárias ao longo da semana para compensar o consumo? Tudo isso pode ser considerado, ao invés do “só voltar para a dieta“. 

E se estamos falando sobre o conceito de saudável, a sustentabilidade e condições de trabalho na produção desse alimento também deve ser considerada. Que tal valorizarmos mais o consumo de produtos locais? O cacau é um fruto com produção brasileira e existe diversas marcas de chocolate nacionais para experimentarmos! 

E pra terminar… 

Eu não sei se você se sente da mesma forma, pode ser que não, mas já percebeu como muitas vezes um nutricionista aparenta não ter a mesma liberdade para também comer chocolate? Ou será que somos nós que não nos permitimos fazer isso? 

Tudo bem se você decidiu não comprar um Ovo de Páscoa, ou comer chocolate “só porque é Páscoa”, ou não comemorar essa data por motivos pessoais. A questão é se existe a necessidade de justificar o que você come, ou permanecer sempre dentro de certas regras e estereótipos.

Já parou para pensar como é a sua relação com a comida? Ser nutricionista é a nossa profissão, mas será que estamos nos permitindo viver uma vida que não gira em torno da alimentação? 

Espero que tenha tido uma boa paz(coa).

Até mais!