Atualidades

Meditação e a prática de comer com atenção

As práticas meditativas podem ser ótimas ferramentas de autoconhecimento, auxílio na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente. O mindful eating, ou seja, o conceito de comer com atenção plena surge desse contexto. 

Nessa prática, baseada em técnicas do mindfulness, o objetivo é estar com o foco na refeição e até mesmo em todos os processos envolvidos nesse momento, desde o preparo até lavar as louças, por exemplo. Toda atenção é destinada ao ambiente, estímulos externos e sensações internas (1). 

Apesar de ótimos benefícios que podem surgir dessas práticas, há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam as práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa vir a ser uma consequência secundária ao comer com maior atenção (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Nessa página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! Também sugerimos os vídeos da médica Paula Teixeira.

Todas as práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Seguem três aplicativos que podem te ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong
Atualidades

O que é Mindful Eating?

Hoje (21/05) é o Dia Mundial da Meditação, data celebrada em vários países com corridas ou horários definidos para meditar, por exemplo (1). Nos últimos anos a meditação tomou uma grande proporção, infelizmente sendo até mesmo banalizada por alguns. 

A verdade é que as práticas meditativas podem ser ferramentas de autoconhecimento, além de auxiliar na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente; até mesmo nas refeições! Você conhece o Mindful Eating

É a prática de comer com atenção plena, baseada em técnicas do mindfulness – o qual difere da meditação tradicional. Nesse modelo o objetivo é estar sempre no momento presente, com atenção ao ambiente e sensações. Ou seja, você pode praticar enquanto se exercita, lava a louça, cozinha ou come, por exemplo (2). 

Essas técnicas podem ser aplicadas para trabalhar questões alimentares, mas há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa ser uma consequências de desenvolver mais atenção ao comer (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Na página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! 

As práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Sugerimos três aplicativos que podem ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong 

Até mais! 

Emagrecimento

MINDFUL EATING. UMA FERRAMENTA PARA ESTRATÉGIAS DE EMAGRECIMENTO.

Mindfulness é um termo amplo, usado para caracterizar uma série de práticas, processos e características relacionadas a capacidade de atenção, consciência, memória, aceitação e discernimento. Possui fundamento histórico no budismo, mas vem ganhando exponente popularidade na área da saúde, onde começou a ser utilizado inicialmente como suporte para o tratamento do estresse, mas atualmente faz parte do pacote de intervenções para o tratamento de diversas patologias, associadas de forma direta ou indireta a obesidade.  

Mindfulness é de forma geral, um estado de consciência, é estar presente no momento atual, é prestar atenção à experiências de forma intencional e sem julgamentos.  Esse conceito agrega processos internos e do ambiente, estar consciente do que é presente de forma mental, emocional e física, sem deixar com que pensamentos do passado ou do futuro tomem conta do presente. Essa técnica requer treinamento entre corpo e mente, e para mim seu principal benefício é possibilitar a mudança no relacionamento com as suas experiências, o modo como lida com elas.

Já o Mindful eating é a aplicação dos conceitos do mindfulness na alimentação, com o objetivo de tornar esse momento mais consciente, sair do automático, principalmente nos dias de hoje onde assumimos múltiplas tarefas, temos informações e distrações a todo instante e pressa para cumprir todos os afazeres em 24 horas.

Com essas mudanças no estilo de vida, o processo de alimentação vem mudando também, o tempo para preparar as refeições e consumi-las com calma e atenção é reduzido, as escolhas alimentares são baseadas em praticidade e conveniência, deixando a qualidade e sabor em segundo plano, e é exatamente o que o mindful eating quer resgatar.

Os principais conceitos do mindful eating englobam:

  • Se permitir aproveitar as oportunidades positivas e nutritivas que estão disponíveis através do processo de preparação e consumo alimentar
  • Escolher alimentos que sejam tanto prazerosos para o seu paladar quanto nutritivos para o seu corpo.
  • Reconhecer suas respostas em relação aos alimentos, se são neutros, gostosos ou não, sem julgamentos, apenas observar as reações e sentimentos.
  • Aprender a ter consciência da fome (real, física) e da saciedade, que irá te guiar para o ato de comer e parar de comer assim que se sentir saciado.

