Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado Nutricional: Aleitamento Materno

O leite materno garante a nutrição adequada e ainda protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Ajuda também a diminuir o risco do desenvolvimento de hipertensão, colesterol elevado, diabetes e até obesidade; além de fortalecer muito o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

Por conta de todos esses fatores positivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que o bebê seja amamentado exclusivamente até os seis meses de vida. Depois disso, a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais, junto com a alimentação complementar (1,2).

Contudo, condições pessoais, clínicas e socioculturais podem interferir na manutenção do aleitamento materno. Entre os obstáculos mais recorrentes, destacam-se: aconselhamento insuficiente por parte das equipes de saúde, estigma e desinformação, falta de suporte do parceiro ou família, retorno da mãe ao trabalho (3).

No Brasil, segundo o último levantamento de 2019, 45,8 % dos bebês menores de seis meses recebiam aleitamento materno exclusivo — média próxima da meta proposta para 2025 de 50%, mas bem abaixo de 70 %, meta para 2030. Quase a totalidade das crianças brasileiras foi amamentada alguma vez e metade mamou por pelo menos 15,9 meses (4).

Os nutricionistas, como educadores em saúde, desempenham papel essencial desde o pré-natal. No atendimento à gestantes, algumas ações são fundamentais, como: conhecer a história materna e familiar, antecipar possíveis dificuldades, orientar sobre o processo da amamentação e estimular práticas que favoreçam o vínculo mãe-bebê.

Cuidados nutricionais importantes para lactantes:

  • Para a estimativa energética recomendada usar duas fórmulas, a depender do período da lactação (5):
    • Primeiro semestre: EER de não grávidas + 500 kcal/dia.
    • Após o primeiro semestre: EER de não grávidas + 400 kcal/dia.
  • Durante a lactação, recomenda-se o adicional calórico de 500 kcal para o ganho de peso gestacional adequado e 700 kcal para ganho de peso insuficiente. Em caso de gestação gemelar, considerar adicionais por bebê (5).
  • Para o cálculo de macro e micronutrientes, considerar (5):
    • Proteínas: 1,1g/kg/dia ou acréscimo de 19 g/dia nos 6 primeiros meses e 12,5 g/dia nos meses subsequentes.
    • Lipídios: 20 a 35% do VET.
    • Carboidratos: 45 a 65% do VET.
    • Fibras: Ingestão adequada de 29 g/dia.
    • Micronutrientes: Avaliar a necessidade de suplementação de vitaminas e minerais, principalmente ferro, cálcio e ácido fólico. 
  • A recomendação sobre a perda de peso após o parto é diferenciada de acordo com o estado nutricional da nutriz, e não deve ultrapassar a perda ponderal segura para a lactação. Dietas rigorosas, durante esse período, podem reduzir a produção e a concentração de nutrientes no leite materno (6).
  • Mulheres que amamentam não precisam fazer nenhum tipo de restrição alimentar. Não há evidência de que os alimentos interferiam na amamentação. Também não se recomenda restrição de leite, ovos ou amendoim. No entanto, caso ocorra algum efeito no lactente associado a certos componentes da dieta, retirar o alimento da dieta por algum tempo e reintroduzi-lo, observando atentamente a reação da criança (7).
  • Não consumir peixes ricos em mercúrio: o consumo elevado de mercúrio pode representar risco ao desenvolvimento neurológico do bebê. Peixes ricos em mercúrio são os predadores, como peixe espada e cavala. Peixes com índices menores de mercúrio, podem ser consumidos 2 vezes por semana: anchova, bacalhau, pescada, arenque, salmão, sardinha, tilápia, truta, atum, peixe branco (7).
  • Limitar o consumo de café e outros produtos derivados até no máximo 300 mg de cafeína por dia (cerca de 3 xícaras de café). Com consumos acima dessa quantidade, algumas crianças podem apresentar irritação ou ter dificuldade para dormir (7).

Confira algumas orientações sobre educação em amamentação:

Antes de iniciar a mamada:

  • Higienizar bem as mãos, antebraços e unhas. Manter as unhas curtas para evitar machucar o bebê;
  • Se houver ingurgitamento, fazer massagem ou ordenha manual antes da mamada para facilitar a pega;
  • Passar um pouco do próprio leite na região mamilo-areolar, antes de oferecer a mama ao lactente.

Durante a mamada:

  • Apresentar a mama em formato de “C” para facilitar a pega;
  • Estimular o reflexo de busca tocando o mamilo nos lábios do bebê;
  • Garantir um ambiente calmo, respeitando o tempo do bebê, que pode pausar a sucção para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, estimular suavemente o bebê tocando suas orelhas ou pés;
  • Verificar constantemente a posição do bebê: ele deve estar alinhado, barriga com barriga, rosto voltado para a mama, sem torções no pescoço, com o queixo encostando na mama.

Cinco sinais de boa posição:

  1. O bebê se aconchega ao peito da mãe;
  2. A barriga do bebê toca o corpo da mãe;
  3. O rosto está voltado para a mama;
  4. Cabeça e coluna alinhadas;
  5. Cabeça apoiada no braço da mãe.

