Atualidades

Os 5 Sinais de Atenção para Transtornos Alimentares

A última quarta-feira (02/06) foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, data que surgiu visando maior atenção dessas questões pela população, possibilitando que muitos procurem ajuda. 

Transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas de etiologia multifatorial, caracterizadas principalmente por métodos inadequados para perda ou manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos. (1

Além dos TA definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), também há comportamentos disfuncionais, com práticas inadequadas de ingestão alimentar e controle do peso (comer transtornado), mas que apresentam frequência e intensidade inferiores às exigidas pelos critérios diagnósticos. 

Qual o papel do nutricionista no tratamento?

O modelo de prescrição dietética tradicional pode não ser apropriado para o tratamento de transtornos alimentares, principalmente em quadros de transtorno de compulsão alimentar (TCA) e bulimia nervosa (BN).

Por isso, é imprescindível que nesses casos os pacientes sejam encaminhados para profissionais que possuam capacitação técnica para essa demanda, ou que trabalham com condutas não prescritivas. 

Entretanto, é importante que todos os nutricionistas tenham atenção aos sinais de TA e comportamentos disfuncionais associados ao comer, podendo assim realizar o devido encaminhamento a outros colegas de profissão e psicólogos. 

Selecionamos 5 pontos de atenção: 

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito)
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração)
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação

Não sabe onde poderia encontrar ajuda? Nesse site você encontra o contato dos centros de tratamentos espalhados pelo Brasil. Deseja aprender mais? Clicando aqui você encontra diversos materiais educativos!

Também gostaríamos de sugerir dois livros bem interessantes:

  • Diários da Anorexia – Linda M. Rio e Tara M. Rio (Editora M. Books): Auxilia o profissional a compreender a dinâmica comportamental do paciente, o aproximando do sofrimento e pensamentos que o paciente pode desenvolver no âmbito alimentar

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Há relato de casos de Anorexia e Bulimia, descrição do acompanhamento de pacientes com esses transtornos e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento. Uma boa fonte de aprendizado para nortear o profissional nutricionista.

Até mais!

Atualidades

Nutrição, alimentação e saúde digestiva

Amanhã (29/05) é o Dia Mundial da Saúde Digestiva, data que concede maior atenção e conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças do aparelho gastrointestinal (1).

A saúde da microbiota intestinal é uma temática muito discutida. Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sobre o papel da alimentação na composição da microbiota intestinal. 

Introdução

O ser humano é formado por mais células microbianas do que humanas. Mudanças na composição da microbiota intestinal, as quais podem ser causadas pela alimentação, resultam em diversas consequências para o hospedeiro e impactam nos processos fisiológicos

Métodos

Os estudos foram realizadas entre 2010 e 2018, apenas conduzidos em humanos e todos realizados em indivíduos adultos e saudáveis. 

Resultados e Discussão 

Trinta e oito estudos sobre os nutrientes que impactam a microbiota intestinal foram incluídos nesta revisão. Os resultados foram segmentados em: consumo calórico, macro e micronutrientes, além de alimentos e nutrientes específicos. 

Calorias: o excesso calórico entre refeições com a mesma composição nutricional resultou em alterações na diversidade da microbiota, reduzindo Bacteroidetes e aumentando Firmicutes; não sendo um fator preditivo de forma isolada, mas que pode levar a impactos negativos a longo prazo. 

Carboidratos: o tipo, quantidade e composição pode influenciar na diversidade microbiana. Um consumo alimentar rico em fibras é mais benéfico, pois carboidratos não digeríveis funcionam como substrato energético para a microbiota.

Gordura e Proteína: uma dieta onívora rica em gordura e proteína, porém baixa em fibras, pode afetar negativamente a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. Principalmente pela possibilidade de maior formação de N-óxido de trimetilamina (TMAO).

Micronutrientes: um estado de disbiose pode comprometer a absorção de diversos micronutrientes. Há também uma relação bidirecional, a microbiota intestinal utiliza e produz nutrientes, por isso o equilíbrio da mesma é essencial para a saúde.

Vinho, frutas vermelhas, cacau e chá: esses alimentos possuem compostos com potencial benefício, como: antocianinas (vinho), elagitaninos (frutas vermelhas), flavonóides (cacau), catequinas e ácido gálico (chá). 

Conclusão 

O consumo dietético, principalmente de fibras, afeta a composição da microbiota intestinal. Futuros estudos são necessários com mais ênfase na função (metabolômica), não apenas na composição (genômica) da microbiota intestinal. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

O que é Mindful Eating?

Hoje (21/05) é o Dia Mundial da Meditação, data celebrada em vários países com corridas ou horários definidos para meditar, por exemplo (1). Nos últimos anos a meditação tomou uma grande proporção, infelizmente sendo até mesmo banalizada por alguns. 

A verdade é que as práticas meditativas podem ser ferramentas de autoconhecimento, além de auxiliar na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente; até mesmo nas refeições! Você conhece o Mindful Eating

É a prática de comer com atenção plena, baseada em técnicas do mindfulness – o qual difere da meditação tradicional. Nesse modelo o objetivo é estar sempre no momento presente, com atenção ao ambiente e sensações. Ou seja, você pode praticar enquanto se exercita, lava a louça, cozinha ou come, por exemplo (2). 

Essas técnicas podem ser aplicadas para trabalhar questões alimentares, mas há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa ser uma consequências de desenvolver mais atenção ao comer (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Na página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! 

As práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Sugerimos três aplicativos que podem ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong 

Até mais! 

Atualidades

Estratégias Nutricionais no Tratamento de Lúpus

A última segunda-feira (10/05) foi o Dia Mundial do Lúpus. Pensando nisso, o blog de hoje será sobre o papel do nutricionista no tratamento multiprofissional em indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). 

Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, a sintomatologia varia de acordo com as fases de atividade e remissão. O desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas apresentados, inclui intervenção farmacológica para modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades, como hipertensão e dislipidemia.  

Por ser uma doença crônica é essencial que o tratamento seja o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

A atuação do nutricionista será de atender as demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES, mas sempre orientando uma alimentação mais equilibrada, além de propor intervenções que possam vir a amenizar possíveis sintomas.  

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, mesmo com alterações no apetite características do tratamento, além da prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo, o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Atualidades

Vida de Nutricionista – Ser Mãe

A nossa homenagem vem em forma de reflexão sobre o quanto ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Feliz Dia das Mães!

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Eu não sou mãe. Talvez não seja a melhor pessoa para escrever sobre esse assunto? Provavelmente. Falar sobre isso surgiu de uma reflexão constante nos últimos meses sobre como algumas profissões “invadem” a vida pessoal. Para mim, a nutrição é uma delas. 

Digo isso porque comemos todos os dias, várias vezes ao dia, e com certeza o faremos até o fim de nossas vidas. Já pensou como para o nutricionista é difícil “apenas comer”? Sem analisar a própria refeição com um olhar clínico? Claro, há um lado positivo, mas há outros negativos que merecem atenção. 

Quando um nutricionista é mãe (ou pai) imagino que essa atenção se estenda para a alimentação da criança, a qual é parte de você e de sua responsabilidade cuidar e nutrir. Torna-se difícil desligar o “modo nutricionista”, mas já pensou o quanto isso é necessário?

Assim como para um psicólogo não seria benéfico analisar constantemente o comportamento de um filho, para nós, talvez não seja a melhor alternativa agir como nutricionistas em casa, e sim como mães. O cuidado excessivo em torno da alimentação não é saudável aos adultos, muito menos às crianças.  

“Em tempos alarmantes a comida pode parecer um jeito de manter seu filho a salvo do perigo (…), mas mantê-los numa bolha em que todos os alimentos sejam nutricionalmente perfeitos não é a maneira de protegê-las. As crianças precisam desenvolver a habilidade de navegar nesse ambiente por si mesmas.” – Bee Wilson

Escrevendo sobre esse assunto lembrei de um podcast que escutei.

Um dos tópicos era justamente sobre o excesso de cuidados em torno da alimentação. Será que essa é a melhor forma de cuidado, ou não pode ser a origem de uma visão inadequada sobre o que é ser saudável? Cito a fala de uma das mães participantes, que é nutricionista, para finalizar esse assunto tão importante: 

“(…) tratar alimentos de forma neutra, sem julgamento moral sobre a comida, é um dos maiores fatores, ambiente protetores, que você pode oferecer ao seu filho.”

Para acesso ao episódio do podcast citado acesse esse link 🙂

Até mais! 

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Vida de Nutricionista – Atendimentos

5 estratégias para o dia a dia de atendimento nutricional

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Muitos saem da faculdade com uma visão pouco aprofundada da área de atuação que escolheram seguir. A complexidade do atendimento nutricional em consultório se apresenta desde os primeiros momentos, mesmo aos que se dedicaram aos estágios e cursos durante a graduação.

Há as dificuldades iniciais: acostumar-se com a dinâmica dos atendimentos, escolher o perfil de clientes com quem deseja trabalhar, ou qual será a conduta clínica e a organização da rotina de atendimentos, já que muitos tornam-se seus próprios “chefes”. 

No entanto, a questão é mais profunda, pois dificilmente somos ensinados sobre organização financeira, atendimento ao cliente ou empreendedorismo. Por isso, a importância de expandir o horizonte e também aprender com outras áreas.  

Diante de tudo isso, que tal conhecer cinco estratégias que podem te auxiliar no dia a dia do atendimento nutricional?

1. Não trabalhe sozinho: acredito que a primeira estratégia é contar com colegas de profissão, trocar experiências, condutas clínicas, ter apoio é fundamental! 

2. Cuide primeiro de si: estabelecer prioridade no autocuidado é essencial para cuidar do próximo. Busque manter uma rotina condizente com a sua realidade, ter apoio da psicoterapia, além de supervisão profissional se precisar. 

3. Contato multiprofissional: a nutrição é terapia complementar em muitos quadros clínicos, por isso, tenha contato com outros profissionais que atendem ao seu cliente, como o médico, psicólogo ou educador físico.

4. Estudo e mais estudo: mesmo após formados essa vida de estudos não acaba, inclusive escrevi um blog sobre isso com 4 sugestões bem interessantes, confira clicando aqui! 

5. Ferramentas importantes: além de livros e equipamentos você pode contar com um software completo, como o Allivici, para tornar o seu dia a dia de atendimento nutricional mais assertivo e simples!

Claro, essa são apenas algumas estratégias que podem te ajudar, há outras dependendo da sua área de atuação! Para finalizar, um lembrete importante: não tenha vergonha de pedir ajuda a um colega e avalie o seu sucesso profissional sempre baseado no seu progresso, não se comparando aos outros!

Até mais! 

Atualidades

Estratégias nutricionais no vegetarianismo

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (1) vegetariano é todo aquele que não possui como parte de sua alimentação carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

O veganismo é uma forma de vegetarianismo, porém busca a exclusão do consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados em animais também. Ou seja, o foco não é apenas no consumo alimentar.

As razões para a adesão do vegetarianismo são diversas, mas em geral focam em questões de saúde, preservação do meio ambiente, éticas e sociais. Além disso, há classificações dependendo das restrições de consumo alimentar: 

  • Ovolactovegetariano
  • Lactovegetariano
  • Ovogevetariano
  • Vegetariano estrito
  • Vegano

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a redução. 

Independente da escolha, ou seus motivos, quando a alimentação é bem orientada não há motivos para não ser adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há algumas estratégias que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Estratégias nutricionais 

  • Cálcio: a biodisponibilidade é menor devido o ácido oxálico. Frutas e vegetais ricos em potássio e magnésio contribuem para absorção do cálcio; 
  • Zinco: menor biodisponibilidade devido a fatores como o fitato, por isso é importante que o consumo seja maior e associado à vitamina C, visando reduzir o efeito do ácido fítico; 
  • Ferro: ter atenção aos fatores que estimulam a absorção (vitamina C) e inibem (alimentos fonte de cálcio ou polifenóis como taninos e catequinas);
  • Vitamina B12: não há fontes alimentares de origem vegetal, podendo ser suplementada e os níveis séricos devem ser monitorados com maior frequência;
  • Consumo de fibras: a distensão gástrica pode estar associada ao consumo excessivo de fibras vegetais, o mesmo pode ser ajustado até que ocorra a adaptação intestinal; 
  • Modo de preparo das refeições: preparações fritas, ou que necessitam da adição de grande quantidade de farináceos devem permanecer sendo exceções, se atente para isso também.

O padrão alimentar vegetariano está associado a diversos benefícios para a saúde, como um maior consumo de fitonutrientes, redução dos níveis de colesterol sérico, melhora da pressão arterial e controle glicêmico. 

É importante ressaltar que objetivo dessa escolha pode estar muito além da saúde. Por isso, o nutricionista deve entender as razões do paciente ao aderir o vegetarianismo para poder adequar melhor a conduta terapêutica!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Vegetarianismo: o que é. Disponível em: https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e 
  2. DINU et al. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: A systematic review with meta-analysis of observational studies. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 57, n. 17, 2017. https://doi.org/10.1080/10408398.2016.1138447
  3. PARKER, H.W; VADIVELOO, M.K. Diet quality of vegetarian diets compared with nonvegetarian diets: a systematic review. Nutrition Reviews, v. 77, n. 3, 2019.  https://doi.org/10.1093/nutrit/nuy067 
Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Sem categoria

Vida de Nutricionista – Páscoa

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Domingo foi a Páscoa, você comeu chocolate?

A data muitas vezes é celebrada com chocolate, mas na verdade a Páscoa tem sua origem na tradição judaica em memória da libertação de um povo. É interessante observarmos como como hoje a celebração acaba sendo em torno do chocolate para muitas pessoas! 

A data não é apenas sobre chocolate, mas se esse alimento estiver presente é importante que esteja inserido sem julgamentos, exageros, promessas ou comportamentos compensatórios após o consumo. 

Muitas pessoas relatam um consumo excessivo de chocolate, ou outros doces, justificado pela “saudabilidade” desse alimento, quando esses são sem açúcar/lactose. Porém, sabemos que nenhum consumo em excesso, independente de qual seja, é saudável. 

É claro que o conceito de saudável passa pela qualidade alimentar, mas será que apenas não possuir lactose ou açúcar classificaria um alimento como saudável?

Em a “História do Chocolate”, um TED-Ed curto e bem interessante, uma questão importante é levantada sobre como é importante considerarmos a produção do que comemos, já que grandes empresas, muitas vezes, a realizam aos custos de condições inapropriadas de trabalho. Assista ao vídeo

Então, será que a atenção não deveria estar em outro lugar? 

Por exemplo, de que forma o chocolate foi consumido durante a páscoa, ou como o paciente está lidando com a disponibilidade desse alimento agora? Será que houve culpa ao comer? Restrições desnecessárias ao longo da semana para compensar o consumo? Tudo isso pode ser considerado, ao invés do “só voltar para a dieta“. 

E se estamos falando sobre o conceito de saudável, a sustentabilidade e condições de trabalho na produção desse alimento também deve ser considerada. Que tal valorizarmos mais o consumo de produtos locais? O cacau é um fruto com produção brasileira e existe diversas marcas de chocolate nacionais para experimentarmos! 

E pra terminar… 

Eu não sei se você se sente da mesma forma, pode ser que não, mas já percebeu como muitas vezes um nutricionista aparenta não ter a mesma liberdade para também comer chocolate? Ou será que somos nós que não nos permitimos fazer isso? 

Tudo bem se você decidiu não comprar um Ovo de Páscoa, ou comer chocolate “só porque é Páscoa”, ou não comemorar essa data por motivos pessoais. A questão é se existe a necessidade de justificar o que você come, ou permanecer sempre dentro de certas regras e estereótipos.

Já parou para pensar como é a sua relação com a comida? Ser nutricionista é a nossa profissão, mas será que estamos nos permitindo viver uma vida que não gira em torno da alimentação? 

Espero que tenha tido uma boa paz(coa).

Até mais! 

Atualidades

Abril Azul: Conscientização do Autismo

A campanha do “Abril Azul” e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02/04) são iniciativas que visam conceder mais atenção para essa temática. Pensando nisso, trouxemos um blog sobre o papel da nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O autismo é classificado como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação e interação social, além de poder comprometer o comportamento em diferentes graus. Como a condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve sempre ter o cuidado multiprofissional em foco. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no TEA?

A orientação nutricional deve considerar as restrições e aversões alimentares, além de considerar as diferenças metabólicas associadas ao estado nutricional.

Há biomarcadores indicativos de insuficiência vitamínica, maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia. 

