Atualidades

Artigo Científico: Recomendações sobre o uso de adoçantes artificiais

Os edulcorantes, comumente conhecidos como adoçantes, são aditivos alimentares com o potencial de conceder aos preparos doçura em nível superior à sacarose (1). 

São utilizados para a substituição, total ou parcial do açúcar, em produtos comercialmente rotulados como diet ou zero, e precisam estar indicados nos ingredientes. Também são vendidos de forma isolada para a adição no momento do consumo, em bebidas, por exemplo. 

Os liberados para o uso no Brasil são: acessulfame de potássio, aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose, taumatina, glicosídeos de esteviol, neotame, maltitol, sorbitol, manitol, isomaltitol, lactitol, eritritol e xilitol. 

fonte: https://www.bmj.com/content/364/bmj.k4718

Em algumas condições crônicas de saúde, como diabetes, uma das orientações dietéticas é a ingestão controlada de açúcares. Dessa forma, a substituição por edulcorantes geralmente é indicada.

O uso também passou a ser realizado visando a perda de peso. O que os estudos dizem sobre isso? Hoje analisaremos um artigo de revisão sistemática sobre o tema. 

Introdução

O consumo diário de açúcares adicionados deveria permanecer entre 5 a 10% da ingestão calórica total. Em muitos países as estatísticas indicam que esse número é significativamente superior. 

Muitos produtos contam com a adição de adoçantes não calóricos (edulcorantes) visando a redução do teor de açúcares e atender aos indivíduos que seguem dietas restritas. 

Pouco ainda é conhecido sobre o uso dessas substâncias no longo prazo, mas há estudos que apontam possíveis riscos para a sensibilidade do paladar ao gosto doce e para a percepção de fome e saciedade. Nesse caso, se comprovados, não seria uma estratégia tão efetiva assim. 

Resultados e Discussão

Os edulcorantes que possuem rápida absorção na parte inicial do trato gastrointestinal, como aspartame e acessulfame de potássio, apresentam menor estímulo aos receptores para o gosto doce; ou seja, há menor percepção dessa substância. 

Em quadros de obesidade, estudos indicam que há menor sensibilidade ao gosto doce e alterações nos receptores de dopamina. Essa é uma questão importante, pois o nível de satisfação ao comer pode ser percebido como inferior, ainda mais se adoçado com edulcorantes, podendo levar alguns ao maior consumo de alimentos. 

Quando a substituição visa reduzir a ingestão calórica, o uso de edulcorantes apresenta válida aplicação, mas há muitas dúvidas sobre os possíveis efeitos fisiológicos causados no longo prazo. 

Apesar de os estudos analisados não concluírem que tal substituição gera compensações ou um maior desejo por alimentos doces, a realidade pode se apresentar diferente.

Pois, em um ambiente não controlado há diversos fatores que interferem no consumo alimentar. Por isso, ressalta-se a importância da consciência e educação alimentar e nutricional para o melhor controle do consumo de açúcares.

Conclusão

Até então, com base nos estudos avaliados, a substituição de sacarose (açúcar) por edulcorantes aparenta ser segura, no curto prazo, e pode ser indicada em intervenções que visam a perda de peso corporal, por gerar redução no consumo calórico total. 

No entanto, ainda não há consenso de que o uso dessas substâncias geram maior desejo por comida, alterações no sistema de recompensa e no apetite; apesar de essas serem hipóteses amplamente divulgadas. 

É sugerido que mais estudos sejam conduzidos para clarificar tais questões, principalmente sobre o uso no longo prazo e os efeitos para o controle do peso corporal, redução de sensibilidade ao gosto doce, alterações no sistema de recompensa e no apetite; hipóteses amplamente divulgadas. 

Confira o artigo na íntegra clicando aqui

Até mais!  

Atualidades

Artigo Científico: Doenças Reumáticas e Vegetarianismo

Doenças reumáticas são condições crônicas de saúde que também merecem atenção quanto à alimentação. Podemos citar lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia como exemplos. No entanto, há estratégias específicas para esses casos?

No ano passado trouxemos ao blog uma revisão sistemática que avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia. Em nosso próprio texto ressaltamos as limitações do estudo analisado e como ainda faltam informações sólidas sobre a temática. 

