Vida de nutricionista

O que te motiva a continuar?

Na segunda-feira (31/08), nós celebramos o Dia do Nutricionista

De fato, o nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que nos motivam a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender, no dia a dia, sendo nutricionista? 

Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos uma história para que possamos refletir sobre a mudança de vida que o cuidado nutricional pode proporcionar: 

Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil. 

Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.

Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.

Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal. 

Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado! 

Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”

E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante? 

Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!

Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar: 

Até mais!

Atualidades

Paternidade na educação alimentar

Domingo é o Dia dos Pais e a nossa homenagem vem em formato de reflexão sobre o papel do pai na educação alimentar! 

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

A construção de hábitos e preferências alimentares é influenciada por diversos fatores, sendo o ambiente familiar um que possui forte impacto no desenvolvimento infantil. 

A educação alimentar infantil é um assunto complexo para se falar em poucos parágrafos, como disponho aqui. Mesmo assim, proponho uma reflexão sobre as possíveis influências da figura paterna nesse campo.

Dinâmicas Familiares

Irei citar exemplos mais comuns, mas reconheço a diversidade existente nas dinâmicas familiares. É importante que o nutricionista entenda como funciona a de cada núcleo familiar atendido, para poder auxiliar no planejamento alimentar.

Ao falar do papel do pai na alimentação é importante entender que essa não é uma figura exclusiva da parte biológica. A mesma se faz presente em outros contextos, podendo ser atribuída ao outro parceiro em uma união homoafetiva, a um irmão mais velho, ao avô, ao padrasto, ou outro responsável em que a criança confie. 

Na maior parte dos núcleos familiares, as responsabilidades “da casa” recaem naturalmente sobre as mulheres, ou apenas a uma das pessoas do casal, ao invés de serem compartilhadas. O mesmo pode acontecer na alimentação infantil.

É verdade que o vínculo materno com a alimentação das crianças é muito mais intenso. Com a gestação e a amamentação elas crescem acreditando que a mãe é a única fonte de nutrição, mas a atuação paterna é essencial.

Então, qual é a participação do pai na educação alimentar infantil?

  • Ao passo que a criança cresce, é importante que o vínculo materno seja dividido entre outras pessoas, para maior autonomia infantil. Propor maior participação da figura paterna na alimentação é importante para isso;
  • Aos que moram juntos, é importante que as funções sejam divididas. A mãe pode ser auxiliada com o preparo para a amamentação, por exemplo. Quando há uso de mamadeira, ou na introdução de alimentos sólidos, o pai também deve alimentar a criança;
  • Reforce que o consumo e aceitação alimentar das crianças é muito influenciado pelo exemplo que possuem em casa, ou seja, por que a criança se sentiria disposta a consumir vegetais, se o pai – o seu exemplo, não o faz?
  • Figuras paternas muito rígidas podem criar ambientes alimentares confusos. Apesar da responsabilidade de alimentar a criança ser dos pais, ainda estamos falando de outro ser humano, com suas diferenças e preferências que devem ser respeitadas.

Para finalizar, no mês de maio trouxemos um blog sobre como ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Acreditamos que também pode ser válido aos pais que são nutricionistas. Leia clicando aqui

Até mais! 

Atualidades

Os 5 Sinais de Atenção para Transtornos Alimentares

A última quarta-feira (02/06) foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, data que surgiu visando maior atenção dessas questões pela população, possibilitando que muitos procurem ajuda. 

Transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas de etiologia multifatorial, caracterizadas principalmente por métodos inadequados para perda ou manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos. (1

Além dos TA definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), também há comportamentos disfuncionais, com práticas inadequadas de ingestão alimentar e controle do peso (comer transtornado), mas que apresentam frequência e intensidade inferiores às exigidas pelos critérios diagnósticos. 

Qual o papel do nutricionista no tratamento?

O modelo de prescrição dietética tradicional pode não ser apropriado para o tratamento de transtornos alimentares, principalmente em quadros de transtorno de compulsão alimentar (TCA) e bulimia nervosa (BN).

Por isso, é imprescindível que nesses casos os pacientes sejam encaminhados para profissionais que possuam capacitação técnica para essa demanda, ou que trabalham com condutas não prescritivas. 

Entretanto, é importante que todos os nutricionistas tenham atenção aos sinais de TA e comportamentos disfuncionais associados ao comer, podendo assim realizar o devido encaminhamento a outros colegas de profissão e psicólogos. 

Selecionamos 5 pontos de atenção: 

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito)
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração)
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação

Não sabe onde poderia encontrar ajuda? Nesse site você encontra o contato dos centros de tratamentos espalhados pelo Brasil. Deseja aprender mais? Clicando aqui você encontra diversos materiais educativos!

Também gostaríamos de sugerir dois livros bem interessantes:

  • Diários da Anorexia – Linda M. Rio e Tara M. Rio (Editora M. Books): Auxilia o profissional a compreender a dinâmica comportamental do paciente, o aproximando do sofrimento e pensamentos que o paciente pode desenvolver no âmbito alimentar

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Há relato de casos de Anorexia e Bulimia, descrição do acompanhamento de pacientes com esses transtornos e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento. Uma boa fonte de aprendizado para nortear o profissional nutricionista.

Até mais!

Atualidades

Doença Celíaca e Níquel: o que o nutricionista precisa considerar

A Doença Celíaca é uma doença inflamatória crônica intestinal desencadeada pelo consumo de glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis, que apresentam resultados positivos para o Antígeno Leucocitário Humano (HLA) DQ2 e/ou DQ8. 

Além desses, o diagnóstico de Doença Celíaca em adultos pode ser confirmado pelos resultados positivos dos testes sorológicos específicos para Anticorpo Anti-Endomísio e Anti-Transglutaminase tecidual e associados aos achados de atrofia das vilosidades intestinais, no exame histológico em biópsias duodenais. 

O alvo principal na Doença Celíaca é o intestino e assim, pode acontecer manifestações gastrointestinais após o consumo de glúten, tais como distensão abdominal, dor abdominal, diarreia e constipação.

Além desses, podem acontecer também sintomas extra-intestinais. 

O tratamento para a Doença Celíaca é a dieta livre de glúten vitalícia e estrita. Entretanto, muitos pacientes com Doença Celíaca se queixam da persistência ou recaída dos sintomas, mesmo seguindo a dieta livre de glúten.

Nesses casos, além da checagem minuciosa do profissional de saúde sobre a adesão a alimentação orientada e do acompanhamento dos exames laboratoriais, pode ser interessante descartar possíveis diagnósticos de outras doenças intestinais, tais como a Síndrome do Intestino Irritável, ou Intolerância à Lactose. 

Alguns casos, mesmo após essas investigações, permanecem sem solução. E levam a  tentativas com uma dieta pobre em oligo -, di- e monossacarídeo fermentáveis e polióis (FODMAPs). 

Nesse sentido, de tentar outras possíveis interferências alimentares, mais recentemente, a mucosite de contato alérgica ao níquel, foi sugerida como uma nova abordagem terapêutica. Uma vez que ao consumir alimentos ricos em níquel, podem aparecer sintomas semelhantes aos da Síndrome do Intestino Irritável. 

Esse quadro pode fazer parte da Síndrome alérgica sistêmica ao níquel e pode levar além das manifestações gastrointestinais, também a sintomas extra intestinais. 

Essa questão se torna relevante para o nutricionista, pois a maioria dos alimentos sem glúten contém alto teor de níquel e, assim, a sensibilidade ao níquel pode exacerbar os sintomas em indivíduos predispostos, especialmente quando há presença de Doença Celíaca em dieta sem glúten em longo prazo.  

Confira os alimentos ricos em níquel e também as fontes de FODMAP! Duas linhas propostas para tratamento de pessoas com sintomas gastrointestinais que aparentam não ter solução. 

Sobre o níquel

Um elemento presente em muitos alimentos, com uma certa variabilidade de concentração dependendo do tipo de solo e espécies de plantas, água de irrigação, fertilizantes e pesticidas. Assim, por ser impossível sua eliminação total da dieta, recomenda-se evitar apenas alimentos com alto teor estimado de Ni (Ni> 100 μg / kg). Ainda, o uso de utensílios e panelas de aço inoxidável também tem sido desencorajado, a fim de reduzir a contaminação por níquel durante o cozimento.

Interessante saber

Há maior prevalência no sexo feminino na Doença Celíaca. De acordo com a literatura, a proporção está estimada em cerca de 3:1 (mulher/homem). Assim como também acontece com a alergia ao níquel, mais comum em mulheres, com uma prevalência aproximada de 15 a 20%. 

Alimentos ricos em Níquel e FODMPAs:

Alho

Couve-flor

Cebola

Repolho

Aspargos

Brócolis

Alcachofra

Couve de bruxelas

Alho poró

Cogumelos

Feijões

Peras

Ervilha

Ameixa

Soja

Mirtilos

Frutas secas

Chás

Alimentos ricos em FODMAP:

Maçã

Cerejas

Cevada

Mel

Abacate

Abóbora

Amaranto

Adoçantes

Banana

Trigo Farinha de coco

Inulina

Manga

Centeio

Café instantâneo

Pêssego

Quinoa

Chá de camomila

Toranja

Arroz

Referências:

Carrapatoso, I. et al. Dermatite endógena induzida pela ingestão de níquel. A propósito de dois casos clínicos. Revista Portuguesa de Imunoalergologia 2004; XII : 261-270. 

