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Artigo Científico: Nutrição e Saúde da Mulher

Durante o mês de março, muitos temas relacionados à vida e saúde da mulher tiveram protagonismo. Na nutrição não foi diferente! Inclusive, sabia que há uma área de estudo especializada em saúde da mulher?

É importante ressaltar que, no contexto a seguir, o termo mulher será utilizado a partir de uma diferenciação biológica utilizada nos artigos, a qual é baseada na presença do útero e hormônios classificados como femininos. 

Na prática clínica, outros fatores também precisam ser considerados para auxiliar no acompanhamento de pessoas trans. Encontre mais informações neste livro

Como muito foi visto sobre o tema, abordaremos alguns pontos apresentados em um estudo recente sobre a associação entre dieta e a saúde da mulher:

  • Desordens ginecológicas são condições dependentes de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais. Sendo assim, o consumo nutricional possui apenas uma fração de impacto. 
  • Mesmo que o estudo apresentado tenha sido publicado em uma revista relevante, a metodologia apresentada é frágil, por isso, os resultados precisam ser avaliados cuidadosamente.

Mioma: Há possível proteção com o consumo regular de frutas e vegetais, devido à ação regulatória de micronutrientes, como a vitamina D e epigalocatequina-3-galato (composto flavonoide do chá verde). A carne vermelha pode impactar de forma negativa, assim como o consumo diário de álcool (cerveja).

Endometriose: A suplementação de vitamina C e E apresentou possível impacto na regulação de marcadores de estresse oxidativo. Mulheres com endometriose apresentaram menores níveis séricos de vitamina D. Em um estudo de coorte americano, o risco foi maior com o consumo de ácidos graxos trans; e menor quando associado ao consumo de ácidos graxos de cadeia longa ômega 3.

Síndrome do ovário policístico: Há maior risco das mulheres também apresentar resistência à insulina (80% dos casos), dislipidemia, hipertensão e outras condições metabólicas disfuncionais. 

O tratamento, em geral, foca na perda de peso, visando uma melhora das comorbidades associadas ao acúmulo de gordura excessivo. Suplementar coenzima Q10 e vitamina E pode apresentar benefícios, assim como vitamina D

Não há consenso de que uma dieta específica seja mais adequada para o tratamento. Já uma mudança na distribuição calórica, nesse estudo, resultou em diferença nos níveis de testosterona, glicose e insulina no grupo que consumia mais calorias no desjejum.

Câncer:

Conclusão: 

A relação entre a alimentação e as desordens ginecológicas ainda permanecem obscuras, para maior concretude são necessários estudos randomizados e também prospectivos. 

A potencial influência da alimentação ocorre pelo consumo de determinados nutrientes, os quais podem impactar as funções homeostáticas associadas à fisiopatologia dessas doenças.

Confira o artigo na íntegra aqui

Atualidades

Cuidado Nutricional: Doenças Digestivas

As doenças digestivas possuem participação genética em sua etiologia, mas são muito influenciadas por hábitos, fatores ambientais e comportamentais. Sendo assim, a alimentação também exerce importante papel na prevenção e tratamento das doenças digestivas.

A atuação de um nutricionista é de extrema relevância, principalmente diante de outros fatores de risco e no caso da presença de intolerâncias e alergias alimentares. De fato, a saúde da microbiota intestinal é uma temática muito discutida nos últimos anos.

Por isso, trouxemos pontos importantes de um artigo científico sobre o papel da nutrição na composição da microbiota intestinal:

  • O ser humano é formado por mais células microbianas do que humanas. Esse completo sistema está associado aos sistemas metabólicos, hormonais, neurológicos e imunológicos – regulando assim processos fisiológicos. 
  • Mudanças na composição da microbiota intestinal, as quais podem ser causadas pela alimentação, resultam em diversas consequências para o hospedeiro. 
  • A revisão incluiu 38 estudos sobre os nutrientes que impactam a microbiota intestinal realizados entre 2010 e 2018, conduzidos em humanos, todos adultos e saudáveis. Os resultados foram segmentados em: consumo calórico, macro e micronutrientes, além de alimentos e nutrientes específicos. 

Calorias

O excesso calórico entre refeições com a mesma composição nutricional resultou em alterações na diversidade da microbiota, reduzindo Bacteroidetes e aumentando Firmicutes; não sendo um fator preditivo de forma isolada, mas que pode levar a impactos negativos a longo prazo. 

Carboidratos

O tipo, quantidade e composição pode influenciar na diversidade microbiana. Um consumo alimentar rico em fibras é mais benéfico, pois carboidratos não digeríveis funcionam como substrato energético para a microbiota.

Gordura e Proteína

Uma dieta onívora rica em gordura e proteína, porém baixa em fibras, pode afetar negativamente a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. Principalmente pela possibilidade de maior formação de N-óxido de trimetilamina (TMAO).

Micronutrientes

Um estado de disbiose pode comprometer a absorção de diversos micronutrientes. Há também uma relação bidirecional, a microbiota intestinal utiliza e produz nutrientes, por isso o equilíbrio da mesma é essencial para a saúde.

Vinho, frutas vermelhas, cacau e chá

Esses alimentos possuem compostos com potencial benefício, como: antocianinas (vinho), elagitaninos (frutas vermelhas), flavonóides (cacau), catequinas e ácido gálico (chá). Ainda não há consenso sobre a definição de “microbiota saudável”

Conclusão: o consumo dietético, principalmente de fibras, afeta a composição da microbiota intestinal e que pesquisas mais aprofundadas são necessárias, principalmente com maior ênfase na metabolômica da microbiota intestinal. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

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A linguagem importa: uma abordagem diante das condições crônicas de saúde

Cada vez mais, a função da comunicação e a seriedade da linguagem vêm sendo destacadas. Livros como “Comunicação não-violenta” e “Comunicação Assertiva” se tornaram guias para muitos profissionais, ainda mais os atuantes na área da saúde. 

Comunicação não é apenas sobre palavras, a entonação, os olhares e a gesticulação falam muito por si só. No entanto, mesmo que uma mudança global de comportamento seja necessária, um bom começo pode ser a partir da porta de entrada em um diálogo: as palavras (Jacquelin et al, 2021).

Na área da saúde, mudanças vêm sendo propostas visando melhorar a relação entre o profissional e a pessoa atendida, transmitindo maior acolhimento, vínculo e cuidado. Um documento recente, elaborado por especialistas, abordou sobre o quanto a linguagem importa. 

Confira algumas recomendações apresentadas: 

  • Usar o termo condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) ao invés de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs);
  • Manejo, gerenciamento ou cuidado são termos mais adequados do que “controle”, para quadros estáveis da glicemia ou colesterol, por exemplo;
  • Doente ou enfermo são palavras associadas à hospitalização em cuidado passivo. Falar “pessoa com/que tem” diz de alguém ativo em seu autocuidado; 
  • Seguindo esse rumo, dizer “ansioso, diabético ou obeso” não seria adequado. Podendo ser dito “pessoa com” transtorno de ansiedade, diabetes ou obesidade; 

Os especialistas ressaltam que não há imposição nas formas de tratamento propostas, apenas orientações de como aderir a uma linguagem mais neutra para tratar quem vive com condições crônicas de saúde. 

Se referir a alguém a partir do seu quadro de saúde reduz a existência desse a tal condição. Essa publicação também falou sobre a importância da linguagem, representatividade e educação em saúde. 

Inclusive, pontuar a importância desse assunto se faz ainda mais necessário no Dia Mundial da Obesidade (04/03). Por ser uma condição de saúde carregada de muito estigma, a abordagem pode interferir no desenvolvimento e tratamento da obesidade.

Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Acesse ao documento “Linguagem Importa” aqui

Até mais!

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Há relação entre alimentação, depressão e ansiedade?

O padrão alimentar e estado nutricional de um indivíduo pode exercer impacto em diversas condições de saúde. Novos estudos sugerem que a dieta pode exercer um papel na prevenção e tratamento da depressão e ansiedade

Buscando trazer maior esclarecimento entre a possível associação, trouxemos a adaptação e tradução de um artigo recente sobre o tema. Afinal, estratégias nutricionais podem prevenir, recuperar ou auxiliar no tratamento de tais condições?

Alimentação e saúde mental

O consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. Alguns nutrientes já demonstraram isso, como: 

  • Os aminoácidos triptofano, tirosina, histidina, fenilalanina, ácido glutâmico;
  • As vitaminas ácido fólico, colina, piridoxina, cobalamina;
  • Os minerais selênio, magnésio, zinco;
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3.

Esses, desenvolvem papéis importantes da produção de neurotransmissores que estão associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Desordens depressivas e de ansiedade não possuem uma única causa, sendo difícil que um fator isolado possa estabelecer causalidade direta. Porém, há alguns pontos e associações importantes a serem destacados: 

Nutrição e depressão

  • Priorizar um padrão alimentar com consumo regular de vegetais, frutas, oleaginosas, óleo de oliva, cereais integrais e fontes protéicas com baixo teor de gordura; e com limitado consumo de doces, bebidas açucaradas e açúcar de adição. 
  • Atentar para o consumo das vitaminas B6, B12, B9 e D. Apesar de apresentarem um papel essencial no sistema neuroendócrino, não há recomendação de suplementação para a prevenção ou tratamento da depressão.
  • Adultos com depressão apresentam maior deficiência de magnésio e zinco. Não há evidências que demonstrem benefícios na suplementação de magnésio. Efeitos favoráveis foram observados em meta-análise para o uso de zinco (25 mg/dia por 6 a 12 semanas) como terapia adjunta ao antidepressivo.
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 foram associados a uma melhora no tratamento da depressão, podendo ser utilizado de forma associada à medicação (~1.5-1.8g/d). Porém, não há indicação de suplementação visando a prevenção.
  • Não há evidências que a composição de macronutrientes da dieta pode interferir nos sintomas depressivos, mas, dietas que estimulam a perda de peso apresentaram possível aumento da recorrência dos mesmos. 
  • Não há consenso quanto ao consumo de carnes, embutidos ou leite e derivados com o risco, ou aumento, de sintomas depressivos. 

Nutrição e ansiedade 

  • Atenção para o consumo de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e vitamina C. Esses nutrientes atuam na regulação do metabolismo de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e norepinefrina. 
  • Não há consenso que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 apresentam benefícios para os sintomas de ansiedade.
  • Nas revisões sistemáticas avaliadas, apenas dois estudos indicaram melhoras da intervenção dietética nos sintomas ansiosos; mas, não apresentaram uma metodologia sólida que pudesse indicar uma associação direta.

Conclusão 

relação entre consumo alimentar e o desenvolvimento de depressão e ansiedade, pois a deficiência dos nutrientes citados como essenciais pode ser mais um fator de risco, entre tantos outros em tais condições multifatoriais. 

Uma possível relação bidirecional deve ser considerada, pois uma dieta pobre em tais nutrientes pode ser tanto causa como consequência de alterações na saúde e comportamento. Assim, estabelecer uma relação temporal pode ser complexo. 

Há indicação direta na manutenção de um padrão alimentar que oferece nutrientes importantes para o funcionamento neuroendócrino, no entanto, outros estudos são necessários para esclarecer o uso suplementar de nutrientes específicos. 

Confira o artigo na íntegra aqui !

Até mais!

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Orientações para a época de recesso

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Em época de feriados e celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação: 

“Quanto pode comer? O que tem menos calorias?

E as bebidas, tá ou não liberado? Mas, nem no carnaval?”

Como na nutrição costumamos dizer, depende. Cada caso é um caso. Há quem não celebre esses momentos com festas, mas com muito descanso. Por isso que, para cada um, uma orientação diferente será dada. 

Mas, para todos, é importante lembrar que a comida não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar. A questão é conseguir desfrutar desses momentos, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida.

Conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada pode ser um bom caminho, seguem três:

  • Antes do recesso: é importante saber quais são os planos do paciente para o recesso, podendo assim conceder orientações de acordo com a provável realidade. Por exemplo, orientações diferentes serão dadas se o mesmo for ficar em casa, visitar familiares, ou se hospedar em um hotel;
  • Durante o recesso: entendendo como esse período será passado, orientações mais específicas podem ser dadas. Uma meta de consumo de água, ou uma lista de compras de alimentos saudáveis e de fácil conservação podem ser trabalhadas, por exemplo; 
  • Após o recesso: incentivar restrições alimentares após esse período pode ser um caminho complicado. Mesmo que tenham ocorrido exageros, reconhecer o que aconteceu para que em uma próxima vez um melhor planejamento possa ser proposto é uma boa alternativa. 

Manter o foco no longo prazo é sempre importante, pois proporciona ao paciente mais consciência de que grandes mudanças, sejam elas positivas ou negativas, dificilmente vão ocorrer de uma semana para outra. 

Assim, pode haver maior motivação, tanto para aproveitar os momentos sem ultrapassar os próprios limites, quanto para voltar de um recesso sabendo que pela frente sempre haverá caminho para o progresso.

Até mais! 

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Cuidado Nutricional: Vegetarianismo

Vegetariano é toda pessoa que não possui como parte de sua alimentação carne, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

Já o veganismo é uma forma de vegetarianismo, mas busca também a exclusão da compra e consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados, independente de ser um alimento.

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a sua redução. 