Outras recomendações importantes:

  • Esvaziar uma mama antes de oferecer a outra, garantindo a oferta tanto o leite anterior quanto o posterior;
  • Se possível, evitar bicos artificiais, pois podem causar confusão em alguns bebês;
  • Orientar sobre posições específicas em casos de dificuldade:
    • Invertida: útil quando há dor, fissuras, mastite ou ingurgitamento;
    • Cavaleiro: recomendada para prematuros, bebês com refluxo, fenda palatina, obstrução nasal, entre outros.

Materiais complementares:

É a educação contínua, iniciada no pré-natal e mantida no puerpério, que favorece o sucesso do aleitamento materno. Quando a amamentação se concretiza, surgem dúvidas, inseguranças e desafios que precisam ser acompanhados de perto.

Com escuta ativa, empatia e conhecimento técnico, o nutricionista pode contribuir significativamente para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Caso não seja a sua área de especialidade, procure profissionais para indicar e realizar parcerias profissionais!

Nutri, o que achou desse conteúdo? Conte pra gente!

Até mais!

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Tutorial Allivici: Guia de uso para atendimento materno-infantil

No texto de hoje trouxemos um guia de uso das ferramentas para nutricionistas que atuam na área materno-infantil. Confira mais detalhes sobre cada funcionalidade!

#1 Cadastro de Receitas: Elabore receitas assertivas para o seu público

Sabia que é possível criar e calcular receitas com o nosso sistema? Elabore preparos para a introdução alimentar, ou use essa função para adaptar receitas e deixá-las mais interessantes para o público infantil.

Essa é uma estratégia interessante para aumentar a aceitação de certos alimentos com preparos adaptados. As receitas também são muito utilizadas no caso de restrições alimentares.

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/10/01/tutorial-allivici-lista-e-cadastro-de-receitas/

#2 Chás: Orientações de uso para gestantes, lactantes e crianças

Nem todos os chás são indicados para a gestação ou amamentação – ao clicar na erva veja em contraindicações se pode ser consumida. Além disso, também deixamos instruções mais específicas (no cabeçalho da página) para o consumo de crianças, de acordo com a faixa etária!

Para cada erva existe uma indicação de uso, com a legenda “A” ou “A/I”:

Inclusive, para facilitar a orientação, criamos uma lâmina exclusiva sobre quais chás são contraindicados:

#3 Lista de Planos Alimentares: Ideias prontas e editáveis para cada fase da infância

Muitas vezes é difícil começar um plano alimentar do zero, por isso deixamos modelos editáveis disponíveis. Os planos alimentares prontos para crianças foram baseados nas orientações do Guia Alimentar para Crianças.

Uma sugestão é criar novos planos, que atendam a diferentes demandas clínicas e para várias faixas etárias. Assim, sua rotina ficará muito mais fácil a cada atendimento nutricional!

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/08/06/tutorial-allivici-como-montar-um-plano-alimentar/

#4 Antropometria: Cálculo automático da idade e classificação por percentil

Ao cadastrar um paciente o nosso sistema usa a informação da data de nascimento para calcular a idade (em anos e meses) e avaliar os dados inseridos na antropometria de acordo com a faixa etária!

Dessa forma, a classificação do estado nutricional de acordo com o percentil já é feita de forma automática, após introduzir os dados de altura e peso corporal.

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/05/01/tutorial-allivici-protocolos-de-antropometria/

#5 Materiais Extras: Aleitamento Materno e Introdução Alimentar

Esses materiais foram desenvolvidos por uma nutricionista, em parceria com uma culinarista que também é mãe. Por isso, além de explicações baseadas na ciência da nutrição, o material traz diversas dicas práticas, testadas no dia a dia materno!

Esses materiais oferecem suporte para abordar tópicos importantes da introdução alimentar e amamentação. Utilizá-los durante a consulta contribui para que os seus clientes/pacientes compreendam esse processo de forma mais clara, segura e estruturada!

Então nutri, o que achou do nosso guia de atendimento? Quais outras especialidades querem ver por aqui? Nos conte lá no Instagram: https://www.instagram.com/allivici

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Artigo Científico: Minerais, regulação hormonal e saúde do endométrio (Parte II)

Hoje iremos continuar o resumo de um artigo científico. Se está chegando por aqui agora, primeiro confira o texto anterior. O consumo de micronutrientes impacta na regulação hormonal, saúde do endométrio e fertilidade. Isso acontece porque muitos minerais estão associados com a regulação hormonal. Confira os principais minerais associados com a ovulação e fertilidade feminina!

Influência dos minerais na ovulação:

  • Cálcio: importante para a fase folicular e maturação dos óvulos, também facilita a liberação do óvulo (ovulação) armazenado nos folículos ovarianos. Modula mensageiros importantes para a fecundação, além de ter grande atuação no desenvolvimento zigótico. Manter um consumo ideal de cálcio é essencial para mulheres que desejam engravidar;

  • Zinco: cofator para diversas enzimas importantes, como DNA polimerase e ribonucleotídeo redutase, participantes da síntese e divisão celular. A deficiência de zinco pode impactar negativamente a fase folicular e maturação do óvulo, já a insuficiência do consumo compromete a qualidade do óvulo e a fertilidade como um todo;

  • Ferro: por atuar na oxigenação sanguínea, participa ativamente dos processos de fecundação e desenvolvimento embrionário. O mineral também desempenha um papel importante na função mitocondrial e síntese de DNA. A deficiência de ferro pode levar a quadros de anemia e baixos níveis de ferritina já foram associados com casos de infertilidade;
Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Estresse oxidativo e fertilidade:

O termo estresse oxidativo é referente ao desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade do corpo de realizar a destoxificação adequada. Esse é um processo natural do organismo, que envolve substâncias antioxidantes (endógenas e dietéticas). Para colaborar com esse processo, existem minerais que podem ser consumidos com maior frequência: zinco, magnésio, selênio, ferro, cobre e manganês.