Borghini, R. Efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor de níquel na recidiva de sintomas semelhantes ao IBS e extraintestinais em pacientes celíacos durante uma dieta sem glúten adequada: Mucosite de contato alérgica com níquel na suspeita de doença celíaca não responsiva. Nutrients 2020 , 12 (8), 2277. 

Atualidades

SUPER FOODS

Os valores antioxidantes dos alimentos listados são expressos em unidades ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity), uma unidade de medida do conteúdo antioxidante que foi originalmente desenvolvida pelo Instituto Nacional de Envelhecimento (NIA) do National Institutes of Health.

Os melhores antioxidantes e supostos “super alimentos” antienvelhecimento, pode vê-los classificados por seus valores ORAC – valores mais altos implicam uma quantidade medida mais alta de atividade antioxidante, alguns alimentos são somente extratos, pois devido a concentração no alimento ser pequena, precisa se fazer o extrato em grande quantidade do alimento e transformado em suplemento para atingir um valor apropriado de consumo sendo, antioxidante.


Astaxanthin Supplements – 2822200

triphala churna Supplements – 706250


bacopa/astragalo Suplements -169800

Canela – 131420


Cúrcuma longa – 127068
Extrato da semente de uva – 108130


Licorice root Suplements – 102945


Açaí berry powder -102700



Costuma indicar algum deles?


Aproveite para marcar seus amigos que ainda não conhecem e que gostariam de saber!!!  

#superfoods #abacate #azeite #oleaginosas #berries #legumes #nutrição #nutricaoparaleigos

Atualidades

QUAL TIPO DE SAL DEVO USAR?

Existem três métodos para produzir sal: evaporação solar, mineração do sal de rocha e evaporação sob vácuo através de evaporadores comerciais.

No Brasil, como em grande parte do mundo, muito se utiliza o método mais antigo que se dá através da evaporação da água do mar e cristalização do sal (evaporação solar), sendo o Rio Grande do Norte responsável por 97% da produção nacional.


Quando produzido industrialmente, o sal é tratado com produtos químicos para remover minerais referidos como impurezas e comercializado com diversos graus de pureza e granulometria. O problema é que nessa remoção de impurezas, remove-se também elementos que são positivos para a saúde.

Os principais sais são: *Sal light – Comparado ao sal comum, este sal tem menor teor de sódio, mas é refinado. É composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio

*Sal marinho – não refinado é o sal obtido antes do processo de purificação, onde são colocados compostos químicos para facilitar seu uso. Ele contém alto teor de magnésio e por isto é considerado mais saudável. Também contém iodo orgânico natural, que tem boa absorção.


*Sal Rosa do himalaia – Rico por apresentar mais de 80 oligoelementos na sua composição tais como o cálcio, magnésio, potássio, sulfato, ferro, zinco, cobre, manganês, cromo e chumbo.

*Sal negro – é considerado uma especiaria de arrefecimento na medicina Ayurveda e é utilizado como um laxante e ajuda digestiva. Mas cuidado, pois, atualmente, modernos processos de fabricação podem fazer este sal sinteticamente.


*Flor de sal / sal de Mossoró – Sendo um sal mais completo, oferece todos os benefícios do sal marinho contendo cálcio, magnésio, ferro, iodo e potássio em sua composição, e geralmente apresenta mais umidade que os demais.

E qual usar?
Tudo depende, mas o refinado já não é uma boa opção e sabendo que precisamos de minerais que em alguns tipos tem. A minha indicação é o sal marinho não refinado, mas cuidado com a quantidade usada diariamente.

Nutrição Materno-Infantil

O ácido araquidônico no leite materno

Dentre os inúmeros benefícios do leite materno para o crescimento e desenvolvimento adequados dos bebês, está a presença, mesmo que em quantidades relativamente pequenas, dos ácidos graxos essenciais.

Tanto o ácido araquidônico (ARA), quanto o ácido docosahexaenoico (DHA) estão presentes nos glóbulos de gordura, na forma de triglicerídeos e, secundariamente, em fosfolipídeos (fosfatidiletanolamina, fosfatidilcolina, esfingomielina, fosfatidilserina e fosfatidilinositol).

Em relação ao ácido araquidônico no leite humano, sua presença influencia a formação de uma variedade de moléculas bioativas, incluindo as prostaglandinas. Esses componentes irão beneficiar os lactentes em diferentes tecidos, tais como:

– Proteção e auxílio na motilidade intestinal;

– Modulação da inflamação, pois atuam como sinalizadores;

– Papel no início da resposta da sucção do leite;

– Modulação da saciedade e metabolismo energético;

– Desenvolvimento cerebral. 

Desta forma, cuidar da alimentação materna para que haja uma boa variedade no consumo de gorduras, incluindo fontes de gorduras poli-insaturadas em quantidades adequadas é garantir que o ácido araquidônico pré formado esteja presente no leite e exerça todos os benefícios citados acima ao bebê amamentado.

Vale mencionar que a recomendação para quando a mãe não puder amamentar, é que a fórmula indicada tenha a adição de DHA e ARA.  

Referência

Salem, N. Jr .; Van Dael, P. Ácido araquidônico no leite humano. Nutrientes 2020 , 12 , 626.

Crossfit, Sem categoria

Sono, Cafeína e anticoncepcional, entenda a relação entre eles

A cafeína, seja ela em forma de café, energético ou cápsulas em doses variando de 200 a 400 mg, demonstrou ser eficaz e, é frequentemente utilizada, para manter o desempenho no contexto de privação, sedação e restrição do sono.

De fato, a administração de cafeína tem sido usada como modelo de insônia. Estudos, demonstram que doses crescentes de cafeína (maior que 100 mg administrada na hora de dormir ou próximo a até 3 horas antes de dormir) está associada a distúrbios significativos do sono, desde o deitar, até a dificuldade em manter os ciclos do sono completos.

Ainda não está claro até que ponto a cafeína interrompe o sono noturno em relação às doses consumidas ou mais perto da hora de dormir. Mas, um ponto é certo, seu consumo modifica a qualidade do sono.

E de que forma poderia haver relação entre o consumo de cafeína e o uso de anticoncepcional?

Bem, a presença do anticoncepcional prolonga a meia vida da cafeína em seu organismo em até duas vezes!

Sabemos que a metabolização da cafeína está relacionada às características genéticas individuais, entretanto, a privação de sono afeta diversas áreas em nossa vida e, assim, manejos que contribuam para garantir o sono reparador e de qualidade, devem ser incentivados!

Portanto, se faz necessário observar o quanto o consumo de cafeína está presente no dia e se este pode estar interferindo negativamente em seu sono, principalmente em mulheres em uso de anticoncepcional.

Referência:

Drake C; Roehrs T; Shambroom J; Roth T. Caffeine effects on sleep taken 0, 3, or 6 hours before going to bed. J Clin Sleep Med 2013;9(11):1195-1200.

Nutrição Materno-Infantil

Saiba mais sobre as diferenças entre os leites e as bebidas vegetais

O aumento no número de casos de crianças com alergia ao leite de vaca, ou intolerância à lactose, bem como a maior disseminação dos hábitos alimentares veganos, tem refletido diretamente no crescimento da busca por bebidas alternativas, provenientes de fontes animais ou vegetais (dependendo de cada caso). E essa mudança de comportamento acaba por suscitar um novo desafio aos profissionais de nutrição: educar a população acerca dos substitutos realmente adequados, disponíveis no mercado alimentício.

Para tanto, é necessário considerar as características do leite a ser substituído. O leite de vaca, por exemplo, contém energia, carboidratos (lactose), gorduras, proteínas, vitaminas B1, B2, B6, retinol, carotenos, vitamina E e minerais, com destaque para o cálcio, e em menores teores fósforo, potássio, magnésio e sódio.

Não obstante o aumento nos últimos anos de leites de outras espécies animais, tais como leite de búfala, responsável por 13% da produção global, seguido pelo de cabra (2,3%), ovelha (1,4%) e camela (0,3%), o leite de vaca continua correspondendo à 83% da produção mundial.

Entre eles, por certo, há diferenciação de características e composição. Uma amostra é o leite de búfala, acima citado, que contém mais que o dobro da quantidade de energia quando comparado ao leite de vaca. Valor que, vale frisar, é também elevado devido a acentuada quantidade de gordura saturada.

Ainda nessa comparação, o leite de búfala apresenta um pouco mais de proteínas, e ambos os leites contam com proporção similar de lactose.

Se analisarmos o leite de cabra, veremos que sua composição é semelhante ao leite de vaca, principalmente no tocante à quantidade de gorduras saturadas. Quanto a isso, inclusive, é importante ressaltar que o leite de cabra é rico em ácidos graxos de cadeia curta e média (6 a 10 átomos de carbono) – o que torna essa gordura uma fonte para rápido uso de energia (essa composição contribui para seu sabor característico). Possui quantidades de carboidratos e proteínas equivalentes ao leite de vaca, e um maior teor de retinol. 

Quanto ao leite de ovelha, sua digestibilidade é facilitada em razão dos tamanhos médios dos glóbulos de gordura. Ele possui maior teor de lactose, quando comparado aos leites de vaca e cabra, níveis mais baixos de sódio e potássio e altos níveis de retinol e taurina.

Embora não tenham sido citados nas porcentagens acima, referentes à produção mundial, os leites de égua e burro também devem ser analisados. Nesse sentido, ambos possuem baixo nível de lactose, caseínas, caseína e gorduras – sendo essas prioritariamente composta por ácidos graxos poli-insaturados, contendo ácido alfa-linolênico (série ALA, ômega 3) e ácido linoleico (série LA, ômega 6) – essenciais e precursores do ácido docosahexanoico (DHA) e ácido araquidônico (AA).