As razões para a adesão desse estilo de vida são diversas, mas em geral, focam em questões éticas, sociais, de saúde e preservação do meio ambiente. 

https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/mercado-vegetariano

Independente da escolha, ou de seus motivos, quando a alimentação é bem orientada poder ser sim adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há estratégias nutricionais que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Já falamos sobre algumas – confira aqui

É importante que o nutricionista entenda as razões de adesão dos seus pacientes, para então poder adequar as orientações prescritas de acordo com as prioridades de cada um. Além disso, também é essencial se manter sempre atualizado.

Alguns destaques de um estudo realizado em 2021 sobre o tema:

  • quanto maior a adesão ao vegetarianismo, menor é o impacto ambiental gerado, devido a redução estimada da emissão de carbono em 35%, do uso de terras para plantio em 42%, e o uso de água potável em 28%;
  • seguir uma dieta vegetariana promove benefícios ao sistema cardiovascular, controle glicêmico e um maior consumo de fitonutrientes. Não há contraindicação para gestantes, lactantes, crianças, idosos ou atletas;
  • há aspectos nutricionais que merecem mais atenção, como: o consumo de cálcio e a interação com o oxalato, a absorção adequada de ferro e zinco, a suplementação de vitamina B12 e vitamina D, a quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) presente na dieta e a ingestão de EPA e DHA.

Acesse o estudo na integra, clique aqui !

Até mais!

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Nutrição, Saúde Mental e Janeiro Branco

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Ao começar mais um ano, muitos refletem sobre o seu papel profissional na nutrição, traçando novas metas profissionais e buscando aprimoramentos. Também há um incentivo coletivo para que todos pensem mais sobre a própria saúde, não só física, como também mental. 

O objetivo da campanha ‘Janeiro Branco’ é justamente levar a atenção das pessoas para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional. 

Há maior prioridade no autocuidado quando cuidar do outro é uma atividade desenvolvida em nível profissional, como é o caso do nutricionista. Por isso, é preciso saber a hora de buscar ajuda. Ela pode ser encontrada em outro nutricionista, na terapia individual ou em supervisão profissional. 

É importante que aquele que trabalha com o cuidado esteja 100% presente, escutando, entendendo, analisando. Mas, e nas outras horas do seu dia? Você consegue cuidar de si? Quem cuida de você?

Então, como cuidar mais de si?

  • Entender que ninguém muda ninguém: o profissional nutricionista é um facilitador de mudanças. Se posicionar como inteiramente responsável pela mudança do outro não só reduz a auto responsabilidade do paciente, como também reforça a errônea posição de autoridade do profissional;
  • Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: possuir uma profissão não quer dizer que você não possa ter questões nessa mesma área. Inclusive, é recomendado que busque auxílio com outro nutricionista quando encarar dificuldades na alimentação; 
  • Realizar acompanhamento psicológico: buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até o consultório, saber lidar com isso é essencial para a saúde mental; 
  • Ter apoio profissional: trabalhar com parcerias pode ser um grande incentivo, com o apoio de outros profissionais você pode desenvolver projetos, dividir espaços de trabalho, ou apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista.  

Tem uma frase que eu gosto bastante e reflete o quanto o cuidado não é de responsabilidade única daquele que cuida: “o bom médico é aquele que desperta o curador no outro”. Que possamos despertar o desejo nas pessoas de cuidarem de si! 

Para saber mais sobre “Janeiro Branco”, acesse: https://janeirobranco.com.br 🙂

Até mais!

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Vida de Nutricionista: Orientações de Fim de Ano

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Em época de celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação. Agir de forma funcional diante de uma grande quantidade e variedade de comida pode ser um caminho muito difícil para algumas pessoas.

É importante entender, para poder transmitir ao paciente, que a comida permeia muitos momentos da nossa vida, porque ela não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar! 

A questão é conseguir desfrutar desses alimentos, e do momento, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida. Acrescento que, se essa consciência não for trabalhada em outros momentos do ano, diante das festas será muito difícil de começar isso. 

Nessa época, muitos aproveitam em seu ápice, para depois retornarem ao consultório do nutricionista buscando por um “milagre”, ou prometendo que agora vão “entrar na linha”. Mas, será que conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada não seria um bom caminho?

3 orientações para dar ao seu paciente sobre as festas de fim de ano:  

  • Antes das festas: quem possui um consumo alimentar mais restrito, pode não se sentir confortável em comer fora, mesmo que em família. Converse com o seu paciente sobre isso. Se houver uma divisão do preparo de pratos entre os participantes da festa, uma sugestão é que o paciente leve um que se sinta confortável em comer e compartilhar! 
  • Durante as festas: é importante conversar sobre como o seu paciente lida com uma grande disponibilidade de alimentos. Em alguns casos, uma sugestão é que ele fique mais atento à sua fome nesses eventos, podendo se servir e sentar à mesa para comer, ao invés de ficar petiscando, por exemplo. 
  • Após as festas: incentivar restrições alimentares desnecessárias após o período de festas pode ser um caminho perigoso. A conversa sobre o que aconteceu pode acontecer com menos cobranças e mais reflexões. Houve culpa ao comer? Exageros? O que ele gostaria que tivesse acontecido?  

Dizer que “é só voltar para a dieta” pode parecer simples, mas na prática há muito mais que o nutricionista pode levar em consideração! 

Que possamos ter um ótimo natal e fim de ano! 

Até mais!

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Como ter um atendimento nutricional mais inclusivo

Amanhã (03/12) é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, sendo um lembrete de como representatividade e inclusão são palavras que precisam estar mais presentes em nosso dia a dia. 

A data visa trazer conscientização para uma realidade que atinge mais de 12 milhões de pessoas no nosso país (2), a qual ainda é muito estigmatizada e com poucas condições adequadas de acesso e representatividade.

Há diversos tipos e níveis de deficiência (visual, auditiva, intelectual, física e motora), que podem impactar na qualidade de vida e autonomia do indivíduo, inclusive na alimentação e acesso à educação nutricional. 

O atendimento para pessoas com deficiência deve ser diferenciado, de acordo com cada dificuldade, mas sempre receptivo, acolhedor e com naturalidade (3). Pensando nisso, trouxemos quatro pontos de atenção para ter um atendimento nutricional mais inclusivo:

  1. Praticar a escuta ativa: é imprescindível que escutemos o que a pessoa a nossa frente compartilha, as suas necessidades, demandas e os objetivos. Assim, evitamos realizar sugestões em desacordo com a realidade do paciente; 
  1. Atenção ao espaço e acessibilidade: é indicado optar por realizar os atendimentos em espaços com rampas, balança plataforma, sanitários com barras de apoio, portas que permitem a entrada de cadeira de rodas, entre outras adaptações; 
  1. Adaptar a avaliação física corretamente: em casos de deficiência motora e uso de cadeira de rodas, por exemplo, a aferição do peso e altura são realizadas de formas bem diferentes. Para pacientes que passaram por amputação de membros, também. Acesse o material com essas fórmulas aqui!
  1. Encaminhar para um profissional especializado: caso não se sinta seguro em acompanhar um paciente com qualquer deficiência, o que acha de encaminhá-lo para um colega de profissão mais experiente? O bem-estar do paciente deve estar em primeiro lugar.

Outras sugestões: 

Material Educativo: Alimentação Saudável para Pessoas com Deficiência Visual

Artigo Científico: Promovendo Equidade Nutricional para Pessoas com Deficiências

Até mais!

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Manejo nutricional – Cirurgia bariátrica e metabólica

O histórico da cirurgia bariátrica ainda é recente no Brasil. As primeiras cirurgias foram realizadas em 1960, no início dos anos 2000 os benefícios metabólicos da técnica passaram a ser compreendidos, e apenas em 2017 a cirurgia metabólica foi reconhecida como válida para o tratamento de diabetes mellitus (1). 

Considerando tal percurso, é importante ressaltar que ainda há muito para ser aprendido diante de todas as técnicas e novos estudos sendo descobertos.  

No entanto, com os avanços das técnicas cirúrgicas, se tornando mais seguras e com um pós-operatório menos indolor, muitos pacientes passaram a confiar mais no procedimento, e consequentemente houve um crescimento do número de operações. 

Por isso, o papel do nutricionista se torna essencial. Não apenas durante o pré e pós-operatório, mas também no manejo alimentar e nutricional durante toda a vida. Saiba alguns cuidados e orientações essenciais para o acompanhamento daqueles que já passaram por esse procedimento cirúrgico:

Cinco cuidados essenciais

  • Suplementação – Os suplementos que acompanham o paciente por toda a vida variam de acordo com a técnica cirúrgica adotada, mas alguns nutrientes sempre merecem atenção especial, por exemplo: as vitaminas B12 (cobalamina), B9 (ácido fólico), B1 (tiamina) e lipossolúveis (A, D, E, K); e os minerais, cálcio, ferro, zinco e selênio (2).
  • Adequação nutricional – O consumo proteico, principalmente no pós-operatório, é de extrema importância para a recuperação e manutenção da massa muscular. Nesse período e no decorrer da vida a recomendação pode variar de acordo com o peso, padrão alimentar adotado, e outras particularidades.
  • Mudanças alimentares – Diante de novas restrições e mudanças alimentares é muito importante que os pacientes se habituem a cozinhar, isso gera mais autonomia e permite que encarem a alimentação de uma forma mais positiva.
  • Acompanhar o ganho de peso – é esperado um retorno de 10% do peso atingido, mas há possibilidade desse percentual sem maior. Quando o paciente já sabe disso há um melhor alinhamento de expectativas e da aceitação corporal. O acompanhamento nutricional após a fase de recuperação visa atender às necessidades nutricionais e a manutenção do peso e composição corporal.  
  • Atenção para o comportamento – O vínculo terapêutico é muito importante para notar restrições indevidas durante e após o período de recuperação, como o medo de ganhar peso, a recidiva ou aparição de transtornos alimentares (3). Uma maior atenção deve ser concedida aos relatos de beliscar com frequência (grazing) e mastigar sem engolir os alimentos (ruminação). 

Sugiro também a leitura do seguinte artigo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33581762/ 

A cirurgia bariátrica ou metabólica, quando bem indicadas e acompanhadas por uma equipe multiprofissional, permite grande melhora para a qualidade de vida dos pacientes.

Os cuidados alimentares são imprescindíveis para toda a vida, por isso a atuação do nutricionista é muito importante e deve ser reforçada por outros profissionais da saúde da equipe. 

Até mais!

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Representação social da doença e adesão do paciente ao tratamento

A forma com que muitas condições de saúde são encaradas e vividas pode influenciar na adesão do indivíduo ao tratamento, assim como nos desfechos clínicos (1). Esse conceito, ou seja, como encaramos a própria realidade, pode ser chamado de representação social (common sense model). 

É importante ressaltar que tal representação pode ser determinada por diversos fatores

  • como o quadro clínico foi apresentado ao paciente;
  • história clínica familiar e de conhecidos;
  • a forma que a sociedade em que ele está inserido encara tal quadro clínico;
  • e como a doença pode afetar as interações sociais do indivíduo.  

Durante a etapa de anamnese há muito espaço para perguntas diretas, mas pouco para escutar a história de alguém. Quando o paciente conta sobre as suas queixas e dores, nunca é apenas sobre a sua doença, e sim sobre a sua vida, alterada pela doença. A forma com que ele fala de si, da sua saúde e motivação para mudar hábitos é muito importante para a conduta do nutricionista. 

É a partir da representação da própria doença que o paciente pode, ou não, tomar atitudes que visam a sua saúde (2). Precisamos entender o entendimento deles sobre o que está acontecendo, pois isso tem grande impacto no tratamento. 

Por exemplo, uma visão extremamente negativa do prognóstico pode ser desmotivante para persistir em mudanças. Já uma visão positiva e realista pode fazer com que o paciente coopere com o profissional e tenha melhor adesão ao tratamento. 

Em um estudo, focado em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2, o modelo de intervenção terapêutica foi avaliado e associado à adesão do paciente ao tratamento. Quanto mais pressionados esses se sentiam por orientações rígidas, menos eles: 

  • relataram o consumo alimentar real;
  • aderiram ao plano alimentar proposto;
  • apresentaram autocontrole associado à alimentação. 
fonte: DOI 10.1900/RDS.2006.3.11

Uma conduta terapêutica mais acolhedora, além de compreensível às demandas de saúde e sociais do paciente, promove melhor aderência ao tratamento, e consequentemente, maiores chances de resultados positivos serem colhidos (3).  

O nutricionista enfrenta diversas barreiras no manejo nutricional de doenças crônicas, como a educação alimentar, desconstrução de desinformações, e incentivar uma constante auto observação por parte do paciente. Para isso, a adesão ao tratamento e às orientações é essencial! 

Deixo também um artigo de sugestão para leitura, sobre como as normas do senso comum e o ambiente social podem impactar nas escolhas alimentares: https://doi.org/10.1016/j.appet.2014.10.021

Até mais! 

Atualidades

Estratégias Nutricionais: Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2).

Como no domingo (14/11) é o Dia Mundial do Diabetes, nós trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:

Estratégias Nutricionais

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais (estévia ou xilitol) a sugestão e orientação do consumo desses pode acontecer em substituição dos comumente utilizados (aspartame, sacarina, sucralose); 
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição por edulcorantes; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.