É importante sempre monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação nutricional. Há outros pontos a serem considerados e observados também:

  • Estado nutricional: impactado por maior seletividade alimentar – aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo;
  • Alimentação seletiva: risco de carência para fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C;
  • Consumo de nutrientes específicos: aminoácidos como cisteína e metionina, ácido fólico, vitamina B6 e B12 são essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM); 
  • Alterações gastrointestinais: maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação, e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal;
  • Suplementação de probióticos: quando realizada visa promover a melhora das alterações intestinais, regulação importante para a modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina.

Há estudos sobre a indicação de condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica. Porém, os mesmos ainda apresentam resultados bem conflitantes entre si e diversas limitações.

O principal cuidado a ser adotado é que mudanças comportamentais, como a seletividade alimentar, não impactem negativamente no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.

O contato com o terapeuta ocupacional ou psicoterapeuta é válido para estabelecer estratégias de como introduzir ou estimular o consumo de determinados alimentos, por exemplo. Algumas podem incluir: 

  1. Utilização de pratos com divisórias ou oferta dos alimentos de forma separada;
  2. Teste de diferentes formas de preparo, como alterando a textura ou os cortes;
  3. Não usar técnicas para “enganar” ou esconder alimentos durante as refeições. 

Quer se manter atualizado no assunto? A primeira revista brasileira e online sobre autismo contém diversos materiais e sugestões. Acesse aqui!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. KARHU et al. Nutritional interventions for autism spectrum disorder. Nutrition Reviews, p. 1-17, 2019. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuz092
  2. RISTORI et al. Autism, gastrointestinal symptoms and modulation of gut microbiota by nutritional interventions. Nutrients, v. 11, n. 11, p. 1-21, 2019. https://doi.org/10.3390/nu11112812 
  3. SIVAMARUTHI et al. The role of microbiome, dietary supplements, and probiotics in autism spectrum disorder. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 17, pg. 1-16, 2020. https://doi.org/10.3390/ijerph17082647  

Atualidades, Estudante de Nutrição

Rotina de estudos do nutricionista

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Desde criança eu sempre fui daquelas estudantes dedicadas, sabe? Acredito que por essa razão me acostumei com uma certa rotina na vida acadêmica. Foram vinte anos com calendário letivo, horário para estudar e claro dor de cabeça nos projetos em grupo (risos).

Faz dois meses que me tornei oficialmente nutricionista, desde então tenho aprendido como é a vida de estudos após formada. Não sei como foi, ou será, para você… por aqui senti aquele alívio de não ter mais datas para entregar relatórios, trabalhos, ou o TCC. Não demorou muito para que caísse a ficha: quem teria que colocar esses prazos era eu!

Como tudo, há sempre dois lados. Tentei ver o positivo – posso me dedicar ao que faz sentido para a área que escolhi e organizar a própria rotina. Só que naturalmente vem uma insegurança de não saber o suficiente, ou a cobrança de precisar saber mais. Seria esse o lado negativo? Me acompanhe em um outro ponto de vista:

Recentemente eu li um livro que trouxe a seguinte frase: 

“Quanto menos sabemos um assunto, menos somos capazes de avaliar o tamanho da nossa ignorância e achamos que sabemos mais do que outros. A melhor maneira de enfrentar isso é estudando. Quanto mais estudamos, mais ficamos inseguros, pois passamos a saber o abismo do nosso conhecimento real”. O lado bom do lado ruim

Apesar do que muitos dizem, a insegurança não precisa ser algo ruim. Ela demonstra nossas limitações e como podemos aprimorá-las. Claro, não precisamos saber sobre tudo, cada um possui sua especialização e área de atuação. Além disso, esse sentimento de preciso saber mais é inclusive positivo – “quem acha que sabe tudo, nada sabe”. 

E pra terminar, um recado: a vida de estudos após formados não acaba! Seja com as diversas especializações que muitos escolhem fazer no decorrer da carreira, ou no dia a dia mesmo, com cada paciente/cliente que atendemos e suas singularidades clínicas que merecem tanta atenção!

Sabendo como tudo pode ser complexo trago aqui 4 sugestões que podem deixar a sua rotina de estudos mais completa:

1. Cronograma: já pensou em colocar na sua agenda horários para estudar, ler artigos e se atualizar? Se você ainda não tem esse hábito, comece aos poucos, 1h por semana! 

2. Software: grande parte da sua rotina é destinada ao planejamento alimentar dos pacientes/clientes? Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o Allivici! Assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar!

3. Trocar experiências: ter apoio de colegas de profissão e dividir condutas é uma ótima ideia, principalmente se você está no começo na carreira, ou em transição para o atendimento clínico. Já pensou nisso?

4. Apoio científico: se manter atualizado por artigos e diretrizes é um caminho, mas também podemos contar com bons livros! Deixo aqui três que uso em minha prática clínica: 

Até mais! 

Atualidades

Como a pandemia tem afetado a qualidade do sono?

Hoje, 19/03 é o Dia Mundial do Sono! Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico recém publicado sobre uma realidade que ainda estamos vivendo: a pandemia do novo coronavírus. Entre tantos impactos que a mesma gerou, sabia que o nosso sono também foi afetado?

Uma revisão sistemática e meta-análise (JAHRAMI et al., 2021) avaliou justamente isso, o impacto da pandemia na prevalência de distúrbios do sono na população em geral, profissionais da saúde e pacientes com COVID-19.

Introdução

Doenças infecciosas, como a COVID-19, estão associadas com diversos sintomas, como maior estresse psicológico e menor qualidade de sono. Uma boa qualidade de sono é essencial para saúde física e mental, além de auxiliar na regulação da resposta imunológica. Descobertas sobre como a pandemia causada pelo SARS-Cov-2 impactou a qualidade do sono podem ser úteis para desenvolver intervenções que reduzam esses problemas.

Métodos

Uma revisão sistemática e meta-análise foi realizada sobre sono e COVID-19 em toda literatura disponível, os critérios de inclusão foram: intervalo definido de publicação, artigos originais, estudos que relataram dados numéricos para problemas de sono. A qualidade dos artigos encontrados foi avaliada pela escala Newcastle-Ottawa. A análise foi de 44 estudos publicados após março de 2020, os quais incluiram 54.231 mil participantes de 13 países.

Resultados e discussão

A meta-análise da prevalência de problemas de sono indicou uma taxa de 35,7%, referente a todas as populações dos estudos. A população geral e os profissionais de saúde demonstraram taxas próximas, com 36,0% para o primeiro grupo e 32,3% para o segundo, respectivamente. Pacientes com COVID-19 foram os mais afetados, com uma prevalência de 74,8%.

Em comparação com outras meta-análises, as quais avaliaram a prevalência de estresse, ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19, a porcentagem encontrada de problemas de sono é similar a todas as outras.

Era esperado que pacientes com COVID-19 apresentassem maior distúrbios do sono, devido aos sintomas como tosse, febre e dificuldade em respirar, os quais podem atrapalhar o sono. No entanto, essa sobreposição das taxas e similaridade entre resultados apontam para possíveis associações entre comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono; como a possibilidade de maior estresse e ansiedade entre pacientes com COVID-19.

Uma das limitações do estudo deve ser destacada, a investigação não considerou fatores como: atividade física, fumo e uso de substâncias, estresse pós-traumático ou fatores de confusão social, como mudança de estado civil ou emprego; os quais poderiam ser relevantes.

Conclusão

Problemas de sono durante a pandemia da COVID-19 afetou aproximadamente 40% da população estudada. O grupo que apresentou maiores taxas de prevalência para problemas do sono foram pacientes com COVID-19. É necessário que outros estudos sejam conduzidos, principalmente longitudinais, para determinar o impacto da COVID-19 no sono. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Novo posicionamento sobre consumo de gorduras

Recentemente, em fevereiro de 2021, a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou um Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Considerando que a última publicação sobre a temática foi a Diretriz de 2013 (link), essa foi uma produção revelante para a área!

Sabemos que a nutrição exerce um papel essencial na gênese, prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares. Por décadas, diversos artigos, diretrizes e posicionamentos foram publicados sobre o papel do consumo alimentar na saúde cardíaca e cardiovascular, principalmente em relação aos alimentos fontes de gorduras.

No entanto, muitos resultados divergentes entram constantemente em discussão. Esses conflitos podem ser compreendidos pela imprecisão metodológica em muitos estudos, além da impossibilidade de comparação entre os mesmos quando há disparidade no tamanho da amostra, população ou nutriente estudado, por exemplo.

Também é necessário reconhecermos que, muitos sites e blogs fazem uso e divulgam dados de forma não correspondente à publicação científica realizada, gerando confusão na população, ou até mesmo entre nós.

As primeiras orientações dietéticas publicadas sobre o tema são dos anos 50, e desde então muita coisa mudou. O que há de evidência nessa temática atualmente? Destacamos alguns pontos:

Impacto no perfil lipídico

  • Gordura trans e saturadas exercem maior potencial para aumentar os níveis plasmáticos de colesterol total (CT) e LDL-c. Já a concentração de triglicerídeos (TG) pode ser aumentada por um maior consumo de carboidratos refinados;
  • Diferentemente de anos atrás, não há mais uma recomendação de ingestão máxima por dia de colesterol alimentar. No entanto, permanece orientado que mantenha-se o menor possível. Pois, mesmo não exercendo papel primordial no colesterol sérico, ainda causa impacto em indivíduos hiper-responsivos.
  • Ácidos graxos saturados, principalmente o palmítico, apresentam capacidade de ativar resposta inflamatória e de estresse oxidativo, prejudicando a integridade do endotélio vascular e potencialmente contribuindo para a gênese da aterosclerose; além de prejudicar a funcionalidade de receptores de insulina;
  • O contexto alimentar exerce maior impacto do que o consumo de alimentos isoladamente. Ou seja, mesmo sendo alimentos ricos em ácidos graxos saturados, e sabendo dos efeitos que esses causam quando consumidos em excesso, eles podem exercer um menor impacto na saúde quando estão inseridos em um contexto saudávelcom adequação calórica, inclusão de grãos, frutas, hortaliças e redução do consumo de açúcar, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e trans.

Óleos e gorduras

  • Além do óleo de oliva, pode ser orientado o uso do óleo de canola ou soja para o preparo das refeições, esses possuem menor teor de ácidos graxos saturados e maior quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) em sua composição, em comparação com outros óleos vegetais; 
  • Não há indicação para a substituição de óleos vegetais, como de canola ou oliva, por óleos de coco ou palma, os quais devem ser consumidos apenas de forma ocasional, devido o alto teor de gordura saturada.

Microbiota intestinal

  • Dietas hiperlipídicas, especialmente ricas em ácidos graxos saturados, são capazes de alterar a composição da microbiota intestinal, induzir a redução de diversidade bacteriana e aumentar a permeabilidade intestinal; favorecendo a disbiose e até mesmo inflamação sistêmica de baixo grau. O padrão alimentar é muito importante na modulação intestinal, destacando a importância de um consumo alimentar rico em fibras.

Ácidos graxos ômega 3

  • A relação de consumo entre ácidos graxos poli-insaturados ômega 6 e ômega 3 deveria ser menor do que é atualmente na população ocidental. No entanto, a orientação para consumo ainda deve ser realizada baseada na porcentagem de consumo de cada gordura, e não estritamente na relação entre os mesmos; 
  • potencial anti-inflamatório derivado de um consumo alimentar rico em ácidos graxos ômega 3. Entretanto, mesmo com os possíveis benefícios, não há evidência suficiente para recomendação de suplementação em muitas condições clínicas;
  • O óleo de krill é uma ótima fonte de ácido graxo eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), apresentando maior biodisponibilidade do que o ômega 3 marinho por ter a maior parte de seus ácidos graxos na forma de fosfolípides.

Esse posicionamento trouxe atualizações sobre a temática, mas também um lembrete importante: “devemos priorizar a avaliação de padrões alimentares, propondo orientações e melhorias também qualitativas, não valorizando alimentos individualmente ou os classificando como proibidos”.

Toda orientação ou intervenção nutricional deve capacitar o indivíduo com conhecimento necessário sobre os alimentos para que ele mesmo possa realizar escolhas alimentares mais saudáveis! 

Para acesso ao posicionamento na íntegra acesse esse link!

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Obesidade

Ontem, dia 04/03, foi o Dia Mundial da Obesidade

A data surgiu com o objetivo de conceder maior atenção para essa condição multifatorial de saúde que só no Brasil atinge 19,8% da população (1). Muito progresso tem sido alcançado nos últimos anos, mas a verdade é que essa condição ainda é recente para a humanidade e estudada há menos de 100 anos. Além disso, é mal compreendida por muitos, afetando o próprio desenvolvimento e tratamento da obesidade.

É notoriamente conhecido que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e do sedentarismo podem aumentar o risco para obesidade. No entanto, seria apenas isso? Todos que se alimentam dessa forma, ou não praticam exercícios físicos, desenvolvem obesidade? Por que muitos tratamentos focam apenas nesses aspectos? 

Em 2020, duas publicações na Nature Medicine e The Lancet  refutaram essa visão simplista sobre a obesidade e trouxeram temas essenciais a serem reconhecidos e discutidos. Destacamos cinco pontos, entre tantos significativos:

  • Obesidade não é uma condição existente por preguiça, falta de força de vontade, ou causada voluntariamente por comer em excesso e não se exercitar; assim como não é reversível apenas ao “comer menos e se exercitar mais”. (2,3); 
  • O atual diagnóstico para obesidade, apenas baseado no IMC, precisa ser reconsiderado, sendo necessário que mais sinais e sintomas sejam avaliados, como comorbidades associadas e redução da qualidade de vida (2); 
  • Reconhecer que nem todos os caminhos que levam à perda de peso corporal sempre funcionam, para todos, é muito importante; a própria manutenção do peso já pode ser considerada um resultado positivo durante o tratamento (3);
  • Profissionais de saúde passam menos tempo atendendo indivíduos com obesidade e muitos pacientes declaram sofrer preconceitos em ambientes médicos ou de cuidado à saúde (2); 
  • É importante se atentar para a linguagem utilizada, sem generalizações ou termos com conotações negativas. Assim como o ambiente em que o paciente é acolhido, cadeiras com apoios laterais limitam o acesso físico e equipamentos com capacidade superior a 150kg devem estar disponíveis (3);

Além dessas publicações, o Canadá lançou um novo guideline, também abordando essas questões. O mesmo traz pontos interessantíssimos, como o papel da saúde mental, a redução de estigma do peso e como intervenções comportamentais podem impactar no manejo da obesidade. Para acessar todos os capítulos clique aqui

A obesidade deve ser discutida de forma multidisciplinar e a conduta de tratamento reconsiderada, não sendo tão somente focada no peso corporal. Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Para mais, é necessário falar sobre gordofobia e todo estigma acerca do peso corporal, muitas vezes existente entre os próprios profissionais de saúde. Diversos movimentos precisam ser reconhecidos, pois somente aqueles que vivem com obesidade sabem e sentem como isso os afeta. Sendo a escuta uma premissa fundamental do cuidado, mais atenção ao paciente de forma integral deveria ser concedida (4). 

Com o objetivo de promover menos estigma, mais consciência e acolhimento à temática, o Instituto Obesidade Brasil irá realizar um evento online e gratuito amanhã, dia 06/03. É muito importante se manter atualizado, principalmente sendo nutricionistas, pois somos muito buscados para auxiliar no manejo da obesidade. Para se inscrever e participar é só acessar esse link

Até mais!

REFERÊNCIAS

  1. BRASIL. Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, Brasília, 2019.
  2. RUBINO et al. Join international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature Medicine, v. 26, p. 485-497, 2020. 
  3. ALBURY et al. The importance of language in engagement between health-care professionals and people living with obesity: a joint consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol, v. 8, p. 447-455, 2020. 
  4. BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas. Nota: um convite à reflexão sobre o movimento contra a gordofobia e o fenômeno da obesidade. Brasília, 2020.

Atualidades

Doença Celíaca e Níquel: o que o nutricionista precisa considerar

A Doença Celíaca é uma doença inflamatória crônica intestinal desencadeada pelo consumo de glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis, que apresentam resultados positivos para o Antígeno Leucocitário Humano (HLA) DQ2 e/ou DQ8. 

Além desses, o diagnóstico de Doença Celíaca em adultos pode ser confirmado pelos resultados positivos dos testes sorológicos específicos para Anticorpo Anti-Endomísio e Anti-Transglutaminase tecidual e associados aos achados de atrofia das vilosidades intestinais, no exame histológico em biópsias duodenais. 

