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Explicando: Fome e Saciedade

Em nossos textos sobre estratégias nutricionais há muito conteúdo técnico disponível para auxiliar o nutricionista, tanto para a prescrição, quanto para abordagem de tópicos na clínica.

Muitas vezes, por conta da linguagem técnica, que é tão natural aos profissionais, muitos temas não ficam claros para os pacientes.

Um deles é como ter uma melhor percepção dos sinais de fome e saciedade, que é essencial para que este entenda melhor sobre os seus limites e tenha mais autonomia alimentar.

A questão é: como explicar?

Apesar de essa ser uma orientação mais presente em condutas focadas no comportamento alimentar, pode ser aplicada por todos os nutricionistas, mesmo que o paciente siga uma prescrição dietética quantitativa.

A ingestão alimentar é instintivamente orientada e regulada por fatores homeostáticos, hedônicos e cognitivos, os quais interagem entre si. A prescrição nutricional vai de encontro com as necessidades fisiológicas estimadas do paciente.  

A fome pode ser explicada a partir de uma gradação, aumentando progressivamente. Cada um irá percebê-la de forma diferente, mas alguns sinais são comuns para a maioria das pessoas. Incentive o paciente a observar: 

  • fisiológicos: boca amargar, barriga roncar, dor de cabeça, irritação;
  • cognitivos: pensamentos voltados para a comida, memórias alimentares;
  • sensoriais: olfato aguçado, aumento da salivação, alterações neuroendócrinas diante da presença do alimento.

O que chamamos, comumente, de saciedade pode ter diferentes significados para quem escuta. Também acontece em etapas. Por isso, é importante diferenciarmos alguns termos técnicos para então abordar esse assunto com o paciente:

  • saciação: associada a distensão estomacal devido o consumo alimentar;
  • saciedade: associada a liberação de leptina e absorção de nutrientes;
  • satisfação: associada com a liberação de dopamina, sensibilidade à recompensa, desejo de comer, nível inicial de fome e reconhecimento dos aspectos sensoriais da refeição. 

Por isso, quando o paciente se diz “satisfeito” com certa refeição, do que exatamente ele está falando? É importante que o nutricionista tenha esse olhar (ou melhor, uma escuta ativa), podendo então realizar melhores prescrições e orientações nutricionais! 

Como sugestão, para consulta e estudos, alguns artigos que falam sobre os aspectos metabólicos e neuroendócrinos da fome e saciedade: 

Sobre a fome, saciedade e sistema de recompensa (Front. Endocrinol., 2017)

Neurobiologia e consumo alimentar na saúde e doença (Nature Reviews, 2014) 

Mecanismos fisiológicos do prazer em comer (Flavour, 2015)

Até mais!

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