No nosso software o nutricionista consegue calcular cada refeição prescrita, se atentando para os macronutrientes, com a quantidade de carboidrato em cada refeição, como também aos micronutrientes!

Materiais técnicos e educativos

  • Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
  • Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net

Páginas profissionais da área

  • Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/ 

Até mais!

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Cuidado Nutricional: Psoríase

A psoríase é uma doença imunomediada, dermatológica e crônica. Pode apresentar diversas manifestações, sendo a mais comum a presença de placas ressecadas, avermelhadas e esbranquiçadas na pele (1). 

Por ser uma condição clínica crônica o nutricionista possui importante espaço de atuação terapêutica. Quais estratégias nutricionais podem ser aplicadas no tratamento complementar?

  • O consumo regular de certos nutrientes podem exercer efeitos:
    • regulatórios – ácido graxo ômega 3, vitamina D e B12, fibras dietéticas, ácidos graxos de cadeia curta, genisteína, selênio e probióticos;
    • agravantes – ácidos graxos saturados, carne vermelha, açúcar e álcool (2). 
  • Indivíduos com psoríase, em geral, não seguem uma dieta específica, mas o padrão alimentar adotado influencia no consumo de nutrientes. Nutrientes com potencial antioxidante (vitaminas, minerais, ácidos graxos poli e monoinsaturados) podem contribuir para a redução do nível de inflamação sistêmico (3);
  • A disbiose da microbiota intestinal pode agravar o quadro clínico. Há alteração na integridade de estruturas importantes na mucosa intestinal (tight junctions) com a ativação de fatores pró-inflamatórios. Por isso, estratégias nutricionais baseadas em um padrão alimentar que promova equilíbrio da microbiota podem ser favoráveis (4);

Além disso, por ser uma doença que pode ter a sintomatologia estimulada por múltiplas condições, fatores ambientais e de estilo de vida merecem atenção, a alimentação é um exemplo (5). 

fonte: https://doi.org/10.1016/j.clnu.2019.05.006

Muitos portadores de psoríase apresentam outras doenças inflamatórias, ou mesmo metabólicas. As intervenções devem considerar o contexto clínico, não devendo ser indicadas de forma isolada, e sim como tratamento complementar. Por isso, precisam estar alinhadas com a conduta médica vigente, contribuindo assim para a melhora da saúde do paciente! 

Inclusive, já trouxemos aqui no blog do Allivici uma adaptação e tradução de artigo sobre intervenções dietéticas no manejo da psoríase. Leia na íntegra acessando aqui

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Nutrição, Osteoporose e Saúde da Mulher

Ontem foi o Dia Mundial e Nacional de Combate a Osteoporose (20/10), data que visa promover maior conscientização sobre o diagnóstico, tratamento e também prevenção.  

Há diversos fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento de osteoporose e fratura óssea, como o histórico familiar, idade superior aos 60 anos, falta de exposição solar, diabetes e outras condições clínicas. 

No caso da saúde da mulher há particularidades que aumentam ainda mais esse risco, como alterações hormonais no período da menopausa. Tanto a prática da atividade física regular quanto a adesão à alimentação adequada são fatores preventivos. (1)

É atribuição do nutricionista realizar ajustes no consumo alimentar, o adequando de forma preventiva para condições clínicas, como a osteoporose. Além da intervenção dietética, novos suplementos e outras alternativas têm surgido nos últimos anos. 

Hoje trouxemos a adaptação e tradução de uma meta-análise sobre o possível efeito terapêutico de probióticos na densidade óssea em mulheres pós-menopausa. 

Introdução

Osteoporose e fraturas ósseas acontecem com maior frequência em mulheres pós-menopausa, principalmente pelo declínio natural de estrogênio, impactando na massa mineral óssea. Buscando alternativas terapêuticas o uso de probióticos tem sido estudado. Essa revisão sistemática e meta-análise buscou avaliar os atuais resultados dessa intervenção.

Metodologia

O protocolo PRIMA foi utilizado para a análise em questão, apenas estudos com controle randomizado e estudos de coorte foram incluídos.

Resultados e Discussão

Um total de 604 artigos foram identificados, 547 não preenchiam os critérios de inclusão e apenas cinco foram selecionados; a amostra correspondeu a um total de 497 mulheres pós-menopausa. 

Os resultados apontam que o uso de probióticos de forma suplementada diariamente, de 24 semanas a 12 meses, pode reduzir a perda de massa óssea, quando essa intervenção é comparada com placebo. 

Alterações na microbiota intestinal promovem mudanças na expressão de mediadores inflamatórios, podendo impactar o hospedeiro de diversas formas, como na saúde óssea. Osteoblastos e osteoclastos podem ter seu funcionamento alterado por exemplo, dessa forma, probióticos podem exercer um papel regulatório

Conclusão 

A suplementação de probióticos foi associada com a preservação de massa óssea. Futuros estudos são necessários para avaliar essa indicação terapêutica, considerando as limitações atuais sobre a temática, como o reduzido número de estudos avaliados. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Alimentação

No último ano a fome no Brasil foi uma temática muito mais presente em debates informais entre a população. Com a pandemia do novo coronavírus e o aumento do desemprego, assim como dos preços, muitos sofreram com a insegurança alimentar, até mesmo em seu nível mais intenso – a fome. 

O Dia Mundial da Alimentação (16/10) é uma data instituída em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) (1). As pautas de segurança alimentar sempre estiveram presentes na agenda da FAO, além da importância de possibilitar uma alimentação mais acessível, sustentável e saudável.

Com tudo que vivemos nos últimos dois anos, não há como deixar de se aprofundar no assunto. Para citar números, trouxemos os resultados de um inquérito realizado para avaliar a situação de insegurança alimentar no Brasil divulgados no início deste ano (2021).

fonte: http://olheparaafome.com.br

No período da pesquisa, 116,7 milhões de brasileiros não se encontravam em situação de segurança alimentar. Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome (2).

fonte: http://olheparaafome.com.br

O nutricionista é muito conhecido por propor mudanças alimentares, seja trabalhando com alimentação institucional, em hospitais ou em atendimento individual no consultório. Compreendendo que a alimentação vai além da nutrição, acreditamos que três pontos são essenciais no momento do atendimento:

  • Considerar condições de acesso e renda quando realizar uma orientação alimentar precisa ser parte da rotina clínica de todo nutricionista, uma alimentação saudável é aquela que considera muito além dos nutrientes;
  • Entender que a alimentação perpassa muitas camadas além da saúde e nutrição. Comer é um ato político, as pessoas também tem a alimentação como forma de identificação e posição da sociedade, isso deve ser considerado.
  • Atentar-se para temas como política e economia é uma forma interessante de permanecer disposto a considerar mudanças nos preços dos alimentos, por exemplo, antes de realizar uma orientação.
fonte: http://olheparaafome.com.br

Claro, há muitas outras questões que poderíamos pontuar. O quanto a realidade da fome é diferente nas regiões do Brasil é um ponto. Porém, infelizmente, precisamos nos lembrar que os desertos alimentares também estão presentes em regiões como sul/sudeste do país. Você pode encontrar mais informações sobre o Dia Mundial da Alimentação acessando o site oficial.

Até mais!

Atualidades

Nutrição sustentável e escolhas alimentares

No mês de outubro celebramos o Dia Mundial da Alimentação (16/10). Falaremos mais sobre esse tema em breve, mas desde já queremos propor uma reflexão sobre a importância de uma base alimentar sustentável.

Sustentabilidade tem sido pauta em muitas áreas, porém possui significados diferentes. Mesmo na alimentação, o termo pode ser encarado de várias formas, apontando para muitas dinâmicas.

Por isso, trouxemos alguns pontos interessantes, baseados em um recente artigo, sobre como podemos conduzir nossas escolhas alimentares para uma nutrição mais sustentável.  

O que é uma nutrição sustentável?

  • Compreende o papel da nutrição tanto na saúde humana, quanto na preservação ambiental, considerando fatores econômicos e aspectos socioculturais;
  • Prioriza um padrão de consumo que promove baixo impacto ambiental, protegendo a biodiversidade e ecossistemas, e contribuindo para segurança alimentar e nutricional. 
  • É culturalmente aceito e acessível economicamente; sendo saudável para a geração atual, assim como as futuras.
  • Considera o impacto da produção de alimentos para o meio ambiente. Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados reduz o impacto negativo na biodiversidade e promove mudanças na cadeia de produção alimentar.

Qual o impacto das experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida?

  • Desde a vivência uterina, através do líquido amniótico, a criança já é exposta a diferentes sabores. Essa experiência continua com o consumo de leite materno e as refeições complementares. A exposição à maior variedade de sabores é importante para melhor aceitação alimentar no futuro. 
  • Há predileção natural por sabores doces e salgados, com rejeição de sabores amargos. É importante que vegetais verde-escuros sejam introduzidos desde o início da alimentação, mesmo com a recusa inicial, para melhor aceitação futura.
  • As primeiras experiências sensoriais interagem de forma intensa com mudanças no aprendizado. A alimentação complementar pode ser uma janela de oportunidade para um bom desenvolvimento do comportamento alimentar.  

Como o meio, familiar e cultural, pode influenciar nas escolhas alimentares?

  • O consumo alimentar familiar reflete muito nas futuras escolhas da criança. Um modelo parental positivo é mais efetivo, para a construção de hábitos alimentares saudáveis, do que determinar dietas e controles alimentares na infância. 
  • Mudanças no padrão alimentar na vida adulta são muito mais difíceis de ocorrerem, por isso, preferências por um consumo mais saudável devem ser trabalhadas na primeira infância, protegendo a saúde desse adulto no futuro. 
  • Valores culturais demonstraram ser importantes para a inclinação de um comportamento sustentável, como o altruísmo, sensação de comunidade,  aderência a um estilo de vida mais natural, confiança e respeito por outros. Esses podem ser incentivados já na fase de introdução alimentar, podendo ser atrelados com a alimentação também. 

O consumo alimentar de frutas e vegetais, locais e sazonais, de preferência orgânicos, além de outros alimentos minimamente processados contribuem para uma nutrição sustentável. 

É importante que desde a primeira infância, ainda na introdução alimentar, a criança seja exposta a esse contexto alimentar, priorizando a variedade de aromas, sabores e texturas. 

Um modelo parental positivo é importante para a construção de hábitos alimentares saudáveis. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Nutrição, Alimentação e Saúde Cardiovascular

Na próxima quarta-feira é o Dia Mundial do Coração.

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Com o aumento da expectativa de vida é necessário mais atenção para prevenção e tratamento da doença (1).

Um estudo brasileiro estimou o risco cardiovascular em dez anos na população brasileira. Entre os homens, 21,6% apresentou risco elevado, e entre as mulheres 8,7%. O risco foi crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). 

A estratégia para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisa ser revisada no Brasil. Não apenas considerando o fator socioeconômico e cultural no planejamento de políticas públicas, mas também pela baixa adesão de medidas farmacológicas, assim como de não farmacológicas (3). 

A adesão ao tratamento é muito importante para a redução dos fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada. Ou seja, a nutrição pode ser uma das portas para promover mudanças. Por isso, é importante que o profissional se mantenha atualizado! 

O que temos de evidência sobre as estratégias nutricionais capazes de contribuir para a prevenção cardiovascular?

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4)

Essa é a base. É apoiada nela que a orientação nutricional realizada capacita o indivíduo para que, ele mesmo, realize melhores escolhas alimentares e tenha mudança em seus hábitos no longo prazo. 

Claro, outras estratégias pontuais de intervenção nutricional podem ser realizadas, como a suplementação, mas sempre baseadas na vasta literatura científica que temos à nossa disposição. 

Inclusive, anteriormente trouxemos um blog sobre o consumo de gorduras para a saúde cardiovascular. Você pode ler clicando aqui!

Até mais!

Atualidades

Nutrição e Doenças Neurodegenerativas

Na próxima terça-feira (21/09) é o Dia Mundial do Alzheimer. Cada vez mais, novos estudos têm surgido trazendo associações entre fatores dietéticos e diversas condições de saúde, como nas doenças neurodegenerativas. 

No entanto, o que de fato temos de evidência sobre esse assunto? Trouxemos a adaptação e tradução de uma revisão sistemática de meta-análises que avaliou justamente isso. 

Introdução

Doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, têm ganhado importante espaço para pesquisa e desenvolvimento de políticas públicas, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida. 

Fatores ambientais e de estilo de vida, como a alimentação, aparentam exercer um papel preventivo para tais doenças. No entanto, o nível de evidência e qualidade das mesmas ainda precisam ser esclarecidos. 

Metodologia

A presente revisão seguiu as normas PRISMA, apenas meta-análises foram incluídas.

Resultados e Discussão

Após as buscas, 320 publicações foram identificadas, mas dessas, apenas 20 foram selecionadas para compor essa revisão. Todas foram publicadas entre 2012 e 2018. 

A qualidade das intervenções realizadas foram classificadas em diferentes níveis – ‘muito baixo’, ‘baixo’, ‘moderado’ e ‘alto’. Não foram encontradas intervenções com alto nível para a qualidade de evidência. 