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Fecundação e implantação embrionária: após a fecundação ainda existe o processo de implantação do blastocisto na parede uterina, por isso a saúde do endométrio impacta tanto na fertilidade. Zinco, magnésio, cálcio iodo e ferro são os minerais que apresentam maior impacto nesse processo; sendo assim, precisam ser consumidos/suplementados durante o período fértil quando se planeja engravidar.

Confira as recomendações de consumo e fontes alimentares para cada micronutriente:

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Gostou do tema? Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/23/4081

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Cuidado Nutricional: Gestação e as mudanças a cada trimestre

Durante a gestação há intensas mudanças fisiológicas, anatômicas e metabólicas. Para manter a saúde da pessoa gestante é preciso se atentar ao risco de deficiências nutricionais, à manutenção do peso e ao desenvolvimento de certas doenças (diabetes mellitus gestacional, transtornos alimentares, anemia, verminoses, etc.)

Além disso, todo o desenvolvimento fetal depende do estado e consumo nutricional da gestante. Por isso, a importância de se atentar, ainda mais, à nutrição durante esse período (1). 

Inclusive, já citamos vários cuidados em postagens anteriores:

Cuidado Nutricional e Suplementação na Gestação

Gestações Gemelares e Nutrição

Orientações Práticas para a amamentação  

No entanto, há necessidades distintas durante os meses da gestação. Quais são os principais cuidados a cada trimestre? 

1º Trimestre 

Durante as primeiras 13 semanas o corpo se adapta para gerar outra vida. Há mudanças que são individuais, pois dependem muito de como cada gestante está encarando esse momento. Há aumento dos seios, mais sono e fome, mas muitos enjoos e mais cansaço. 

Para melhorar os sintomas de náuseas é preciso evitar longos períodos em jejum, consumir alimentos mais secos e frutas, a adição de gengibre em preparos auxilia também. Pode haver recusa de determinados alimentos, isso é natural. 

Mudanças na alimentação são essenciais, tanto no consumo adequado de certos nutrientes (vitaminas do complexo B, vitamina D, ferro, cálcio, zinco, ômega 3, fibras); como na restrição de determinados alimentos e ingredientes (edulcorantes artificiais, álcool, café, chá verde ou preto, carnes cruas). 

Com todas as alterações fisiológicas a necessidade energética também se altera. Mas, no primeiro trimestre ainda é muito similar ao período em que não se estava gestando. Por isso, geralmente, ainda não há necessidade de aumentar a ingesta calórica. 

A realização de exames laboratoriais nesse período é importante para identificar carências nutricionais e ajustes de micronutrientes. Quanto aos macronutrientes há maior necessidade de ingestão de proteínas (60g/dia, ou 1.1g proteína/kg/dia).

2º Trimestre 

Entre a 14ª e 27ª semana os desconfortos iniciais (náusea, cansaço, etc.) tendem a desaparecer. Há um crescimento acelerado do feto, com a formação não só de órgãos, mas até mesmo de cílios e sobrancelhas. 

Já é indicado aumentar a ingestão diária em 340 kcal. Lembrando que essa é uma indicação genérica, que deve ser ajustada e individualizada a partir da idade, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade. 

O maior fracionamento das refeições auxilia tanto no consumo adequado de nutrientes, como também na redução de sintomas como estufamento ou enjoos. Não ingerir líquidos com as refeições evita azia e refluxo. 

3º Trimestre 

A partir da 28ª semana há aumento do desconforto, pois o espaço vai se tornando cada vez menor com o crescimento do bebê que ganha peso e atinge o tamanho final para o nascimento. 

No fim da gestação a indicação é de um acréscimo médio de 452 kcal/dia, mas deve ser individualizada de acordo com as necessidades e limitações de cada gestante (idade, peso, nível de atividade). 

A suplementação de ácido fólico e sulfato ferroso ainda é mantida e pode ser recomendada até o terceiro mês do pós-parto.

___ 

Michelle A. Kominiarek; Priya Rajan. Nutrition Recommendations in Pregnancy and Lactation. Med Clin North Am. 2016, november; 100(6): 1199–1215. Doi:  10.1016/j.mcna.2016.06.004

Ministério da Saúde. Caderneta da Gestante. Edição eletrônica, 2014. Brasília. https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Orientações práticas para a amamentação

Apesar de todos os incentivos ao aleitamento materno exclusivo, no Brasil o mesmo apresenta indicadores aquém dos níveis desejados.

Diversos são os fatores que podem impactar na redução do desmame, como a dificuldade inicial com a técnica da mamada, ou a falta de suporte familiar. 

Assim, ainda antes do nascimento da criança, os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, como falamos no post anterior.

Como foi dito, uma das principais contribuições do nutricionista para a promoção do aleitamento materno é na educação prática de gestantes e puérperas.