Os leites de dromedário e camelo (animais conhecidos como semi-ruminantes por terem no estômago 3 compartimentos e não 4 como os ruminantes) têm importância social e nutricional em áreas áridas e semi-áridas como fonte de alimentação para a população. O leite de camelo possui maior teor de gordura em relação ao de dromedário, no entanto, quanto à lactose, o conteúdo de ambos é similar.

Em relação ao leite de vaca, o leite de dromedário possui maior teor de ácidos graxos monoinsaturados e o de camelo menor teor de ácidos graxos saturados. Esses dois leites chamam a atenção pelo baixo teor de beta-lactoglobulina, sendo a proteína mais comum a alfa-lactalbumina e beta-caseína. Tais características os tornam fontes de maior digestibilidade, bem como suscitam a menor incidência de alergias.

Pelas diferenças expostas, e para que se encontre um substituto adequado ao leite de vaca (considerando o objetivo e as peculiaridades de cada caso), é que se torna tão imprescindível o maior conhecimento acerca da composição e características dos diversos tipos de leites disponíveis. E isso se refere não apenas aos de origem animal, mas também às bebidas vegetais. Essas últimas, vale dizer, vem sendo cada vez mais conhecidas e procuradas, em decorrência da maior disseminação dos hábitos alimentares veganos nos últimos anos

Tratam-se de bebidas (extratos) provenientes de cereais (aveia, arroz, milho), leguminosas (soja, amendoim, tremoço, feijão), oleaginosas (amêndoa, avelã, girassol – o de coco entraria nessa categoria) e a base de pseudo-cereais (quinoa, teff, amaranto).  

Quanto a sua terminologia, embora sejam comumente conhecidas como “leite vegetais”, segundo o regulamento 1308/2013 o termo “leite” deve ser utilizado apenas para designar produtos obtidos pela ordenha, sendo os demais denominados como bebidas (as exceções cabem apenas aos extratos obtidos de amêndoa e coco, os quais podem ser chamados de leites).

No que tange às diferenças de bases e composições, vale a análise de alguns tipos (os mais usuais) de bebidas e leites vegetais, quais sejam: soja, amêndoa, arroz, coco e aveia, conforme se verá a seguir.

A bebida de soja teve seu uso relatado pela primeira vez há cerca de 2000 anos na China. Ela contém carboidratos e gorduras muito mais baixos, e consequentemente menor valor energético, se comparados ao leite de vaca. Em relação ao perfil lipídico, possui menores níveis de ácidos graxos saturados e maiores quantidades de gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas.

Ao utilizá-la é importante estar atento à necessidade de suplementação do mineral cálcio e da vitamina B12. Alguns de seus benefícios são a ausência de lactose e colesterol, maior quantidade de proteínas em comparação a outras bebidas e alta digestibilidade. Importante salientar que a bebida de soja não deve ser oferecida antes do primeiro ano de vida, bem como faz-se essencial a prévia avaliação de possíveis alergias.

Quanto ao leite de amêndoa, observamos maiores níveis de gorduras mono e poli-insaturadas e bons níveis de vitamina E, cálcio, potássio, magnésio, ferro, selênio, cobre e zinco.  Tem como benefício seu papel prebiótico, influenciando o crescimento de bactérias benéficas no intestino. No uso desse leite, a suplementação de vitamina B12 também deve ser avaliada.

A bebida de arroz, por sua vez, é composta prioritariamente por carboidratos, apresenta menor teor de gorduras e possui cálcio, magnésio, ferro, vitaminas A e E. Já no leite de coco verifica-se alto teor de gordura (saturada), menor teor de proteínas, carboidratos, fibras e altos níveis de potássio, magnésio, ferro, zinco, vitaminas C e E.

            No que tange à bebida de aveia, podemos identificar menor teor de gorduras e proteínas, um bom perfil de aminoácidos e alta quantidade de fibras e fitoquímicos (antioxidantes). Em relação ao seu conteúdo de fibras, apresenta beta-glucana, do tipo solúvel e que tem a capacidade de diminuir os níveis de colesterol e glicose. Importante avaliar a necessidade de suplementação de cálcio quando essa bebida é utilizada.

Quando comparamos tais bebidas ao leite de vaca, torna-se importante enfatizar que:

– A bebida de soja apresenta teor de proteínas muito semelhantes ao leite de vaca. Outras boas fontes seriam as bebidas a base de quinoa, cânhamo e aveia.

– Nas bebidas a base de plantas alguns aminoácidos podem ser limitantes e com isso, a variedade do consumo ao longo do dia com outros alimentos é necessária. (*Limitantes: lisina nos cereais e metionina nas leguminoasas).

– As bebidas a base de planta não irão conter lactose, mas é importante estar atento as adições de açúcar e adoçante. E preferencialmente optar pelas bebidas sem esses componentes.

– Caso a criança tenha que fazer algum controle glicêmico o melhor seria optar por outras bebidas que não a base de arroz ou coco, por essas terem um índice glicêmico alto (IG>96). As melhores opções seriam aveia (IG = 59), pela presença da beta-glucana ou soja (IG 47-61) ou amêndoa (IG 49- 64).

– Geralmente as bebidas a base de vegetais industrializadas serão fortificadas com algumas vitaminas e minerais, mas caso os pais optem por prepara-las em casa é importante orientá-los para que complementem a alimentação ao longo do dia com vegetais folhosos verdes escuros, leguminosas e oleaginosas.

Por fim, diante de todo o exposto, conclui-se essencial o papel do profissional de nutrição no que se refere à escolha e à substituição dos leites e bebidas adequadas para cada caso, considerando a substituição do leite de vaca. Além disso, o profissional deve, ainda, estar atento a possíveis possíveis suplementações ou complementações via alimentação.

Crossfit, Sem categoria

Você acha que ele esta cuspindo água ?

Recentemente, a participação de atletas em eventos esportivos de ultra-resistência, como maratona, triathlon, wods, sets, prorrogações , entre outros,  tem aumentado a atenção despendida para o papel da nutrição sobre a performance.

A ÁGUA COM CARBOIDRATO e outras substâncias.

A combinação descrita acima além de servir como meio fundamental para reposição dos estoques de substratos energéticos gastos durante a atividade, interfere positivamente em outros aspectos como a fadiga central, a cognição e a resposta imune.

Os carboidratos durante provas longas mantêm o rendimento elevado. Assim, recomendações atuais sugerem que os atletas utilizem o gargarejo/bocheco como forma de auxiliar a manutenção de energia sem deixar que o estômago fique muito cheio e cause desconforto. Essa estratégia também beneficia a umidificação das papilas prevenindo que a boca fique seca, principalmente quando o atleta está exposto ao clima seco.

REFERÊNCIAS:

-APPLEGATE, L. A mania das dietas e utilização de suplementos na prática esportiva. Sports Science Exchange, v.4, p.1-4, 1996.

-DIET Balancer Program. New York, Nutridata Corporation, 1995. /Software

Corrida

Gel de carboidrato: como usar?

Companheiro de muitos corredores em treinos ou provas longas, o gel de carboidrato é o suplemento preferido pelos atletas por ser fácil de carregar e por fornecer energia rápida durante o exercício. Seu consumo, contudo, costuma gerar muitas dúvidas entre os atletas que estão começando a se aventurar em distâncias maiores, pois não é em todo treino ou prova que você precisa dele. Quando você corre, o principal combustível para seus músculos trabalharem é a glicose. Ela tem como origem o carboidrato (encontrado no pão, no macarrão, na batata, no arroz…) e é armazenada nos músculos e no fígado em forma de glicogênio. Em atividades físicas com até uma hora de duração, a alimentação ao longo do dia somada à refeição que antecedem o treino garantem a energia para o exercício. Porém, nosso estoque de glicogênio é pequeno e se esgota em treinos com mais de 60 minutos.

Nesse caso, o consumo de um carboidrato de rápida absorção durante a corrida, como o gel, vai fornecer energia para a continuidade da atividade física. Existem diversas marcas de gel no mercado, porém nem todos são iguais. A maioria contém os seguintes carboidratos: maltodextrina, frutose, dextrose, ribose e waxymaise, pois estudos indicam que a associação de dois ou mais tipos de carboidratos facilita e otimiza a oxidação desse nutriente, ou seja, é melhor para a performance. Além desses nutrientes, podem conter também proteínas (especialmente soro do leite – whey protein), aminoácidos, como o BCAA, ou até mesmo cafeína, que tem potencial ergogênico (de melhora de performance). Alguns corredores fazem uso do gel antes da largada para terem um desempenho ainda melhor. Muitos estudos afirmam que o consumo de carboidratos cerca de 20 minutos antes de treinos ou provas mais intensas minimiza a sensação de cansaço e o risco de elevação da insulina e de queda de glicemia.

O consumo com a água é importante para diluir o gel e, dessa forma, facilitar a absorção do carboidrato, pois concentrações altas do nutriente aumentam as chances de desconfortos gastrointestinais e de desidratação. É por isso que muitos atletas relatam sentir náuseas, diarreia e até vômitos após ingerirem o gel. É possível encontrar carboidratos em vários alimentos, como frutas, batatas, mandioca. Mas antes de usá-los em provas, é fundamental que sejam testados anteriormente durante os treinos. Existem as vantagens e desvantagens de cada método. A fruta, por exemplo, é rica em vitaminas e minerais, mas pode conter alta concentração de frutose, que também causa desconfortos gástricos. Apesar disso, não contem aditivos químicos e é mais barata. Para você saber qual a melhor estratégia a seguir durante seus treinos ou competições, procure um nutricionista e entenda melhor sobre o assunto.