Você pode acessar aos resultados encontrados e a qualidade de evidência de cada um para a doença de Alzheimer clicando aqui

Associações inversas, entre Alzheimer e fatores dietéticos, foram encontradas para o consumo alimentar da Dieta Mediterrânea e de peixe; ambas com nível moderado para a qualidade de evidência. Porém, a relação dose-resposta de ambos foi identificada com qualidade de evidência de baixo nível. 

Conclusão

As associações encontradas apresentaram nível moderado de evidência, e todos os estudos apresentaram alto nível de viés, principalmente devido à heterogeneidade metodológica. 

É importante que, para melhor compreensão, mais pesquisas sejam realizadas avaliando a associação entre fatores dietéticos e o desenvolvimento e prevenção de doenças neurodegenerativas. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Setembro Amarelo – Qual o papel do nutricionista nesse cenário?

Nesse mês temos uma importante campanha que merece a atenção de todos, principalmente entre os profissionais de saúde, a do “Setembro Amarelo”. Inclusive, hoje (10/09) é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

Apenas no Brasil aproximadamente 12 mil casos de suicídio são registrados todos os anos, com quase 97% desses associados a algum transtorno psiquiátrico (1). É com o objetivo de reduzir esses números que todos precisam estar envolvidos nesse movimento. Então, qual é o papel do nutricionista nesse cenário? 

O nutricionista é um dos profissionais da saúde e com modelo terapêutico de escuta ativa, isso o possibilita a receber muitos relatos pessoais que podem indicar sinais para depressão ou comportamentos de risco para suicídio. 

Mesmo o nutricionista não sendo apto para avaliar esses casos, é importante que o mesmo esteja atento aos sinais, pois ele pode realizar o devido encaminhamento para um psicólogo

Dois estudos brasileiros apontaram maior risco para suicídio entre indivíduos com sintomas para transtornos alimentares, sendo esse agravado quando também havia sintomatologia de depressão (2,3).

Os estudos apontam correlação entre transtornos alimentares e risco para suicídio, mas ainda não há clareza sobre essa associação, ou seja, se a presença do transtorno alimentar pode ser considerado um fator de risco para suicídio (4). 

Porém, esse é um dado importante a ser considerado na conduta clínica do nutricionista, para que esse esteja mais atento aos possíveis sinais e mais preparado para realizar um encaminhamento profissional.

Sabe onde pode buscar ajuda? Você pode encontrar os canais do Centro de Valorização da Vida clicando nesse link!

No mês de junho trouxemos um blog falando sobre a importância de conhecer os sinais para transtornos alimentares, principalmente para poder realizar o devido encaminhamento profissional. Acreditamos que possa ser um assunto complementar ao de hoje, você pode ler clicando aqui!

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado nutricional em gestações gemelares

Domingo (15/08) é o Dia da Gestante, uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida.

Entendendo a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sistemática sobre a necessidade de micronutrientes em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares.

Introdução

O estado nutricional possui grande impacto para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional. Um consumo adequado de nutrientes, e manutenção sérica de marcadores importantes, reduz o risco de diversas complicações. Em casos de gestações múltiplas a demanda metabólica pode ser maior, contribuindo para o risco de deficiências nutricionais. 

Métodos

A revisão foi realizada de acordo com as normas PRISMA, todos os estudos selecionados foram realizados em humanos e publicados em plataformas científicas.

Resultados e Discussão

Os estudos selecionados incluíram um total de 830 gestantes, com 96% da amostra concebendo gêmeos. 

Avaliou-se vitamina D, ácido fólico, ferro, vitamina B12, cálcio, fósforo e vitamina C. A maioria dos estudos indicou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas. 

O presente estudo apresentou limitações, como quantidade de estudos selecionados, a falta de estudos randomizados e a divergência metodológica encontrada. 

Conclusão

Para mulheres com gestação múltipla é importante que a adequação nutricional e monitoramento seja realizado com maior cautela, visto que a necessidade metabólica pode ser maior. Há maior risco de deficiência para vitamina D e ferro. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Paternidade na educação alimentar

Domingo é o Dia dos Pais e a nossa homenagem vem em formato de reflexão sobre o papel do pai na educação alimentar! 

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

A construção de hábitos e preferências alimentares é influenciada por diversos fatores, sendo o ambiente familiar um que possui forte impacto no desenvolvimento infantil. 

A educação alimentar infantil é um assunto complexo para se falar em poucos parágrafos, como disponho aqui. Mesmo assim, proponho uma reflexão sobre as possíveis influências da figura paterna nesse campo.

Dinâmicas Familiares

Irei citar exemplos mais comuns, mas reconheço a diversidade existente nas dinâmicas familiares. É importante que o nutricionista entenda como funciona a de cada núcleo familiar atendido, para poder auxiliar no planejamento alimentar.

Ao falar do papel do pai na alimentação é importante entender que essa não é uma figura exclusiva da parte biológica. A mesma se faz presente em outros contextos, podendo ser atribuída ao outro parceiro em uma união homoafetiva, a um irmão mais velho, ao avô, ao padrasto, ou outro responsável em que a criança confie. 

Na maior parte dos núcleos familiares, as responsabilidades “da casa” recaem naturalmente sobre as mulheres, ou apenas a uma das pessoas do casal, ao invés de serem compartilhadas. O mesmo pode acontecer na alimentação infantil.

É verdade que o vínculo materno com a alimentação das crianças é muito mais intenso. Com a gestação e a amamentação elas crescem acreditando que a mãe é a única fonte de nutrição, mas a atuação paterna é essencial.

Então, qual é a participação do pai na educação alimentar infantil?

  • Ao passo que a criança cresce, é importante que o vínculo materno seja dividido entre outras pessoas, para maior autonomia infantil. Propor maior participação da figura paterna na alimentação é importante para isso;
  • Aos que moram juntos, é importante que as funções sejam divididas. A mãe pode ser auxiliada com o preparo para a amamentação, por exemplo. Quando há uso de mamadeira, ou na introdução de alimentos sólidos, o pai também deve alimentar a criança;
  • Reforce que o consumo e aceitação alimentar das crianças é muito influenciado pelo exemplo que possuem em casa, ou seja, por que a criança se sentiria disposta a consumir vegetais, se o pai – o seu exemplo, não o faz?
  • Figuras paternas muito rígidas podem criar ambientes alimentares confusos. Apesar da responsabilidade de alimentar a criança ser dos pais, ainda estamos falando de outro ser humano, com suas diferenças e preferências que devem ser respeitadas.

Para finalizar, no mês de maio trouxemos um blog sobre como ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Acreditamos que também pode ser válido aos pais que são nutricionistas. Leia clicando aqui

Até mais! 

Atualidades, Estudante de Nutrição

Vida de Nutricionista: Carta Aberta aos Estudantes

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Essa semana estava um pouco nostálgica sobre a minha época na faculdade quando parei para escrever pro Allivici. Lembrei do primeiro post que escrevi aqui (em 2019) e decidi escrever para a estudante de nutrição que fui um dia.

Eu sei que anda torcendo pra tudo acabar logo, venho lhe dizer pra aproveitar enquanto durar. Passe por cada semestre com mais calma, se possível. Ao contrário do que parece, a faculdade não é um lugar que você vai para terminar algo. 

Há muito para celebrar no “durante”, não apenas ao pegar o diploma (o qual você ainda nem foi buscar). Faça as pazes com o seu desespero todo fim de semestre, ele faz parte.

Cada um tem uma história com a nutrição, você vai comparar a sua com a de outras pessoas. Vai achar um máximo quem dizia que sempre quis ser nutricionista, enquanto nem sabia dessa profissão até uns anos atrás. Não caia nessa cilada, cada um tem a sua história. Valorize a sua. 

Você vai continuar achando que a vida é muito longa para não sermos múltiplos. Tenha os seus hobbies, uma profissão, uma carreira, seja curiosa por outras áreas e cultive vários interesses. Você não precisa ser uma só, não é, pare de tentar ser. 

Sim, a gente tem que decidir ainda muito novos sobre a nossa “carreira” como se ela fosse definida na faculdade. Na verdade, cada tijolinho dela está no que você faz no dia a dia, quem você admira, o que você escuta, quem você é

Uma carreira de sucesso é estar satisfeito com o serviço que você exerce, conectado aos seus valores e interessado em sempre aprender. 

A sua visão do nutricionista continua a mesma, ainda acredita em “oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação”, mas algumas coisas mudaram no meio do caminho. 

Você se deparou com algumas realidades da profissão. Ser nutricionista é estar disposto a nutrir, alimentar, se doar. Requer energia, flexibilidade emocional, apoio de colegas e organização financeira. 

Olhando pra trás e buscando por um conselho, talvez tenha esse: aproveite tudo como se você estivesse montando um quebra-cabeças de 1000 peças. 

Tenha sempre um olhar vigilante para as oportunidades, acredite na sua intuição, tire uma pausa se precisar, volte descansado, peça ajuda, continue, você nunca sabe quando aquela peça que faltava pode surgir!

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Doenças Tireoidianas

As doenças tireoidianas englobam um grupo de condições clínicas que atingem a tireoide, responsável pela produção de T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). 

A etiologia, os sinais e sintomas mudam de acordo com a disfunção presente, hipertireoidismo ou hipotiroidismo, e suas variações clínicas (1). 

Como em muitas condições de saúde, o tratamento das doenças tireoidianas também é multiprofissional, incluindo a importante atuação do nutricionista.

E qual o papel da nutrição e alimentação nas doenças tireoidianas?

O metabolismo da tireoide pode ser afetado pelo excesso ou falta de iodo, assim como pela deficiência de micronutrientes importantes. Para a saúde pública, intervenções como a iodação do sal visam regular exatamente isso.

No atendimento individual o nutricionista pode, entendendo qual o quadro de disfunção tireoidiana presente, avaliar quais estratégias nutricionais podem ser aplicadas para prevenção de agravamentos ou auxiliar na estabilidade do quadro clínico atual.

Estratégias nutricionais

  • Atenção aos exames laboratoriais: para o acompanhamento de disfunções tireoidianas é possível solicitar os níveis de TSH e T4 livre, lembrando que o diagnóstico é sempre médico;
  • Educação nutricional: é importante promover autonomia alimentar, principalmente em condições crônicas de saúde, assim podem realizar melhores escolhas ao entender as suas restrições;
  • Adequações dietéticas: o consumo de alguns nutrientes são essenciais para o funcionamento da tireoide e produção dos hormônios que regulam as funções tireoidianas. Atenção para:
    • Selênio – as enzimas tireoperoxidase, glutationa peroxidase e deiodinases são dependentes de selênio;
    • Ferro – mineral essencial para reações de peroxidação presentes no metabolismo dos hormônios tireoidianos;
    • Zinco e Magnésio – minerais atuantes em diversas reações enzimáticas, por isso essenciais para o metabolismo da tireóide.

Esse foi um breve resumo, esperamos que a sua conduta clínica esteja sempre baseada em evidências científicas e com apoio de outros profissionais qualificados! 

Deixamos dois consensos brasileiros sobre o tema nas referências, confira!

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SGARBI, J. A., et al. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Metab., v. 57, n.3, p. 166-183, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302013000300003
  2. MAIA, A. L., et al. Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Metab., v. 57, n.3, p. 205-232, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302013000300006 
  3. FARIAS, C. R; KNOBEL, M. in Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição: nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. Barueri: Manole, 2 ed., p. 1298-1324, 2020.
Atualidades

Nutrição, alergias alimentares e microbiota intestinal

Ontem (08/07) foi o Dia Mundial da Alergia, você sabe qual  o papel do nutricionista no tratamento das alergias alimentares? É importante mencionar que o diagnóstico para alergias, inclusive alimentares, é sempre realizado por médicos. 

O nutricionista pode:

  • orientar o consumo de alimentos seguros
  • ensinar sobre a leitura de rótulos
  • informar sobre o risco de contaminação cruzada
  • sugerir substituições e realizar adequações dietéticas 

Você já conhece o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar? Há muitas referências para você que é nutricionista poder se aprofundar no assunto! Acesse clicando aqui!

No blog de hoje também trouxemos um recente artigo científico que avaliou os mecanismos envolvidos nas alergias alimentares, os principais alimentos alergênicos, o papel da microbiota intestinal e possíveis terapias complementares. 

Introdução

Alergia alimentar é uma reação imunológica decorrente do contato ou consumo com determinado alimento. Associações entre fatores da microbiota intestinal e dietéticos têm sido descobertas em quadros de alergias alimentares. 

Entre as teorias do porquê há um crescimento para alergias alimentares, a principal é a hipótese da higiene, além disso, a recorrência observada tem sido maior para oito alimentos específicos, demonstrados na imagem abaixo. 

Os possíveis fatores que promovem ou reduzem o risco de alergias alimentares e terapias complementares foram estabelecidos para os principais alimentos alergênicos. Acesse a tabela original clicando aqui

Conclusão

Alterações na microbiota intestinal em quadros de alergia alimentar indicam possível conexão entre microbioma e resposta imunológica. Com futuros estudos, intervenções dietéticas e o uso de probióticos podem ajudar no tratamento e prevenção da doença. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Até mais! 

Atualidades

Vida de Nutricionista: Autocuidado Profissional

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

O autocuidado, processo diário de atender às suas necessidades, é essencial para o nutricionista do ponto de vista profissional para cuidar melhor do próximo.