Ainda pensando no “Agosto Dourado”, seguem algumas orientações importantes que podem ser anexadas ao atendimento nutricional: 

Antes de iniciar a amamentação: 

  • A mãe deve lavar as mãos, antebraço e unhas com água e sabonete. As unhas preferencialmente devem estar curtas para evitar que machuque o bebê e facilitar a higienização;
  • Um pouco do próprio leite deve ser passado na região mamilo-areolar; 
  • Verificar a flexibilidade mamilo-areolar e caso a mama esteja cheia ou ingurgitada, a mãe deverá realizar massagem ou ordenha manual antes de colocar o bebê para mamar. Facilitando assim a pega e a retirada do leite.

Durante a amamentação:

  • Apresentar a mama em “C” para auxiliar o aprendizado do bebê a ter boa pega;
  • Para facilitar o reflexo de busca do bebê, pode-se virar o rostinho em direção à mama e tocar o mamilo na comissura labial esquerda, direita, superior ou inferior do bebê;
  • As mães devem estar tranquilas no momento da amamentação, pois não há tempo fixo para o bebê mamar. Isso dependerá da pega, da posição adequada e da voracidade do bebê para retirar o leite. Pois o bebê suga, deglute, respira e pode fazer uma pausa, em alguns momentos, para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, toque nas orelhas ou pés do bebê para que retome a sucção.
fonte: https://www.promatre.com.br/wp-content/uploads/2022/02/PM_CartilhaAmamentacao_2022_compressed.pdf

A todo momento é importante que a criança esteja bem posicionada, sem o pescoço torcido ou o queixo longe da mama e verificar para corrigir caso o lábio inferior do bebê esteja virado para dentro. 

O posicionamento correto do binômio mãe-lactente, que assegura a pega adequada e evita traumas mamilares (mastite, fissura, ferida mamilar, dor, abscessos mamários, ingurgitamento mamário). 

Para tranquilizar as mães, também é interessante ensinar os cinco sinais de que a posição está correta:

  1. O bebê se aconchega até o peito da mãe, abraçando-a.
  2. A barriga do bebê encosta-se ao corpo da mãe.
  3. O rostinho do bebê fica de frente para a mama.
  4. A cabeça e a coluna do bebê estão alinhadas.
  5. A cabeça do bebê está apoiada no braço materno.

Para finalizar, é possível encontrar diversas orientações complementares em ferramentas educativas, como na própria lâmina para nutricionistas do Allivici.

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Amamentação: o papel do nutricionista como educador da saúde

O aleitamento materno, além de nutrir adequadamente a criança, também reduz a morbimortalidade infantil e o desenvolvimento de doenças comuns na infância, como distúrbios gastrointestinais e pneumonias. Além disso, contribui fortemente para a formação do vínculo afetivo profundo entre o binômio mãe-lactente.

Por todos esses e outros benefícios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro preconizam que o aleitamento, principalmente de forma exclusiva, seja oferecido até os seis meses de idade da criança, podendo ser estendido até os 2 anos, em conjunto à alimentação complementar.

Os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, por exemplo:

  • Conhecer a história de vida materna e familiar, podendo nortear melhor a conversa e motivá-la a manter a amamentação; 
  • Conversar sobre a oferta de bico/chupeta, pois podem causar confusões de bico e interferir na alimentação do bebê, inclusive, na interrupção do aleitamento;
  • Incentivar que o parto seja realizado em um Hospital Amigo da Criança, para que a interação mãe e filho seja o mais próximo possível no parto; 
  • Educação prática de gestantes e puérperas sobre o processo da pega e a amamentação

Outras observações nutricionais importantes: 

  • Os intervalos entre as mamadas são geralmente menores em bebês em aleitamento materno exclusivo, diferentemente de bebês que recebem fórmulas infantis, pois o leite materno apresenta digestibilidade mais rápida;
  • É muito importante que o bebê esvazie uma mama antes de oferecer a outra, garantindo que o consumo do leite anterior e posterior; 
  • Caso a mãe apresente trauma mamilar, mastite ou ingurgitamento, a posição ideal a ser orientada é a invertida – a cabeça do bebê fica apoiada na mão da mãe, o antebraço apoia o corpo do bebê e a barriga do bebê permanece encostada na mãe; o braço que segura o bebê é o mesmo lado da mama oferecida; 
  • Já a posição cavaleiro pode ser indicada em casos de bebês prematuros, sonolentos, com lábio leporino, fenda palatina, com refluxo gástrico e obstrução nasal;
  • Para as mães que precisam retornar ao trabalho fora de casa, a retirada e o armazenamento correto do leite devem ser orientados. 

Conforme os estudos indicam, a educação sobre o aleitamento materno desde o pré-natal é essencial, e deve ser continuado após o parto; quando a amamentação se concretiza surgem dúvidas, dificuldades e ansiedades maternas que podem interferir no sucesso da amamentação. 

