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Nutrição e Saúde Cardiovascular: Dia Mundial do Coração

As doenças cardiovasculares costumam ser a principal causa de morte no Brasil. Para a prevenção é essencial reduzir comportamentos de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada (1). Sendo assim, a nutrição tem um papel importante na promoção de mudanças.

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) começou a ser mais estudada a partir dos anos 90. Hoje é muito conhecida como uma proposta dietética de tratamento e prevenção para doenças cardiovasculares, principalmente a hipertensão arterial.

Nesse modelo dietético é preconizado o consumo de frutas, verduras, legumes, produtos lácteos com baixo teor de gordura, cereais integrais, peixes, aves e nozes; além disso, incentiva restringir o consumo de carnes vermelhas e processadas, alimentos com alto teor de sódio e bebidas açucaradas.

Os benefícios observados são principalmente atribuídos ao maior consumo de nutrientes que contribuem para redução dos níveis pressóricos, como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca) e fibras alimentares (2).

Em solo brasileiro é um padrão alimentar com obstáculos para a adesão, mas temos o Manual de Alimentação Cardioprotetora. Além de eixos estruturantes com conceitos regionais, também há grupos alimentares de acordo com a bandeira nacional: verde, amarelo e azul (3).

Há dois estudos muito interessantes que utilizam esse manual:

Grupo verde: alimentos cardioprotetores, ou seja, que contêm vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes (verduras, frutas, legumes, leguminosas, leite e iogurte desnatado);

Grupo amarelo: alimentos in natura, minimamente processados ou ingredientes culinários que devem ser consumidos com moderação, por conterem mais energia, gordura ou sal (pães, cereais, macarrão, tubérculos, castanhas, óleos vegetais, doces de frutas e mel);

Grupo azul: alimentos in natura, minimamente processados ou processados, com controle importante para cardiopatas e indivíduos com fatores de risco cardiovascular, por serem alimentos que contêm maior quantidade de gordura saturada, sal e colesterol (carnes, queijos, ovos, manteiga, doces caseiros).

Já conhecia esse material nacional? Aproveite para ler temas complementares:

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Artigo Científico: Suplementação de Potássio e a Saúde Cardiovascular

A suplementação nutricional exerce um importante papel para a adequação clínica em diversas condições de saúde.

Toda suplementação precisa ser realizada com orientação profissional, em dosagens adequadas e de eficácia comprovada por estudos científicos, para não gerar riscos à saúde ou apresentar resultados aquém dos desejados.

Confira o resumo de um artigo científico que avaliou a eficácia da suplementação de potássio para a saúde cardiovascular e melhora da função endotelial. 

Introdução 

Potássio é um dos principais minerais para a nutrição humana, pois está envolvido em diversos processos biológicos, especialmente na regulação da pressão arterial. Inclusive, o consumo alimentar de potássio está associado inversamente com hipertensão.

Estudos experimentais e observacionais indicam que o potássio aumenta a produção de óxido nítrico e minimiza o efeito deletério de espécies reativas de oxigênio (EROS), processo que apresenta relação com as alterações vasculares na aterosclerose. 

A revisão sistemática e meta-análise em questão foi realizada para avaliar os resultados das intervenções clínicas com a suplementação de potássio para melhora da função endotelial. 

Metodologia 

Os estudos avaliados seguiram os seguintes critérios de inclusão: originais, amostra de idade adulta, comparação de resultados entre grupo controle e grupo experimental. Entre 110 as publicações identificadas, apenas 5 se adequaram aos critérios previamente definidos e análises subsequentes.

Resultados e Discussão

Os resultados de 332 participantes de 4 países foram avaliados, com amostras variadas entre gênero, idade, raça e massa corporal. Todos os estudos avaliaram os resultados de suas intervenções da mesma forma, a excreção de potássio na urina 24h. 

A duração dos estudos não foi homogênea, variando entre 6 dias e 6 semanas. 

Uma parte dos estudos utilizou placebo como substância controle, outra o consumo usual de potássio. A excreção de potássio foi mais elevada quando a suplementação aconteceu via cápsula, em comparação ao maior consumo do mineral via dieta. 

Os resultados avaliados não são suficientes para propor indicações, principalmente quanto ao uso no longo termo, já que o mesmo não foi avaliado. Apesar dos estudos apresentarem metodologias sólidas, entre si, eram heterogêneas, não possibilitando uma comparação viável.  

Conclusão 

A suplementação de potássio pode contribuir com a função endotelial, e os resultados são diretamente associados à dosagem. Ainda, é necessário maior avaliação quanto aos parâmetros clínicos a serem avaliados e uma dose-resposta a ser indicada. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9961878/ 

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Atualidades

Dia Mundial do Coração

Hoje é o Dia Mundial do Coração (29/09).

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1)

O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).

As estratégias para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisam considerar um fator importante, o nível de adesão do indivíduo ou grupo terapêutico, principalmente por se tratar de uma condição crônica.

Fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e uma alimentação inadequada devem ser trabalhados. Para o nutricionista, há algumas estratégias capazes de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares: 

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4).

Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento. 

Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais: 

Manual Ministério da Saúde – Alimentação Cardioprotetora

Diretriz Sociedade Brasileira de Cardiologia – Prevenção Cardiovascular

Manual Ministério da Saúde – Saúde Cardiovascular na Atenção Primária  

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Atualidades

Novo posicionamento sobre consumo de gorduras

Recentemente, em fevereiro de 2021, a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou um Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Considerando que a última publicação sobre a temática foi a Diretriz de 2013 (link), essa foi uma produção revelante para a área!

Sabemos que a nutrição exerce um papel essencial na gênese, prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares. Por décadas, diversos artigos, diretrizes e posicionamentos foram publicados sobre o papel do consumo alimentar na saúde cardíaca e cardiovascular, principalmente em relação aos alimentos fontes de gorduras.

No entanto, muitos resultados divergentes entram constantemente em discussão. Esses conflitos podem ser compreendidos pela imprecisão metodológica em muitos estudos, além da impossibilidade de comparação entre os mesmos quando há disparidade no tamanho da amostra, população ou nutriente estudado, por exemplo.

Também é necessário reconhecermos que, muitos sites e blogs fazem uso e divulgam dados de forma não correspondente à publicação científica realizada, gerando confusão na população, ou até mesmo entre nós.

As primeiras orientações dietéticas publicadas sobre o tema são dos anos 50, e desde então muita coisa mudou. O que há de evidência nessa temática atualmente? Destacamos alguns pontos:

Impacto no perfil lipídico

  • Gordura trans e saturadas exercem maior potencial para aumentar os níveis plasmáticos de colesterol total (CT) e LDL-c. Já a concentração de triglicerídeos (TG) pode ser aumentada por um maior consumo de carboidratos refinados;
  • Diferentemente de anos atrás, não há mais uma recomendação de ingestão máxima por dia de colesterol alimentar. No entanto, permanece orientado que mantenha-se o menor possível. Pois, mesmo não exercendo papel primordial no colesterol sérico, ainda causa impacto em indivíduos hiper-responsivos.
  • Ácidos graxos saturados, principalmente o palmítico, apresentam capacidade de ativar resposta inflamatória e de estresse oxidativo, prejudicando a integridade do endotélio vascular e potencialmente contribuindo para a gênese da aterosclerose; além de prejudicar a funcionalidade de receptores de insulina;
  • O contexto alimentar exerce maior impacto do que o consumo de alimentos isoladamente. Ou seja, mesmo sendo alimentos ricos em ácidos graxos saturados, e sabendo dos efeitos que esses causam quando consumidos em excesso, eles podem exercer um menor impacto na saúde quando estão inseridos em um contexto saudávelcom adequação calórica, inclusão de grãos, frutas, hortaliças e redução do consumo de açúcar, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e trans.

Óleos e gorduras

  • Além do óleo de oliva, pode ser orientado o uso do óleo de canola ou soja para o preparo das refeições, esses possuem menor teor de ácidos graxos saturados e maior quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) em sua composição, em comparação com outros óleos vegetais; 
  • Não há indicação para a substituição de óleos vegetais, como de canola ou oliva, por óleos de coco ou palma, os quais devem ser consumidos apenas de forma ocasional, devido o alto teor de gordura saturada.

Microbiota intestinal

  • Dietas hiperlipídicas, especialmente ricas em ácidos graxos saturados, são capazes de alterar a composição da microbiota intestinal, induzir a redução de diversidade bacteriana e aumentar a permeabilidade intestinal; favorecendo a disbiose e até mesmo inflamação sistêmica de baixo grau. O padrão alimentar é muito importante na modulação intestinal, destacando a importância de um consumo alimentar rico em fibras.

Ácidos graxos ômega 3

  • A relação de consumo entre ácidos graxos poli-insaturados ômega 6 e ômega 3 deveria ser menor do que é atualmente na população ocidental. No entanto, a orientação para consumo ainda deve ser realizada baseada na porcentagem de consumo de cada gordura, e não estritamente na relação entre os mesmos; 
  • potencial anti-inflamatório derivado de um consumo alimentar rico em ácidos graxos ômega 3. Entretanto, mesmo com os possíveis benefícios, não há evidência suficiente para recomendação de suplementação em muitas condições clínicas;
  • O óleo de krill é uma ótima fonte de ácido graxo eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), apresentando maior biodisponibilidade do que o ômega 3 marinho por ter a maior parte de seus ácidos graxos na forma de fosfolípides.

Esse posicionamento trouxe atualizações sobre a temática, mas também um lembrete importante: “devemos priorizar a avaliação de padrões alimentares, propondo orientações e melhorias também qualitativas, não valorizando alimentos individualmente ou os classificando como proibidos”.

Toda orientação ou intervenção nutricional deve capacitar o indivíduo com conhecimento necessário sobre os alimentos para que ele mesmo possa realizar escolhas alimentares mais saudáveis! 

Para acesso ao posicionamento na íntegra acesse esse link!

Boa leitura, até mais!