Atualidades

Artigo Científico: Doenças Reumáticas e Vegetarianismo

Doenças reumáticas são condições crônicas de saúde que também merecem atenção quanto à alimentação. Podemos citar lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia como exemplos. No entanto, há estratégias específicas para esses casos?

No ano passado trouxemos ao blog uma revisão sistemática que avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia. Em nosso próprio texto ressaltamos as limitações do estudo analisado e como ainda faltam informações sólidas sobre a temática. 

Pensando nisso, hoje analisaremos um novo estudo, também de revisão sistemática, sobre a aplicabilidade de dietas vegetarianas e veganas em quadros de fibromialgia.

Introdução

O tratamento para a fibromialgia visa reduzir os sintomas que impactam na qualidade de vida. Há aplicação de intervenções não apenas farmacológicas, mas também de estilo de vida, como na alimentação. No entanto, até então, nenhuma dietoterapia específica tem apresentado sucesso no tratamento dos sintomas. 

A alimentação como tratamento complementar tem sido uma estratégia pesquisada nos últimos anos. Há estudos que indicam possíveis benefícios ao seguir uma alimentação baseada em vegetais devido ao perfil de nutrientes dessas dietas. 

Resultados e Discussão

Entre os estudos encontrados, apenas seis foram analisados para essa revisão sistemática (quatro ensaios clínicos, sendo um randomizado e dois de coorte).

O método de intervenção não foi homogêneo entre os estudos. Em três deles a dieta não era apenas vegana, mas também majoritariamente crua; em dois havia uma dieta vegetariana; e em outro, além da estratégia “plant-based”, também havia a de jejum. 

Em geral, os benefícios de maior relevância encontrados foram em:

  • Melhora nos parâmetros bioquímicos (colesterol total, peroxidase e fibrinogênio);
  • Redução de dor muscular e articular;
  • Melhora na qualidade do sono.

O tempo de intervenção nos estudos variou entre três semanas e três meses, em todos houve aderência na intervenção dietética proposta. Em hipótese sobre os benefícios encontrados, os autores indicaram o crédito ao perfil nutricional das dietas em questão. 

Todas, em comparação com as dietas onívoras, eram mais ricas em frutas, vegetais, cereais integrais, castanhas e sementes. Assim, havia um maior consumo de vitaminas, minerais, fibras e fitonutrientes, responsáveis por um perfil dietético mais antioxidante. 

Conclusão

Apesar dos benefícios encontrados, não há indicação de uma intervenção dietética de forma isolada como tratamento para fibromialgia. 

As mudanças na alimentação podem ser propostas em sintonia com outros tratamentos multidisciplinares para uma melhora na qualidade de vida do paciente. 

Também deve ser considerado que, ao finalizar o período de intervenção, alguns estudos demonstraram um retorno dos sintomas antes amenizados. Por isso, a aderência do paciente deve ser considerada. 

Os resultados e conclusões em questão devem ser considerados com cautela devido à quantidade limitada de publicações relevantes sobre o tema. Sendo assim, novos estudos com maior robustez metodológica precisam ser realizados.

Acesse o artigo na íntegra clicando aqui. 

Até mais!  

Atualidades

Cuidado Nutricional: Lúpus

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune e a sintomatologia varia de acordo com as fases, de atividade e remissão. O seu desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas, podendo incluir: intervenção farmacológica, modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades.

Por ser uma doença crônica, o tratamento precisa ser o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

Então, qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

Atender às demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES. Ou seja, possa coexistir um processo de orientação nutricional e educação alimentar com intervenções para amenizar os possíveis sintomas.

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, ajustado às alterações de apetite características do tratamento. Assim como com foco na prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo e o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda a orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para toda a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Estudante de Nutrição

Atuação do nutricionista na oncologia

O Dia Mundial de Combate ao Câncer (04/02) visa promover maior conscientização sobre o tema. A atuação do nutricionista na área oncológica é imprescindível, uma vez que a terapia nutricional específica pode auxiliar tanto na resposta ao tratamento, como na melhora de sintomas que são desencadeados.

Falando um pouco mais sobre a fisiopatologia do câncer, essa é uma doença que ataca as células do organismo humano, sem uma causa específica e que ocorre de maneira desordenada, promovendo uma alteração na divisão de células anormais ao invadir órgãos e tecidos adjacentes (1). 

Os fatores de risco associados ao câncer são hereditários e ambientais. Nesse âmbito, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação está associada ao surgimento do câncer, principalmente no consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas (2).

Ou seja, a alimentação adequada pode atuar na prevenção, como também no tratamento. O nutricionista oncológico é o profissional que vai auxiliar o paciente a receber os nutrientes necessários, possibilitando que o mesmo tenha mais disposição para encarar os processos terapêuticos necessários. 

Os métodos de tratamentos da doença, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia são invasivos e aumentam a probabilidade de alguns efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, boca seca, aftas, alteração no paladar, disfagia, ganho ou perda de peso.