Para o nutricionista é muito interessante ter conhecimento sobre a rotina de seus clientes. Pois, antecipar situações difíceis, apresentar soluções e oferecer orientações adequadas diante de diferentes cenários, pode ser o caminho mais eficaz para motivar a continuidade da amamentação. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Gessandro Elpídio Fernandes et al. Dificuldades iniciais com a técnica da mamada e impacto na duração do aleitamento materno exclusivo. Rev. Bras. Saude Mater. Infant.,  Recife ,  v. 18, n. 3, p. 517-526,  set.  2018. http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042018000300005

CIRICO, Michelli Oliveira Vani; SHIMODA, Gilcéria Tochika; OLIVEIRA, Rebeca Nunes Guedes de. Qualidade assistencial em aleitamento materno: implantação do indicador de trauma mamilar. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 37, n. 4,  e60546,    2016 .    http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2016.04.60546

MORAES, Bruna Alibio et al . Fatores associados à interrupção do aleitamento materno exclusivo em lactentes com até 30 dias. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 37, n. spe,  e2016-0044,    2016 .   http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2016.esp.2016-0044

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado nutricional em gestações gemelares

Domingo (15/08) é o Dia da Gestante, uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida.

Entendendo a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sistemática sobre a necessidade de micronutrientes em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares.

Introdução

O estado nutricional possui grande impacto para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional. Um consumo adequado de nutrientes, e manutenção sérica de marcadores importantes, reduz o risco de diversas complicações. Em casos de gestações múltiplas a demanda metabólica pode ser maior, contribuindo para o risco de deficiências nutricionais. 

Métodos

A revisão foi realizada de acordo com as normas PRISMA, todos os estudos selecionados foram realizados em humanos e publicados em plataformas científicas.

Resultados e Discussão

Os estudos selecionados incluíram um total de 830 gestantes, com 96% da amostra concebendo gêmeos. 

Avaliou-se vitamina D, ácido fólico, ferro, vitamina B12, cálcio, fósforo e vitamina C. A maioria dos estudos indicou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas. 

O presente estudo apresentou limitações, como quantidade de estudos selecionados, a falta de estudos randomizados e a divergência metodológica encontrada. 

Conclusão

Para mulheres com gestação múltipla é importante que a adequação nutricional e monitoramento seja realizado com maior cautela, visto que a necessidade metabólica pode ser maior. Há maior risco de deficiência para vitamina D e ferro. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Nutrição Materno-Infantil

Aleitamento materno, imunidade e COVID-19

Na próxima segunda-feira inicia-se a Semana do Aleitamento Materno em função do Agosto Dourado. início 

Os benefícios do aleitamento materno, para a mãe e a criança, durante a primeira infância e na vida adulta já são amplamente comprovados. Mas, durante a pandemia da COVID-19 entrou-se em discussão a segurança da prática para o neonato. 

Por isso, trouxemos um recente estudo que avaliou o que há de atual quanto ao risco de transmissão do SARS-CoV-2 pela amamentação, assim como os fatores protetores contra a COVID-19 presentes no leite materno. 

Introdução

Durante a pandemia a continuidade do aleitamento materno foi encorajada por órgãos oficiais, porém a segurança da mesma foi questionada por alguns profissionais da saúde. 

Há limitada evidência sobre a transmissibilidade do vírus pelo leite materno. Inclusive, foi encontrado anticorpos IgA contra SARS-CoV-2 no leite materno de mães positivas para COVID-19, indicando possível proteção aos neonatos à futura exposição ao vírus. 

Métodos

A revisão seguiu os critérios PRISMA, coletando artigos originais e relatos de casos também, considerando a atual escassez no tema. Todos foram realizados em humanos e datados do ano de 2020. 

Resultados e Discussão

Os resultados encontrados foram classificados em quatro categorias:  

  • Mães diagnosticadas antes ou após o parto: apesar de algumas mães terem sido privadas do primeiro contato após o parto, aquelas em condições clínicas estáveis foram incentivadas a amamentar;
  • Lactante positiva para a doença, lactente negativo: a amamentação foi incentivada, mas com medidas preventivas contra a infecção do lactente (uso de máscara, lavagem das mãos, desinfecção das superfícies e materiais usados e lavagem das mamas com água e sabão). Em casos mais graves o leite materno deveria ser oferecido de forma ordenhada;
  • Ambos positivos para a doença: o aleitamento materno foi encorajado, com sugestão de futuros estudos sobre o papel protetor dos anticorpos maternos. 
  • Lactante negativa e lactente positivo: houve orientação de permanecer em quarentena, com continuidade à amamentação, nos casos avaliados a mãe permaneceu negativa para a doença. 

O leite materno contém em sua composição diversos fatores anti inflamatórios que concedem proteção ao neonato, podendo destacar glicoproteínas, lactoferrina, macrófagos, neutrófilos, linfocitos e anticorpos IgG e IgA maternos. 

Conclusão

O aleitamento materno promove proteção adequada contra diversos patógenos, como o vírus, principalmente por ação no anticorpo IgA.

Ainda é necessário investigar a produção de anti-SARS-CoV-sIgA e transferência ao neonato. No entanto, há recomendação da continuidade do aleitamento materno, seguindo as medidas de proteção propostas.  

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Nutrição Materno-Infantil

O ácido araquidônico no leite materno

Dentre os inúmeros benefícios do leite materno para o crescimento e desenvolvimento adequados dos bebês, está a presença, mesmo que em quantidades relativamente pequenas, dos ácidos graxos essenciais.

Tanto o ácido araquidônico (ARA), quanto o ácido docosahexaenoico (DHA) estão presentes nos glóbulos de gordura, na forma de triglicerídeos e, secundariamente, em fosfolipídeos (fosfatidiletanolamina, fosfatidilcolina, esfingomielina, fosfatidilserina e fosfatidilinositol).