Como já mencionado, atualmente a técnica de comer com atenção plena tem sido utilizada para o tratamento de alguns transtornos alimentares e de patologias como a obesidade e todas as condições associadas à ela como esteatose hepática, dislipidemias, hipertrigliceridemia, diabetes melitus II, entre outras.

Estudos recentes com praticantes de mindfulness, encontraram mudanças em regiões específicas do cérebro que estão associadas com:  tomada de decisão, empatia, regulação das emoções e aumento da capacidade de estar atento o que reflete na produtividade e satisfação tanto pessoal como profissional. Além disso encontrou-se entre os participantes, menores índices de transtornos mentais, melhor auto-imagem e auto-confiança, níveis maiores de bom-humor, maior facilidade em se adaptar, mais maturidade e auto-suficiencia.

Outro estudo, realizado em 2010, que colocou em prática os conceitos do mindful eating em paciente obesos e demonstrou de forma significativa a diminuição no peso, desinibição alimentar, compulsão alimentar, depressão, estresse percebido, sintomas físicos, afeto negativo e proteína C-reativa.

            Para avaliar o nível de atenção com os hábitos alimentares, em 2009 foi criado o Mindful Eating Questionnaire (MEQ), que indicou quem pessoas com um índice de massa corporal (IMC) mais alto, apresentam uma alimentação menos consciente do que pessoas que praticam esportes, ioga e meditação e por isso possuem uma consciência corporal maior.

            Com todos esses dados podemos observar que o conceito de mindful eating pode ser uma ótima ferramenta para auxiliar as estratégias nutricionais relacionadas a redução de peso e das patologias associadas à obesidade.

Referências

Agee, J. D., Danoff-Burg, S., Grant, C. A. (2009). Comparing brief stress management courses in a community sample: Mindfulness skills and progressive muscle relaxation. Explore: The Journal of Science and Healing, 5, 104–109.

Annels, S., Kho, K., Bridge, P.. Meditate don’t medicate: How medical imaging evidence supports the role of meditation in the treatment of depression. Radiography 2016; 22, e54–e58. 

Arch, J. J., Ayers, C. R., Baker, A., Almklov, E., Dean, D. J., Craske, M. G. Randomized clinical trial of adapted mindfulness-based stress reduction versus group cognitive behavioral therapy for heterogeneous anxiety disorders. Behaviour Research and Therapy, 2013; 51, 185–196. 

Berkovich-Ohana, A., Dor-Ziderman, Y., Glicksohn, J., Goldstein, A. Alterations in the sense of time, space, and body in the mindfulness-trained brain: A neurophenomenologically-guided MEG study. Frontiers in Psychology 2013; 4, 912. 

C. Framson, A.R. Kristal, J. Schenk, A.J. Littman, S. Zeliadt, D.Benitez.Development and validation of the Mindful Eating Questionnaire. Journal of the American Dietetic Association, 109 (8) (2009), pp. 1439-1444.

Dunne, J. Toward an understanding of non-dual mindfulness. Contemporary Buddhism 2011; 12, 71–88. 

Dalen J., Smith B.W., Shelley B.M., Sloan A.L., Leahigh L., Begay D.Pilot study: Mindful Eating and Living (MEAL): Weight, eating behavior, and psychological outcomes associated with a mindfulness-based intervention for people with obesity. Complementary Therapies in Medicine, 2010; 18  (6) , pp. 260-264.

Kabat-Zinn, J. Mindfulness-based interventions in context: past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice 2005; 10, 144–156.

Pintado-Cucarella, Sheila; Rodríguez-Salgado, Paulina. Mindful eating and its relationship with body mass index, binge eating, anxiety and negative affect. Journal of Behavior, Health & Social Issues, 2016; 8, 19-24.