Cuidar primeiro de si não quer dizer que você precisa estar “sem problemas” para poder lidar com o outro (seria impossível). Apenas significa que deve haver maior prioridade no autocuidado quando estamos exercendo essa posição.

Para outros profissionais, como psicólogos, essa questão é muito clara. Porém, na nutrição esse conceito sempre aparentou estar muito mais associado e restrito à estética, ou com a forma de se alimentar. É importante que o autocuidado vá muito além disso!

“o autocuidado vem primeiro”

Os que trabalham como terapeutas e cuidadores, como muitos nutricionistas, precisam estar 100% presentes em seu trabalho, escutando o outro sem comunicar muito sobre si. Mas, e nas outras horas do seu dia? Se continuar sendo esse “cuidador”, quem cuidará de você?

Tem um livro bem curtinho que se chama “Caderno de Exercícios para Cuidar de Si Mesmo”, vale muito apena adquirir, inclusive para propor exercícios aos pacientes. 

Segue a sugestão de um exercício rápido: 

  • Escreva uma coisa apreciável a respeito de si mesmo e sinta o que acontece dentro de si quando estiver lendo-a em voz alta. Como se sentiu? Poderia repetir isso diariamente?

Além disso, ser nutricionista é apenas a nossa profissão. Podemos ter dificuldades em se alimentar como gostaríamos, como um médico pode ficar doente com maior frequência do que gostaria. Somos assim, humanos.

Por isso, é preciso saber a hora de buscar ajuda. Ela pode ser encontrada com outro nutricionista, na terapia individual ou em supervisão profissional. Nem sempre podemos nos “tratar”, independente do nível de conhecimento e especialidade que temos, e tudo bem!

Lembre também que você não precisa saber de tudo, ou é responsável pela mudança do outro – o nutricionista é apenas um mediador, um facilitador! Precisamos entender que ninguém muda ninguém! 

Nosso objetivo é possibilitar que o cliente entre em contato com o seu curador interior, é ser um espelho para que ele se veja, ao invés de nos ver como modelo, querendo ser como nós (1).

Uma vez escutei uma frase que ficou muito marcada:

“o bom médico é aquele que desperta o curador no outro”.

Infelizmente não encontrei a fonte, mas ela reflete muito bem o quanto o cuidado não é de responsabilidade única daquele que “cuida” no processo terapêutico, é preciso despertar nos outros o desejo de cuidarem mais de si! 

Até mais!

Atualidades

Cuidado Nutricional na Psoríase

A psoríase é uma doença dermatológica crônica e imunomediada, com diversas manifestações possíveis, sendo a mais comum a presença de placas ressecadas e avermelhadas, ou esbranquiçadas, na pele (1).

Além disso, a psoríase também possui relação com a manifestação de artrite psoriásica, doenças cardiometabólicas e gastrointestinais. Assim como em outras doenças crônicas, o nutricionista possui importante espaço de atuação no tratamento.

Por isso, trouxemos o resumo de um artigo científico que avaliou diversas intervenções dietéticas e o possível impacto de nutrientes no manejo da psoríase

Introdução

Psoríase é uma doença inflamatória crônica mediada principalmente pela ativação do eixo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), interleucina-23 (IL-23), interleucina-17 (IL-17) e a cascata inflamatória subsequente. 

fonte: doi:10.3390/ijms21155405

Indivíduos portadores de psoríase com frequência apresentam outras doenças inflamatórias ou metabólicas, com uma variedade de fatores genéticos e ambientais atuantes, como a alimentação.

Resultados e Discussão 

Diversos estudos argumentam sobre a associação entre a sintomatologia da psoríase e o consumo alimentar. É sugerido que alguns podem aliviar os sintomas ao regular mecanismos inflamatórios ou estimular a ativação de regulatórios, como também podem agravar.

Um agravamento poderia ser causado pela ativação da cascata NLRP3 ou eixo TNF-α / IL-23 / IL-17, disbiose intestinal, geração de espécies reativas de oxigênio (EROS) e supressão de células T regulatórias (TREGS). 

Para benefícios regulatórios é importante que o consumo alimentar apresente oferta adequada de fibras, ácidos graxos ômega 3, vitaminas e minerais antioxidantes; além de evitar o excesso de gordura saturada, açúcares simples, álcool e carne vermelha. 

No entanto, intervenções nutricionais isoladas não devem ser indicadas. Exercem um papel de terapia complementar, sendo necessário que estejam em concordância com o tratamento médico.

Conclusão

A nutrição pode ser um fator chave para o tratamento e progressão da psoríase, pois determinados nutrientes e alimentos podem exercer efeitos regulatórios ou agravantes.

Regulatórios:

  • ácido graxo ômega 3;
  • ácidos graxos de cadeia curta;
  • vitamina D, B12 e mineral selênio;
  • fibras dietéticas; 
  • genisteína e probióticos;

Agravantes:

  • ácidos graxos saturados;
  • alto consumo de carne vermelha e açúcar;
  • bebidas alcoólicas.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Parceria entre nutricionistas?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂  

Todos temos dificuldades a serem enfrentadas no início da carreira. Não é incomum que o nutricionista que realiza atendimentos se veja em uma situação competitiva e até mesmo solitária profissionalmente.

Não tenho muito tempo de formada, mas desde a faculdade tinha a percepção de que havia certa “disputa” entre colegas de profissão e sentia falta de mais colaboração como acontece em outras áreas.

Se cada profissional possui uma conduta terapêutica única, áreas de interesse distintas e personalidades incomparáveis, como poderia haver concorrência? São serviços completamente diferentes, para públicos diferentes. É possível trabalhar em cooperação!

Ainda há muita insegurança entre nutricionistas para trabalhar com parcerias, mas isso pode mudar. O que acha de tentar?

Vocês podem desenvolver ideias e projetos juntos, dividir consultórios e reduzir custos, ou até mesmo compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista. Fica a sugestão!

É claro, quando se trabalha em grupo nem tudo é um mar de rosas. Naturalmente divergimos em alguns aspectos pessoais, ou profissionais. No entanto, o importante é haver espaço para o diálogo entre propostas diferentes.

Claro, é importante que a saúde do paciente/cliente esteja sempre em primeiro plano. Por isso, em caso de conduta antiética de profissionais com quem você trabalhe, ou não, é muito importante reportar junto ao Conselho Regional da sua região.

Ter apoio de quem compartilha dessa visão pode ser essencial para o seu trabalho. Inclusive, a importância da cooperação profissional também já foi tema de um post aqui…

Você leu “5 estratégias para o dia a dia de atendimento”? Clique aqui para ler! 

Até mais!

Atualidades

Obesidade infantil, qual deve ser o foco?

Na última quinta-feira (03/06) foi o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. Quando falamos sobre obesidade é essencial ressaltar que é uma condição de saúde crônica e de etiologia multifatorial, pois a mesma comumente é estigmatizada. Já trouxemos um blog falando sobre isso, leia aqui

Na obesidade infantil o estigma não está fora de pauta. O tratamento deve ser realizado com acompanhamento psicoterápico, apoio parental e consideração dos riscos de desenvolvimento de transtornos alimentares. 

Qual deve ser o foco terapêutico na infância? Prevenção. Uma revisão sistemática das guidelines para obesidade infantil em países desenvolvidos avaliou as estratégias vigentes no contexto educacional e de cuidado infantil. Confira a tradução e adaptação do artigo! 

Introdução

A estimativa é que em 2025 a obesidade e sobrepeso infantil impacte mais de 70 milhões de crianças. Estratégias que promovam mudanças alimentares e a prática de atividade física são consideradas chaves para a saúde pública, mas para que ocorram é indispensável que a atenção seja voltada para os fatores ambientais, econômicos, políticos e socioculturais.

Métodos

As recomendações e guidelines selecionadas foram apenas dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), além de artigos científicos com publicação nacional entre 1999 a 2020.

Resultados e Discussão

Entre os resultados encontrados, 38 documentos foram selecionados dos países a seguir citados: Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Nova Zelândia, Canadá e Irlanda. Todas incluíam recomendações quanto ao consumo alimentar, prática de atividade física, qualidade do sono e tempo de exposição às telas.

Recomendações dietéticas

  • Oferta de refeições alinhadas com as orientações nutricionais vigentes;
  • Atendimento ao porcionamento e composição das refeições;
  • Atenção e importância para as práticas educativas alimentares;
  • Limite para o consumo de bebidas açucaradas, alimentos calóricos e ultraprocessados; 

Também orientaram, em menor frequência:

  • não usar comida como punição, recompensa ou suborno; 
  • promover um ambiente adequado e sem distrações;
  • envolver a criança no preparo e escolha dos alimentos. 

No entanto, nem todas abordaram a importância desses últimos três fatores no momento das refeições e poucas reforçaram a importância da participação parental.

Conclusão 

Uma revisão das recomendações em países desenvolvidos, os quais promovem educação e cuidado infantil de alta qualidade, propicia base para ajustes em práticas preventivas vigentes e pode influenciar o desenvolvimento de futuras guidelines em outros países.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Nota do autor: apenas seis dos vinte países incluídos na OECD possuíam guidelines voltadas para a prevenção da obesidade infantil. O desenvolvimento econômico e acesso à serviços de qualidade são essenciais, mas será que apenas o nível de desenvolvimento de um país é determinante para priorizar a saúde da população?

Atualidades

Os 5 Sinais de Atenção para Transtornos Alimentares

A última quarta-feira (02/06) foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, data que surgiu visando maior atenção dessas questões pela população, possibilitando que muitos procurem ajuda. 

Transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas de etiologia multifatorial, caracterizadas principalmente por métodos inadequados para perda ou manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos. (1

Além dos TA definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), também há comportamentos disfuncionais, com práticas inadequadas de ingestão alimentar e controle do peso (comer transtornado), mas que apresentam frequência e intensidade inferiores às exigidas pelos critérios diagnósticos. 

Qual o papel do nutricionista no tratamento?

O modelo de prescrição dietética tradicional pode não ser apropriado para o tratamento de transtornos alimentares, principalmente em quadros de transtorno de compulsão alimentar (TCA) e bulimia nervosa (BN).

Por isso, é imprescindível que nesses casos os pacientes sejam encaminhados para profissionais que possuam capacitação técnica para essa demanda, ou que trabalham com condutas não prescritivas. 

Entretanto, é importante que todos os nutricionistas tenham atenção aos sinais de TA e comportamentos disfuncionais associados ao comer, podendo assim realizar o devido encaminhamento a outros colegas de profissão e psicólogos. 

Selecionamos 5 pontos de atenção: 

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito)
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração)
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação

Não sabe onde poderia encontrar ajuda? Nesse site você encontra o contato dos centros de tratamentos espalhados pelo Brasil. Deseja aprender mais? Clicando aqui você encontra diversos materiais educativos!

Também gostaríamos de sugerir dois livros bem interessantes:

  • Diários da Anorexia – Linda M. Rio e Tara M. Rio (Editora M. Books): Auxilia o profissional a compreender a dinâmica comportamental do paciente, o aproximando do sofrimento e pensamentos que o paciente pode desenvolver no âmbito alimentar

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Há relato de casos de Anorexia e Bulimia, descrição do acompanhamento de pacientes com esses transtornos e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento. Uma boa fonte de aprendizado para nortear o profissional nutricionista.

Até mais!

Atualidades

Nutrição, alimentação e saúde digestiva

Amanhã (29/05) é o Dia Mundial da Saúde Digestiva, data que concede maior atenção e conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças do aparelho gastrointestinal (1).

A saúde da microbiota intestinal é uma temática muito discutida. Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sobre o papel da alimentação na composição da microbiota intestinal. 

Introdução

O ser humano é formado por mais células microbianas do que humanas. Mudanças na composição da microbiota intestinal, as quais podem ser causadas pela alimentação, resultam em diversas consequências para o hospedeiro e impactam nos processos fisiológicos

Métodos

Os estudos foram realizadas entre 2010 e 2018, apenas conduzidos em humanos e todos realizados em indivíduos adultos e saudáveis. 

Resultados e Discussão 

Trinta e oito estudos sobre os nutrientes que impactam a microbiota intestinal foram incluídos nesta revisão. Os resultados foram segmentados em: consumo calórico, macro e micronutrientes, além de alimentos e nutrientes específicos. 

Calorias: o excesso calórico entre refeições com a mesma composição nutricional resultou em alterações na diversidade da microbiota, reduzindo Bacteroidetes e aumentando Firmicutes; não sendo um fator preditivo de forma isolada, mas que pode levar a impactos negativos a longo prazo. 

Carboidratos: o tipo, quantidade e composição pode influenciar na diversidade microbiana. Um consumo alimentar rico em fibras é mais benéfico, pois carboidratos não digeríveis funcionam como substrato energético para a microbiota.

Gordura e Proteína: uma dieta onívora rica em gordura e proteína, porém baixa em fibras, pode afetar negativamente a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. Principalmente pela possibilidade de maior formação de N-óxido de trimetilamina (TMAO).

Micronutrientes: um estado de disbiose pode comprometer a absorção de diversos micronutrientes. Há também uma relação bidirecional, a microbiota intestinal utiliza e produz nutrientes, por isso o equilíbrio da mesma é essencial para a saúde.