Em relação ao ácido araquidônico no leite humano, sua presença influencia a formação de uma variedade de moléculas bioativas, incluindo as prostaglandinas. Esses componentes irão beneficiar os lactentes em diferentes tecidos, tais como:

– Proteção e auxílio na motilidade intestinal;

– Modulação da inflamação, pois atuam como sinalizadores;

– Papel no início da resposta da sucção do leite;

– Modulação da saciedade e metabolismo energético;

– Desenvolvimento cerebral. 

Desta forma, cuidar da alimentação materna para que haja uma boa variedade no consumo de gorduras, incluindo fontes de gorduras poli-insaturadas em quantidades adequadas é garantir que o ácido araquidônico pré formado esteja presente no leite e exerça todos os benefícios citados acima ao bebê amamentado.

Vale mencionar que a recomendação para quando a mãe não puder amamentar, é que a fórmula indicada tenha a adição de DHA e ARA.  

Referência

Salem, N. Jr .; Van Dael, P. Ácido araquidônico no leite humano. Nutrientes 2020 , 12 , 626.

Nutrição Materno-Infantil

Saiba mais sobre as diferenças entre os leites e as bebidas vegetais

O aumento no número de casos de crianças com alergia ao leite de vaca, ou intolerância à lactose, bem como a maior disseminação dos hábitos alimentares veganos, tem refletido diretamente no crescimento da busca por bebidas alternativas, provenientes de fontes animais ou vegetais (dependendo de cada caso). E essa mudança de comportamento acaba por suscitar um novo desafio aos profissionais de nutrição: educar a população acerca dos substitutos realmente adequados, disponíveis no mercado alimentício.

Para tanto, é necessário considerar as características do leite a ser substituído. O leite de vaca, por exemplo, contém energia, carboidratos (lactose), gorduras, proteínas, vitaminas B1, B2, B6, retinol, carotenos, vitamina E e minerais, com destaque para o cálcio, e em menores teores fósforo, potássio, magnésio e sódio.

Não obstante o aumento nos últimos anos de leites de outras espécies animais, tais como leite de búfala, responsável por 13% da produção global, seguido pelo de cabra (2,3%), ovelha (1,4%) e camela (0,3%), o leite de vaca continua correspondendo à 83% da produção mundial.

Entre eles, por certo, há diferenciação de características e composição. Uma amostra é o leite de búfala, acima citado, que contém mais que o dobro da quantidade de energia quando comparado ao leite de vaca. Valor que, vale frisar, é também elevado devido a acentuada quantidade de gordura saturada.

Ainda nessa comparação, o leite de búfala apresenta um pouco mais de proteínas, e ambos os leites contam com proporção similar de lactose.

Se analisarmos o leite de cabra, veremos que sua composição é semelhante ao leite de vaca, principalmente no tocante à quantidade de gorduras saturadas. Quanto a isso, inclusive, é importante ressaltar que o leite de cabra é rico em ácidos graxos de cadeia curta e média (6 a 10 átomos de carbono) – o que torna essa gordura uma fonte para rápido uso de energia (essa composição contribui para seu sabor característico). Possui quantidades de carboidratos e proteínas equivalentes ao leite de vaca, e um maior teor de retinol. 

Quanto ao leite de ovelha, sua digestibilidade é facilitada em razão dos tamanhos médios dos glóbulos de gordura. Ele possui maior teor de lactose, quando comparado aos leites de vaca e cabra, níveis mais baixos de sódio e potássio e altos níveis de retinol e taurina.

Embora não tenham sido citados nas porcentagens acima, referentes à produção mundial, os leites de égua e burro também devem ser analisados. Nesse sentido, ambos possuem baixo nível de lactose, caseínas, caseína e gorduras – sendo essas prioritariamente composta por ácidos graxos poli-insaturados, contendo ácido alfa-linolênico (série ALA, ômega 3) e ácido linoleico (série LA, ômega 6) – essenciais e precursores do ácido docosahexanoico (DHA) e ácido araquidônico (AA).

Os leites de dromedário e camelo (animais conhecidos como semi-ruminantes por terem no estômago 3 compartimentos e não 4 como os ruminantes) têm importância social e nutricional em áreas áridas e semi-áridas como fonte de alimentação para a população. O leite de camelo possui maior teor de gordura em relação ao de dromedário, no entanto, quanto à lactose, o conteúdo de ambos é similar.

Em relação ao leite de vaca, o leite de dromedário possui maior teor de ácidos graxos monoinsaturados e o de camelo menor teor de ácidos graxos saturados. Esses dois leites chamam a atenção pelo baixo teor de beta-lactoglobulina, sendo a proteína mais comum a alfa-lactalbumina e beta-caseína. Tais características os tornam fontes de maior digestibilidade, bem como suscitam a menor incidência de alergias.