O alvo principal na Doença Celíaca é o intestino e assim, pode acontecer manifestações gastrointestinais após o consumo de glúten, tais como distensão abdominal, dor abdominal, diarreia e constipação.

Além desses, podem acontecer também sintomas extra-intestinais. 

O tratamento para a Doença Celíaca é a dieta livre de glúten vitalícia e estrita. Entretanto, muitos pacientes com Doença Celíaca se queixam da persistência ou recaída dos sintomas, mesmo seguindo a dieta livre de glúten.

Nesses casos, além da checagem minuciosa do profissional de saúde sobre a adesão a alimentação orientada e do acompanhamento dos exames laboratoriais, pode ser interessante descartar possíveis diagnósticos de outras doenças intestinais, tais como a Síndrome do Intestino Irritável, ou Intolerância à Lactose. 

Alguns casos, mesmo após essas investigações, permanecem sem solução. E levam a  tentativas com uma dieta pobre em oligo -, di- e monossacarídeo fermentáveis e polióis (FODMAPs). 

Nesse sentido, de tentar outras possíveis interferências alimentares, mais recentemente, a mucosite de contato alérgica ao níquel, foi sugerida como uma nova abordagem terapêutica. Uma vez que ao consumir alimentos ricos em níquel, podem aparecer sintomas semelhantes aos da Síndrome do Intestino Irritável. 

Esse quadro pode fazer parte da Síndrome alérgica sistêmica ao níquel e pode levar além das manifestações gastrointestinais, também a sintomas extra intestinais. 

Essa questão se torna relevante para o nutricionista, pois a maioria dos alimentos sem glúten contém alto teor de níquel e, assim, a sensibilidade ao níquel pode exacerbar os sintomas em indivíduos predispostos, especialmente quando há presença de Doença Celíaca em dieta sem glúten em longo prazo.  

Confira os alimentos ricos em níquel e também as fontes de FODMAP! Duas linhas propostas para tratamento de pessoas com sintomas gastrointestinais que aparentam não ter solução. 

Sobre o níquel

Um elemento presente em muitos alimentos, com uma certa variabilidade de concentração dependendo do tipo de solo e espécies de plantas, água de irrigação, fertilizantes e pesticidas. Assim, por ser impossível sua eliminação total da dieta, recomenda-se evitar apenas alimentos com alto teor estimado de Ni (Ni> 100 μg / kg). Ainda, o uso de utensílios e panelas de aço inoxidável também tem sido desencorajado, a fim de reduzir a contaminação por níquel durante o cozimento.

Interessante saber

Há maior prevalência no sexo feminino na Doença Celíaca. De acordo com a literatura, a proporção está estimada em cerca de 3:1 (mulher/homem). Assim como também acontece com a alergia ao níquel, mais comum em mulheres, com uma prevalência aproximada de 15 a 20%. 

Alimentos ricos em Níquel e FODMPAs:

Alho

Couve-flor

Cebola

Repolho

Aspargos

Brócolis

Alcachofra

Couve de bruxelas

Alho poró

Cogumelos

Feijões

Peras

Ervilha

Ameixa

Soja

Mirtilos

Frutas secas

Chás

Alimentos ricos em FODMAP:

Maçã

Cerejas

Cevada

Mel

Abacate

Abóbora

Amaranto

Adoçantes

Banana

Trigo Farinha de coco

Inulina

Manga

Centeio

Café instantâneo

Pêssego

Quinoa

Chá de camomila

Toranja

Arroz

Referências:

Carrapatoso, I. et al. Dermatite endógena induzida pela ingestão de níquel. A propósito de dois casos clínicos. Revista Portuguesa de Imunoalergologia 2004; XII : 261-270. 

Borghini, R. Efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor de níquel na recidiva de sintomas semelhantes ao IBS e extraintestinais em pacientes celíacos durante uma dieta sem glúten adequada: Mucosite de contato alérgica com níquel na suspeita de doença celíaca não responsiva. Nutrients 2020 , 12 (8), 2277. 

Atualidades

SUPER FOODS

Os valores antioxidantes dos alimentos listados são expressos em unidades ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity), uma unidade de medida do conteúdo antioxidante que foi originalmente desenvolvida pelo Instituto Nacional de Envelhecimento (NIA) do National Institutes of Health.

Os melhores antioxidantes e supostos “super alimentos” antienvelhecimento, pode vê-los classificados por seus valores ORAC – valores mais altos implicam uma quantidade medida mais alta de atividade antioxidante, alguns alimentos são somente extratos, pois devido a concentração no alimento ser pequena, precisa se fazer o extrato em grande quantidade do alimento e transformado em suplemento para atingir um valor apropriado de consumo sendo, antioxidante.


Astaxanthin Supplements – 2822200

triphala churna Supplements – 706250


bacopa/astragalo Suplements -169800

Canela – 131420


Cúrcuma longa – 127068
Extrato da semente de uva – 108130


Licorice root Suplements – 102945


Açaí berry powder -102700



Costuma indicar algum deles?


Aproveite para marcar seus amigos que ainda não conhecem e que gostariam de saber!!!  

#superfoods #abacate #azeite #oleaginosas #berries #legumes #nutrição #nutricaoparaleigos

Atualidades

Qual tipo de açúcar escolher ?

Agora fica mais fácil de escolher, qual tipo usar !! .
🔻
Açúcar refinado: é o açúcar branco, obtido do açúcar cristal, tratado com enxofre e soda cáustica.
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Açúcar cristal: obtido da centrifugação do caldo de cana, clareado com enxofre e soda cáustica.
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Açúcar demerara: obtido da clarificação ( sem aditivos químicos) preserva parte dos nutrientes da cana.
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Açúcar mascavo: obtido da secagem do melado da cana é a versão mais sólida e bruta que preserva minerais como o ferro e o cálcio.
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Açúcar de coco: vem da palmeira do coco e assim como o açúcar mascavo não passa por processo químico.
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Melado de cana: objetivo do cozimento do caldo de cana, sem processamento químico, a partir do melado surgem o açúcar mascavo e a rapadura
🔻
Cuidado, com a quantidade e lembre-se de acostumar o paladar a experimentar os sabores naturais, sem Adição de açúcar! 
#acucares #mascavo #coco #natural #demerara

Atualidades

O Açúcar é VICIANTE?

Vários estudos sugerem que alimentos altamente palatáveis e processados podem produzir comportamentos e mudanças nos cérebros iguais aos usados para diagnosticar um vício, como drogas e álcool.😱

Um estudo de 2013 descobriu que a adição de açúcar encontrada nos alimentos industrializados, cujas concentrações são consideradas seguras, exerce impactos dramáticos sobre a saúde dos mamíferos, o que motivou os pesquisadores a pedir uma reavaliação desses níveis de consumo ditos como “seguros”.


O açúcar, quando alto ou descontrolado no sangue também contribui para a doenças cardiovascular, bem como doenças do fígado, hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e Alzheimer.

O nível de açúcar no sangue se altera a partir do consumo, não apenas do açúcar de adição, por exemplo, o que se acrescenta em bebidas ou receitas, mas também pelo consumo de alimentos que contenham moléculas de glicose, como por exemplo, em farinhas (trigo, centeio, arroz, mandioca, batata). E essa entrada de glicose no corpo, consequentemente eleva a liberação do hormônio insulina no corpo.

Entretanto, quando a insulina se eleva em “picos”, por um consumo descontrolado de fontes de glicose, pode haver maior acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal, ou seja, maior armazenamento na região da barriga. Juntamente a uma maior sensação de vontade de comer mais doces e junk food ricos em açúcar!

Gerando assim um ciclo, no qual, há dependência em comer doces e uma vontade constante por consumir açúcar.


Referência:

ref: DOI : 10.1097/MCO.0b013e328361c8b8

Atualidades

QUAL TIPO DE SAL DEVO USAR?

Existem três métodos para produzir sal: evaporação solar, mineração do sal de rocha e evaporação sob vácuo através de evaporadores comerciais.

No Brasil, como em grande parte do mundo, muito se utiliza o método mais antigo que se dá através da evaporação da água do mar e cristalização do sal (evaporação solar), sendo o Rio Grande do Norte responsável por 97% da produção nacional.


Quando produzido industrialmente, o sal é tratado com produtos químicos para remover minerais referidos como impurezas e comercializado com diversos graus de pureza e granulometria. O problema é que nessa remoção de impurezas, remove-se também elementos que são positivos para a saúde.

Os principais sais são: *Sal light – Comparado ao sal comum, este sal tem menor teor de sódio, mas é refinado. É composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio

*Sal marinho – não refinado é o sal obtido antes do processo de purificação, onde são colocados compostos químicos para facilitar seu uso. Ele contém alto teor de magnésio e por isto é considerado mais saudável. Também contém iodo orgânico natural, que tem boa absorção.


*Sal Rosa do himalaia – Rico por apresentar mais de 80 oligoelementos na sua composição tais como o cálcio, magnésio, potássio, sulfato, ferro, zinco, cobre, manganês, cromo e chumbo.

*Sal negro – é considerado uma especiaria de arrefecimento na medicina Ayurveda e é utilizado como um laxante e ajuda digestiva. Mas cuidado, pois, atualmente, modernos processos de fabricação podem fazer este sal sinteticamente.


*Flor de sal / sal de Mossoró – Sendo um sal mais completo, oferece todos os benefícios do sal marinho contendo cálcio, magnésio, ferro, iodo e potássio em sua composição, e geralmente apresenta mais umidade que os demais.

E qual usar?
Tudo depende, mas o refinado já não é uma boa opção e sabendo que precisamos de minerais que em alguns tipos tem. A minha indicação é o sal marinho não refinado, mas cuidado com a quantidade usada diariamente.

Nutrição Materno-Infantil

O ácido araquidônico no leite materno

Dentre os inúmeros benefícios do leite materno para o crescimento e desenvolvimento adequados dos bebês, está a presença, mesmo que em quantidades relativamente pequenas, dos ácidos graxos essenciais.

Tanto o ácido araquidônico (ARA), quanto o ácido docosahexaenoico (DHA) estão presentes nos glóbulos de gordura, na forma de triglicerídeos e, secundariamente, em fosfolipídeos (fosfatidiletanolamina, fosfatidilcolina, esfingomielina, fosfatidilserina e fosfatidilinositol).

Em relação ao ácido araquidônico no leite humano, sua presença influencia a formação de uma variedade de moléculas bioativas, incluindo as prostaglandinas. Esses componentes irão beneficiar os lactentes em diferentes tecidos, tais como:

– Proteção e auxílio na motilidade intestinal;

– Modulação da inflamação, pois atuam como sinalizadores;

– Papel no início da resposta da sucção do leite;

– Modulação da saciedade e metabolismo energético;

– Desenvolvimento cerebral. 

Desta forma, cuidar da alimentação materna para que haja uma boa variedade no consumo de gorduras, incluindo fontes de gorduras poli-insaturadas em quantidades adequadas é garantir que o ácido araquidônico pré formado esteja presente no leite e exerça todos os benefícios citados acima ao bebê amamentado.

Vale mencionar que a recomendação para quando a mãe não puder amamentar, é que a fórmula indicada tenha a adição de DHA e ARA.  

Referência

Salem, N. Jr .; Van Dael, P. Ácido araquidônico no leite humano. Nutrientes 2020 , 12 , 626.

Crossfit, Sem categoria

Sono, Cafeína e anticoncepcional, entenda a relação entre eles

A cafeína, seja ela em forma de café, energético ou cápsulas em doses variando de 200 a 400 mg, demonstrou ser eficaz e, é frequentemente utilizada, para manter o desempenho no contexto de privação, sedação e restrição do sono.

De fato, a administração de cafeína tem sido usada como modelo de insônia. Estudos, demonstram que doses crescentes de cafeína (maior que 100 mg administrada na hora de dormir ou próximo a até 3 horas antes de dormir) está associada a distúrbios significativos do sono, desde o deitar, até a dificuldade em manter os ciclos do sono completos.

Ainda não está claro até que ponto a cafeína interrompe o sono noturno em relação às doses consumidas ou mais perto da hora de dormir. Mas, um ponto é certo, seu consumo modifica a qualidade do sono.

E de que forma poderia haver relação entre o consumo de cafeína e o uso de anticoncepcional?

Bem, a presença do anticoncepcional prolonga a meia vida da cafeína em seu organismo em até duas vezes!

Sabemos que a metabolização da cafeína está relacionada às características genéticas individuais, entretanto, a privação de sono afeta diversas áreas em nossa vida e, assim, manejos que contribuam para garantir o sono reparador e de qualidade, devem ser incentivados!

Portanto, se faz necessário observar o quanto o consumo de cafeína está presente no dia e se este pode estar interferindo negativamente em seu sono, principalmente em mulheres em uso de anticoncepcional.

Referência:

Drake C; Roehrs T; Shambroom J; Roth T. Caffeine effects on sleep taken 0, 3, or 6 hours before going to bed. J Clin Sleep Med 2013;9(11):1195-1200.

Nutrição Materno-Infantil

Saiba mais sobre as diferenças entre os leites e as bebidas vegetais

O aumento no número de casos de crianças com alergia ao leite de vaca, ou intolerância à lactose, bem como a maior disseminação dos hábitos alimentares veganos, tem refletido diretamente no crescimento da busca por bebidas alternativas, provenientes de fontes animais ou vegetais (dependendo de cada caso). E essa mudança de comportamento acaba por suscitar um novo desafio aos profissionais de nutrição: educar a população acerca dos substitutos realmente adequados, disponíveis no mercado alimentício.

Para tanto, é necessário considerar as características do leite a ser substituído. O leite de vaca, por exemplo, contém energia, carboidratos (lactose), gorduras, proteínas, vitaminas B1, B2, B6, retinol, carotenos, vitamina E e minerais, com destaque para o cálcio, e em menores teores fósforo, potássio, magnésio e sódio.

Não obstante o aumento nos últimos anos de leites de outras espécies animais, tais como leite de búfala, responsável por 13% da produção global, seguido pelo de cabra (2,3%), ovelha (1,4%) e camela (0,3%), o leite de vaca continua correspondendo à 83% da produção mundial.

Entre eles, por certo, há diferenciação de características e composição. Uma amostra é o leite de búfala, acima citado, que contém mais que o dobro da quantidade de energia quando comparado ao leite de vaca. Valor que, vale frisar, é também elevado devido a acentuada quantidade de gordura saturada.

Ainda nessa comparação, o leite de búfala apresenta um pouco mais de proteínas, e ambos os leites contam com proporção similar de lactose.

Se analisarmos o leite de cabra, veremos que sua composição é semelhante ao leite de vaca, principalmente no tocante à quantidade de gorduras saturadas. Quanto a isso, inclusive, é importante ressaltar que o leite de cabra é rico em ácidos graxos de cadeia curta e média (6 a 10 átomos de carbono) – o que torna essa gordura uma fonte para rápido uso de energia (essa composição contribui para seu sabor característico). Possui quantidades de carboidratos e proteínas equivalentes ao leite de vaca, e um maior teor de retinol. 

Quanto ao leite de ovelha, sua digestibilidade é facilitada em razão dos tamanhos médios dos glóbulos de gordura. Ele possui maior teor de lactose, quando comparado aos leites de vaca e cabra, níveis mais baixos de sódio e potássio e altos níveis de retinol e taurina.

Embora não tenham sido citados nas porcentagens acima, referentes à produção mundial, os leites de égua e burro também devem ser analisados. Nesse sentido, ambos possuem baixo nível de lactose, caseínas, caseína e gorduras – sendo essas prioritariamente composta por ácidos graxos poli-insaturados, contendo ácido alfa-linolênico (série ALA, ômega 3) e ácido linoleico (série LA, ômega 6) – essenciais e precursores do ácido docosahexanoico (DHA) e ácido araquidônico (AA).

Os leites de dromedário e camelo (animais conhecidos como semi-ruminantes por terem no estômago 3 compartimentos e não 4 como os ruminantes) têm importância social e nutricional em áreas áridas e semi-áridas como fonte de alimentação para a população. O leite de camelo possui maior teor de gordura em relação ao de dromedário, no entanto, quanto à lactose, o conteúdo de ambos é similar.

Em relação ao leite de vaca, o leite de dromedário possui maior teor de ácidos graxos monoinsaturados e o de camelo menor teor de ácidos graxos saturados. Esses dois leites chamam a atenção pelo baixo teor de beta-lactoglobulina, sendo a proteína mais comum a alfa-lactalbumina e beta-caseína. Tais características os tornam fontes de maior digestibilidade, bem como suscitam a menor incidência de alergias.