Emagrecimento

Atualmente, a estratégia jejum intermitente vem ganhando popularidade. Apesar de já existir há milhares de anos por razões religiosas e ambientais, os estudos vêm se aprofundando nos últimos anos.  A estratégia consiste em realizar restrição do consumo calórica em um determinado período de tempo.


De maneira genérica, o mecanismo de ação está na depleção das reservas de glicogênio dos músculos e fígado, forçando a liberação de ácidos graxos do tecido adiposo, que serão oxidados no fígado mantendo o fornecimento de energia. Alguns dos benefícios relacionados a exposição repetida a falta de glicose, já estão bem estabelecidos, como o aumento na  expressão de genes relacionados com emagrecimento, autofagia e longevidade, ou seja: aumenta a expressão de antioxidantes, reduzindo estresse oxidativo, melhorando aspectos cognitivos e o reparo do DNA, aumentando  biogênese mitocondrial, cetoadaptação, a regulação negativa da inflamação com redução do LDL colesterol, reduzindo a resistência a insulina e com isso garantindo a homeostase da glicose, e consequentemente reduzindo o risco de doenças crônicas não transmissíveis. Essas respostas sistêmicas são transportadas para os períodos de alimentação melhorando o desempenho mental e físico.


Quando utilizado para melhora da saúde de forma geral, alguns protocolos são mais comuns, como a exclusão da alimentação por 16, 18 ou 20 horas, alimentando-se nas horas restante.  A dieta na janela de alimentação pode variar de inúmeras maneiras,  como por exemplo de acordo com: o valor calórico –  que  pode ou não ser controlado; com o ajuste de macronutrientes – que  também pode ser mias uma estratégia utilizada para acelerar a depleção dos estoques de glicogênio;  e qualitativamente – priorizando carnes, legumes e verduras e frutas evitando-se ao máximo produtos industrializados.  A frequência da realização dos períodos de jejum também é variável.


Apesar de apresentar inúmeros benefícios, alguns pontos devem ser observados e acompanhados por um profissional a fim de evitar riscos relacionados a deficiências nutricionais de macro e micronutrientes, hipoglicemia em pacientes com uso de medicamentos específicos, alterações hormonais em indivíduos que já apresentam doenças pre-existentes.

Referências

Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease, 2019
Impact of intermittent fasting on health and disease processes, 2017
Intermittent Fasting in Cardiovascular Disorders—An Overview, 2019
Clinical Management of Intermittent Fasting in Patients with Diabetes Mellitus, 2019
Rethinking fat as a fuel for endurance exercise, 2014

Corrida

MELATONINA e seu efeito ergogênico

Uma rápida busca no Google por “melatonina”, revela, em poucos segundos, que a versão sintética da substância é atualmente comercializada, no exterior, como quase milagrosa: oferece benefícios que vão de emagrecimento e prevenção de enxaqueca, passando por regulação de distúrbios do sono, tratamento do mal de Parkinson, e até mesmo prevenção e combate ao câncer. Outra suposta vantagem bastante explorada comercialmente do hormônio (que no corpo humano, é produzido por uma região específica do cérebro, a glândula pineal) é sua capacidade antioxidante, que protege os músculos contra inflamações e danos nos tecidos dos músculos, decorrentes do esforço físico.

Pesquisa de doutorado desenvolvida pelo educador físico Wladimir Rafael Beck e orientada por Claudio Alexandre Gobatto, docente da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, investigou se a substância poderia não só proteger os músculos contra inflamações, mas melhorar a performance na realização de exercícios físicos, ou seja, se ela apresentava também um efeito ergogênico.

Foi descoberto que o uso da melatonina em modelos animais pode implicar um aumento de até 150% no tempo de duração do exercício, dependendo do horário no qual foi administrada – ou seja, os ratos que receberam melatonina em seu período de vigília obtiveram uma melhora muito significativa na performance, conseguindo nadar por muito mais tempo do que aqueles que não haviam recebido a substância.

No entanto, o trabalho de três anos de pesquisa também revelou que o hormônio não protegeu os músculos dos animais como se esperava, por sua já citada capacidade anti-inflamatória. “O que aconteceu foi que o rato tolerou significativamente mais inflamação, mais dano tecidual e mais estresse oxidativo mas, mesmo assim, continuou o exercício. A melatonina foi ergogênica, mas, ao final do exercício, no modelo proposto, houve inflamação e dano tecidual. Portanto, ficou claro que o efeito ergogênico é mais potente que o efeito protetor. Este foi mais um resultado importante da pesquisa, já que, inicialmente, a hipótese de que era justamente a propriedade anti-inflamatória da substância que poderia causar a ergogenia.

Fonte: Beck, W., Botezelli, J., Pauli, J. et al. Melatonin Has An Ergogenic Effect But Does Not Prevent Inflammation and Damage In Exhaustive Exercise. Sci Rep 5, 18065 (2015) doi:10.1038/srep18065

Crossfit, Sem categoria

Magnésio

O magnésio atua como cofator em mais de 300 reações metabólicas, desempenhando papel fundamental no metabolismo da glicose, na homeostase insulínica e glicêmica e na síntese de adenosina trifosfato, proteínas e ácidos nucleicos. Atua ainda na estabilidade da membrana neuromuscular e cardiovascular, na manutenção do tônus vasomotor e como regulador fisiológico da função hormonal e imunológica.

O organismo de um adulto saudável tem aproximadamente 21-28 g de magnésio em compartimentos principais: ósseo (65%), muscular (34%) e plasmático e fluido intersticial (1%). No plasma, a concentração normal desse íon é mantida entre 1,7 e 2,4 mg/dL, dos quais cerca de 60% encontram-se na forma livre.


Cerca de 30 a 50% do magnésio proveniente da alimentação é absorvido ao longo de todo o intestino em processo que depende das reservas do organismo e do seu aporte na dieta. A absorção intestinal ocorre, principalmente, no intestino delgado distal, na porção entre o duodeno distal e o íleo, sendo que esta pode ocorrer por transporte ativo transcelular ou passivo paracelular. O transporte passivo predomina quando a ingestão de magnésio é elevada, sendo desencadeado quando a concentração de magnésio ultrapassa 20 mEq/L no lúmen intestinal.

A deficiência de magnésio pode decorrer tanto da ingestão inadequada, quanto da excreção aumentada, sendo a homeostase desse nutriente, em nosso organismo, regulada principalmente pelos rins.

O limiar máximo da sua concentração no plasma é próximo dos valores de referência, sendo o excesso de magnésio, proveniente da dieta ou administrado por via parenteral, quase totalmente excretado.

Além do trato gastrointestinal e dos rins, o tecido ósseo também está envolvido na regulação da disponibilidade celular do magnésio, bem como a vitamina D, os hormônios paratormônio, calcitonina, glucagon, antidiurético, aldosterona e esteroides sexuais, os quais influenciam direta ou indiretamente na regulação homeostática desse mineral.

O magnésio é estocado principalmente nos ossos e quando o organismo encontra-se em estado temporário de deficiência do micronutriente, o tecido ósseo mantém seus níveis séricos constantes. Além dos ossos, os músculos e compartimento eritrocitário também mobilizam magnésio lentamente, suprindo órgãos vitais. O paratormônio aumenta a reabsorção de magnésio quando suas concentrações extracelulares estão reduzidas, enquanto que a hipercalcemia inibe essa reabsorção em processo que parece ser mediado pela ativação dos RCaE. Além disso, sua ação está relacionada à ativação da adenilil ciclase, estimulando a produção de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) que, por sua vez, atua como segundo mensageiro estimulando a absorção de magnésio no intestino, reabsorção no rim e sua liberação dos ossos nas situações de concentrações séricas reduzidas desse mineral, em um mecanismo de feedback negativo. A vitamina D também parece interferir na absorção e reabsorção do magnésio, por mecanismos ainda não elucidados, no entanto, alguns estudos relatam que essa vitamina é capaz de melhorar ambos os processos. A calcitonina e o glucagon também atuam ativando a adenilil ciclase e, portanto, a síntese de AMPc, melhorando a reabsorção do magnésio em algumas partes dos néfrons. Nesse aspecto, a aldosterona é outro hormônio que afeta a reabsorção de magnésio, sendo que sua atuação deve-se, provavelmente, à sua ação regulatória sobre as claudinas para ajustar o transporte de sódio e cloreto, o que favorece alterações na permeabilidade aos íons nos rins. É oportuno destacar que os esteroides sexuais também estão envolvidos na homeostase do magnésio, provavelmente devido aos efeitos do estrógeno no balanço entre a formação do osso e sua reabsorção, favorecendo esta última, resultando em concentrações plasmáticas de cálcio reduzidas e estimulação da secreção de paratormônio. Outra provável ação do estrógeno é induzir a expressão dos receptores da vitamina D (VDR) no duodeno, contribuindo para a absorção de magnésio.Embora alguns estudos já tenham demonstrado a importância do magnésio no organismo, informações referentes à ingestão desse micronutriente ainda são escassas, a âmbito regional, nacional e mundial, dificultando o dimensionamento da prevalência de inadequação na ingestão dietética de magnésio na população.