Pelas diferenças expostas, e para que se encontre um substituto adequado ao leite de vaca (considerando o objetivo e as peculiaridades de cada caso), é que se torna tão imprescindível o maior conhecimento acerca da composição e características dos diversos tipos de leites disponíveis. E isso se refere não apenas aos de origem animal, mas também às bebidas vegetais. Essas últimas, vale dizer, vem sendo cada vez mais conhecidas e procuradas, em decorrência da maior disseminação dos hábitos alimentares veganos nos últimos anos

Tratam-se de bebidas (extratos) provenientes de cereais (aveia, arroz, milho), leguminosas (soja, amendoim, tremoço, feijão), oleaginosas (amêndoa, avelã, girassol – o de coco entraria nessa categoria) e a base de pseudo-cereais (quinoa, teff, amaranto).  

Quanto a sua terminologia, embora sejam comumente conhecidas como “leite vegetais”, segundo o regulamento 1308/2013 o termo “leite” deve ser utilizado apenas para designar produtos obtidos pela ordenha, sendo os demais denominados como bebidas (as exceções cabem apenas aos extratos obtidos de amêndoa e coco, os quais podem ser chamados de leites).

No que tange às diferenças de bases e composições, vale a análise de alguns tipos (os mais usuais) de bebidas e leites vegetais, quais sejam: soja, amêndoa, arroz, coco e aveia, conforme se verá a seguir.

A bebida de soja teve seu uso relatado pela primeira vez há cerca de 2000 anos na China. Ela contém carboidratos e gorduras muito mais baixos, e consequentemente menor valor energético, se comparados ao leite de vaca. Em relação ao perfil lipídico, possui menores níveis de ácidos graxos saturados e maiores quantidades de gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas.

Ao utilizá-la é importante estar atento à necessidade de suplementação do mineral cálcio e da vitamina B12. Alguns de seus benefícios são a ausência de lactose e colesterol, maior quantidade de proteínas em comparação a outras bebidas e alta digestibilidade. Importante salientar que a bebida de soja não deve ser oferecida antes do primeiro ano de vida, bem como faz-se essencial a prévia avaliação de possíveis alergias.

Quanto ao leite de amêndoa, observamos maiores níveis de gorduras mono e poli-insaturadas e bons níveis de vitamina E, cálcio, potássio, magnésio, ferro, selênio, cobre e zinco.  Tem como benefício seu papel prebiótico, influenciando o crescimento de bactérias benéficas no intestino. No uso desse leite, a suplementação de vitamina B12 também deve ser avaliada.

A bebida de arroz, por sua vez, é composta prioritariamente por carboidratos, apresenta menor teor de gorduras e possui cálcio, magnésio, ferro, vitaminas A e E. Já no leite de coco verifica-se alto teor de gordura (saturada), menor teor de proteínas, carboidratos, fibras e altos níveis de potássio, magnésio, ferro, zinco, vitaminas C e E.

            No que tange à bebida de aveia, podemos identificar menor teor de gorduras e proteínas, um bom perfil de aminoácidos e alta quantidade de fibras e fitoquímicos (antioxidantes). Em relação ao seu conteúdo de fibras, apresenta beta-glucana, do tipo solúvel e que tem a capacidade de diminuir os níveis de colesterol e glicose. Importante avaliar a necessidade de suplementação de cálcio quando essa bebida é utilizada.

Quando comparamos tais bebidas ao leite de vaca, torna-se importante enfatizar que:

– A bebida de soja apresenta teor de proteínas muito semelhantes ao leite de vaca. Outras boas fontes seriam as bebidas a base de quinoa, cânhamo e aveia.

– Nas bebidas a base de plantas alguns aminoácidos podem ser limitantes e com isso, a variedade do consumo ao longo do dia com outros alimentos é necessária. (*Limitantes: lisina nos cereais e metionina nas leguminoasas).

– As bebidas a base de planta não irão conter lactose, mas é importante estar atento as adições de açúcar e adoçante. E preferencialmente optar pelas bebidas sem esses componentes.

– Caso a criança tenha que fazer algum controle glicêmico o melhor seria optar por outras bebidas que não a base de arroz ou coco, por essas terem um índice glicêmico alto (IG>96). As melhores opções seriam aveia (IG = 59), pela presença da beta-glucana ou soja (IG 47-61) ou amêndoa (IG 49- 64).

– Geralmente as bebidas a base de vegetais industrializadas serão fortificadas com algumas vitaminas e minerais, mas caso os pais optem por prepara-las em casa é importante orientá-los para que complementem a alimentação ao longo do dia com vegetais folhosos verdes escuros, leguminosas e oleaginosas.

Por fim, diante de todo o exposto, conclui-se essencial o papel do profissional de nutrição no que se refere à escolha e à substituição dos leites e bebidas adequadas para cada caso, considerando a substituição do leite de vaca. Além disso, o profissional deve, ainda, estar atento a possíveis possíveis suplementações ou complementações via alimentação.

Nutrição Materno-Infantil

Vitamina D e Gestação

A associação entre os níveis plasmáticos de vitamina D e os desfechos do ciclo gravídico são bem documentados na literatura científica. Essa vitamina lipossolúvel é sintetizada pelos seres humanos, sob condições adequadas, por um processo que se inicia com a oxidação do colesterol da dieta no intestino, formando o 7-dehidroepicolesterol, que carregado pela corrente sanguínea até a pele é convertido, sob efeito da radiação ultravioleta B solar (UVB) de forma não enzimática, em colecalciferol e, cerca de 90% do total de vitamina D no organismo se deve a essa via de síntese.