Pelas diferenças expostas, e para que se encontre um substituto adequado ao leite de vaca (considerando o objetivo e as peculiaridades de cada caso), é que se torna tão imprescindível o maior conhecimento acerca da composição e características dos diversos tipos de leites disponíveis. E isso se refere não apenas aos de origem animal, mas também às bebidas vegetais. Essas últimas, vale dizer, vem sendo cada vez mais conhecidas e procuradas, em decorrência da maior disseminação dos hábitos alimentares veganos nos últimos anos

Tratam-se de bebidas (extratos) provenientes de cereais (aveia, arroz, milho), leguminosas (soja, amendoim, tremoço, feijão), oleaginosas (amêndoa, avelã, girassol – o de coco entraria nessa categoria) e a base de pseudo-cereais (quinoa, teff, amaranto).  

Quanto a sua terminologia, embora sejam comumente conhecidas como “leite vegetais”, segundo o regulamento 1308/2013 o termo “leite” deve ser utilizado apenas para designar produtos obtidos pela ordenha, sendo os demais denominados como bebidas (as exceções cabem apenas aos extratos obtidos de amêndoa e coco, os quais podem ser chamados de leites).

No que tange às diferenças de bases e composições, vale a análise de alguns tipos (os mais usuais) de bebidas e leites vegetais, quais sejam: soja, amêndoa, arroz, coco e aveia, conforme se verá a seguir.

A bebida de soja teve seu uso relatado pela primeira vez há cerca de 2000 anos na China. Ela contém carboidratos e gorduras muito mais baixos, e consequentemente menor valor energético, se comparados ao leite de vaca. Em relação ao perfil lipídico, possui menores níveis de ácidos graxos saturados e maiores quantidades de gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas.

Ao utilizá-la é importante estar atento à necessidade de suplementação do mineral cálcio e da vitamina B12. Alguns de seus benefícios são a ausência de lactose e colesterol, maior quantidade de proteínas em comparação a outras bebidas e alta digestibilidade. Importante salientar que a bebida de soja não deve ser oferecida antes do primeiro ano de vida, bem como faz-se essencial a prévia avaliação de possíveis alergias.

Quanto ao leite de amêndoa, observamos maiores níveis de gorduras mono e poli-insaturadas e bons níveis de vitamina E, cálcio, potássio, magnésio, ferro, selênio, cobre e zinco.  Tem como benefício seu papel prebiótico, influenciando o crescimento de bactérias benéficas no intestino. No uso desse leite, a suplementação de vitamina B12 também deve ser avaliada.

A bebida de arroz, por sua vez, é composta prioritariamente por carboidratos, apresenta menor teor de gorduras e possui cálcio, magnésio, ferro, vitaminas A e E. Já no leite de coco verifica-se alto teor de gordura (saturada), menor teor de proteínas, carboidratos, fibras e altos níveis de potássio, magnésio, ferro, zinco, vitaminas C e E.

            No que tange à bebida de aveia, podemos identificar menor teor de gorduras e proteínas, um bom perfil de aminoácidos e alta quantidade de fibras e fitoquímicos (antioxidantes). Em relação ao seu conteúdo de fibras, apresenta beta-glucana, do tipo solúvel e que tem a capacidade de diminuir os níveis de colesterol e glicose. Importante avaliar a necessidade de suplementação de cálcio quando essa bebida é utilizada.

Quando comparamos tais bebidas ao leite de vaca, torna-se importante enfatizar que:

– A bebida de soja apresenta teor de proteínas muito semelhantes ao leite de vaca. Outras boas fontes seriam as bebidas a base de quinoa, cânhamo e aveia.

– Nas bebidas a base de plantas alguns aminoácidos podem ser limitantes e com isso, a variedade do consumo ao longo do dia com outros alimentos é necessária. (*Limitantes: lisina nos cereais e metionina nas leguminoasas).

– As bebidas a base de planta não irão conter lactose, mas é importante estar atento as adições de açúcar e adoçante. E preferencialmente optar pelas bebidas sem esses componentes.

– Caso a criança tenha que fazer algum controle glicêmico o melhor seria optar por outras bebidas que não a base de arroz ou coco, por essas terem um índice glicêmico alto (IG>96). As melhores opções seriam aveia (IG = 59), pela presença da beta-glucana ou soja (IG 47-61) ou amêndoa (IG 49- 64).

– Geralmente as bebidas a base de vegetais industrializadas serão fortificadas com algumas vitaminas e minerais, mas caso os pais optem por prepara-las em casa é importante orientá-los para que complementem a alimentação ao longo do dia com vegetais folhosos verdes escuros, leguminosas e oleaginosas.

Por fim, diante de todo o exposto, conclui-se essencial o papel do profissional de nutrição no que se refere à escolha e à substituição dos leites e bebidas adequadas para cada caso, considerando a substituição do leite de vaca. Além disso, o profissional deve, ainda, estar atento a possíveis possíveis suplementações ou complementações via alimentação.

Crossfit, Sem categoria

Você acha que ele esta cuspindo água ?

Recentemente, a participação de atletas em eventos esportivos de ultra-resistência, como maratona, triathlon, wods, sets, prorrogações , entre outros,  tem aumentado a atenção despendida para o papel da nutrição sobre a performance.

A ÁGUA COM CARBOIDRATO e outras substâncias.

A combinação descrita acima além de servir como meio fundamental para reposição dos estoques de substratos energéticos gastos durante a atividade, interfere positivamente em outros aspectos como a fadiga central, a cognição e a resposta imune.

Os carboidratos durante provas longas mantêm o rendimento elevado. Assim, recomendações atuais sugerem que os atletas utilizem o gargarejo/bocheco como forma de auxiliar a manutenção de energia sem deixar que o estômago fique muito cheio e cause desconforto. Essa estratégia também beneficia a umidificação das papilas prevenindo que a boca fique seca, principalmente quando o atleta está exposto ao clima seco.

REFERÊNCIAS:

-APPLEGATE, L. A mania das dietas e utilização de suplementos na prática esportiva. Sports Science Exchange, v.4, p.1-4, 1996.

-DIET Balancer Program. New York, Nutridata Corporation, 1995. /Software

Corrida

Gel de carboidrato: como usar?

Companheiro de muitos corredores em treinos ou provas longas, o gel de carboidrato é o suplemento preferido pelos atletas por ser fácil de carregar e por fornecer energia rápida durante o exercício. Seu consumo, contudo, costuma gerar muitas dúvidas entre os atletas que estão começando a se aventurar em distâncias maiores, pois não é em todo treino ou prova que você precisa dele. Quando você corre, o principal combustível para seus músculos trabalharem é a glicose. Ela tem como origem o carboidrato (encontrado no pão, no macarrão, na batata, no arroz…) e é armazenada nos músculos e no fígado em forma de glicogênio. Em atividades físicas com até uma hora de duração, a alimentação ao longo do dia somada à refeição que antecedem o treino garantem a energia para o exercício. Porém, nosso estoque de glicogênio é pequeno e se esgota em treinos com mais de 60 minutos.

Nesse caso, o consumo de um carboidrato de rápida absorção durante a corrida, como o gel, vai fornecer energia para a continuidade da atividade física. Existem diversas marcas de gel no mercado, porém nem todos são iguais. A maioria contém os seguintes carboidratos: maltodextrina, frutose, dextrose, ribose e waxymaise, pois estudos indicam que a associação de dois ou mais tipos de carboidratos facilita e otimiza a oxidação desse nutriente, ou seja, é melhor para a performance. Além desses nutrientes, podem conter também proteínas (especialmente soro do leite – whey protein), aminoácidos, como o BCAA, ou até mesmo cafeína, que tem potencial ergogênico (de melhora de performance). Alguns corredores fazem uso do gel antes da largada para terem um desempenho ainda melhor. Muitos estudos afirmam que o consumo de carboidratos cerca de 20 minutos antes de treinos ou provas mais intensas minimiza a sensação de cansaço e o risco de elevação da insulina e de queda de glicemia.

O consumo com a água é importante para diluir o gel e, dessa forma, facilitar a absorção do carboidrato, pois concentrações altas do nutriente aumentam as chances de desconfortos gastrointestinais e de desidratação. É por isso que muitos atletas relatam sentir náuseas, diarreia e até vômitos após ingerirem o gel. É possível encontrar carboidratos em vários alimentos, como frutas, batatas, mandioca. Mas antes de usá-los em provas, é fundamental que sejam testados anteriormente durante os treinos. Existem as vantagens e desvantagens de cada método. A fruta, por exemplo, é rica em vitaminas e minerais, mas pode conter alta concentração de frutose, que também causa desconfortos gástricos. Apesar disso, não contem aditivos químicos e é mais barata. Para você saber qual a melhor estratégia a seguir durante seus treinos ou competições, procure um nutricionista e entenda melhor sobre o assunto.

Emagrecimento

Atualmente, a estratégia jejum intermitente vem ganhando popularidade. Apesar de já existir há milhares de anos por razões religiosas e ambientais, os estudos vêm se aprofundando nos últimos anos.  A estratégia consiste em realizar restrição do consumo calórica em um determinado período de tempo.


De maneira genérica, o mecanismo de ação está na depleção das reservas de glicogênio dos músculos e fígado, forçando a liberação de ácidos graxos do tecido adiposo, que serão oxidados no fígado mantendo o fornecimento de energia. Alguns dos benefícios relacionados a exposição repetida a falta de glicose, já estão bem estabelecidos, como o aumento na  expressão de genes relacionados com emagrecimento, autofagia e longevidade, ou seja: aumenta a expressão de antioxidantes, reduzindo estresse oxidativo, melhorando aspectos cognitivos e o reparo do DNA, aumentando  biogênese mitocondrial, cetoadaptação, a regulação negativa da inflamação com redução do LDL colesterol, reduzindo a resistência a insulina e com isso garantindo a homeostase da glicose, e consequentemente reduzindo o risco de doenças crônicas não transmissíveis. Essas respostas sistêmicas são transportadas para os períodos de alimentação melhorando o desempenho mental e físico.


Quando utilizado para melhora da saúde de forma geral, alguns protocolos são mais comuns, como a exclusão da alimentação por 16, 18 ou 20 horas, alimentando-se nas horas restante.  A dieta na janela de alimentação pode variar de inúmeras maneiras,  como por exemplo de acordo com: o valor calórico –  que  pode ou não ser controlado; com o ajuste de macronutrientes – que  também pode ser mias uma estratégia utilizada para acelerar a depleção dos estoques de glicogênio;  e qualitativamente – priorizando carnes, legumes e verduras e frutas evitando-se ao máximo produtos industrializados.  A frequência da realização dos períodos de jejum também é variável.


Apesar de apresentar inúmeros benefícios, alguns pontos devem ser observados e acompanhados por um profissional a fim de evitar riscos relacionados a deficiências nutricionais de macro e micronutrientes, hipoglicemia em pacientes com uso de medicamentos específicos, alterações hormonais em indivíduos que já apresentam doenças pre-existentes.

Referências

Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease, 2019
Impact of intermittent fasting on health and disease processes, 2017
Intermittent Fasting in Cardiovascular Disorders—An Overview, 2019
Clinical Management of Intermittent Fasting in Patients with Diabetes Mellitus, 2019
Rethinking fat as a fuel for endurance exercise, 2014

Corrida

MELATONINA e seu efeito ergogênico

Uma rápida busca no Google por “melatonina”, revela, em poucos segundos, que a versão sintética da substância é atualmente comercializada, no exterior, como quase milagrosa: oferece benefícios que vão de emagrecimento e prevenção de enxaqueca, passando por regulação de distúrbios do sono, tratamento do mal de Parkinson, e até mesmo prevenção e combate ao câncer. Outra suposta vantagem bastante explorada comercialmente do hormônio (que no corpo humano, é produzido por uma região específica do cérebro, a glândula pineal) é sua capacidade antioxidante, que protege os músculos contra inflamações e danos nos tecidos dos músculos, decorrentes do esforço físico.

Pesquisa de doutorado desenvolvida pelo educador físico Wladimir Rafael Beck e orientada por Claudio Alexandre Gobatto, docente da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, investigou se a substância poderia não só proteger os músculos contra inflamações, mas melhorar a performance na realização de exercícios físicos, ou seja, se ela apresentava também um efeito ergogênico.

Foi descoberto que o uso da melatonina em modelos animais pode implicar um aumento de até 150% no tempo de duração do exercício, dependendo do horário no qual foi administrada – ou seja, os ratos que receberam melatonina em seu período de vigília obtiveram uma melhora muito significativa na performance, conseguindo nadar por muito mais tempo do que aqueles que não haviam recebido a substância.

No entanto, o trabalho de três anos de pesquisa também revelou que o hormônio não protegeu os músculos dos animais como se esperava, por sua já citada capacidade anti-inflamatória. “O que aconteceu foi que o rato tolerou significativamente mais inflamação, mais dano tecidual e mais estresse oxidativo mas, mesmo assim, continuou o exercício. A melatonina foi ergogênica, mas, ao final do exercício, no modelo proposto, houve inflamação e dano tecidual. Portanto, ficou claro que o efeito ergogênico é mais potente que o efeito protetor. Este foi mais um resultado importante da pesquisa, já que, inicialmente, a hipótese de que era justamente a propriedade anti-inflamatória da substância que poderia causar a ergogenia.

Fonte: Beck, W., Botezelli, J., Pauli, J. et al. Melatonin Has An Ergogenic Effect But Does Not Prevent Inflammation and Damage In Exhaustive Exercise. Sci Rep 5, 18065 (2015) doi:10.1038/srep18065

Crossfit, Sem categoria

Magnésio

O magnésio atua como cofator em mais de 300 reações metabólicas, desempenhando papel fundamental no metabolismo da glicose, na homeostase insulínica e glicêmica e na síntese de adenosina trifosfato, proteínas e ácidos nucleicos. Atua ainda na estabilidade da membrana neuromuscular e cardiovascular, na manutenção do tônus vasomotor e como regulador fisiológico da função hormonal e imunológica.

O organismo de um adulto saudável tem aproximadamente 21-28 g de magnésio em compartimentos principais: ósseo (65%), muscular (34%) e plasmático e fluido intersticial (1%). No plasma, a concentração normal desse íon é mantida entre 1,7 e 2,4 mg/dL, dos quais cerca de 60% encontram-se na forma livre.


Cerca de 30 a 50% do magnésio proveniente da alimentação é absorvido ao longo de todo o intestino em processo que depende das reservas do organismo e do seu aporte na dieta. A absorção intestinal ocorre, principalmente, no intestino delgado distal, na porção entre o duodeno distal e o íleo, sendo que esta pode ocorrer por transporte ativo transcelular ou passivo paracelular. O transporte passivo predomina quando a ingestão de magnésio é elevada, sendo desencadeado quando a concentração de magnésio ultrapassa 20 mEq/L no lúmen intestinal.

A deficiência de magnésio pode decorrer tanto da ingestão inadequada, quanto da excreção aumentada, sendo a homeostase desse nutriente, em nosso organismo, regulada principalmente pelos rins.

O limiar máximo da sua concentração no plasma é próximo dos valores de referência, sendo o excesso de magnésio, proveniente da dieta ou administrado por via parenteral, quase totalmente excretado.

Além do trato gastrointestinal e dos rins, o tecido ósseo também está envolvido na regulação da disponibilidade celular do magnésio, bem como a vitamina D, os hormônios paratormônio, calcitonina, glucagon, antidiurético, aldosterona e esteroides sexuais, os quais influenciam direta ou indiretamente na regulação homeostática desse mineral.

O magnésio é estocado principalmente nos ossos e quando o organismo encontra-se em estado temporário de deficiência do micronutriente, o tecido ósseo mantém seus níveis séricos constantes. Além dos ossos, os músculos e compartimento eritrocitário também mobilizam magnésio lentamente, suprindo órgãos vitais. O paratormônio aumenta a reabsorção de magnésio quando suas concentrações extracelulares estão reduzidas, enquanto que a hipercalcemia inibe essa reabsorção em processo que parece ser mediado pela ativação dos RCaE. Além disso, sua ação está relacionada à ativação da adenilil ciclase, estimulando a produção de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) que, por sua vez, atua como segundo mensageiro estimulando a absorção de magnésio no intestino, reabsorção no rim e sua liberação dos ossos nas situações de concentrações séricas reduzidas desse mineral, em um mecanismo de feedback negativo. A vitamina D também parece interferir na absorção e reabsorção do magnésio, por mecanismos ainda não elucidados, no entanto, alguns estudos relatam que essa vitamina é capaz de melhorar ambos os processos. A calcitonina e o glucagon também atuam ativando a adenilil ciclase e, portanto, a síntese de AMPc, melhorando a reabsorção do magnésio em algumas partes dos néfrons. Nesse aspecto, a aldosterona é outro hormônio que afeta a reabsorção de magnésio, sendo que sua atuação deve-se, provavelmente, à sua ação regulatória sobre as claudinas para ajustar o transporte de sódio e cloreto, o que favorece alterações na permeabilidade aos íons nos rins. É oportuno destacar que os esteroides sexuais também estão envolvidos na homeostase do magnésio, provavelmente devido aos efeitos do estrógeno no balanço entre a formação do osso e sua reabsorção, favorecendo esta última, resultando em concentrações plasmáticas de cálcio reduzidas e estimulação da secreção de paratormônio. Outra provável ação do estrógeno é induzir a expressão dos receptores da vitamina D (VDR) no duodeno, contribuindo para a absorção de magnésio.Embora alguns estudos já tenham demonstrado a importância do magnésio no organismo, informações referentes à ingestão desse micronutriente ainda são escassas, a âmbito regional, nacional e mundial, dificultando o dimensionamento da prevalência de inadequação na ingestão dietética de magnésio na população.