Vinho, frutas vermelhas, cacau e chá: esses alimentos possuem compostos com potencial benefício, como: antocianinas (vinho), elagitaninos (frutas vermelhas), flavonóides (cacau), catequinas e ácido gálico (chá). 

Conclusão 

O consumo dietético, principalmente de fibras, afeta a composição da microbiota intestinal. Futuros estudos são necessários com mais ênfase na função (metabolômica), não apenas na composição (genômica) da microbiota intestinal. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

O que é Mindful Eating?

Hoje (21/05) é o Dia Mundial da Meditação, data celebrada em vários países com corridas ou horários definidos para meditar, por exemplo (1). Nos últimos anos a meditação tomou uma grande proporção, infelizmente sendo até mesmo banalizada por alguns. 

A verdade é que as práticas meditativas podem ser ferramentas de autoconhecimento, além de auxiliar na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente; até mesmo nas refeições! Você conhece o Mindful Eating

É a prática de comer com atenção plena, baseada em técnicas do mindfulness – o qual difere da meditação tradicional. Nesse modelo o objetivo é estar sempre no momento presente, com atenção ao ambiente e sensações. Ou seja, você pode praticar enquanto se exercita, lava a louça, cozinha ou come, por exemplo (2). 

Essas técnicas podem ser aplicadas para trabalhar questões alimentares, mas há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa ser uma consequências de desenvolver mais atenção ao comer (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Na página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! 

As práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Sugerimos três aplicativos que podem ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong 

Até mais! 

Atualidades

Estratégias Nutricionais no Tratamento de Lúpus

A última segunda-feira (10/05) foi o Dia Mundial do Lúpus. Pensando nisso, o blog de hoje será sobre o papel do nutricionista no tratamento multiprofissional em indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). 

Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, a sintomatologia varia de acordo com as fases de atividade e remissão. O desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas apresentados, inclui intervenção farmacológica para modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades, como hipertensão e dislipidemia.  

Por ser uma doença crônica é essencial que o tratamento seja o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

A atuação do nutricionista será de atender as demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES, mas sempre orientando uma alimentação mais equilibrada, além de propor intervenções que possam vir a amenizar possíveis sintomas.  

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, mesmo com alterações no apetite características do tratamento, além da prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo, o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Atualidades

Vida de Nutricionista – Ser Mãe

A nossa homenagem vem em forma de reflexão sobre o quanto ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Feliz Dia das Mães!

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Eu não sou mãe. Talvez não seja a melhor pessoa para escrever sobre esse assunto? Provavelmente. Falar sobre isso surgiu de uma reflexão constante nos últimos meses sobre como algumas profissões “invadem” a vida pessoal. Para mim, a nutrição é uma delas. 

Digo isso porque comemos todos os dias, várias vezes ao dia, e com certeza o faremos até o fim de nossas vidas. Já pensou como para o nutricionista é difícil “apenas comer”? Sem analisar a própria refeição com um olhar clínico? Claro, há um lado positivo, mas há outros negativos que merecem atenção. 

Quando um nutricionista é mãe (ou pai) imagino que essa atenção se estenda para a alimentação da criança, a qual é parte de você e de sua responsabilidade cuidar e nutrir. Torna-se difícil desligar o “modo nutricionista”, mas já pensou o quanto isso é necessário?

Assim como para um psicólogo não seria benéfico analisar constantemente o comportamento de um filho, para nós, talvez não seja a melhor alternativa agir como nutricionistas em casa, e sim como mães. O cuidado excessivo em torno da alimentação não é saudável aos adultos, muito menos às crianças.  

“Em tempos alarmantes a comida pode parecer um jeito de manter seu filho a salvo do perigo (…), mas mantê-los numa bolha em que todos os alimentos sejam nutricionalmente perfeitos não é a maneira de protegê-las. As crianças precisam desenvolver a habilidade de navegar nesse ambiente por si mesmas.” – Bee Wilson

Escrevendo sobre esse assunto lembrei de um podcast que escutei.

Um dos tópicos era justamente sobre o excesso de cuidados em torno da alimentação. Será que essa é a melhor forma de cuidado, ou não pode ser a origem de uma visão inadequada sobre o que é ser saudável? Cito a fala de uma das mães participantes, que é nutricionista, para finalizar esse assunto tão importante: 

“(…) tratar alimentos de forma neutra, sem julgamento moral sobre a comida, é um dos maiores fatores, ambiente protetores, que você pode oferecer ao seu filho.”

Para acesso ao episódio do podcast citado acesse esse link 🙂

Até mais! 

Atualidades

Estratégias nutricionais no vegetarianismo

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (1) vegetariano é todo aquele que não possui como parte de sua alimentação carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

O veganismo é uma forma de vegetarianismo, porém busca a exclusão do consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados em animais também. Ou seja, o foco não é apenas no consumo alimentar.

As razões para a adesão do vegetarianismo são diversas, mas em geral focam em questões de saúde, preservação do meio ambiente, éticas e sociais. Além disso, há classificações dependendo das restrições de consumo alimentar: 

  • Ovolactovegetariano
  • Lactovegetariano
  • Ovogevetariano
  • Vegetariano estrito
  • Vegano

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a redução. 

Independente da escolha, ou seus motivos, quando a alimentação é bem orientada não há motivos para não ser adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há algumas estratégias que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Estratégias nutricionais 

  • Cálcio: a biodisponibilidade é menor devido o ácido oxálico. Frutas e vegetais ricos em potássio e magnésio contribuem para absorção do cálcio; 
  • Zinco: menor biodisponibilidade devido a fatores como o fitato, por isso é importante que o consumo seja maior e associado à vitamina C, visando reduzir o efeito do ácido fítico; 
  • Ferro: ter atenção aos fatores que estimulam a absorção (vitamina C) e inibem (alimentos fonte de cálcio ou polifenóis como taninos e catequinas);
  • Vitamina B12: não há fontes alimentares de origem vegetal, podendo ser suplementada e os níveis séricos devem ser monitorados com maior frequência;
  • Consumo de fibras: a distensão gástrica pode estar associada ao consumo excessivo de fibras vegetais, o mesmo pode ser ajustado até que ocorra a adaptação intestinal; 
  • Modo de preparo das refeições: preparações fritas, ou que necessitam da adição de grande quantidade de farináceos devem permanecer sendo exceções, se atente para isso também.

O padrão alimentar vegetariano está associado a diversos benefícios para a saúde, como um maior consumo de fitonutrientes, redução dos níveis de colesterol sérico, melhora da pressão arterial e controle glicêmico. 

É importante ressaltar que objetivo dessa escolha pode estar muito além da saúde. Por isso, o nutricionista deve entender as razões do paciente ao aderir o vegetarianismo para poder adequar melhor a conduta terapêutica!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Vegetarianismo: o que é. Disponível em: https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e 
  2. DINU et al. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: A systematic review with meta-analysis of observational studies. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 57, n. 17, 2017. https://doi.org/10.1080/10408398.2016.1138447
  3. PARKER, H.W; VADIVELOO, M.K. Diet quality of vegetarian diets compared with nonvegetarian diets: a systematic review. Nutrition Reviews, v. 77, n. 3, 2019.  https://doi.org/10.1093/nutrit/nuy067 
Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Abril Azul: Conscientização do Autismo

A campanha do “Abril Azul” e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02/04) são iniciativas que visam conceder mais atenção para essa temática. Pensando nisso, trouxemos um blog sobre o papel da nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O autismo é classificado como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação e interação social, além de poder comprometer o comportamento em diferentes graus. Como a condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve sempre ter o cuidado multiprofissional em foco. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no TEA?

A orientação nutricional deve considerar as restrições e aversões alimentares, além de considerar as diferenças metabólicas associadas ao estado nutricional.

Há biomarcadores indicativos de insuficiência vitamínica, maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia. 

É importante sempre monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação nutricional. Há outros pontos a serem considerados e observados também:

  • Estado nutricional: impactado por maior seletividade alimentar – aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo;
  • Alimentação seletiva: risco de carência para fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C;
  • Consumo de nutrientes específicos: aminoácidos como cisteína e metionina, ácido fólico, vitamina B6 e B12 são essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM); 
  • Alterações gastrointestinais: maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação, e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal;
  • Suplementação de probióticos: quando realizada visa promover a melhora das alterações intestinais, regulação importante para a modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina.

Há estudos sobre a indicação de condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica. Porém, os mesmos ainda apresentam resultados bem conflitantes entre si e diversas limitações.

O principal cuidado a ser adotado é que mudanças comportamentais, como a seletividade alimentar, não impactem negativamente no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.

O contato com o terapeuta ocupacional ou psicoterapeuta é válido para estabelecer estratégias de como introduzir ou estimular o consumo de determinados alimentos, por exemplo. Algumas podem incluir: 

  1. Utilização de pratos com divisórias ou oferta dos alimentos de forma separada;
  2. Teste de diferentes formas de preparo, como alterando a textura ou os cortes;
  3. Não usar técnicas para “enganar” ou esconder alimentos durante as refeições. 

Quer se manter atualizado no assunto? A primeira revista brasileira e online sobre autismo contém diversos materiais e sugestões. Acesse aqui!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. KARHU et al. Nutritional interventions for autism spectrum disorder. Nutrition Reviews, p. 1-17, 2019. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuz092
  2. RISTORI et al. Autism, gastrointestinal symptoms and modulation of gut microbiota by nutritional interventions. Nutrients, v. 11, n. 11, p. 1-21, 2019. https://doi.org/10.3390/nu11112812 
  3. SIVAMARUTHI et al. The role of microbiome, dietary supplements, and probiotics in autism spectrum disorder. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 17, pg. 1-16, 2020. https://doi.org/10.3390/ijerph17082647  

Atualidades, Estudante de Nutrição

Rotina de estudos do nutricionista

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Desde criança eu sempre fui daquelas estudantes dedicadas, sabe? Acredito que por essa razão me acostumei com uma certa rotina na vida acadêmica. Foram vinte anos com calendário letivo, horário para estudar e claro dor de cabeça nos projetos em grupo (risos).

Faz dois meses que me tornei oficialmente nutricionista, desde então tenho aprendido como é a vida de estudos após formada. Não sei como foi, ou será, para você… por aqui senti aquele alívio de não ter mais datas para entregar relatórios, trabalhos, ou o TCC. Não demorou muito para que caísse a ficha: quem teria que colocar esses prazos era eu!

Como tudo, há sempre dois lados. Tentei ver o positivo – posso me dedicar ao que faz sentido para a área que escolhi e organizar a própria rotina. Só que naturalmente vem uma insegurança de não saber o suficiente, ou a cobrança de precisar saber mais. Seria esse o lado negativo? Me acompanhe em um outro ponto de vista:

Recentemente eu li um livro que trouxe a seguinte frase: 

“Quanto menos sabemos um assunto, menos somos capazes de avaliar o tamanho da nossa ignorância e achamos que sabemos mais do que outros. A melhor maneira de enfrentar isso é estudando. Quanto mais estudamos, mais ficamos inseguros, pois passamos a saber o abismo do nosso conhecimento real”. O lado bom do lado ruim

Apesar do que muitos dizem, a insegurança não precisa ser algo ruim. Ela demonstra nossas limitações e como podemos aprimorá-las. Claro, não precisamos saber sobre tudo, cada um possui sua especialização e área de atuação. Além disso, esse sentimento de preciso saber mais é inclusive positivo – “quem acha que sabe tudo, nada sabe”. 

E pra terminar, um recado: a vida de estudos após formados não acaba! Seja com as diversas especializações que muitos escolhem fazer no decorrer da carreira, ou no dia a dia mesmo, com cada paciente/cliente que atendemos e suas singularidades clínicas que merecem tanta atenção!

Sabendo como tudo pode ser complexo trago aqui 4 sugestões que podem deixar a sua rotina de estudos mais completa:

1. Cronograma: já pensou em colocar na sua agenda horários para estudar, ler artigos e se atualizar? Se você ainda não tem esse hábito, comece aos poucos, 1h por semana! 

2. Software: grande parte da sua rotina é destinada ao planejamento alimentar dos pacientes/clientes? Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o Allivici! Assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar!

3. Trocar experiências: ter apoio de colegas de profissão e dividir condutas é uma ótima ideia, principalmente se você está no começo na carreira, ou em transição para o atendimento clínico. Já pensou nisso?

4. Apoio científico: se manter atualizado por artigos e diretrizes é um caminho, mas também podemos contar com bons livros! Deixo aqui três que uso em minha prática clínica: 

Até mais! 

Atualidades

Como a pandemia tem afetado a qualidade do sono?

Hoje, 19/03 é o Dia Mundial do Sono! Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico recém publicado sobre uma realidade que ainda estamos vivendo: a pandemia do novo coronavírus. Entre tantos impactos que a mesma gerou, sabia que o nosso sono também foi afetado?

Uma revisão sistemática e meta-análise (JAHRAMI et al., 2021) avaliou justamente isso, o impacto da pandemia na prevalência de distúrbios do sono na população em geral, profissionais da saúde e pacientes com COVID-19.