O feto é dependente da mãe para adquirir vitamina D, pois essa atravessa a placenta e no primeiro trimestre começa acumulando  cerca de 2-3 mg/dia de cálcio no esqueleto e essa reserva dobra no último trimestre. Assim, a gestante se adapta às necessidades fetais e aumenta a absorção de cálcio no início da gravidez, atingindo um nível máximo no último trimestre. A transferência é contra balança pelo aumento da absorção intestinal e redução da excreção urinária de cálcio.

Essa vitamina está intimamente relacionada a homeostase do mineral cálcio e a manutenção do tecido ósseo. Além da saúde óssea, a vitamina D regula os principais genes associados à adequada implantação da placenta e gestantes que apresentam deficiência dessa vitamina tem um aumento na síntese de citocinas pró- inflamatórias, como TNF-alfa e IL-6 e esse quadro pode favorecer a diabetes gestacional, pré-eclâmpsia.

Para acompanhamento dos níveis séricos de vitamina D, é importante lembrarmos que essa tem meia vida de 2 a 3 semanas, e a forma circulante, inerte, considerado o biomarcador de status de vitamina D é o 25 (OH)D3 (calcidiol) é ativado no fígado pela ação da enzima 25- hidroxilase (enzima da classe de citocromo, dependente de ferro e magnésio. E que após essa etapa, há captação pelos rins, cuja enzima 1-alfa-hidroxilase dependente do hormônio PTH, incorpora um segundo grupamento OH, no primeiro carbono, formando o metabólito ativo da vitamina D (calcitriol ou 1,25(OH)2 D3). Outros tecidos que também possuem essa enzima ativam a vitamina D, tais como glândulas paratireoides, mamas, intestino, próstata, pulmão, monócitos, pâncreas, queratinócitos e placenta.

Essa vitamina é recrutada ainda no funcionamento adequado da tireoide, estimulando a ação das células beta pancreáticas e consequentemente a síntese e secreção da insulina, estimulam a diferenciação de linfócitos T CD4 em Linfócitos T regulatórios, que são capazes de produzir interleucinas menos inflamatórias (IL-10 e TGF- β) – melhorando a tolerância imunológica e imunossupressão.

Assim, quando não há hipovitaminose D prevenimos que a gestante desenvolva alterações metabólicas, favorecemos a adequada fecundação, reduzimos o risco de abortamento, nascimento de bebês pequenos para a idade gestacional, partos prematuros, vaginose bacteriana, raquitismo congênito, doenças alérgicas, asma pós nascimento e desenvolvimento cerebral alterado.

O nascimento de bebês de mães que receberam suporte de vitamina D durante a gestação demonstra melhores resultados em relação a parâmetros como crescimento ao nascer, comprimento, circunferência cefálica e circunferência torácica.

Devemos acompanhar os resultados dos exames laboratoriais de nossas pacientes gestantes, e a literatura científica indica que os níveis plasmáticos de vitamina D em gestantes devem estar superiores a 50nmol/L (ou 20ng/mL).

Segundo o Institute of Medicine, as recomendações de consumo alimentar de vitamina D por gestantes é de 10µg/dia. Já em relação a suplementação as recomendações da Canadian Academy of Pediatrics e American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam respectivamente a suplementação de 2.000 UI /dia durante a gestação e lactação. Estudos recentes indicam que a suplementação até 4.000UI por dia em gestantes não levou a relatos de hipercalcemia ou hipercalciúria. Em relação a toxicidade por suplementação, o risco pode ocorrer acima de 20.000UI por dia e pode levar a hipercalcemia e hipercalciúria.

Além da exposição solar e do consumo alimentar, alguns outros fatores que reduzem a síntese dessa vitamina devem ser considerados por nós, nutricionistas no momento da montagem do plano alimentar e prescrição da suplementação, fatores como: uso de protetor solar com fator de proteção 30 reduz em 95% a produção; peles com lesão por queimaduras; nebulosidade e contaminação atmosférica; estação do ano, hora do dia, pele com tons mais escuros necessitam de mais tempo de exposição ao sol. 

É nosso papel como educadores da saúde ressaltar que apenas 18% da superfície corporal, área equivalente a braços e pernas, exposta à luz solar por pelo menos 15 minutos diariamente já é suficiente para garantir a síntese adequada de vitamina D3 (*pode haver variação de acordo com a latitude, estação do ano, cor da pele, utilização de filtro solar e influência cultural, religiosa e da dieta). E que a exposição contínua à luz solar também acarreta fotodegradação da pré vitamina D3, assim há uma proteção contra a superprodução, de forma que a exposição excessiva ao sol não causa toxicidade sistêmica induzida pela vitamina D.

Assim, além de todo o planejamento alimentar e acompanhamento de exames laboratoriais é muito importante incentivarmos a exposição solar em um pequeno momento do dia.

Referências

MARQUES, Natália; SERPA, Fernanda; TEIXEIRA, Michelle. Nutrição Clínica Funcional: da fertilidade à gestação. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2018. P. 163 – 167;234-235.

SOUZA, José Rogério de Jesus Linhares de; SILVA, Tatyana Santana de Azevedo  e  FIGUEREDO, Eduardo Durans. Hipovitaminose D na gestação: um problema de saúde pública?. Rev. Bras. Saude Mater. Infant. [online]. 2019, vol.19, n.1, pp.197-205. ISSN 1519-3829.  http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042019000100011.