Pesquisas realizadas a partir do início do século XXI, apesar das grandes variações metodológicas de avaliação do consumo alimentar, apresentam resultados que demonstram risco de inadequação do consumo de magnésio. Vale ressaltar que Monteiro e Vannucchi, ao analisarem estudos realizados no Brasil, observaram que a ingestão média de magnésio da população brasileira adulta era de 161,9 ± 101,3 mg/dia, valor inferior às recomendações de magnésio pelas Dietary Reference Intakes (DRIs), de 310 a 320 mg por dia para mulheres e 410 a 420 mg por dia para homens.

As principais fontes alimentares de magnésio são os cereais integrais, vegetais folhosos verdes, espinafre, nozes, frutas, legumes e tubérculos, como a batata.

Metabolic and Nutritional Aspects of Magnesium – 2015

Crossfit

Ciclo cicardiano

Ritmo Circadiano é o nome que damos ao período de 24 horas ao longo do qual ocorrem as atividades do nosso relógio biológico, influenciado principalmente pela luz natural (isto é, o nosso sol).
Com base nesse Ciclo, é possível observar as oscilações nos níveis de energia do nosso corpo ao longo dessas 24h. Isso se dá basicamente pelos nossos hormônios. Por exemplo: de manhã há maior liberação de cortisol e entramos no estado de vigília, e esses níveis vão diminuindo ao longo do dia; quando o sol se põe e a noite se aproxima, há maior secreção de melatonina com a função de nos preparar para o sono( por isso as vezes você tem “aquele friozinho” durante a noite.
Mas engana-se quem pensa que o Ciclo Circadiano serve apenas para nos manter acordados ou adormecidos – ele também é fundamental para regular o nosso apetite, Recuperação muscular , performance no treino, humor e, caso permaneça por muito tempo desregulado, pode levar até a alterações mais severas como resistência à insulina, alterações na fertilidade, no metabolismo do fígado, na cognição, lesões e declínio da performance esportiva, etc.
Tendo em vista a complexidade do Ciclo Circadiano, passamos a entender porque é tão importante mantê-lo regulado. E a melhor forma de fazer isso é por meio dos nossos hábitos de vida: – Cuide da qualidade e da regulação do seu sono (programe-se para dormir o mais cedo possível e crie rotina de horários para se deitar e para se levantar);

  • Cuide da alimentação;
  • hidrate se;
  • faça exercícios diários
  • Adote técnicas de relaxamento e manejo da ansiedade e do stress, principalmente antes de dormir.
  • Não dormir bem , não significa reposição de sono no dia seguinte noites mal dormidas, não tem como “repor”
  • Aprenda a cuidar do seu relógio biológico e, quando necessário, busque ajuda profissional para te ajudar nessa missão!

Corrida

Carboidratos e seu papel para o Esporte

Tudo o que consumimos serve de combustível para o corpo realizar suas funções. Na prática de exercícios físicos não poderia ser diferente, pois o que é ingerido tem ação direta sobre o rendimento.

Os carboidratos são os principais macronutrientes responsáveis por fornecer combustível para o cérebro, medula, nervos periféricos e as células vermelhas do sangue.

Este nutriente está presente nos tubérculos (batata, inhame, mandioca), pães, macarrão, cereais (arroz, aveia, quinoa), hortaliças, legumes, frutas e leguminosas (feijão, lentilha e grão de bico). Cada 1 grama fornece 4 Kcal às células do corpo.

A necessidade de consumir carboidratos para quem pratica esportes é ainda mais importante, pois eles fazem parte do armazenamento de glicogênio hepático e muscular (reserva de energia nestes órgãos). No músculo o glicogênio está em maior quantidade e será mais utilizado durante o exercício como fonte de energia.

O corpo humano só pode armazenar glicogênio suficiente para se exercitar entre 60 e 90 minutos, dependendo da intensidade e da habilidade do indivíduo. Depois disso, é necessário repor a energia para continuar se exercitando e não prejudicar a massa muscular.

A porcentagem utilizada de carboidratos para compor uma alimentação, de modo geral será calculada entre 40% a 45% do total de calorias ingeridas. A real necessidade de um indivíduo vai depender de diversos fatores como, por exemplo, atividades diárias, taxa metabólica basal, idade, altura, sexo e outros fatores.

Dependendo da duração e intensidade do exercício realizado, o corpo vai precisar de 30 a 60 gramas por hora (essa quantidade é individual), que podem ser fornecidas por uma banana (25 gramas) ou uma bebida esportiva. Os carboidratos em gel também são ótimas opções.

Após a atividade física também é indicado o consumo de carboidratos, principalmente para repor os estoques de glicogênio gastos no exercício, ajudando na recuperação muscular e preparando o músculo para o resto do dia.

O importante é obter a quantidade necessária sem exagerar nas calorias. Entender a diferença entre os tipos de carboidratos para saber o momento de utilizar cada um deles e o índice glicêmico também, pois isso tudo faz diferença na hora de escolher o tipo de energia que seu corpo precisa.

O índice glicêmico (IG) indica quanto um carboidrato eleva os níveis da glicose no sangue (glicemia). Os alimentos fontes de carboidratos que causam os maiores aumentos de glicemia são considerados de alto IG.  

O mais indicado é consumir alimentos de baixo IG na refeição que antecede o exercício físico (cerca de 30 a 60 minutos antes), pois diminui a probabilidade de hiperglicemia no início do exercício, ao mesmo tempo que fornece energia gradativa ao corpo. 

Alimentos de médio e elevado IG vão garantir uma rápida digestão e absorção e são ideais para serem usados durante o exercício de intensidade forte (superior a 90 minutos), pois conseguem repor a energia gasta e auxiliar no desempenho.

Após o exercício, uma refeição composta por carboidratos de alto IG irá ser fundamental para a ressíntese de glicogênio muscular, recuperando o músculo e prevenindo lesões. Quando terminamos o exercício, a enzima glicogênio sintetase (que armazena os carboidratos) está muito ativa e isso favorece uma reposição mais eficiente.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte tem uma recomendação sobre carboidratos na dieta: ingestão diária entre 5 e 10 gramas de carboidratos por quilo de peso corporal, dependendo do tipo e da duração do exercício físico escolhido.

Crossfit

Whey protein é tudo igual ? NÃO!!

O whey protein é a proteína do soro de leite extraída durante o processo de fabricação do queijo. Além de saber o que é whey protein, é importante entender também que ele possui alto valor biológico, ou seja, oferece maior aproveitamento de seus benefícios pelo corpo.

Além disso, a proteína do leite é considerada completa por conter todos os aminoácidos essenciais que participam da formação dos músculos e tecidos. Sua complexidade e alto valor nutricional tornam o whey protein aliado para quem busca uma fonte de proteínas animal, com a alimentação cada vez mais moderna, hoje temos Whey Protein Vegan que são normalmente extraída de: arroz, ervilha, lentilha e outros grãos.

O whey protein, serve pra que? Geralmente, essa proteína é recomendada para completar as necessidades diárias de proteínas do organismo, essenciais para a saúde. E não ele não engorda se tomado de maneira adequada!!

Seu uso mais popular é para a recuperação e ganho de massa muscular, atuando na síntese de proteínas musculares para quem deseja conquistar ou manter a boa forma física, mas são usados também para sarcopenia, pós operatório, controle do diabete, redução de peso, tratamentos de algumas doenças.

Assim como outros suplementos alimentares, o whey chama a atenção por suas múltiplas funcionalidades. Seja para ganhar massa muscular ou atingir a boa forma física, essa proteína do soro do leite age também como complemento em diversos tratamentos, como controle da diabetes e da hipertensão arterial, por exemplo. Além das formas de uso e valor, outra dúvida comum sobre o whey inclui os seus tipos: concentrado, isolado ou hidrolisado.

Muita gente ainda não consegue diferenciar os tipos de whey protein, então vamos te explicar, mas também, vale lembrar que existem todos esses tipos, pois cada um, tem necessidades e hábitos de vida diferentes, então o tipo e a forma de tomar é individual.

  • WPC, o whey protein concentrado foi o primeiro a ser desenvolvido. Por passar por apenas uma filtragem, contém de 30 a 80% de proteína, com o restante de caseína, lactose, gordura, carboidratos e minerais. Isso significa que sua velocidade de absorção é a mais lenta entre os três tipos, fazendo com que pessoas com algum tipo de alergia ou restrição de algum dos seus componentes (caseína, lactose etc) devam evitá-lo, já que o whey protein concentrado pode promover desconfortos abdominais ou intolerâncias.
  • WPI , whey protein isolado, Esse é o tipo de whey protein mais puro, além de concentrar mais proteínas. Reúne proteínas de absorção rápida, que passam por um processo específico de filtragem, o que aumenta sua velocidade de absorção. Esse processo possibilita a extração de 90% a mais de proteína, e “isola” elementos como lactose, caseína e gordura.
  • WPH , o whey protein hidrolisado , Tipo de whey protein mais caro por sua produção complexa, que passa por uma quebra, a hidrólise, para facilitar sua digestão e absorção. Reúne quantidades das frações menores de proteínas, que são absorvidos ainda mais rapidamente pelo corpo. É altamente indicado para pessoas com dificuldade de digestão proteica e intolerância à caseína, pois sua purificação e fragmentação aumentam as chances de digestão e reduz possíveis desconfortos abdominais.

Qualquer dúvida, nossa equipe esta à disposição para orientá- los!

Julianne Sampaio Nutricionista Esportiva

Referência bibliográfica: The American Journal of Clinical Nutrition , 2017

Corrida

Benefícios das frutas vermelhas para a recuperação muscular

As frutas vermelhas como amora, framboesa, morango, cereja, mirtilo, açaí, goji berry, cranberry e groselha são também chamadas de berries. São pequeninas e de coloração vermelha ou arroxeada, reconhecidas em todo o mundo por seu alto valor nutricional atribuído à elevada concentração de vitaminas e compostos bioativos essenciais para a manutenção de uma boa saúde.

Essas frutas são ricas em nutrientes, destacando-se a vitamina C, as antocianinas (responsáveis pela coloração destas frutas), os flavonóides e elagitaninos (subgrupo dos taninos), que também exercem ação antioxidante e anti-inflamatória no organismo.

Durante a prática de atividade física, ocorre um aumento natural na produção de radicais livres, no entanto é imprescindível que haja um adequado aporte de substâncias antioxidantes para auxiliarem na modulação deste processo, proporcionando um equilíbrio orgânico essencial para prevenir a redução do desempenho físico, os danos às células e tecidos e o enfraquecimento do sistema imunológico (que pode levar ao aumento da inflamação e dos riscos de infecção, especialmente em atletas de endurance).

Alguns estudos científicos corroboram estas afirmações, como o de Castro e colaboradores, o qual analisou o efeito do consumo de açaí em praticantes de atividade física de alta intensidade mostrou que pode ser uma boa alternativa na melhora da exaustão e do estresse oxidativo dos atletas. Outro estudo realizado em 2011, mostrou que o consumo de mirtilo por indivíduos bem treinados reduziu o estresse oxidativo e melhorou o suporte ao sistema imunológico após o consumo agudo de 375g uma hora antes de corrida.

Assim, o consumo de frutas vermelhas, dentro de uma dieta saudável, equilibrada e individualizada, poderá ser um bom aliado na manutenção do desempenho em atividades físicas.

Fonte:

CARVALHO-PEIXOTO J. et al. Consumption of açai (Euterpe oleracea Mart.) functional beverage reduces muscle stress and improves effort tolerance in elite athletes: a randomized controlled intervention study. Appl Physiol Nutr Metab;40(7):725-33, 2015.

DE CASTRO C.A et al. Aerobic exercise and not a diet supplemented with jussara açaí (Euterpe edulis Martius) alters hepatic oxidative and inflammatory biomarkers in ApoE-deficient mice. Br J Nutr;112(3):285-94, 2014.

MCANULTY, L.S.; NIEMAN, D.C.; DUMKE, C.L. et al. Effect of blueberry ingestion on natural killer cell counts, oxidative stress, and inflammation prior to and after 2.5 hof running. Appl Physiol Nutr Metab; 36(6):976-84, 2011.

Crossfit, Sem categoria

Será mesmo que preciso comer antes de treinar?

O consumo de alimentos antes dos treinos é muito importante e  tem sido observado que a maioria dos praticantes tem como hábito alimentar mais comum a elevada ingestão de proteínas e pouquíssimo consumo de carboidratos e de lipídios. Os atletas acreditam que a maior ingestão de proteína está relacionada com melhor performance e aumento de força, mas sabe-se que a necessidade proteica é facilmente atingida por meio de uma alimentação balanceada. Vale ressaltar que as pesquisas acerca do consumo de alimentos no pré e pós treino são infelizmente ainda  insuficientes na literatura.

De uma maneira geral, quando há um curto espaço de tempo entre treino e alimentação  é que as refeições sejam ricas em carboidratos para elevar ao máximo os níveis de glicogênio e manter os níveis de glicemia. O consumo de proteínas, lipídeos e fibras demandam um tempo de digestão maior, sendo recomendado o consumo desse alimentos na refeição pré-treino apenas se houver um espaço de tempo para digestão de cerca de três horas, do contrário não se recomenda o consumo de fontes alimentares ricas em fibras, proteínas e lipídeos a fim de evitar o desconforto gástrico.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME, 2009), orienta que a ingestão de carboidratos deve ser priorizada antes da atividade física.

A função principal dos carboidratos é o fornecimento de energia para a realização das atividades, tendo em vista que consumo de carboidratos, além de evitar a hipoglicemia e a fadiga, auxilia na recuperação do glicogênio muscular e hepático. Em relação ao tempo verificou-se que a maioria dos artigos estudados as pessoas  tem por hábito se alimentar entre 15 e 30 minutos antes do treino, mas no dia a dia, na pratica não funciona muito assim, eu trago essa verdade pela minha pratica no crossfit e dos meus pacientes que praticam crossfit e ou outras modalidades. A nutrição sempre é uma INDIVIDUALIZAÇÃO!

Tenho pacientes que no pré treino, não conseguem consumir nada sólido, pois independente  do treino, acabam passando mal devido esvaziamento gástrico, mais lento e ou outros motivos. Assim, o que quero deixar claro é que deve se respeitar a individualidade biológica de cada um, existem treinos por exemplo no crossfit que são de apenas 6 minutos ou até menos, mas com uma alta intensidade e outros treinos tem duração de 20 minutos ou 40 minutos, então há muitos fatores que podem influenciar:  treino do dia, noite anterior, horário de treino, entre outros. Não é uma verdade absoluta ter que ingerir carboidratos ou qualquer tipo de alimento antes do treino, por isso, volto a repetir que a vida pessoal do ser humano deve ser avaliada como um todo.

O nutricionista esportivo é o profissional mais qualificado nesse caso, para que sejam feitas escolhas alimentares adequadas, levando em consideração fatores relacionados aos alimentos como a composição da refeição e os macronutrientes, quantidade e qualidade dos alimentos, o tipo de exercício, intensidade, duração e horário, bem como a tolerância gástrica e hábitos alimentares. O acompanhamento nutricional é eficaz na diminuição do percentual de gordura corporal o que contribui para a manutenção da saúde, redução de doenças e melhora na qualidade de vida.

Mas seguem alguns tipos de combinações que devem ser normalmente ingerida no mínimo 30 minutos antes E essas opções são gerais:

  • Banana com aveia em flocos
  • Torradas com pasta de amendoim
  • Paçoca
  • Lanche com pasta de atum
  • Café expresso + batata doce ou mandioca
  • Açaí com granola

Para um resultado de verdade, procure um nutricionista para que o profissional bem preparado consegue observar e unir todos esses fatores antes da orientação.