Introdução

Doenças infecciosas, como a COVID-19, estão associadas com diversos sintomas, como maior estresse psicológico e menor qualidade de sono. Uma boa qualidade de sono é essencial para saúde física e mental, além de auxiliar na regulação da resposta imunológica. Descobertas sobre como a pandemia causada pelo SARS-Cov-2 impactou a qualidade do sono podem ser úteis para desenvolver intervenções que reduzam esses problemas.

Métodos

Uma revisão sistemática e meta-análise foi realizada sobre sono e COVID-19 em toda literatura disponível, os critérios de inclusão foram: intervalo definido de publicação, artigos originais, estudos que relataram dados numéricos para problemas de sono. A qualidade dos artigos encontrados foi avaliada pela escala Newcastle-Ottawa. A análise foi de 44 estudos publicados após março de 2020, os quais incluiram 54.231 mil participantes de 13 países.

Resultados e discussão

A meta-análise da prevalência de problemas de sono indicou uma taxa de 35,7%, referente a todas as populações dos estudos. A população geral e os profissionais de saúde demonstraram taxas próximas, com 36,0% para o primeiro grupo e 32,3% para o segundo, respectivamente. Pacientes com COVID-19 foram os mais afetados, com uma prevalência de 74,8%.

Em comparação com outras meta-análises, as quais avaliaram a prevalência de estresse, ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19, a porcentagem encontrada de problemas de sono é similar a todas as outras.

Era esperado que pacientes com COVID-19 apresentassem maior distúrbios do sono, devido aos sintomas como tosse, febre e dificuldade em respirar, os quais podem atrapalhar o sono. No entanto, essa sobreposição das taxas e similaridade entre resultados apontam para possíveis associações entre comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono; como a possibilidade de maior estresse e ansiedade entre pacientes com COVID-19.

Uma das limitações do estudo deve ser destacada, a investigação não considerou fatores como: atividade física, fumo e uso de substâncias, estresse pós-traumático ou fatores de confusão social, como mudança de estado civil ou emprego; os quais poderiam ser relevantes.

Conclusão

Problemas de sono durante a pandemia da COVID-19 afetou aproximadamente 40% da população estudada. O grupo que apresentou maiores taxas de prevalência para problemas do sono foram pacientes com COVID-19. É necessário que outros estudos sejam conduzidos, principalmente longitudinais, para determinar o impacto da COVID-19 no sono. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Novo posicionamento sobre consumo de gorduras

Recentemente, em fevereiro de 2021, a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou um Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Considerando que a última publicação sobre a temática foi a Diretriz de 2013 (link), essa foi uma produção revelante para a área!

Sabemos que a nutrição exerce um papel essencial na gênese, prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares. Por décadas, diversos artigos, diretrizes e posicionamentos foram publicados sobre o papel do consumo alimentar na saúde cardíaca e cardiovascular, principalmente em relação aos alimentos fontes de gorduras.

No entanto, muitos resultados divergentes entram constantemente em discussão. Esses conflitos podem ser compreendidos pela imprecisão metodológica em muitos estudos, além da impossibilidade de comparação entre os mesmos quando há disparidade no tamanho da amostra, população ou nutriente estudado, por exemplo.

Também é necessário reconhecermos que, muitos sites e blogs fazem uso e divulgam dados de forma não correspondente à publicação científica realizada, gerando confusão na população, ou até mesmo entre nós.

As primeiras orientações dietéticas publicadas sobre o tema são dos anos 50, e desde então muita coisa mudou. O que há de evidência nessa temática atualmente? Destacamos alguns pontos:

Impacto no perfil lipídico

  • Gordura trans e saturadas exercem maior potencial para aumentar os níveis plasmáticos de colesterol total (CT) e LDL-c. Já a concentração de triglicerídeos (TG) pode ser aumentada por um maior consumo de carboidratos refinados;
  • Diferentemente de anos atrás, não há mais uma recomendação de ingestão máxima por dia de colesterol alimentar. No entanto, permanece orientado que mantenha-se o menor possível. Pois, mesmo não exercendo papel primordial no colesterol sérico, ainda causa impacto em indivíduos hiper-responsivos.
  • Ácidos graxos saturados, principalmente o palmítico, apresentam capacidade de ativar resposta inflamatória e de estresse oxidativo, prejudicando a integridade do endotélio vascular e potencialmente contribuindo para a gênese da aterosclerose; além de prejudicar a funcionalidade de receptores de insulina;
  • O contexto alimentar exerce maior impacto do que o consumo de alimentos isoladamente. Ou seja, mesmo sendo alimentos ricos em ácidos graxos saturados, e sabendo dos efeitos que esses causam quando consumidos em excesso, eles podem exercer um menor impacto na saúde quando estão inseridos em um contexto saudávelcom adequação calórica, inclusão de grãos, frutas, hortaliças e redução do consumo de açúcar, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e trans.

Óleos e gorduras

  • Além do óleo de oliva, pode ser orientado o uso do óleo de canola ou soja para o preparo das refeições, esses possuem menor teor de ácidos graxos saturados e maior quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) em sua composição, em comparação com outros óleos vegetais; 
  • Não há indicação para a substituição de óleos vegetais, como de canola ou oliva, por óleos de coco ou palma, os quais devem ser consumidos apenas de forma ocasional, devido o alto teor de gordura saturada.

Microbiota intestinal

  • Dietas hiperlipídicas, especialmente ricas em ácidos graxos saturados, são capazes de alterar a composição da microbiota intestinal, induzir a redução de diversidade bacteriana e aumentar a permeabilidade intestinal; favorecendo a disbiose e até mesmo inflamação sistêmica de baixo grau. O padrão alimentar é muito importante na modulação intestinal, destacando a importância de um consumo alimentar rico em fibras.

Ácidos graxos ômega 3

  • A relação de consumo entre ácidos graxos poli-insaturados ômega 6 e ômega 3 deveria ser menor do que é atualmente na população ocidental. No entanto, a orientação para consumo ainda deve ser realizada baseada na porcentagem de consumo de cada gordura, e não estritamente na relação entre os mesmos; 
  • potencial anti-inflamatório derivado de um consumo alimentar rico em ácidos graxos ômega 3. Entretanto, mesmo com os possíveis benefícios, não há evidência suficiente para recomendação de suplementação em muitas condições clínicas;
  • O óleo de krill é uma ótima fonte de ácido graxo eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), apresentando maior biodisponibilidade do que o ômega 3 marinho por ter a maior parte de seus ácidos graxos na forma de fosfolípides.

Esse posicionamento trouxe atualizações sobre a temática, mas também um lembrete importante: “devemos priorizar a avaliação de padrões alimentares, propondo orientações e melhorias também qualitativas, não valorizando alimentos individualmente ou os classificando como proibidos”.

Toda orientação ou intervenção nutricional deve capacitar o indivíduo com conhecimento necessário sobre os alimentos para que ele mesmo possa realizar escolhas alimentares mais saudáveis! 

Para acesso ao posicionamento na íntegra acesse esse link!

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Obesidade

Ontem, dia 04/03, foi o Dia Mundial da Obesidade

A data surgiu com o objetivo de conceder maior atenção para essa condição multifatorial de saúde que só no Brasil atinge 19,8% da população (1). Muito progresso tem sido alcançado nos últimos anos, mas a verdade é que essa condição ainda é recente para a humanidade e estudada há menos de 100 anos. Além disso, é mal compreendida por muitos, afetando o próprio desenvolvimento e tratamento da obesidade.

É notoriamente conhecido que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e do sedentarismo podem aumentar o risco para obesidade. No entanto, seria apenas isso? Todos que se alimentam dessa forma, ou não praticam exercícios físicos, desenvolvem obesidade? Por que muitos tratamentos focam apenas nesses aspectos? 

Em 2020, duas publicações na Nature Medicine e The Lancet  refutaram essa visão simplista sobre a obesidade e trouxeram temas essenciais a serem reconhecidos e discutidos. Destacamos cinco pontos, entre tantos significativos:

  • Obesidade não é uma condição existente por preguiça, falta de força de vontade, ou causada voluntariamente por comer em excesso e não se exercitar; assim como não é reversível apenas ao “comer menos e se exercitar mais”. (2,3); 
  • O atual diagnóstico para obesidade, apenas baseado no IMC, precisa ser reconsiderado, sendo necessário que mais sinais e sintomas sejam avaliados, como comorbidades associadas e redução da qualidade de vida (2); 
  • Reconhecer que nem todos os caminhos que levam à perda de peso corporal sempre funcionam, para todos, é muito importante; a própria manutenção do peso já pode ser considerada um resultado positivo durante o tratamento (3);
  • Profissionais de saúde passam menos tempo atendendo indivíduos com obesidade e muitos pacientes declaram sofrer preconceitos em ambientes médicos ou de cuidado à saúde (2); 
  • É importante se atentar para a linguagem utilizada, sem generalizações ou termos com conotações negativas. Assim como o ambiente em que o paciente é acolhido, cadeiras com apoios laterais limitam o acesso físico e equipamentos com capacidade superior a 150kg devem estar disponíveis (3);

Além dessas publicações, o Canadá lançou um novo guideline, também abordando essas questões. O mesmo traz pontos interessantíssimos, como o papel da saúde mental, a redução de estigma do peso e como intervenções comportamentais podem impactar no manejo da obesidade. Para acessar todos os capítulos clique aqui

A obesidade deve ser discutida de forma multidisciplinar e a conduta de tratamento reconsiderada, não sendo tão somente focada no peso corporal. Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Para mais, é necessário falar sobre gordofobia e todo estigma acerca do peso corporal, muitas vezes existente entre os próprios profissionais de saúde. Diversos movimentos precisam ser reconhecidos, pois somente aqueles que vivem com obesidade sabem e sentem como isso os afeta. Sendo a escuta uma premissa fundamental do cuidado, mais atenção ao paciente de forma integral deveria ser concedida (4). 

Com o objetivo de promover menos estigma, mais consciência e acolhimento à temática, o Instituto Obesidade Brasil irá realizar um evento online e gratuito amanhã, dia 06/03. É muito importante se manter atualizado, principalmente sendo nutricionistas, pois somos muito buscados para auxiliar no manejo da obesidade. Para se inscrever e participar é só acessar esse link

Até mais!

REFERÊNCIAS

  1. BRASIL. Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, Brasília, 2019.
  2. RUBINO et al. Join international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature Medicine, v. 26, p. 485-497, 2020. 
  3. ALBURY et al. The importance of language in engagement between health-care professionals and people living with obesity: a joint consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol, v. 8, p. 447-455, 2020. 
  4. BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas. Nota: um convite à reflexão sobre o movimento contra a gordofobia e o fenômeno da obesidade. Brasília, 2020.

Atualidades

Doença Celíaca e Níquel: o que o nutricionista precisa considerar

A Doença Celíaca é uma doença inflamatória crônica intestinal desencadeada pelo consumo de glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis, que apresentam resultados positivos para o Antígeno Leucocitário Humano (HLA) DQ2 e/ou DQ8. 

Além desses, o diagnóstico de Doença Celíaca em adultos pode ser confirmado pelos resultados positivos dos testes sorológicos específicos para Anticorpo Anti-Endomísio e Anti-Transglutaminase tecidual e associados aos achados de atrofia das vilosidades intestinais, no exame histológico em biópsias duodenais. 

O alvo principal na Doença Celíaca é o intestino e assim, pode acontecer manifestações gastrointestinais após o consumo de glúten, tais como distensão abdominal, dor abdominal, diarreia e constipação.

Além desses, podem acontecer também sintomas extra-intestinais. 

O tratamento para a Doença Celíaca é a dieta livre de glúten vitalícia e estrita. Entretanto, muitos pacientes com Doença Celíaca se queixam da persistência ou recaída dos sintomas, mesmo seguindo a dieta livre de glúten.

Nesses casos, além da checagem minuciosa do profissional de saúde sobre a adesão a alimentação orientada e do acompanhamento dos exames laboratoriais, pode ser interessante descartar possíveis diagnósticos de outras doenças intestinais, tais como a Síndrome do Intestino Irritável, ou Intolerância à Lactose. 

Alguns casos, mesmo após essas investigações, permanecem sem solução. E levam a  tentativas com uma dieta pobre em oligo -, di- e monossacarídeo fermentáveis e polióis (FODMAPs). 

Nesse sentido, de tentar outras possíveis interferências alimentares, mais recentemente, a mucosite de contato alérgica ao níquel, foi sugerida como uma nova abordagem terapêutica. Uma vez que ao consumir alimentos ricos em níquel, podem aparecer sintomas semelhantes aos da Síndrome do Intestino Irritável. 

Esse quadro pode fazer parte da Síndrome alérgica sistêmica ao níquel e pode levar além das manifestações gastrointestinais, também a sintomas extra intestinais. 

Essa questão se torna relevante para o nutricionista, pois a maioria dos alimentos sem glúten contém alto teor de níquel e, assim, a sensibilidade ao níquel pode exacerbar os sintomas em indivíduos predispostos, especialmente quando há presença de Doença Celíaca em dieta sem glúten em longo prazo.  

Confira os alimentos ricos em níquel e também as fontes de FODMAP! Duas linhas propostas para tratamento de pessoas com sintomas gastrointestinais que aparentam não ter solução. 