Pensando nisso, hoje analisaremos um novo estudo, também de revisão sistemática, sobre a aplicabilidade de dietas vegetarianas e veganas em quadros de fibromialgia.

Introdução

O tratamento para a fibromialgia visa reduzir os sintomas que impactam na qualidade de vida. Há aplicação de intervenções não apenas farmacológicas, mas também de estilo de vida, como na alimentação. No entanto, até então, nenhuma dietoterapia específica tem apresentado sucesso no tratamento dos sintomas. 

A alimentação como tratamento complementar tem sido uma estratégia pesquisada nos últimos anos. Há estudos que indicam possíveis benefícios ao seguir uma alimentação baseada em vegetais devido ao perfil de nutrientes dessas dietas. 

Resultados e Discussão

Entre os estudos encontrados, apenas seis foram analisados para essa revisão sistemática (quatro ensaios clínicos, sendo um randomizado e dois de coorte).

O método de intervenção não foi homogêneo entre os estudos. Em três deles a dieta não era apenas vegana, mas também majoritariamente crua; em dois havia uma dieta vegetariana; e em outro, além da estratégia “plant-based”, também havia a de jejum. 

Em geral, os benefícios de maior relevância encontrados foram em:

  • Melhora nos parâmetros bioquímicos (colesterol total, peroxidase e fibrinogênio);
  • Redução de dor muscular e articular;
  • Melhora na qualidade do sono.

O tempo de intervenção nos estudos variou entre três semanas e três meses, em todos houve aderência na intervenção dietética proposta. Em hipótese sobre os benefícios encontrados, os autores indicaram o crédito ao perfil nutricional das dietas em questão. 

Todas, em comparação com as dietas onívoras, eram mais ricas em frutas, vegetais, cereais integrais, castanhas e sementes. Assim, havia um maior consumo de vitaminas, minerais, fibras e fitonutrientes, responsáveis por um perfil dietético mais antioxidante. 

Conclusão

Apesar dos benefícios encontrados, não há indicação de uma intervenção dietética de forma isolada como tratamento para fibromialgia. 

As mudanças na alimentação podem ser propostas em sintonia com outros tratamentos multidisciplinares para uma melhora na qualidade de vida do paciente. 

Também deve ser considerado que, ao finalizar o período de intervenção, alguns estudos demonstraram um retorno dos sintomas antes amenizados. Por isso, a aderência do paciente deve ser considerada. 

Os resultados e conclusões em questão devem ser considerados com cautela devido à quantidade limitada de publicações relevantes sobre o tema. Sendo assim, novos estudos com maior robustez metodológica precisam ser realizados.

Acesse o artigo na íntegra clicando aqui. 

Até mais!  

Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades, Estudante de Nutrição

Rotina de estudos do nutricionista

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Desde criança eu sempre fui daquelas estudantes dedicadas, sabe? Acredito que por essa razão me acostumei com uma certa rotina na vida acadêmica. Foram vinte anos com calendário letivo, horário para estudar e claro dor de cabeça nos projetos em grupo (risos).

Faz dois meses que me tornei oficialmente nutricionista, desde então tenho aprendido como é a vida de estudos após formada. Não sei como foi, ou será, para você… por aqui senti aquele alívio de não ter mais datas para entregar relatórios, trabalhos, ou o TCC. Não demorou muito para que caísse a ficha: quem teria que colocar esses prazos era eu!

Como tudo, há sempre dois lados. Tentei ver o positivo – posso me dedicar ao que faz sentido para a área que escolhi e organizar a própria rotina. Só que naturalmente vem uma insegurança de não saber o suficiente, ou a cobrança de precisar saber mais. Seria esse o lado negativo? Me acompanhe em um outro ponto de vista:

Recentemente eu li um livro que trouxe a seguinte frase: 

“Quanto menos sabemos um assunto, menos somos capazes de avaliar o tamanho da nossa ignorância e achamos que sabemos mais do que outros. A melhor maneira de enfrentar isso é estudando. Quanto mais estudamos, mais ficamos inseguros, pois passamos a saber o abismo do nosso conhecimento real”. O lado bom do lado ruim

Apesar do que muitos dizem, a insegurança não precisa ser algo ruim. Ela demonstra nossas limitações e como podemos aprimorá-las. Claro, não precisamos saber sobre tudo, cada um possui sua especialização e área de atuação. Além disso, esse sentimento de preciso saber mais é inclusive positivo – “quem acha que sabe tudo, nada sabe”. 