Referências

Almeida e Balmant, 2017; SBME, 2009; Scheer e colaboradores , 2015.

Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – SBME, 2009.

Corrida

BETERRABA e seu efeito ergogênico

É de conhecimento de muitos, que a beterraba é rica em antioxidantes biologicamente acessíveis, além de minerais como o potássio, ferro, fósforo, zinco, magnésio, cálcio, vitamina C, B6, fibra solúvel, rica em carotenoides e muitos outros nutrientes. O que muitos não sabem, é que a beterraba é fonte de nitrato, uma excelente substância para praticantes de atividades físicas e atletas!

A beterraba provou sua eficácia no aumento da performance uma vez que é excelente fonte de açúcares e NITRATO, que é um ânion inorgânico que pode ser obtido na dieta através do consumo de vegetais como: espinafre, alface, rúcula e principalmente a beterraba. O nitrato é convertido na saliva em NITRITO por meio da ação de bactérias bucais. No ambiente ácido do estômago o nitrito é convertido em ÓXIDO NÍTRICO, um vasodilatador muito potente, capaz de melhorar a absorção de nutrientes para dentro do músculo, o que gera mais energia e otimiza a utilização do oxigênio. Isso se reflete em um aumento da resistência e permite que o tempo de treino se estenda, desacelerando o ritmo de exaustão e acelerando a recuperação muscular.

Durante o exercício físico ocorre um aumento de fluxo sanguíneo pelos músculos, isso acontece para que os nutrientes (oxigênio e glicose) cheguem rapidamente aos miócitos (células musculares). Além disso, a formação de energia (ATP) pelos miócitos faz com que a produção de gás carbônico (CO2) aumente consideravelmente nos músculos levando a consequente diminuição do PH, ou seja, as células musculares ficam mais ácidas. Essa acidez estimula a conversão Nitrito -> Nitrato -> ON que atua diretamente nos capilares sanguíneos musculares fazendo vaso-dilatação, o que aumenta o aporte de oxigênio e de glicose para os miócitos. Além desse efeito o ON comprovadamente atua diretamente nos miócitos aumentando o influxo de cálcio e a ação mitocondrial, ou seja, ocorre maior produção da ATP e a eficiência muscular é maior. 

A maioria dos suplementos alimentares para o pré-treino são feitos à base de vaso-dilatadores arteriais sendo o mesmo ou similar mecanismo pelo qual atua o nitrato do suco de beterraba.

Será então que tomar suco de beterraba ajuda no treino?

Sim, o estudo de Bailey et al (2009) mostra uma melhora significativa no VO2 máximo (consumo máximo de oxigênio) de ciclistas amadores em até 10%. No entanto, esse benefício não foi observado em ciclistas profissionais como mostra o estudo de Bescos et al (2011). Mas, um estudo grande recente de Wylie et al (2013) mostrou que com a suplementação de nitrato houve um aumento da tolerância ao esforço de até 25% em ciclistas e maratonistas, amadores e profissionais, além de um aumento no VO2 de pelo menos 3%. 

Qual é a melhor maneira de consumir?

Depende do seu objetivo. Se o foco é o aumento da performance, o consumo de suco de beterraba funciona de forma crônica (6 dias) e aguda (3 horas antes do exercício). Em geral, os benefícios são atingidos com dois copos do suco, cerca de 500 ml.

Apesar dos diversos estudos mostrarem que o suco de beterraba é uma bebida promissora a ser consumida antes do treinamento, precisamos levar em consideração que a ideia é que ela pode simplesmente contribuir com o rendimento.

Porém, obviamente, por si só, beber o suco de beterraba antes do treino não faz nada. É necessário ter toda uma alimentação voltada para o objetivo que se tem para os treinamentos e que seja capaz de oferecer os nutrientes e a energia que o corpo precisa para ter uma boa performance atlética.

Para definir isso, da melhor maneira possível para o seu caso em particular, vale a pena contar com a orientação de um bom nutricionista!

Fontes: Bailey et al. Dietary nitrate supplementation reduces the O2 cost of low-intensity exercise and enhances tolerance to high-intensity exercise in humans. 2009 J Appl Physiol 107(4):1144-55.

Brescos et al. Acute Administration of inorganic nitrate reduces VO2peak in endurance athletes. 2011. Med Sci in Sports Exerc Vol 43 / Número 10 (1979-1986). American College of Sports Medicine

Wylie et al. Dietary Nitrate Supplementation and Exercise Performance. 2014. Sports Medicine, Volume 44, Issue 1, (35-45).

Crossfit, Sem categoria

Tipos de carboidratos – parte II

Os carboidratos  devido às suas múltiplas funções em todos os seres vivos, consistem em uma molécula de carbono, hidrogênio e oxigênio.

São produzidos pelas plantas, através da fotossíntese (carboidrato e oxigênio são produzidos a partir de gás carbônico e água). As partes verdes das plantas (que contém clorofila, um pigmento verde) são capazes de fabricar glicose (um tipo de carboidrato) quando devidamente iluminadas. Os hidratos de carbono podem ser classificados em três diferentes tipos, de acordo com o nível de complexidade das moléculas que os representam. Desta forma, os carboidratos são diferenciados pelo número de açúcares simples em combinação dentro da molécula.

1) monossacarídeos (com um açúcar por molécula),

2) dissacarídeos (com dois açúcares por molécula) e,

3) polissacarídeos (com inúmeros açúcares por molécula).

Curiosamente, ao contrário dos carboidratos simples (mono e dissacarídeos), os carboidratos complexos (polissacarídeos) não possuem sabor doce. Destaca que o valor nutricional dos alimentos é influenciado por algumas propriedades dos carboidratos: absorção no intestino delgado (digestibilidade e velocidade), metabolismo dos monômeros absorvidos e produtos da fermentação no intestino delgado (digestibilidade, velocidade e natureza). A velocidade de absorção no intestino delgado determinará as respostas glicêmicas e hormonais após uma refeição, sendo expressa como índice glicêmico. A situação de consumo de carboidratos antes, durante e após o esforço, estimulou o aparecimento de muitas variedades de produtos no mercado visando aos atletas e praticantes de atividade física prolongada em geral.

O glicogênio muscular é essencial para o exercício intenso, tanto de forma aeróbica como anaeróbica. Os esportes competitivos necessitam de várias sessões de treinamentos diários ou competições em dias consecutivos, é fundamental a aplicação de estratégias de rápida restauração de glicogênio. Quanto maior a intensidade dos exercícios maior será a participação dos carboidratos como fornecedores de energia. Exercício prolongado reduz acentuadamente a concentração de glicogênio muscular, exigindo constante preocupação com a sua reposição, porém, apesar de tal constatação, tem sido observado um baixo consumo de carboidratos pelos praticantes de atividade física . A restrição do carboidrato na dieta determina cetose e perda de proteínas musculares  o que podem causar muitas perdas e consequências na atividade física, então no ultimo post sobre  carboidratos, irei falar sobre o que pode ser consumido antes, durante e depois da atividade física.

Julianne Sampaio – Nutricionista esportiva

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Ivy, J.L. Regulation of muscle glycogen repletion, muscle protein synthesis and repair following exercise. Journal of Sports and Medicine. n 3. p. 131-138. 2004

Carvalho, T. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 9, n. 2, p. 43-56, mar./abr. 2003.

Ferreira, C.P. Bioquímica básica. 4ª edição. São Paulo: ed. Revisada e ampliada, 2000.

Rogatto, G.P. Hidratos de carbono: aspectos básicos e aplicados ao exercício físico. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 8 – N° 56 – Enero de 2003.Biesek, S.; Alves, L.A.; Guerra, I. Estratégias de nutrição e suplementação no esporte. Editora Manole, 1ª ed. Brasileira – 2005.

Corrida

Coenzima Q10: a importância no esporte

Você já deve ter reparado que esse nome tem aparecido em muitas propagandas, principalmente de produtos de beleza e nutricosméticos. Pois é. A coenzima Q10 (Coq10), que também é chamada de Ubiquinona ou Vitamina Q10, é produzida naturalmente pelo nosso corpo, mas também pode ser obtida por meio da alimentação.

Em nosso corpo, os órgãos que apresentam maior concentração de Coq10 são o coração, rins, cérebro e fígado. Já na dieta, é encontrada em maior concentração nos alimentos como frango, carne bovina e suína, cavala, sardinha, nozes, grão de soja (seco ou cru verde), pistache, brócolis, espinafre, óleos de soja, gergelim, milho e algodão e feijão azuki.

Indo mais a fundo, a Coq10 é um componente presente em grande quantidade nas membranas celulares, especialmente dos lisossomos, do complexo de Golgi e das mitocôndrias, onde é capaz de controlar as reações bioquímicas de óxido-redução (ação antioxidante), modulação da permeabilidade mitocondrial e indução da apoptose, controle do pH, geração de ATP e modulação da expressão de vários genes (Barcelos, 2019).

Estudos indicam que com o passar do tempo e o aumento natural da idade, o conteúdo de Coq10 nos diversos tecidos tende a reduzir de forma sistemática. Para dar alguns exemplos, chegamos a perder em média 83% do conteúdo de Coq10 nas células pancreáticas dos 20 aos 80 anos, reduzimos 72% do conteúdo de Coq10 no músculo cardíaco entre os 58 e 76 anos, e pelo menos 50% do conteúdo de Coq10 nas células adrenais também são reduzidos dos 20 aos 80 anos (Crane, 2001). Isto é muito relevante, pois altera toda a capacidade de funcionamento celular dos diversos órgãos, o que reduz a nossa vitalidade e favorece o surgimento de doenças.

No âmbito esportivo, a suplementação de coenzima Q10 parece ter uma importante aplicabilidade. Emami A et al (2018 e 2019) selecionaram 36 nadadores de elite e promoveram suplementação de 300mg/dia de Coq10 por 14 dias e observaram redução significativa dos marcadores inflamatórios e de estresse oxidativo bem como do cortisol, epinefrina e noraepinefrina e da contagem total de leucócitos, assim como redução dos danos ao músculo cardíaco. Segundo os autores, os benefícios foram evidentes na medida em que atletas que apresentam estresse oxidativo e inflamação exacerbada de forma crônica tem maior risco de lesão miofibrilar esquelética, danos no coração, imunossupressão e perda de rendimento.

Fonte:

Barcelos IP, et al. CoQ10 and Aging. Biology (Basel). 2019 May 11;8(2).

Crane, FL. Biochemical functions of coenzyme Q10. J Am Coll Nutr. 2001 Dec;20(6):591-8.

Emami A. The Impact of Pre-Cooling and CoQ10 Supplementation on Mediators of Inflammatory Cytokines in Elite Swimmers. Nutr Cancer. 2019 May 16:1-11.

Emami A, et al. The effect of short-term coenzyme Q10 supplementation and pre-cooling strategy on cardiac damage markers in elite swimmers. Br J Nutr. 2018 Feb;119(4):381-390.

Estudante de Nutrição

Estágios Curriculares em Nutrição

Oi, no meu primeiro post pro Allivici eu falei sobre como no último ano da graduação nós passamos um ano realizando estágios nas quatro principais áreas da nutrição. Comecei o meu em nutrição clínica há duas semanas e pensei que seria uma boa ideia vir aqui contar como está sendo!

Na área de Nutrição Clínica o nutricionista é responsável pelo tratamento, controle e prevenção de enfermidades. Nessa área há espaço para a atuação do nutricionista em hospitais, consultórios, clínicas, ILPI’s (Instituição de Longa Permanência) enfermarias, lactários ou bancos de leite humano.

O meu estágio está sendo em um hospital, o qual é referência em cardiologia aqui em São Paulo, entre outras especialidades! O programa de estágio tem funcionado de maneira que cada estagiária acompanhe e auxilie na rotina de uma das nutricionistas do hospital. Como a “minha nutricionista” é responsável pela UCO (Unidade Coronariana), tenho acompanhado essa realidade do ambiente hospitalar. Há outras estagiárias que estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na pediatria, ou na oncologia, por exemplo.

Apesar da rotina do nutricionista depender muito da unidade em que ele trabalha, podemos dizer que há um certo padrão, pois ele tem algumas responsabilidades, como: realizar visitas de admissão e de retorno de acordo com o nível de assistência dos pacientes; acompanhar o estado nutricional de todos, avaliando exames bioquímicos, alterações de peso e no consumo calórico e proteico diário; realizar modificações nas dietas de acordo com preferências, aversões, alergias e necessidades nutricionais; conferir as refeições a serem servidas pela copeira com o mapa de dietas; realizar orientações de alta;desenvolver e aplicar pesquisas de opinião sobre o serviço de alimentação e nutrição do local; entre outras…

Sendo sincera, antes de começar eu estava bem nervosa! É que na teoria é muita coisa para estudar, decorar e lembrar. Tem os cálculos das necessidades nutricionais, o volume de infusão de dieta enteral ou parenteral, as prescrições dietéticas, as interações fármaco-nutriente, as indicações de dietas e modificações necessárias de acordo com o caso clínico…  muita coisa, não é mesmo?

Mas, trago boas notícias a você estudante: a prática é MUITO diferente da teoria. Tenho visto nessas últimas semanas que tudo que aprendemos na faculdade torna-se muito mais fácil quando visto no dia a dia na prática, e isso tem sido maravilhoso!

Também saiba que há um certo “espaço” para consultar manuais, diretrizes e protocolos. Ou seja, não precisamos ser um tratado de nutrição ambulante. O mais importante, muitas das vezes, vai além do conhecimento técnico. O essencial nessa área de atuação é ver o paciente como outro ser humano, o qual está debilitado, em um local que não gostaria e muitas vezes há um bom tempo. O seu papel como profissional da saúde será de conceder uma melhor qualidade de vida, atenção e cuidado!

Mas e você, já pensou em seguir carreira na área de nutrição clínica? Eu já, bem no comecinho da graduação. Acabei escolhendo iniciar esse ano letivo com o estágio em nutrição clínica justamente para saber como é a rotina do nutricionista hospitalar na prática. Bom, ainda tenho algumas semanas no hospital para descobrir isso… mas, posso te dizer que até agora está sendo uma experiência incrível e que de qualquer maneira vou levar tudo como aprendizado! 

Até mais,Daniela. 

Crossfit

Conhecendo os macronutrientes #Carboidrato I

METCON – que é uma sigla em inglês para Metabolic Conditioning, que é exatamente a capacidade que você tem de pegar o alimento que come e transformar em energia A BASE DE TUDO É A ALIMENTAÇÃO. Se você não está se alimentando corretamente, todo o seu desempenho nos demais “skills” são afetados. Tudo depende e é construído em cima da nutrição. Se você está se matando no Box e está comendo errado, você está jogando seu tempo, esforço, dores e sono no “lixo”. Cuidado, Pense nisso…

Qual o resultado que você quer ter? Quer emagrecer? Aumentar massa magra? Mais energia? Diminuir seu tempo? Aumentar a carga? Então comece seu treino pela nutrição.

o efeito da nutrição em sua performance e saúde como um todo será inacreditável.Nossa alimentação deve conter os macro nutrientes:  PROTEÍNA, CARBOIDRATOS, GORDURAS!

E vamos começar a falar deles, muitos dizem que são o VILÃO mas SEM ele não teria como termos bons resultados. Os carboidratos são fundamentais para o exercício físico e para o desempenho esportivo. Os estoques de carboidrato do corpo são limitados e muitas vezes, são menores do que as necessidades para o treinamento atlético e para a competição. No entanto, a disponibilidade de carboidratos como substrato para o metabolismo do músculo é um fator crítico para o desempenho em exercícios intermitentes de alta intensidade e exercícios aeróbicos prolongados.  A taxa de oxidação de carboidratos durante o exercício é bem regulada, com a disponibilidade de glicose combinada às necessidades dos músculos em exercício. Tanto a contribuição absoluta como a contribuição relativa do exercício desempenham papéis importantes na regulação do metabolismo energético: combustíveis à base de carboidratos predominam no treinamento de intensidade moderada a alta.

O metabolismo de carboidratos muscular não acontece isoladamente: requer integração entre os tecidos, bem como regulação com outros substratos importantes, tais como ácidos graxos e aminoácidos.