Pesquisas realizadas a partir do início do século XXI, apesar das grandes variações metodológicas de avaliação do consumo alimentar, apresentam resultados que demonstram risco de inadequação do consumo de magnésio. Vale ressaltar que Monteiro e Vannucchi, ao analisarem estudos realizados no Brasil, observaram que a ingestão média de magnésio da população brasileira adulta era de 161,9 ± 101,3 mg/dia, valor inferior às recomendações de magnésio pelas Dietary Reference Intakes (DRIs), de 310 a 320 mg por dia para mulheres e 410 a 420 mg por dia para homens.

As principais fontes alimentares de magnésio são os cereais integrais, vegetais folhosos verdes, espinafre, nozes, frutas, legumes e tubérculos, como a batata.

Metabolic and Nutritional Aspects of Magnesium – 2015

Crossfit

Ciclo cicardiano

Ritmo Circadiano é o nome que damos ao período de 24 horas ao longo do qual ocorrem as atividades do nosso relógio biológico, influenciado principalmente pela luz natural (isto é, o nosso sol).
Com base nesse Ciclo, é possível observar as oscilações nos níveis de energia do nosso corpo ao longo dessas 24h. Isso se dá basicamente pelos nossos hormônios. Por exemplo: de manhã há maior liberação de cortisol e entramos no estado de vigília, e esses níveis vão diminuindo ao longo do dia; quando o sol se põe e a noite se aproxima, há maior secreção de melatonina com a função de nos preparar para o sono( por isso as vezes você tem “aquele friozinho” durante a noite.
Mas engana-se quem pensa que o Ciclo Circadiano serve apenas para nos manter acordados ou adormecidos – ele também é fundamental para regular o nosso apetite, Recuperação muscular , performance no treino, humor e, caso permaneça por muito tempo desregulado, pode levar até a alterações mais severas como resistência à insulina, alterações na fertilidade, no metabolismo do fígado, na cognição, lesões e declínio da performance esportiva, etc.
Tendo em vista a complexidade do Ciclo Circadiano, passamos a entender porque é tão importante mantê-lo regulado. E a melhor forma de fazer isso é por meio dos nossos hábitos de vida: – Cuide da qualidade e da regulação do seu sono (programe-se para dormir o mais cedo possível e crie rotina de horários para se deitar e para se levantar);

  • Cuide da alimentação;
  • hidrate se;
  • faça exercícios diários
  • Adote técnicas de relaxamento e manejo da ansiedade e do stress, principalmente antes de dormir.
  • Não dormir bem , não significa reposição de sono no dia seguinte noites mal dormidas, não tem como “repor”
  • Aprenda a cuidar do seu relógio biológico e, quando necessário, busque ajuda profissional para te ajudar nessa missão!

Corrida

Carboidratos e seu papel para o Esporte

Tudo o que consumimos serve de combustível para o corpo realizar suas funções. Na prática de exercícios físicos não poderia ser diferente, pois o que é ingerido tem ação direta sobre o rendimento.

Os carboidratos são os principais macronutrientes responsáveis por fornecer combustível para o cérebro, medula, nervos periféricos e as células vermelhas do sangue.

Este nutriente está presente nos tubérculos (batata, inhame, mandioca), pães, macarrão, cereais (arroz, aveia, quinoa), hortaliças, legumes, frutas e leguminosas (feijão, lentilha e grão de bico). Cada 1 grama fornece 4 Kcal às células do corpo.

A necessidade de consumir carboidratos para quem pratica esportes é ainda mais importante, pois eles fazem parte do armazenamento de glicogênio hepático e muscular (reserva de energia nestes órgãos). No músculo o glicogênio está em maior quantidade e será mais utilizado durante o exercício como fonte de energia.

O corpo humano só pode armazenar glicogênio suficiente para se exercitar entre 60 e 90 minutos, dependendo da intensidade e da habilidade do indivíduo. Depois disso, é necessário repor a energia para continuar se exercitando e não prejudicar a massa muscular.

A porcentagem utilizada de carboidratos para compor uma alimentação, de modo geral será calculada entre 40% a 45% do total de calorias ingeridas. A real necessidade de um indivíduo vai depender de diversos fatores como, por exemplo, atividades diárias, taxa metabólica basal, idade, altura, sexo e outros fatores.

Dependendo da duração e intensidade do exercício realizado, o corpo vai precisar de 30 a 60 gramas por hora (essa quantidade é individual), que podem ser fornecidas por uma banana (25 gramas) ou uma bebida esportiva. Os carboidratos em gel também são ótimas opções.

Após a atividade física também é indicado o consumo de carboidratos, principalmente para repor os estoques de glicogênio gastos no exercício, ajudando na recuperação muscular e preparando o músculo para o resto do dia.

O importante é obter a quantidade necessária sem exagerar nas calorias. Entender a diferença entre os tipos de carboidratos para saber o momento de utilizar cada um deles e o índice glicêmico também, pois isso tudo faz diferença na hora de escolher o tipo de energia que seu corpo precisa.

O índice glicêmico (IG) indica quanto um carboidrato eleva os níveis da glicose no sangue (glicemia). Os alimentos fontes de carboidratos que causam os maiores aumentos de glicemia são considerados de alto IG.  

O mais indicado é consumir alimentos de baixo IG na refeição que antecede o exercício físico (cerca de 30 a 60 minutos antes), pois diminui a probabilidade de hiperglicemia no início do exercício, ao mesmo tempo que fornece energia gradativa ao corpo. 

Alimentos de médio e elevado IG vão garantir uma rápida digestão e absorção e são ideais para serem usados durante o exercício de intensidade forte (superior a 90 minutos), pois conseguem repor a energia gasta e auxiliar no desempenho.

Após o exercício, uma refeição composta por carboidratos de alto IG irá ser fundamental para a ressíntese de glicogênio muscular, recuperando o músculo e prevenindo lesões. Quando terminamos o exercício, a enzima glicogênio sintetase (que armazena os carboidratos) está muito ativa e isso favorece uma reposição mais eficiente.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte tem uma recomendação sobre carboidratos na dieta: ingestão diária entre 5 e 10 gramas de carboidratos por quilo de peso corporal, dependendo do tipo e da duração do exercício físico escolhido.

Crossfit

Whey protein é tudo igual ? NÃO!!

O whey protein é a proteína do soro de leite extraída durante o processo de fabricação do queijo. Além de saber o que é whey protein, é importante entender também que ele possui alto valor biológico, ou seja, oferece maior aproveitamento de seus benefícios pelo corpo.

Além disso, a proteína do leite é considerada completa por conter todos os aminoácidos essenciais que participam da formação dos músculos e tecidos. Sua complexidade e alto valor nutricional tornam o whey protein aliado para quem busca uma fonte de proteínas animal, com a alimentação cada vez mais moderna, hoje temos Whey Protein Vegan que são normalmente extraída de: arroz, ervilha, lentilha e outros grãos.

O whey protein, serve pra que? Geralmente, essa proteína é recomendada para completar as necessidades diárias de proteínas do organismo, essenciais para a saúde. E não ele não engorda se tomado de maneira adequada!!

Seu uso mais popular é para a recuperação e ganho de massa muscular, atuando na síntese de proteínas musculares para quem deseja conquistar ou manter a boa forma física, mas são usados também para sarcopenia, pós operatório, controle do diabete, redução de peso, tratamentos de algumas doenças.

Assim como outros suplementos alimentares, o whey chama a atenção por suas múltiplas funcionalidades. Seja para ganhar massa muscular ou atingir a boa forma física, essa proteína do soro do leite age também como complemento em diversos tratamentos, como controle da diabetes e da hipertensão arterial, por exemplo. Além das formas de uso e valor, outra dúvida comum sobre o whey inclui os seus tipos: concentrado, isolado ou hidrolisado.

Muita gente ainda não consegue diferenciar os tipos de whey protein, então vamos te explicar, mas também, vale lembrar que existem todos esses tipos, pois cada um, tem necessidades e hábitos de vida diferentes, então o tipo e a forma de tomar é individual.

  • WPC, o whey protein concentrado foi o primeiro a ser desenvolvido. Por passar por apenas uma filtragem, contém de 30 a 80% de proteína, com o restante de caseína, lactose, gordura, carboidratos e minerais. Isso significa que sua velocidade de absorção é a mais lenta entre os três tipos, fazendo com que pessoas com algum tipo de alergia ou restrição de algum dos seus componentes (caseína, lactose etc) devam evitá-lo, já que o whey protein concentrado pode promover desconfortos abdominais ou intolerâncias.
  • WPI , whey protein isolado, Esse é o tipo de whey protein mais puro, além de concentrar mais proteínas. Reúne proteínas de absorção rápida, que passam por um processo específico de filtragem, o que aumenta sua velocidade de absorção. Esse processo possibilita a extração de 90% a mais de proteína, e “isola” elementos como lactose, caseína e gordura.
  • WPH , o whey protein hidrolisado , Tipo de whey protein mais caro por sua produção complexa, que passa por uma quebra, a hidrólise, para facilitar sua digestão e absorção. Reúne quantidades das frações menores de proteínas, que são absorvidos ainda mais rapidamente pelo corpo. É altamente indicado para pessoas com dificuldade de digestão proteica e intolerância à caseína, pois sua purificação e fragmentação aumentam as chances de digestão e reduz possíveis desconfortos abdominais.

Qualquer dúvida, nossa equipe esta à disposição para orientá- los!