E pra terminar, um recado: a vida de estudos após formados não acaba! Seja com as diversas especializações que muitos escolhem fazer no decorrer da carreira, ou no dia a dia mesmo, com cada paciente/cliente que atendemos e suas singularidades clínicas que merecem tanta atenção!

Sabendo como tudo pode ser complexo trago aqui 4 sugestões que podem deixar a sua rotina de estudos mais completa:

1. Cronograma: já pensou em colocar na sua agenda horários para estudar, ler artigos e se atualizar? Se você ainda não tem esse hábito, comece aos poucos, 1h por semana! 

2. Software: grande parte da sua rotina é destinada ao planejamento alimentar dos pacientes/clientes? Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o Allivici! Assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar!

3. Trocar experiências: ter apoio de colegas de profissão e dividir condutas é uma ótima ideia, principalmente se você está no começo na carreira, ou em transição para o atendimento clínico. Já pensou nisso?

4. Apoio científico: se manter atualizado por artigos e diretrizes é um caminho, mas também podemos contar com bons livros! Deixo aqui três que uso em minha prática clínica: 

Até mais! 

Atualidades

Como a pandemia tem afetado a qualidade do sono?

Hoje, 19/03 é o Dia Mundial do Sono! Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico recém publicado sobre uma realidade que ainda estamos vivendo: a pandemia do novo coronavírus. Entre tantos impactos que a mesma gerou, sabia que o nosso sono também foi afetado?

Uma revisão sistemática e meta-análise (JAHRAMI et al., 2021) avaliou justamente isso, o impacto da pandemia na prevalência de distúrbios do sono na população em geral, profissionais da saúde e pacientes com COVID-19.

Introdução

Doenças infecciosas, como a COVID-19, estão associadas com diversos sintomas, como maior estresse psicológico e menor qualidade de sono. Uma boa qualidade de sono é essencial para saúde física e mental, além de auxiliar na regulação da resposta imunológica. Descobertas sobre como a pandemia causada pelo SARS-Cov-2 impactou a qualidade do sono podem ser úteis para desenvolver intervenções que reduzam esses problemas.

Métodos

Uma revisão sistemática e meta-análise foi realizada sobre sono e COVID-19 em toda literatura disponível, os critérios de inclusão foram: intervalo definido de publicação, artigos originais, estudos que relataram dados numéricos para problemas de sono. A qualidade dos artigos encontrados foi avaliada pela escala Newcastle-Ottawa. A análise foi de 44 estudos publicados após março de 2020, os quais incluiram 54.231 mil participantes de 13 países.

Resultados e discussão

A meta-análise da prevalência de problemas de sono indicou uma taxa de 35,7%, referente a todas as populações dos estudos. A população geral e os profissionais de saúde demonstraram taxas próximas, com 36,0% para o primeiro grupo e 32,3% para o segundo, respectivamente. Pacientes com COVID-19 foram os mais afetados, com uma prevalência de 74,8%.

Em comparação com outras meta-análises, as quais avaliaram a prevalência de estresse, ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19, a porcentagem encontrada de problemas de sono é similar a todas as outras.

Era esperado que pacientes com COVID-19 apresentassem maior distúrbios do sono, devido aos sintomas como tosse, febre e dificuldade em respirar, os quais podem atrapalhar o sono. No entanto, essa sobreposição das taxas e similaridade entre resultados apontam para possíveis associações entre comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono; como a possibilidade de maior estresse e ansiedade entre pacientes com COVID-19.

Uma das limitações do estudo deve ser destacada, a investigação não considerou fatores como: atividade física, fumo e uso de substâncias, estresse pós-traumático ou fatores de confusão social, como mudança de estado civil ou emprego; os quais poderiam ser relevantes.

Conclusão

Problemas de sono durante a pandemia da COVID-19 afetou aproximadamente 40% da população estudada. O grupo que apresentou maiores taxas de prevalência para problemas do sono foram pacientes com COVID-19. É necessário que outros estudos sejam conduzidos, principalmente longitudinais, para determinar o impacto da COVID-19 no sono. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!