O glicogênio muscular representa a principal fonte de carboidratos no organismo, seguido do glicogênio do fígado e, por fim, da glicose no sangue. Indivíduos não treinados têm estoques de glicogênio muscular, Os atletas de resistência têm estoques de glicogênio muscular de 130 a 135 mmol/kg de músculo líquido. Uma sobrecarga de carboidrato aumenta os estoques de glicogênio muscular para 210 a 230 mmol/kg de músculo

As demandas de energia do exercício demonstram que o carboidrato é o combustível preferido para exercícios com intensidades acima de 65% do VO2 máx. – níveis em que a maioria dos atletas treinam e competem.

A oxidação de lipídios não consegue fornecer trifosfato de adenosina (ATP) = ENERGIA, suficientemente e rápido para apoiar tais exercícios de alta intensidade. O glicogênio muscular e a glicose no sangue fornecem cerca de metade da energia para exercícios de intensidade moderada (65% do VO2 máx.) e dois terços da energia para exercícios de alta intensidade (85% do VO2 máx.). Portanto, os estoques de carboidratos no corpo são limitados à integração altamente coordenada entre fígado, tecido adiposo (gordura), pâncreas e músculo e são importantes para o fornecimento constante de energia durante o exercício prolongado e, durante a recuperação, para restabelecer a homeostase. fundamental para satisfazer as necessidades de energia exigidos pelo programa de treinamento do atleta, bem como para repor glicogênio muscular e hepático entre as sessões de treinamento e eventos competitivos.

Os carboidratos são consumidos sob três formas básicas: (i) cereais, vegetais, frutas, leguminosas; (ii) carboidratos purificados adicionados às preparações; (iii) carboidratos dissolvidos em certas bebidas. (no próximo post, explicaremos mais sobre cada carboidrato).

A melhor fonte de carboidratos são produtos frescos , são perecíveis e feitos para serem consumidos rapidamente. Prefira eles ao invés dos produtos que ficam nas prateleiras, prefira descascar do que desembalar.

No próximo post daremos continuação, dos tipos de carboidrato, mas agora você já sabe que o CARBOIDRATO É UMA FONTE DE ENERGIA (ATP), de extrema importância, aguarde a parte II de carboidratos.

Corrida

Hidratação em corridas

A corrida pode ser praticada por qualquer indivíduo, desde que tenha capacidade física para tal, ou seja, que a intensidade do esforço seja compatível com sua capacidade funcional. Inúmeros são os benefícios que este esporte irá proporcionar aos indivíduos como, redução do peso corporal, melhora da qualidade do sono, redução dos níveis de estresse e melhora da depressão, ativação da circulação sanguínea, diminuindo assim problemas do coração, melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduz o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo, aumento da eficiência do metabolismo, entre outros.

Seja ela por prazer ou por competição, a hidratação (antes, durante e após) é parte fundamental da estratégia para um bom desempenho. Durante a corrida, a água que ingerimos regula a temperatura corporal e repara as fibras musculares que recrutamos para correr. Além disso, o líquido é fonte de micronutrientes e minerais (cálcio, sódio, potássio e magnésio), presentes também em bebidas isotônicas, fundamentais para a atividade física.

No intuito de manter uma temperatura corporal próxima do normal, nosso organismo utiliza um sistema de resfriamento eficiente: a transpiração. Em média, as perdas associadas à transpiração estão entre 0,5 a 1 litro por hora e podem chegar a 3 litros ou mais nos praticantes intensivos, por isso a importância de compensar a água perdida pelo suor e evitar o risco de desidratação.

A perda de água e sais minerais através do suor prejudica a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos. Desta forma, uma pessoa desidratada corre mais risco de cãibra, lentidão nos movimentos e até no raciocínio. Por isso, nunca espere sentir sede para se hidratar durante a corrida. A sensação de sede não é um bom indicador do estado de hidratação corporal durante a corrida, pois ela aparece tardiamente. Ela se manifestará quando o esportista já estiver em estado de desidratação de pelo menos 1% do peso corporal. É preciso então trazer mais água do que a quantidade a qual o organismo necessita.

Um estudo publicado no Journal of Athletic Training reforça o alerta da hidratação. Nele, corredores que iniciaram uma prova de 12 km em um dia quente, sem beber água, terminaram 3 minutos mais lentos em relação à quando correram hidratados.

Em regra geral, para treinos de até uma hora, o ideal é se hidratar com água ou água de coco. Ainda assim, o consumo de água deve ser priorizado porque ela é mais aproveitada pelo organismo. Acima de uma hora, em percursos de média a longa distância, você pode optar por bebidas hidroeletrolíticas. Elas são rapidamente absorvidas e ainda repõem os sais minerais e carboidratos perdidos. Também faz diferença ingerir bebidas geladas, como sugerem diversos estudos. A água fria (em torno dos 15°C) ajuda a hidratar mais rápido porque seu esvaziamento gástrico é acelerado, facilitando a hidratação. Além disso a sensação refrescante reduz a percepção de esforço.

Fique atento ao grau de desidratação (percentual de água perdida versus seu peso total):

▪ 1% de desidratação (leve): essa situação, é possível perceber uma perda significativa de rendimento, além de uma redução na produção de energia e cãibras.

▪ 2% de desidratação (moderada): é mais comum em treinos ou provas de longa distância, com risco de superaquecimento do organismo, podendo até convulsionar.

▪ 3% de desidratação (severa): exige intervenção imediata, pois o sangue perde muito líquido, impactando o controle de temperatura e o aumento do risco de colapso do sistema — o que pode levar à morte.

Estudante de Nutrição

“Mas… você não é nutricionista?”

Antes de tudo, duas coisas importantes precisam ser ditas:

  1. Com o passar do tempo as pessoas irão ver você, mero estudante, como nutricionista.
  2. Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio (tema desse post).

Claro, não são todas as pessoas que têm a mesma visão do que vou dizer aqui, já que somos todos diferentes, não é mesmo? Mas, acredito que falo em nome da maioria. Vamos lá?!

Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio. OK… talvez esteja sendo meio shakespeariana? Mas, há alguns pontos sobre ser visto como nutricionista que diria serem um pouco… indigestos?

Como estudante provavelmente comece a perceber isso logo no início da graduação. Seus amigos começam a te pedir dietas, muitas e muitas dietas. Vão começar a te olhar meio torto toda vez que te verem adoçando seu café ou tomando um refri de vez em quando. Também é notado um certo espanto das pessoas se arriscar dizer que não segue nenhuma dieta. Outra coisa que também acontece é que muitos passam a te ver como uma “TACO ambulante” e acham totalmente normal te perguntaram quantas calorias tem em 50g de chuchu. Outros até se consideram no direito de questionar sua conduta alimentar se te encontrarem por aí comendo uma batata frita. 

Responder ou relutar geralmente não ajuda muito. O problema é mais profundo. As pessoas de fato acreditam que ao ser nutricionista tudo se torna muito fácil e simples e que é seu dever seguir 100% do que é “saudável”. Na visão de alguns somos praticamente um robô que se alimenta de salada. 

Essa realidade passa a ser mais complicada para o profissional nutricionista. Não sendo suficiente as responsabilidades que acompanham a profissão, há algumas outras impostas pela “sociedade”. Aqui vão algumas: 

  • um nutricionista não pode ser visto em locais como hamburguerias, pizzarias ou sorveterias;
  • nunca deve estar acima ou abaixo do peso, demonstrar qualquer problema em sua relação com a comida, e claro, não deve apresentar nenhum transtorno alimentar; 
  • deve saber as calorias e macronutrientes de todos os alimentos (“não é isso que você aprende na faculdade?“);
  • deve saber como transformar qualquer preparação culinária em algo “fit” e não consumir as que não são. 

Ao não seguir essas “regras” a seguinte frase poderá ser dita: “mas… você não é nutricionista?” Talvez você já tenha escutado isso tantas vezes que a frase virá naturalmente ecoando em sua mente sempre que estiver fazendo algo que “um nutricionista não deveria fazer” (mesmo que ninguém esteja vendo). Isso deveria parecer absurdo, porém muitas vezes essa é a realidade.

Essa frase questiona o seu valor e capacidade profissional. Isso não é algo simples. É por isso que muitos estudantes e nutricionistas de fato acreditam que devem ser o exemplo a todo custo, ou que não podem ter problemas com a alimentação.

Vou compartilhar uma coisa que aprendi: 

Tudo bem você também ter problemas. Tudo bem você também ter dificuldades em seguir um plano alimentar. Tudo bem você também ter dificuldade em perder, ou ganhar, peso. Sabe por quê? Isso faz de você um ser humano, assim como seu futuro ou atual cliente. Poder dizer “eu também passo por isso e sei o quanto pode ser difícil” não tem valor!

Até mais,

Daniela. 

Crossfit

GH e o SONO: uma relação VALIOSA no seu desempenho

O sono é extremamente importante para o desempenho, o aprendizado, o desenvolvimento e a saúde física e mental.

“O sono é tão importante para a saúde quando uma dieta e exercícios.” (Carl Hunt, MD, director of the National Center on Sleep Disorders Research at the NIH”)

Precisamos dormir bem para ter melhor desempenho tanto no Crossfit quanto nas outras atividades do nosso dia a a dia. Além disso, ajuda a ter MELHOR humor rs. Na prática do esporte, a falta de sono pode causar reduções no desempenho, na capacidade de decisão, na aprendizagem e cognição, além de queda no sistema imunológico e maior suscetibilidade ao ganho de peso.

O sono pode ser definido como um estado comportamental reversível em que um indivíduo é desvinculado da percepção e não responde ao ambiente (Carskadon & Dement, 2011). É um estado fisiológico e comportamental complexo que possui dois estados primários: movimento ocular rápido (REM – Rapid Eye Movement) e não-REM (NREM).

O HORMONIO DE CRESCIMENTO  é uma pequena proteína produzida pela glândula pituitária e secretada a corrente sanguínea. Sua produção é controlada por um complexo conjunto de hormônios produzidos no hipotálamo do cérebro, no trato intestinal e pâncreas.A glândula pituitária “joga” o GH em pequenos disparos, sendo que os níveis aumentam depois do exercício, traumas (machucados) e sono. Sob condições normais, mais GH é produzido à noite do que de dia.O GH atua em muitos tecidos pelo corpo. Em crianças e adolescentes, estimula o crescimento de ossos e cartilagem. Em pessoas de mais idade,GH aumenta a produção de proteína, promove a utilização de gordura, interfere na ação da insulina e aumenta o nível de açúcar no sangue. Ele melhora a capacidade de realizar exercícios e reduz o risco de doenças no coração.

Três estudos interessantes, para ler mais e pensar a respeito

  • Shapiro et al. (1981) investigaram o sono antes e depois de uma maratona de 92 km em seis sujeitos. Os resultados indicaram que o tempo total de sono aumentou significativamente nas quatro noites após a maratona. Este estudo mostrou que o sono é muito importante para a recuperação atletas.
  • Em 2011, Mah et al. instruíram seis jogadores de basquete a obterem o máximo de sono “extra” possível após duas semanas de hábitos normais de sono. No final do período, foram observados tmepos menoes em seus sprints, além de maior precisão no lance livre, melhoras no humor, maior vigor e diminuição da fadiga. O mesmo grupo de pesquisa também aumentou o tempo de sono dos nadadores para 10 h por noite durante seis a sete semanas e relatou que o “sprint” de 15 metros, o tempo de reação, o tempo de virada e o humor melhoraram. Os dados deste pequeno número de estudos sugerem que aumentar a quantidade de sono que um atleta recebe pode melhorar significativamente o desempenho.
  • Em 2005, uma amostra cerca de 10.000 adultos, sugeriu que a epidemia de obesidade dos Estados Unidos poderia, em parte, ser causada por uma diminuição no número médio de horas de sono. Este estudo descobriu que pessoas com idades entre 32 e 49 anos que dormem menos de 7 horas por noite são significativamente mais propensas a serem obesas. Além disso, ficar acordado além da meia-noite parecia aumentar a probabilidade de obesidade. Da mesma forma, um estudo que acompanhou o crescimento de mais de 9.000 crianças desde o nascimento mostrou que as que dormiam menos quando tinham 30 meses de idade tinham maior probabilidade de serem obesas aos 7 anos do que as crianças que dormiam mais.

O sono é essencial para os atletas e praticantes de exercicio fisico, tanto para se preparar quanto para se recuperar dos treinamentos e/ou competição. Então tente dormir em média 7 horas por noite, para não ter “problemas “ posteriormente, cuide de você e bom sono!!

Julianne Sampaio – CRN3: 31233

Estudante de Nutrição

MINHA HISTÓRA COM A NUTRIÇÃO

Você nutricionista tem saudades da sua época da faculdade? E você estudante? Não vê o momento de se formar? Eu sou estudante de nutrição e me encontro no dilema de estar ansiosa pra acabar, mas também querer que passe mais devagar por saber que vou sentir saudades. A época da graduação é sempre um misto de amor e ódio… amamos a profissão que escolhemos, mas odiamos o desespero todo fim de semestre (momento em que me encontro).

Como esse é o primeiro post que estou fazendo, acho legal contar um pouco da minha história com a nutrição. Pode ser? Eu sou a Daniela, tenho 22 anos e nutrição está sendo minha primeira graduação. Sou estudante no Centro Universitário São Camilo em São Paulo e estou indo para o meu último ano no próximo semestre.

Para começar essa história acho importante dizer que nutrição nunca foi minha primeira escolha. Na verdade, na época do ensino médio não sabia o que era ser um nutricionista e não conhecia ninguém que queria cursar nutrição. Eu nasci com o presente de gostar de muitos assuntos diferentes, mas naquela época via isso como indecisão. Me dizer que deveria decidir apenas uma área para o resto da vida era demais para mim.

Já quis fazer de direito a biologia com a maior empolgação. Já para os meus pais, medicina era a profissão dos sonhos. Acredito que talvez tenha sido por isso que comecei a me interessar pela área da saúde e no meu último ano do ensino médio estava decidida a fazer odontologia.

Várias coisas aconteceram, mas resumindo: não deu certo. Logo que me conclui o ensino médio tive a oportunidade de ficar um ano em intercâmbio, quando voltei para o Brasil a decisão era fazer algum curso na área de comunicação. Pensei em jornalismo. Amar escrever foi meu argumento (acredite se quiser). No dia de fazer a matrícula senti algo dizendo “que tal repensar isso aí?” e fui embora.

Um mês depois conheci uma nutricionista pela primeira vez. Perguntei como era a profissão, o que se aprendia na faculdade e contei um pouco sobre mim. O que ela disse foi: “pelo que vejo nutrição tem tudo a ver com você!” E foi assim que comecei a pesquisar e percebi que realmente era um curso que tinha tudo a ver comigo!

Quando criança os meus pais passaram por um processo de reeducação alimentar intenso e também decidiram se tornar vegetarianos. Cresci em um ambiente que valorizava a alimentação saudável e a importância da conexão entre corpo e mente. Hoje acredito que esse conceito ainda está muito presente em como vejo a nutrição – valorizar o ser humano como um ser completo e oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação.

Por sempre gostar de várias áreas diferentes tenho que ser sincera em dizer que nesses três últimos anos já repensei a minha decisão em me tornar nutricionista. Mas diferentemente da época de ensino médio, não vejo isso como indecisão. Hoje acredito que podemos sim gostar de áreas diferentes e conciliá-las, ou talvez tê-las como hobby. Não é por estudar nutrição que deixei de escrever, gostar de fotografia e ler sobre filosofia.

Estando no fim da graduação e com melhor percepção de quantas oportunidades estão surgindo nessa área vejo a nutrição como um leque de opções. Isso me anima! Sei que posso tentar de tudo, gostar de tudo e ainda estar trabalhando com o que amo: nutrição! No próximo semestre vou começar os estágios obrigatórios, ficamos cerca de três meses atuando nas quatro principais áreas da nutrição e por enquanto posso dizer que: estou muito animada!

Até mais,
Daniela.

Emagrecimento

MINDFUL EATING. UMA FERRAMENTA PARA ESTRATÉGIAS DE EMAGRECIMENTO.

Mindfulness é um termo amplo, usado para caracterizar uma série de práticas, processos e características relacionadas a capacidade de atenção, consciência, memória, aceitação e discernimento. Possui fundamento histórico no budismo, mas vem ganhando exponente popularidade na área da saúde, onde começou a ser utilizado inicialmente como suporte para o tratamento do estresse, mas atualmente faz parte do pacote de intervenções para o tratamento de diversas patologias, associadas de forma direta ou indireta a obesidade.  

Mindfulness é de forma geral, um estado de consciência, é estar presente no momento atual, é prestar atenção à experiências de forma intencional e sem julgamentos.  Esse conceito agrega processos internos e do ambiente, estar consciente do que é presente de forma mental, emocional e física, sem deixar com que pensamentos do passado ou do futuro tomem conta do presente. Essa técnica requer treinamento entre corpo e mente, e para mim seu principal benefício é possibilitar a mudança no relacionamento com as suas experiências, o modo como lida com elas.