Julianne Sampaio Nutricionista Esportiva

Referência bibliográfica: The American Journal of Clinical Nutrition , 2017

Corrida

Benefícios das frutas vermelhas para a recuperação muscular

As frutas vermelhas como amora, framboesa, morango, cereja, mirtilo, açaí, goji berry, cranberry e groselha são também chamadas de berries. São pequeninas e de coloração vermelha ou arroxeada, reconhecidas em todo o mundo por seu alto valor nutricional atribuído à elevada concentração de vitaminas e compostos bioativos essenciais para a manutenção de uma boa saúde.

Essas frutas são ricas em nutrientes, destacando-se a vitamina C, as antocianinas (responsáveis pela coloração destas frutas), os flavonóides e elagitaninos (subgrupo dos taninos), que também exercem ação antioxidante e anti-inflamatória no organismo.

Durante a prática de atividade física, ocorre um aumento natural na produção de radicais livres, no entanto é imprescindível que haja um adequado aporte de substâncias antioxidantes para auxiliarem na modulação deste processo, proporcionando um equilíbrio orgânico essencial para prevenir a redução do desempenho físico, os danos às células e tecidos e o enfraquecimento do sistema imunológico (que pode levar ao aumento da inflamação e dos riscos de infecção, especialmente em atletas de endurance).

Alguns estudos científicos corroboram estas afirmações, como o de Castro e colaboradores, o qual analisou o efeito do consumo de açaí em praticantes de atividade física de alta intensidade mostrou que pode ser uma boa alternativa na melhora da exaustão e do estresse oxidativo dos atletas. Outro estudo realizado em 2011, mostrou que o consumo de mirtilo por indivíduos bem treinados reduziu o estresse oxidativo e melhorou o suporte ao sistema imunológico após o consumo agudo de 375g uma hora antes de corrida.

Assim, o consumo de frutas vermelhas, dentro de uma dieta saudável, equilibrada e individualizada, poderá ser um bom aliado na manutenção do desempenho em atividades físicas.

Fonte:

CARVALHO-PEIXOTO J. et al. Consumption of açai (Euterpe oleracea Mart.) functional beverage reduces muscle stress and improves effort tolerance in elite athletes: a randomized controlled intervention study. Appl Physiol Nutr Metab;40(7):725-33, 2015.

DE CASTRO C.A et al. Aerobic exercise and not a diet supplemented with jussara açaí (Euterpe edulis Martius) alters hepatic oxidative and inflammatory biomarkers in ApoE-deficient mice. Br J Nutr;112(3):285-94, 2014.

MCANULTY, L.S.; NIEMAN, D.C.; DUMKE, C.L. et al. Effect of blueberry ingestion on natural killer cell counts, oxidative stress, and inflammation prior to and after 2.5 hof running. Appl Physiol Nutr Metab; 36(6):976-84, 2011.

Crossfit, Sem categoria

Será mesmo que preciso comer antes de treinar?

O consumo de alimentos antes dos treinos é muito importante e  tem sido observado que a maioria dos praticantes tem como hábito alimentar mais comum a elevada ingestão de proteínas e pouquíssimo consumo de carboidratos e de lipídios. Os atletas acreditam que a maior ingestão de proteína está relacionada com melhor performance e aumento de força, mas sabe-se que a necessidade proteica é facilmente atingida por meio de uma alimentação balanceada. Vale ressaltar que as pesquisas acerca do consumo de alimentos no pré e pós treino são infelizmente ainda  insuficientes na literatura.

De uma maneira geral, quando há um curto espaço de tempo entre treino e alimentação  é que as refeições sejam ricas em carboidratos para elevar ao máximo os níveis de glicogênio e manter os níveis de glicemia. O consumo de proteínas, lipídeos e fibras demandam um tempo de digestão maior, sendo recomendado o consumo desse alimentos na refeição pré-treino apenas se houver um espaço de tempo para digestão de cerca de três horas, do contrário não se recomenda o consumo de fontes alimentares ricas em fibras, proteínas e lipídeos a fim de evitar o desconforto gástrico.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME, 2009), orienta que a ingestão de carboidratos deve ser priorizada antes da atividade física.

A função principal dos carboidratos é o fornecimento de energia para a realização das atividades, tendo em vista que consumo de carboidratos, além de evitar a hipoglicemia e a fadiga, auxilia na recuperação do glicogênio muscular e hepático. Em relação ao tempo verificou-se que a maioria dos artigos estudados as pessoas  tem por hábito se alimentar entre 15 e 30 minutos antes do treino, mas no dia a dia, na pratica não funciona muito assim, eu trago essa verdade pela minha pratica no crossfit e dos meus pacientes que praticam crossfit e ou outras modalidades. A nutrição sempre é uma INDIVIDUALIZAÇÃO!

Tenho pacientes que no pré treino, não conseguem consumir nada sólido, pois independente  do treino, acabam passando mal devido esvaziamento gástrico, mais lento e ou outros motivos. Assim, o que quero deixar claro é que deve se respeitar a individualidade biológica de cada um, existem treinos por exemplo no crossfit que são de apenas 6 minutos ou até menos, mas com uma alta intensidade e outros treinos tem duração de 20 minutos ou 40 minutos, então há muitos fatores que podem influenciar:  treino do dia, noite anterior, horário de treino, entre outros. Não é uma verdade absoluta ter que ingerir carboidratos ou qualquer tipo de alimento antes do treino, por isso, volto a repetir que a vida pessoal do ser humano deve ser avaliada como um todo.

O nutricionista esportivo é o profissional mais qualificado nesse caso, para que sejam feitas escolhas alimentares adequadas, levando em consideração fatores relacionados aos alimentos como a composição da refeição e os macronutrientes, quantidade e qualidade dos alimentos, o tipo de exercício, intensidade, duração e horário, bem como a tolerância gástrica e hábitos alimentares. O acompanhamento nutricional é eficaz na diminuição do percentual de gordura corporal o que contribui para a manutenção da saúde, redução de doenças e melhora na qualidade de vida.

Mas seguem alguns tipos de combinações que devem ser normalmente ingerida no mínimo 30 minutos antes E essas opções são gerais:

  • Banana com aveia em flocos
  • Torradas com pasta de amendoim
  • Paçoca
  • Lanche com pasta de atum
  • Café expresso + batata doce ou mandioca
  • Açaí com granola

Para um resultado de verdade, procure um nutricionista para que o profissional bem preparado consegue observar e unir todos esses fatores antes da orientação.

Referências

Almeida e Balmant, 2017; SBME, 2009; Scheer e colaboradores , 2015.

Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – SBME, 2009.

Corrida

BETERRABA e seu efeito ergogênico

É de conhecimento de muitos, que a beterraba é rica em antioxidantes biologicamente acessíveis, além de minerais como o potássio, ferro, fósforo, zinco, magnésio, cálcio, vitamina C, B6, fibra solúvel, rica em carotenoides e muitos outros nutrientes. O que muitos não sabem, é que a beterraba é fonte de nitrato, uma excelente substância para praticantes de atividades físicas e atletas!

A beterraba provou sua eficácia no aumento da performance uma vez que é excelente fonte de açúcares e NITRATO, que é um ânion inorgânico que pode ser obtido na dieta através do consumo de vegetais como: espinafre, alface, rúcula e principalmente a beterraba. O nitrato é convertido na saliva em NITRITO por meio da ação de bactérias bucais. No ambiente ácido do estômago o nitrito é convertido em ÓXIDO NÍTRICO, um vasodilatador muito potente, capaz de melhorar a absorção de nutrientes para dentro do músculo, o que gera mais energia e otimiza a utilização do oxigênio. Isso se reflete em um aumento da resistência e permite que o tempo de treino se estenda, desacelerando o ritmo de exaustão e acelerando a recuperação muscular.

Durante o exercício físico ocorre um aumento de fluxo sanguíneo pelos músculos, isso acontece para que os nutrientes (oxigênio e glicose) cheguem rapidamente aos miócitos (células musculares). Além disso, a formação de energia (ATP) pelos miócitos faz com que a produção de gás carbônico (CO2) aumente consideravelmente nos músculos levando a consequente diminuição do PH, ou seja, as células musculares ficam mais ácidas. Essa acidez estimula a conversão Nitrito -> Nitrato -> ON que atua diretamente nos capilares sanguíneos musculares fazendo vaso-dilatação, o que aumenta o aporte de oxigênio e de glicose para os miócitos. Além desse efeito o ON comprovadamente atua diretamente nos miócitos aumentando o influxo de cálcio e a ação mitocondrial, ou seja, ocorre maior produção da ATP e a eficiência muscular é maior. 

A maioria dos suplementos alimentares para o pré-treino são feitos à base de vaso-dilatadores arteriais sendo o mesmo ou similar mecanismo pelo qual atua o nitrato do suco de beterraba.

Será então que tomar suco de beterraba ajuda no treino?

Sim, o estudo de Bailey et al (2009) mostra uma melhora significativa no VO2 máximo (consumo máximo de oxigênio) de ciclistas amadores em até 10%. No entanto, esse benefício não foi observado em ciclistas profissionais como mostra o estudo de Bescos et al (2011). Mas, um estudo grande recente de Wylie et al (2013) mostrou que com a suplementação de nitrato houve um aumento da tolerância ao esforço de até 25% em ciclistas e maratonistas, amadores e profissionais, além de um aumento no VO2 de pelo menos 3%. 

Qual é a melhor maneira de consumir?

Depende do seu objetivo. Se o foco é o aumento da performance, o consumo de suco de beterraba funciona de forma crônica (6 dias) e aguda (3 horas antes do exercício). Em geral, os benefícios são atingidos com dois copos do suco, cerca de 500 ml.