Sobre o níquel

Um elemento presente em muitos alimentos, com uma certa variabilidade de concentração dependendo do tipo de solo e espécies de plantas, água de irrigação, fertilizantes e pesticidas. Assim, por ser impossível sua eliminação total da dieta, recomenda-se evitar apenas alimentos com alto teor estimado de Ni (Ni> 100 μg / kg). Ainda, o uso de utensílios e panelas de aço inoxidável também tem sido desencorajado, a fim de reduzir a contaminação por níquel durante o cozimento.

Interessante saber

Há maior prevalência no sexo feminino na Doença Celíaca. De acordo com a literatura, a proporção está estimada em cerca de 3:1 (mulher/homem). Assim como também acontece com a alergia ao níquel, mais comum em mulheres, com uma prevalência aproximada de 15 a 20%. 

Alimentos ricos em Níquel e FODMPAs:

Alho

Couve-flor

Cebola

Repolho

Aspargos

Brócolis

Alcachofra

Couve de bruxelas

Alho poró

Cogumelos

Feijões

Peras

Ervilha

Ameixa

Soja

Mirtilos

Frutas secas

Chás

Alimentos ricos em FODMAP:

Maçã

Cerejas

Cevada

Mel

Abacate

Abóbora

Amaranto

Adoçantes

Banana

Trigo Farinha de coco

Inulina

Manga

Centeio

Café instantâneo

Pêssego

Quinoa

Chá de camomila

Toranja

Arroz

Referências:

Carrapatoso, I. et al. Dermatite endógena induzida pela ingestão de níquel. A propósito de dois casos clínicos. Revista Portuguesa de Imunoalergologia 2004; XII : 261-270. 

Borghini, R. Efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor de níquel na recidiva de sintomas semelhantes ao IBS e extraintestinais em pacientes celíacos durante uma dieta sem glúten adequada: Mucosite de contato alérgica com níquel na suspeita de doença celíaca não responsiva. Nutrients 2020 , 12 (8), 2277. 

Atualidades

SUPER FOODS

Os valores antioxidantes dos alimentos listados são expressos em unidades ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity), uma unidade de medida do conteúdo antioxidante que foi originalmente desenvolvida pelo Instituto Nacional de Envelhecimento (NIA) do National Institutes of Health.

Os melhores antioxidantes e supostos “super alimentos” antienvelhecimento, pode vê-los classificados por seus valores ORAC – valores mais altos implicam uma quantidade medida mais alta de atividade antioxidante, alguns alimentos são somente extratos, pois devido a concentração no alimento ser pequena, precisa se fazer o extrato em grande quantidade do alimento e transformado em suplemento para atingir um valor apropriado de consumo sendo, antioxidante.


Astaxanthin Supplements – 2822200

triphala churna Supplements – 706250


bacopa/astragalo Suplements -169800

Canela – 131420


Cúrcuma longa – 127068
Extrato da semente de uva – 108130


Licorice root Suplements – 102945


Açaí berry powder -102700



Costuma indicar algum deles?


Aproveite para marcar seus amigos que ainda não conhecem e que gostariam de saber!!!  

#superfoods #abacate #azeite #oleaginosas #berries #legumes #nutrição #nutricaoparaleigos

Atualidades

Qual tipo de açúcar escolher ?

Agora fica mais fácil de escolher, qual tipo usar !! .
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Açúcar refinado: é o açúcar branco, obtido do açúcar cristal, tratado com enxofre e soda cáustica.
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Açúcar cristal: obtido da centrifugação do caldo de cana, clareado com enxofre e soda cáustica.
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Açúcar demerara: obtido da clarificação ( sem aditivos químicos) preserva parte dos nutrientes da cana.
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Açúcar mascavo: obtido da secagem do melado da cana é a versão mais sólida e bruta que preserva minerais como o ferro e o cálcio.
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Açúcar de coco: vem da palmeira do coco e assim como o açúcar mascavo não passa por processo químico.
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Melado de cana: objetivo do cozimento do caldo de cana, sem processamento químico, a partir do melado surgem o açúcar mascavo e a rapadura
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Cuidado, com a quantidade e lembre-se de acostumar o paladar a experimentar os sabores naturais, sem Adição de açúcar! 
#acucares #mascavo #coco #natural #demerara

Atualidades

O Açúcar é VICIANTE?

Vários estudos sugerem que alimentos altamente palatáveis e processados podem produzir comportamentos e mudanças nos cérebros iguais aos usados para diagnosticar um vício, como drogas e álcool.😱

Um estudo de 2013 descobriu que a adição de açúcar encontrada nos alimentos industrializados, cujas concentrações são consideradas seguras, exerce impactos dramáticos sobre a saúde dos mamíferos, o que motivou os pesquisadores a pedir uma reavaliação desses níveis de consumo ditos como “seguros”.


O açúcar, quando alto ou descontrolado no sangue também contribui para a doenças cardiovascular, bem como doenças do fígado, hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e Alzheimer.

O nível de açúcar no sangue se altera a partir do consumo, não apenas do açúcar de adição, por exemplo, o que se acrescenta em bebidas ou receitas, mas também pelo consumo de alimentos que contenham moléculas de glicose, como por exemplo, em farinhas (trigo, centeio, arroz, mandioca, batata). E essa entrada de glicose no corpo, consequentemente eleva a liberação do hormônio insulina no corpo.

Entretanto, quando a insulina se eleva em “picos”, por um consumo descontrolado de fontes de glicose, pode haver maior acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal, ou seja, maior armazenamento na região da barriga. Juntamente a uma maior sensação de vontade de comer mais doces e junk food ricos em açúcar!

Gerando assim um ciclo, no qual, há dependência em comer doces e uma vontade constante por consumir açúcar.


Referência:

ref: DOI : 10.1097/MCO.0b013e328361c8b8

Atualidades

QUAL TIPO DE SAL DEVO USAR?

Existem três métodos para produzir sal: evaporação solar, mineração do sal de rocha e evaporação sob vácuo através de evaporadores comerciais.

No Brasil, como em grande parte do mundo, muito se utiliza o método mais antigo que se dá através da evaporação da água do mar e cristalização do sal (evaporação solar), sendo o Rio Grande do Norte responsável por 97% da produção nacional.


Quando produzido industrialmente, o sal é tratado com produtos químicos para remover minerais referidos como impurezas e comercializado com diversos graus de pureza e granulometria. O problema é que nessa remoção de impurezas, remove-se também elementos que são positivos para a saúde.

Os principais sais são: *Sal light – Comparado ao sal comum, este sal tem menor teor de sódio, mas é refinado. É composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio

*Sal marinho – não refinado é o sal obtido antes do processo de purificação, onde são colocados compostos químicos para facilitar seu uso. Ele contém alto teor de magnésio e por isto é considerado mais saudável. Também contém iodo orgânico natural, que tem boa absorção.


*Sal Rosa do himalaia – Rico por apresentar mais de 80 oligoelementos na sua composição tais como o cálcio, magnésio, potássio, sulfato, ferro, zinco, cobre, manganês, cromo e chumbo.

*Sal negro – é considerado uma especiaria de arrefecimento na medicina Ayurveda e é utilizado como um laxante e ajuda digestiva. Mas cuidado, pois, atualmente, modernos processos de fabricação podem fazer este sal sinteticamente.


*Flor de sal / sal de Mossoró – Sendo um sal mais completo, oferece todos os benefícios do sal marinho contendo cálcio, magnésio, ferro, iodo e potássio em sua composição, e geralmente apresenta mais umidade que os demais.

E qual usar?
Tudo depende, mas o refinado já não é uma boa opção e sabendo que precisamos de minerais que em alguns tipos tem. A minha indicação é o sal marinho não refinado, mas cuidado com a quantidade usada diariamente.

Atualidades

Dietas da Moda

O nutricionista, principalmente na área clínica em consultório e/ou ambulatório, atualmente se depara com um contexto crescente dos quadros de obesidade e doenças crônicas, que acontecem concomitantemente a um aumento da preocupação excessiva, por uma parcela da população, com o peso e composição corporal. 

E na busca imediatista por um corpo magro, muitas pessoas buscam antes do atendimento com profissional habilitado, informações em sites e blogs não científicos, os quais reforçam o padrão de maciça valorização da magreza, tornando a gordura um símbolo de fracasso moral e algo socialmente indesejável.

Entretanto, são inúmeras dietas publicadas por sites e blogs não científicos com restrições calóricas expressivas e consequentemente inadequadas no fornecimento de micronutrientes utilizados em diversas reações metabólicas vitais. 

Vale ao profissional nutricionista além do estudo da ciência da nutrição, pautar suas condutas nas recomendações vigentes e se inteirar das dietas da moda, para ter respaldo científico no momento de desmistificar informações inadequadas que podem estar sendo veiculadas na mídia. 

Assim, para auxiliar em sua prática clínica trouxemos os dados de um estudo realizado em Minas Gerais e publicado em 2019 que avaliou a composição de dietas da moda publicadas em sites e blogs não científicos, estas eram segmentadas em dietas que seguiam o jejum intermitente, dietas com restrição de carboidratos e dietas isentas de glúten.

Estudo Analisa as Dietas da Moda

O estudo: pesquisadores analisaram cardápios disponíveis em sites e blogs, de acordo com o teor de carboidratos, fibras, proteínas, lipídios, iodo, sódio, cálcio, magnésio, ferro, zinco, manganês, potássio, fósforo, cobre, selênio, vitaminas A, C, B6, B12, D, niacina e folato, e os valores de nutrientes foram comparados com as recomendações da Ingestão Dietética de Referência (DRI) para mulheres com idade entre 19 e 50 anos.

O percentual de adequação dos macronutrientes foi baseado em uma dieta de 2.000kcal para indivíduos saudáveis, segundo a Organização Mundial de Saúde, correspondendo a aproximadamente 60% de carboidratos ou 1.200kcal (300g), 15% de proteínas ou 300kcal (75g) e 25% de lipídios ou 500kcal (56g).

Foram consideradas dietas com alto teor de restrição calórica, dietas que preconizavam o consumo diário entre 800 a 1200 kcal e uma dieta com restrição leve com consumo de 1200kcal. Os valores calóricos obtidos dos cardápios e avaliados estavam entre 229 kcal – 869 kcal para dietas que sugeriam o jejum intermitente, dietas low carb em torno de 622 – 1560 kcal e dietas com restrição de glúten 877 – 1750 kcal. 

Conclusões do Estudo

Valores de carboidratos e fibras estavam aquém do recomendado. Já com relação aos micronutrientes, analisados nos três tipos de dietas (Sódio, Magnésio, Zinco, Manganês, Potássio e Cobre), esses estavam menores que a DRI. 

Sabemos que a deficiência de sódio e potássio causam desequilíbrio hidroeletrolítico e disfunções celulares; a deficiência de iodo provoca alterações cognitivas, bócio e hipotiroidismo; a deficiência de magnésio causa distúrbios neurológicos, cardiovasculares e gastrointestinais; a  deficiência de zinco reduz a função imunológica; a deficiência de manganês leva a neurodegeneração e; a deficiência de cobre causa anemia, alterações no sistema imunológico e na fertilidade. 

Já os minerais Cálcio, Fósforo, Ferro e Selênio foram superiores a 100% nos cardápios livres de glúten, e Fósforo e Selênio foram maiores na dieta pobre em carboidratos. 

A deficiência mineral e das vitaminas B6 e B12 esteve presente na dieta de jejum intermitente devido à ausência de ingestão alimentar em longo prazo, pois o indivíduo só faz duas refeições em um intervalo de 24 horas. 

Vale mencionar que a deficiência de vitamina B12 pode aumentar o risco de falha na gravidez, comprometimento cognitivo, osteopenia, doença oclusiva vascular – provavelmente devido ao acúmulo de homocisteína.

Nas dietas que propunham o jejum intermitente e restrição de glúten houve excesso de vitamina C, que pode causar diarreia, excreção urinária de oxalato e formação de cálculo renal. 

Em todas as três modalidades de dietas analisadas houve deficiência no fornecimento de vitamina D e B9, que podem causar, respectivamente, distúrbios ósseos e raquitismo, anemia megaloblástica, malformação congênita e doenças cardiovasculares. 

Vitaminas C e B3 estavam deficientes na dieta pobre em carboidratos. A deficiência de vitamina C está associada a doenças neurodegenerativas, incluindo Doença de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e lateral amiotrófica.

A vitamina A estava acima dos níveis recomendados e esse excesso pode causar perda de cabelo, visão dupla, vômitos, dores de cabeça e danos ao fígado e aos ossos. 

Ainda, vale sempre lembrarmos aos pacientes/clientes que dietas com alta restrição calórica são ineficientes para perda de peso a longo prazo e que dietas deficientes em micronutrientes, promovem efeitos nutricionais e emocionais desfavoráveis. 

O nutricionista, assim, deverá estar sempre disposto a esclarecer que dietas altamente restritivas, promovidas pelas mídias sociais podem contribuir para o aumento de doenças por deficiência nutricional e transtornos alimentares, uma vez que tanto os macronutrientes quanto os micronutrientes estão deficientes nessas dietas.

Referência

Braga DCA, Coletro HN, Freitas MT. Composição nutricional de dietas da moda publicadas em sites e blogs. Rev Nutr. 2019; 32: e170190. http://dx.doi.org/10.1590/1678-9865201932e170190