Já o Mindful eating é a aplicação dos conceitos do mindfulness na alimentação, com o objetivo de tornar esse momento mais consciente, sair do automático, principalmente nos dias de hoje onde assumimos múltiplas tarefas, temos informações e distrações a todo instante e pressa para cumprir todos os afazeres em 24 horas.

Com essas mudanças no estilo de vida, o processo de alimentação vem mudando também, o tempo para preparar as refeições e consumi-las com calma e atenção é reduzido, as escolhas alimentares são baseadas em praticidade e conveniência, deixando a qualidade e sabor em segundo plano, e é exatamente o que o mindful eating quer resgatar.

Os principais conceitos do mindful eating englobam:

  • Se permitir aproveitar as oportunidades positivas e nutritivas que estão disponíveis através do processo de preparação e consumo alimentar
  • Escolher alimentos que sejam tanto prazerosos para o seu paladar quanto nutritivos para o seu corpo.
  • Reconhecer suas respostas em relação aos alimentos, se são neutros, gostosos ou não, sem julgamentos, apenas observar as reações e sentimentos.
  • Aprender a ter consciência da fome (real, física) e da saciedade, que irá te guiar para o ato de comer e parar de comer assim que se sentir saciado.

Como já mencionado, atualmente a técnica de comer com atenção plena tem sido utilizada para o tratamento de alguns transtornos alimentares e de patologias como a obesidade e todas as condições associadas à ela como esteatose hepática, dislipidemias, hipertrigliceridemia, diabetes melitus II, entre outras.

Estudos recentes com praticantes de mindfulness, encontraram mudanças em regiões específicas do cérebro que estão associadas com:  tomada de decisão, empatia, regulação das emoções e aumento da capacidade de estar atento o que reflete na produtividade e satisfação tanto pessoal como profissional. Além disso encontrou-se entre os participantes, menores índices de transtornos mentais, melhor auto-imagem e auto-confiança, níveis maiores de bom-humor, maior facilidade em se adaptar, mais maturidade e auto-suficiencia.

Outro estudo, realizado em 2010, que colocou em prática os conceitos do mindful eating em paciente obesos e demonstrou de forma significativa a diminuição no peso, desinibição alimentar, compulsão alimentar, depressão, estresse percebido, sintomas físicos, afeto negativo e proteína C-reativa.

            Para avaliar o nível de atenção com os hábitos alimentares, em 2009 foi criado o Mindful Eating Questionnaire (MEQ), que indicou quem pessoas com um índice de massa corporal (IMC) mais alto, apresentam uma alimentação menos consciente do que pessoas que praticam esportes, ioga e meditação e por isso possuem uma consciência corporal maior.

            Com todos esses dados podemos observar que o conceito de mindful eating pode ser uma ótima ferramenta para auxiliar as estratégias nutricionais relacionadas a redução de peso e das patologias associadas à obesidade.

Referências

Agee, J. D., Danoff-Burg, S., Grant, C. A. (2009). Comparing brief stress management courses in a community sample: Mindfulness skills and progressive muscle relaxation. Explore: The Journal of Science and Healing, 5, 104–109.

Annels, S., Kho, K., Bridge, P.. Meditate don’t medicate: How medical imaging evidence supports the role of meditation in the treatment of depression. Radiography 2016; 22, e54–e58. 

Arch, J. J., Ayers, C. R., Baker, A., Almklov, E., Dean, D. J., Craske, M. G. Randomized clinical trial of adapted mindfulness-based stress reduction versus group cognitive behavioral therapy for heterogeneous anxiety disorders. Behaviour Research and Therapy, 2013; 51, 185–196. 

Berkovich-Ohana, A., Dor-Ziderman, Y., Glicksohn, J., Goldstein, A. Alterations in the sense of time, space, and body in the mindfulness-trained brain: A neurophenomenologically-guided MEG study. Frontiers in Psychology 2013; 4, 912. 

C. Framson, A.R. Kristal, J. Schenk, A.J. Littman, S. Zeliadt, D.Benitez.Development and validation of the Mindful Eating Questionnaire. Journal of the American Dietetic Association, 109 (8) (2009), pp. 1439-1444.

Dunne, J. Toward an understanding of non-dual mindfulness. Contemporary Buddhism 2011; 12, 71–88. 

Dalen J., Smith B.W., Shelley B.M., Sloan A.L., Leahigh L., Begay D.Pilot study: Mindful Eating and Living (MEAL): Weight, eating behavior, and psychological outcomes associated with a mindfulness-based intervention for people with obesity. Complementary Therapies in Medicine, 2010; 18  (6) , pp. 260-264.

Kabat-Zinn, J. Mindfulness-based interventions in context: past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice 2005; 10, 144–156.

Pintado-Cucarella, Sheila; Rodríguez-Salgado, Paulina. Mindful eating and its relationship with body mass index, binge eating, anxiety and negative affect. Journal of Behavior, Health & Social Issues, 2016; 8, 19-24.

Nutrição Materno-Infantil

Vitamina D e Gestação

A associação entre os níveis plasmáticos de vitamina D e os desfechos do ciclo gravídico são bem documentados na literatura científica. Essa vitamina lipossolúvel é sintetizada pelos seres humanos, sob condições adequadas, por um processo que se inicia com a oxidação do colesterol da dieta no intestino, formando o 7-dehidroepicolesterol, que carregado pela corrente sanguínea até a pele é convertido, sob efeito da radiação ultravioleta B solar (UVB) de forma não enzimática, em colecalciferol e, cerca de 90% do total de vitamina D no organismo se deve a essa via de síntese.

O feto é dependente da mãe para adquirir vitamina D, pois essa atravessa a placenta e no primeiro trimestre começa acumulando  cerca de 2-3 mg/dia de cálcio no esqueleto e essa reserva dobra no último trimestre. Assim, a gestante se adapta às necessidades fetais e aumenta a absorção de cálcio no início da gravidez, atingindo um nível máximo no último trimestre. A transferência é contra balança pelo aumento da absorção intestinal e redução da excreção urinária de cálcio.

Essa vitamina está intimamente relacionada a homeostase do mineral cálcio e a manutenção do tecido ósseo. Além da saúde óssea, a vitamina D regula os principais genes associados à adequada implantação da placenta e gestantes que apresentam deficiência dessa vitamina tem um aumento na síntese de citocinas pró- inflamatórias, como TNF-alfa e IL-6 e esse quadro pode favorecer a diabetes gestacional, pré-eclâmpsia.

Para acompanhamento dos níveis séricos de vitamina D, é importante lembrarmos que essa tem meia vida de 2 a 3 semanas, e a forma circulante, inerte, considerado o biomarcador de status de vitamina D é o 25 (OH)D3 (calcidiol) é ativado no fígado pela ação da enzima 25- hidroxilase (enzima da classe de citocromo, dependente de ferro e magnésio. E que após essa etapa, há captação pelos rins, cuja enzima 1-alfa-hidroxilase dependente do hormônio PTH, incorpora um segundo grupamento OH, no primeiro carbono, formando o metabólito ativo da vitamina D (calcitriol ou 1,25(OH)2 D3). Outros tecidos que também possuem essa enzima ativam a vitamina D, tais como glândulas paratireoides, mamas, intestino, próstata, pulmão, monócitos, pâncreas, queratinócitos e placenta.

Essa vitamina é recrutada ainda no funcionamento adequado da tireoide, estimulando a ação das células beta pancreáticas e consequentemente a síntese e secreção da insulina, estimulam a diferenciação de linfócitos T CD4 em Linfócitos T regulatórios, que são capazes de produzir interleucinas menos inflamatórias (IL-10 e TGF- β) – melhorando a tolerância imunológica e imunossupressão.

Assim, quando não há hipovitaminose D prevenimos que a gestante desenvolva alterações metabólicas, favorecemos a adequada fecundação, reduzimos o risco de abortamento, nascimento de bebês pequenos para a idade gestacional, partos prematuros, vaginose bacteriana, raquitismo congênito, doenças alérgicas, asma pós nascimento e desenvolvimento cerebral alterado.

O nascimento de bebês de mães que receberam suporte de vitamina D durante a gestação demonstra melhores resultados em relação a parâmetros como crescimento ao nascer, comprimento, circunferência cefálica e circunferência torácica.

Devemos acompanhar os resultados dos exames laboratoriais de nossas pacientes gestantes, e a literatura científica indica que os níveis plasmáticos de vitamina D em gestantes devem estar superiores a 50nmol/L (ou 20ng/mL).

Segundo o Institute of Medicine, as recomendações de consumo alimentar de vitamina D por gestantes é de 10µg/dia. Já em relação a suplementação as recomendações da Canadian Academy of Pediatrics e American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam respectivamente a suplementação de 2.000 UI /dia durante a gestação e lactação. Estudos recentes indicam que a suplementação até 4.000UI por dia em gestantes não levou a relatos de hipercalcemia ou hipercalciúria. Em relação a toxicidade por suplementação, o risco pode ocorrer acima de 20.000UI por dia e pode levar a hipercalcemia e hipercalciúria.

Além da exposição solar e do consumo alimentar, alguns outros fatores que reduzem a síntese dessa vitamina devem ser considerados por nós, nutricionistas no momento da montagem do plano alimentar e prescrição da suplementação, fatores como: uso de protetor solar com fator de proteção 30 reduz em 95% a produção; peles com lesão por queimaduras; nebulosidade e contaminação atmosférica; estação do ano, hora do dia, pele com tons mais escuros necessitam de mais tempo de exposição ao sol. 

É nosso papel como educadores da saúde ressaltar que apenas 18% da superfície corporal, área equivalente a braços e pernas, exposta à luz solar por pelo menos 15 minutos diariamente já é suficiente para garantir a síntese adequada de vitamina D3 (*pode haver variação de acordo com a latitude, estação do ano, cor da pele, utilização de filtro solar e influência cultural, religiosa e da dieta). E que a exposição contínua à luz solar também acarreta fotodegradação da pré vitamina D3, assim há uma proteção contra a superprodução, de forma que a exposição excessiva ao sol não causa toxicidade sistêmica induzida pela vitamina D.

Assim, além de todo o planejamento alimentar e acompanhamento de exames laboratoriais é muito importante incentivarmos a exposição solar em um pequeno momento do dia.

Referências

MARQUES, Natália; SERPA, Fernanda; TEIXEIRA, Michelle. Nutrição Clínica Funcional: da fertilidade à gestação. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2018. P. 163 – 167;234-235.

SOUZA, José Rogério de Jesus Linhares de; SILVA, Tatyana Santana de Azevedo  e  FIGUEREDO, Eduardo Durans. Hipovitaminose D na gestação: um problema de saúde pública?. Rev. Bras. Saude Mater. Infant. [online]. 2019, vol.19, n.1, pp.197-205. ISSN 1519-3829.  http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042019000100011.

Atualidades

Dietas da Moda

O nutricionista, principalmente na área clínica em consultório e/ou ambulatório, atualmente se depara com um contexto crescente dos quadros de obesidade e doenças crônicas, que acontecem concomitantemente a um aumento da preocupação excessiva, por uma parcela da população, com o peso e composição corporal. 

E na busca imediatista por um corpo magro, muitas pessoas buscam antes do atendimento com profissional habilitado, informações em sites e blogs não científicos, os quais reforçam o padrão de maciça valorização da magreza, tornando a gordura um símbolo de fracasso moral e algo socialmente indesejável.

Entretanto, são inúmeras dietas publicadas por sites e blogs não científicos com restrições calóricas expressivas e consequentemente inadequadas no fornecimento de micronutrientes utilizados em diversas reações metabólicas vitais. 

Vale ao profissional nutricionista além do estudo da ciência da nutrição, pautar suas condutas nas recomendações vigentes e se inteirar das dietas da moda, para ter respaldo científico no momento de desmistificar informações inadequadas que podem estar sendo veiculadas na mídia. 

Assim, para auxiliar em sua prática clínica trouxemos os dados de um estudo realizado em Minas Gerais e publicado em 2019 que avaliou a composição de dietas da moda publicadas em sites e blogs não científicos, estas eram segmentadas em dietas que seguiam o jejum intermitente, dietas com restrição de carboidratos e dietas isentas de glúten.

Estudo Analisa as Dietas da Moda

O estudo: pesquisadores analisaram cardápios disponíveis em sites e blogs, de acordo com o teor de carboidratos, fibras, proteínas, lipídios, iodo, sódio, cálcio, magnésio, ferro, zinco, manganês, potássio, fósforo, cobre, selênio, vitaminas A, C, B6, B12, D, niacina e folato, e os valores de nutrientes foram comparados com as recomendações da Ingestão Dietética de Referência (DRI) para mulheres com idade entre 19 e 50 anos.

O percentual de adequação dos macronutrientes foi baseado em uma dieta de 2.000kcal para indivíduos saudáveis, segundo a Organização Mundial de Saúde, correspondendo a aproximadamente 60% de carboidratos ou 1.200kcal (300g), 15% de proteínas ou 300kcal (75g) e 25% de lipídios ou 500kcal (56g).

Foram consideradas dietas com alto teor de restrição calórica, dietas que preconizavam o consumo diário entre 800 a 1200 kcal e uma dieta com restrição leve com consumo de 1200kcal. Os valores calóricos obtidos dos cardápios e avaliados estavam entre 229 kcal – 869 kcal para dietas que sugeriam o jejum intermitente, dietas low carb em torno de 622 – 1560 kcal e dietas com restrição de glúten 877 – 1750 kcal. 

Conclusões do Estudo

Valores de carboidratos e fibras estavam aquém do recomendado. Já com relação aos micronutrientes, analisados nos três tipos de dietas (Sódio, Magnésio, Zinco, Manganês, Potássio e Cobre), esses estavam menores que a DRI. 

Sabemos que a deficiência de sódio e potássio causam desequilíbrio hidroeletrolítico e disfunções celulares; a deficiência de iodo provoca alterações cognitivas, bócio e hipotiroidismo; a deficiência de magnésio causa distúrbios neurológicos, cardiovasculares e gastrointestinais; a  deficiência de zinco reduz a função imunológica; a deficiência de manganês leva a neurodegeneração e; a deficiência de cobre causa anemia, alterações no sistema imunológico e na fertilidade. 

Já os minerais Cálcio, Fósforo, Ferro e Selênio foram superiores a 100% nos cardápios livres de glúten, e Fósforo e Selênio foram maiores na dieta pobre em carboidratos. 

A deficiência mineral e das vitaminas B6 e B12 esteve presente na dieta de jejum intermitente devido à ausência de ingestão alimentar em longo prazo, pois o indivíduo só faz duas refeições em um intervalo de 24 horas. 

Vale mencionar que a deficiência de vitamina B12 pode aumentar o risco de falha na gravidez, comprometimento cognitivo, osteopenia, doença oclusiva vascular – provavelmente devido ao acúmulo de homocisteína.

Nas dietas que propunham o jejum intermitente e restrição de glúten houve excesso de vitamina C, que pode causar diarreia, excreção urinária de oxalato e formação de cálculo renal. 

Em todas as três modalidades de dietas analisadas houve deficiência no fornecimento de vitamina D e B9, que podem causar, respectivamente, distúrbios ósseos e raquitismo, anemia megaloblástica, malformação congênita e doenças cardiovasculares. 

Vitaminas C e B3 estavam deficientes na dieta pobre em carboidratos. A deficiência de vitamina C está associada a doenças neurodegenerativas, incluindo Doença de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e lateral amiotrófica.

A vitamina A estava acima dos níveis recomendados e esse excesso pode causar perda de cabelo, visão dupla, vômitos, dores de cabeça e danos ao fígado e aos ossos. 

Ainda, vale sempre lembrarmos aos pacientes/clientes que dietas com alta restrição calórica são ineficientes para perda de peso a longo prazo e que dietas deficientes em micronutrientes, promovem efeitos nutricionais e emocionais desfavoráveis. 

O nutricionista, assim, deverá estar sempre disposto a esclarecer que dietas altamente restritivas, promovidas pelas mídias sociais podem contribuir para o aumento de doenças por deficiência nutricional e transtornos alimentares, uma vez que tanto os macronutrientes quanto os micronutrientes estão deficientes nessas dietas.

Referência

Braga DCA, Coletro HN, Freitas MT. Composição nutricional de dietas da moda publicadas em sites e blogs. Rev Nutr. 2019; 32: e170190. http://dx.doi.org/10.1590/1678-9865201932e170190