Apesar dos diversos estudos mostrarem que o suco de beterraba é uma bebida promissora a ser consumida antes do treinamento, precisamos levar em consideração que a ideia é que ela pode simplesmente contribuir com o rendimento.

Porém, obviamente, por si só, beber o suco de beterraba antes do treino não faz nada. É necessário ter toda uma alimentação voltada para o objetivo que se tem para os treinamentos e que seja capaz de oferecer os nutrientes e a energia que o corpo precisa para ter uma boa performance atlética.

Para definir isso, da melhor maneira possível para o seu caso em particular, vale a pena contar com a orientação de um bom nutricionista!

Fontes: Bailey et al. Dietary nitrate supplementation reduces the O2 cost of low-intensity exercise and enhances tolerance to high-intensity exercise in humans. 2009 J Appl Physiol 107(4):1144-55.

Brescos et al. Acute Administration of inorganic nitrate reduces VO2peak in endurance athletes. 2011. Med Sci in Sports Exerc Vol 43 / Número 10 (1979-1986). American College of Sports Medicine

Wylie et al. Dietary Nitrate Supplementation and Exercise Performance. 2014. Sports Medicine, Volume 44, Issue 1, (35-45).

Crossfit, Sem categoria

Tipos de carboidratos – parte II

Os carboidratos  devido às suas múltiplas funções em todos os seres vivos, consistem em uma molécula de carbono, hidrogênio e oxigênio.

São produzidos pelas plantas, através da fotossíntese (carboidrato e oxigênio são produzidos a partir de gás carbônico e água). As partes verdes das plantas (que contém clorofila, um pigmento verde) são capazes de fabricar glicose (um tipo de carboidrato) quando devidamente iluminadas. Os hidratos de carbono podem ser classificados em três diferentes tipos, de acordo com o nível de complexidade das moléculas que os representam. Desta forma, os carboidratos são diferenciados pelo número de açúcares simples em combinação dentro da molécula.

1) monossacarídeos (com um açúcar por molécula),

2) dissacarídeos (com dois açúcares por molécula) e,

3) polissacarídeos (com inúmeros açúcares por molécula).

Curiosamente, ao contrário dos carboidratos simples (mono e dissacarídeos), os carboidratos complexos (polissacarídeos) não possuem sabor doce. Destaca que o valor nutricional dos alimentos é influenciado por algumas propriedades dos carboidratos: absorção no intestino delgado (digestibilidade e velocidade), metabolismo dos monômeros absorvidos e produtos da fermentação no intestino delgado (digestibilidade, velocidade e natureza). A velocidade de absorção no intestino delgado determinará as respostas glicêmicas e hormonais após uma refeição, sendo expressa como índice glicêmico. A situação de consumo de carboidratos antes, durante e após o esforço, estimulou o aparecimento de muitas variedades de produtos no mercado visando aos atletas e praticantes de atividade física prolongada em geral.

O glicogênio muscular é essencial para o exercício intenso, tanto de forma aeróbica como anaeróbica. Os esportes competitivos necessitam de várias sessões de treinamentos diários ou competições em dias consecutivos, é fundamental a aplicação de estratégias de rápida restauração de glicogênio. Quanto maior a intensidade dos exercícios maior será a participação dos carboidratos como fornecedores de energia. Exercício prolongado reduz acentuadamente a concentração de glicogênio muscular, exigindo constante preocupação com a sua reposição, porém, apesar de tal constatação, tem sido observado um baixo consumo de carboidratos pelos praticantes de atividade física . A restrição do carboidrato na dieta determina cetose e perda de proteínas musculares  o que podem causar muitas perdas e consequências na atividade física, então no ultimo post sobre  carboidratos, irei falar sobre o que pode ser consumido antes, durante e depois da atividade física.

Julianne Sampaio – Nutricionista esportiva

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Ivy, J.L. Regulation of muscle glycogen repletion, muscle protein synthesis and repair following exercise. Journal of Sports and Medicine. n 3. p. 131-138. 2004

Carvalho, T. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 9, n. 2, p. 43-56, mar./abr. 2003.

Ferreira, C.P. Bioquímica básica. 4ª edição. São Paulo: ed. Revisada e ampliada, 2000.

Rogatto, G.P. Hidratos de carbono: aspectos básicos e aplicados ao exercício físico. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 8 – N° 56 – Enero de 2003.Biesek, S.; Alves, L.A.; Guerra, I. Estratégias de nutrição e suplementação no esporte. Editora Manole, 1ª ed. Brasileira – 2005.

Corrida

Coenzima Q10: a importância no esporte

Você já deve ter reparado que esse nome tem aparecido em muitas propagandas, principalmente de produtos de beleza e nutricosméticos. Pois é. A coenzima Q10 (Coq10), que também é chamada de Ubiquinona ou Vitamina Q10, é produzida naturalmente pelo nosso corpo, mas também pode ser obtida por meio da alimentação.

Em nosso corpo, os órgãos que apresentam maior concentração de Coq10 são o coração, rins, cérebro e fígado. Já na dieta, é encontrada em maior concentração nos alimentos como frango, carne bovina e suína, cavala, sardinha, nozes, grão de soja (seco ou cru verde), pistache, brócolis, espinafre, óleos de soja, gergelim, milho e algodão e feijão azuki.

Indo mais a fundo, a Coq10 é um componente presente em grande quantidade nas membranas celulares, especialmente dos lisossomos, do complexo de Golgi e das mitocôndrias, onde é capaz de controlar as reações bioquímicas de óxido-redução (ação antioxidante), modulação da permeabilidade mitocondrial e indução da apoptose, controle do pH, geração de ATP e modulação da expressão de vários genes (Barcelos, 2019).

Estudos indicam que com o passar do tempo e o aumento natural da idade, o conteúdo de Coq10 nos diversos tecidos tende a reduzir de forma sistemática. Para dar alguns exemplos, chegamos a perder em média 83% do conteúdo de Coq10 nas células pancreáticas dos 20 aos 80 anos, reduzimos 72% do conteúdo de Coq10 no músculo cardíaco entre os 58 e 76 anos, e pelo menos 50% do conteúdo de Coq10 nas células adrenais também são reduzidos dos 20 aos 80 anos (Crane, 2001). Isto é muito relevante, pois altera toda a capacidade de funcionamento celular dos diversos órgãos, o que reduz a nossa vitalidade e favorece o surgimento de doenças.

No âmbito esportivo, a suplementação de coenzima Q10 parece ter uma importante aplicabilidade. Emami A et al (2018 e 2019) selecionaram 36 nadadores de elite e promoveram suplementação de 300mg/dia de Coq10 por 14 dias e observaram redução significativa dos marcadores inflamatórios e de estresse oxidativo bem como do cortisol, epinefrina e noraepinefrina e da contagem total de leucócitos, assim como redução dos danos ao músculo cardíaco. Segundo os autores, os benefícios foram evidentes na medida em que atletas que apresentam estresse oxidativo e inflamação exacerbada de forma crônica tem maior risco de lesão miofibrilar esquelética, danos no coração, imunossupressão e perda de rendimento.

Fonte:

Barcelos IP, et al. CoQ10 and Aging. Biology (Basel). 2019 May 11;8(2).

Crane, FL. Biochemical functions of coenzyme Q10. J Am Coll Nutr. 2001 Dec;20(6):591-8.

Emami A. The Impact of Pre-Cooling and CoQ10 Supplementation on Mediators of Inflammatory Cytokines in Elite Swimmers. Nutr Cancer. 2019 May 16:1-11.

Emami A, et al. The effect of short-term coenzyme Q10 supplementation and pre-cooling strategy on cardiac damage markers in elite swimmers. Br J Nutr. 2018 Feb;119(4):381-390.

Estudante de Nutrição

Estágios Curriculares em Nutrição

Oi, no meu primeiro post pro Allivici eu falei sobre como no último ano da graduação nós passamos um ano realizando estágios nas quatro principais áreas da nutrição. Comecei o meu em nutrição clínica há duas semanas e pensei que seria uma boa ideia vir aqui contar como está sendo!

Na área de Nutrição Clínica o nutricionista é responsável pelo tratamento, controle e prevenção de enfermidades. Nessa área há espaço para a atuação do nutricionista em hospitais, consultórios, clínicas, ILPI’s (Instituição de Longa Permanência) enfermarias, lactários ou bancos de leite humano.

O meu estágio está sendo em um hospital, o qual é referência em cardiologia aqui em São Paulo, entre outras especialidades! O programa de estágio tem funcionado de maneira que cada estagiária acompanhe e auxilie na rotina de uma das nutricionistas do hospital. Como a “minha nutricionista” é responsável pela UCO (Unidade Coronariana), tenho acompanhado essa realidade do ambiente hospitalar. Há outras estagiárias que estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na pediatria, ou na oncologia, por exemplo.

Apesar da rotina do nutricionista depender muito da unidade em que ele trabalha, podemos dizer que há um certo padrão, pois ele tem algumas responsabilidades, como: realizar visitas de admissão e de retorno de acordo com o nível de assistência dos pacientes; acompanhar o estado nutricional de todos, avaliando exames bioquímicos, alterações de peso e no consumo calórico e proteico diário; realizar modificações nas dietas de acordo com preferências, aversões, alergias e necessidades nutricionais; conferir as refeições a serem servidas pela copeira com o mapa de dietas; realizar orientações de alta;desenvolver e aplicar pesquisas de opinião sobre o serviço de alimentação e nutrição do local; entre outras…

Sendo sincera, antes de começar eu estava bem nervosa! É que na teoria é muita coisa para estudar, decorar e lembrar. Tem os cálculos das necessidades nutricionais, o volume de infusão de dieta enteral ou parenteral, as prescrições dietéticas, as interações fármaco-nutriente, as indicações de dietas e modificações necessárias de acordo com o caso clínico…  muita coisa, não é mesmo?