ESTRATÉGIAS PARA AUXILIAR OS PACIENTES EM SITUAÇÃO DE EFEITOS COLATERAIS:

  • Náuseas: oriente o paciente a não fazer jejum prolongado, impedindo que a liberação de ácido clorídrico aumente a irritação da mucosa. Os alimentos consumidos devem estar em temperaturas amenas ou ambiente;
  • Boca seca: indicar a ingestão hídrica adequada, orientar a prática de estratégias como água saborizada, gelo de fruta, e outras que reduzem as chances do paciente desenvolver desidratação. O uso de saliva artificial pode ser avaliado;
  • Disfagia: apresente ao seu paciente a postura ereta ao comer e beber, ressaltando que não é indicado se deitar após as refeições. Oferte alimentos macios e em porções menores, mas com maior fracionamento; 

Além disso, algumas deficiências nutricionais também podem estar presentes em pacientes com câncer:

  • Anorexia: distúrbio alimentar que leva a perda do apetite, provocando uma perda de peso não considerada saudável para idade e altura. Se atente para a reposição de potássio, ingestão calórica diária, e de encaminhar o paciente a um psicólogo e psiquiatra;
  • Caquexia: síndrome de perda progressiva de massa magra esquelética em que o paciente perde a sua capacidade funcional. Oriente de uma dieta diversificada com vegetais escuros, folhas, frutas, proteínas, vitaminas e minerais. Avalie a possibilidade de suplementação com ômega-3, pois vem sendo apontada como importante para a melhora da caquexia (4);
  • Sarcopenia: perda da massa muscular, a qual faz a perda de força do corpo e atinge a função cognitiva do paciente. Os alimentos que podem auxiliar nessa condição são aqueles com maior teor de proteína, cálcio e vitamina D; 
  • Desnutrição: consumo inadequado ou absorção insuficiente dos nutrientes necessários para o funcionamento correto do corpo. Gera cansaço, fraqueza e outras condições físicas. Modificações na consistência e temperatura dos alimentos podem favorecer melhor aceitabilidade alimentar. 

Em alguns quadros mais avançados essas condições nutricionais podem ser irreversíveis, mesmo assim, promover uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais é de extrema importância. Nesses casos é válido que o nutricionista esteja bem atualizado quanto à evolução do câncer, bem como aos efeitos colaterais que este possa promover.

Assim, reforçamos a importância do nutricionista na equipe multiprofissional para auxiliar na melhor qualidade de vida ao paciente em qualquer fase do tratamento, inclusive quando se torna necessário optar pelos cuidados paliativos. 

REFERÊNCIAS:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). O que é câncer?, 2020
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dieta, Nutrição, Atividade Física e câncer: Uma perspectiva global, 2020
  3. Caro, Monica María Maim.; Laviano, Alessandra.; Pichar, Claude.; Impacto of Nutrition on Quality of Life During Câncer, 2007.
  4. Correia, Maria Luísa de Sousa.; Vaz, Sáskia Ribeiro.; Ômega-3 como Composto Bioativo Adjuvante à Terapia Nutricional da Caquexia Oncológica, 2020.

Atualidades

Estratégias Nutricionais: Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2).

Como no domingo (14/11) é o Dia Mundial do Diabetes, nós trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:

Estratégias Nutricionais

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais (estévia ou xilitol) a sugestão e orientação do consumo desses pode acontecer em substituição dos comumente utilizados (aspartame, sacarina, sucralose); 
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição por edulcorantes; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.

No nosso software o nutricionista consegue calcular cada refeição prescrita, se atentando para os macronutrientes, com a quantidade de carboidrato em cada refeição, como também aos micronutrientes!

Materiais técnicos e educativos

  • Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
  • Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net

Páginas profissionais da área

  • Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/ 

Até mais!

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Nutrição, Alimentação e Saúde Cardiovascular

Na próxima quarta-feira é o Dia Mundial do Coração.

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Com o aumento da expectativa de vida é necessário mais atenção para prevenção e tratamento da doença (1).

Um estudo brasileiro estimou o risco cardiovascular em dez anos na população brasileira. Entre os homens, 21,6% apresentou risco elevado, e entre as mulheres 8,7%. O risco foi crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). 

A estratégia para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisa ser revisada no Brasil. Não apenas considerando o fator socioeconômico e cultural no planejamento de políticas públicas, mas também pela baixa adesão de medidas farmacológicas, assim como de não farmacológicas (3). 

A adesão ao tratamento é muito importante para a redução dos fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada. Ou seja, a nutrição pode ser uma das portas para promover mudanças. Por isso, é importante que o profissional se mantenha atualizado! 

O que temos de evidência sobre as estratégias nutricionais capazes de contribuir para a prevenção cardiovascular?

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4)

Essa é a base. É apoiada nela que a orientação nutricional realizada capacita o indivíduo para que, ele mesmo, realize melhores escolhas alimentares e tenha mudança em seus hábitos no longo prazo. 

Claro, outras estratégias pontuais de intervenção nutricional podem ser realizadas, como a suplementação, mas sempre baseadas na vasta literatura científica que temos à nossa disposição. 

Inclusive, anteriormente trouxemos um blog sobre o consumo de gorduras para a saúde cardiovascular. Você pode ler clicando aqui!

Até mais!