Mas, trago boas notícias a você estudante: a prática é MUITO diferente da teoria. Tenho visto nessas últimas semanas que tudo que aprendemos na faculdade torna-se muito mais fácil quando visto no dia a dia na prática, e isso tem sido maravilhoso!

Também saiba que há um certo “espaço” para consultar manuais, diretrizes e protocolos. Ou seja, não precisamos ser um tratado de nutrição ambulante. O mais importante, muitas das vezes, vai além do conhecimento técnico. O essencial nessa área de atuação é ver o paciente como outro ser humano, o qual está debilitado, em um local que não gostaria e muitas vezes há um bom tempo. O seu papel como profissional da saúde será de conceder uma melhor qualidade de vida, atenção e cuidado!

Mas e você, já pensou em seguir carreira na área de nutrição clínica? Eu já, bem no comecinho da graduação. Acabei escolhendo iniciar esse ano letivo com o estágio em nutrição clínica justamente para saber como é a rotina do nutricionista hospitalar na prática. Bom, ainda tenho algumas semanas no hospital para descobrir isso… mas, posso te dizer que até agora está sendo uma experiência incrível e que de qualquer maneira vou levar tudo como aprendizado! 

Até mais,Daniela. 

Crossfit

Conhecendo os macronutrientes #Carboidrato I

METCON – que é uma sigla em inglês para Metabolic Conditioning, que é exatamente a capacidade que você tem de pegar o alimento que come e transformar em energia A BASE DE TUDO É A ALIMENTAÇÃO. Se você não está se alimentando corretamente, todo o seu desempenho nos demais “skills” são afetados. Tudo depende e é construído em cima da nutrição. Se você está se matando no Box e está comendo errado, você está jogando seu tempo, esforço, dores e sono no “lixo”. Cuidado, Pense nisso…

Qual o resultado que você quer ter? Quer emagrecer? Aumentar massa magra? Mais energia? Diminuir seu tempo? Aumentar a carga? Então comece seu treino pela nutrição.

o efeito da nutrição em sua performance e saúde como um todo será inacreditável.Nossa alimentação deve conter os macro nutrientes:  PROTEÍNA, CARBOIDRATOS, GORDURAS!

E vamos começar a falar deles, muitos dizem que são o VILÃO mas SEM ele não teria como termos bons resultados. Os carboidratos são fundamentais para o exercício físico e para o desempenho esportivo. Os estoques de carboidrato do corpo são limitados e muitas vezes, são menores do que as necessidades para o treinamento atlético e para a competição. No entanto, a disponibilidade de carboidratos como substrato para o metabolismo do músculo é um fator crítico para o desempenho em exercícios intermitentes de alta intensidade e exercícios aeróbicos prolongados.  A taxa de oxidação de carboidratos durante o exercício é bem regulada, com a disponibilidade de glicose combinada às necessidades dos músculos em exercício. Tanto a contribuição absoluta como a contribuição relativa do exercício desempenham papéis importantes na regulação do metabolismo energético: combustíveis à base de carboidratos predominam no treinamento de intensidade moderada a alta.

O metabolismo de carboidratos muscular não acontece isoladamente: requer integração entre os tecidos, bem como regulação com outros substratos importantes, tais como ácidos graxos e aminoácidos.

O glicogênio muscular representa a principal fonte de carboidratos no organismo, seguido do glicogênio do fígado e, por fim, da glicose no sangue. Indivíduos não treinados têm estoques de glicogênio muscular, Os atletas de resistência têm estoques de glicogênio muscular de 130 a 135 mmol/kg de músculo líquido. Uma sobrecarga de carboidrato aumenta os estoques de glicogênio muscular para 210 a 230 mmol/kg de músculo

As demandas de energia do exercício demonstram que o carboidrato é o combustível preferido para exercícios com intensidades acima de 65% do VO2 máx. – níveis em que a maioria dos atletas treinam e competem.

A oxidação de lipídios não consegue fornecer trifosfato de adenosina (ATP) = ENERGIA, suficientemente e rápido para apoiar tais exercícios de alta intensidade. O glicogênio muscular e a glicose no sangue fornecem cerca de metade da energia para exercícios de intensidade moderada (65% do VO2 máx.) e dois terços da energia para exercícios de alta intensidade (85% do VO2 máx.). Portanto, os estoques de carboidratos no corpo são limitados à integração altamente coordenada entre fígado, tecido adiposo (gordura), pâncreas e músculo e são importantes para o fornecimento constante de energia durante o exercício prolongado e, durante a recuperação, para restabelecer a homeostase. fundamental para satisfazer as necessidades de energia exigidos pelo programa de treinamento do atleta, bem como para repor glicogênio muscular e hepático entre as sessões de treinamento e eventos competitivos.

Os carboidratos são consumidos sob três formas básicas: (i) cereais, vegetais, frutas, leguminosas; (ii) carboidratos purificados adicionados às preparações; (iii) carboidratos dissolvidos em certas bebidas. (no próximo post, explicaremos mais sobre cada carboidrato).

A melhor fonte de carboidratos são produtos frescos , são perecíveis e feitos para serem consumidos rapidamente. Prefira eles ao invés dos produtos que ficam nas prateleiras, prefira descascar do que desembalar.

No próximo post daremos continuação, dos tipos de carboidrato, mas agora você já sabe que o CARBOIDRATO É UMA FONTE DE ENERGIA (ATP), de extrema importância, aguarde a parte II de carboidratos.

Corrida

Hidratação em corridas

A corrida pode ser praticada por qualquer indivíduo, desde que tenha capacidade física para tal, ou seja, que a intensidade do esforço seja compatível com sua capacidade funcional. Inúmeros são os benefícios que este esporte irá proporcionar aos indivíduos como, redução do peso corporal, melhora da qualidade do sono, redução dos níveis de estresse e melhora da depressão, ativação da circulação sanguínea, diminuindo assim problemas do coração, melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduz o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo, aumento da eficiência do metabolismo, entre outros.

Seja ela por prazer ou por competição, a hidratação (antes, durante e após) é parte fundamental da estratégia para um bom desempenho. Durante a corrida, a água que ingerimos regula a temperatura corporal e repara as fibras musculares que recrutamos para correr. Além disso, o líquido é fonte de micronutrientes e minerais (cálcio, sódio, potássio e magnésio), presentes também em bebidas isotônicas, fundamentais para a atividade física.

No intuito de manter uma temperatura corporal próxima do normal, nosso organismo utiliza um sistema de resfriamento eficiente: a transpiração. Em média, as perdas associadas à transpiração estão entre 0,5 a 1 litro por hora e podem chegar a 3 litros ou mais nos praticantes intensivos, por isso a importância de compensar a água perdida pelo suor e evitar o risco de desidratação.

A perda de água e sais minerais através do suor prejudica a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos. Desta forma, uma pessoa desidratada corre mais risco de cãibra, lentidão nos movimentos e até no raciocínio. Por isso, nunca espere sentir sede para se hidratar durante a corrida. A sensação de sede não é um bom indicador do estado de hidratação corporal durante a corrida, pois ela aparece tardiamente. Ela se manifestará quando o esportista já estiver em estado de desidratação de pelo menos 1% do peso corporal. É preciso então trazer mais água do que a quantidade a qual o organismo necessita.

Um estudo publicado no Journal of Athletic Training reforça o alerta da hidratação. Nele, corredores que iniciaram uma prova de 12 km em um dia quente, sem beber água, terminaram 3 minutos mais lentos em relação à quando correram hidratados.

Em regra geral, para treinos de até uma hora, o ideal é se hidratar com água ou água de coco. Ainda assim, o consumo de água deve ser priorizado porque ela é mais aproveitada pelo organismo. Acima de uma hora, em percursos de média a longa distância, você pode optar por bebidas hidroeletrolíticas. Elas são rapidamente absorvidas e ainda repõem os sais minerais e carboidratos perdidos. Também faz diferença ingerir bebidas geladas, como sugerem diversos estudos. A água fria (em torno dos 15°C) ajuda a hidratar mais rápido porque seu esvaziamento gástrico é acelerado, facilitando a hidratação. Além disso a sensação refrescante reduz a percepção de esforço.

Fique atento ao grau de desidratação (percentual de água perdida versus seu peso total):

▪ 1% de desidratação (leve): essa situação, é possível perceber uma perda significativa de rendimento, além de uma redução na produção de energia e cãibras.

▪ 2% de desidratação (moderada): é mais comum em treinos ou provas de longa distância, com risco de superaquecimento do organismo, podendo até convulsionar.

▪ 3% de desidratação (severa): exige intervenção imediata, pois o sangue perde muito líquido, impactando o controle de temperatura e o aumento do risco de colapso do sistema — o que pode levar à morte.

Emagrecimento

MINDFUL EATING. UMA FERRAMENTA PARA ESTRATÉGIAS DE EMAGRECIMENTO.

Mindfulness é um termo amplo, usado para caracterizar uma série de práticas, processos e características relacionadas a capacidade de atenção, consciência, memória, aceitação e discernimento. Possui fundamento histórico no budismo, mas vem ganhando exponente popularidade na área da saúde, onde começou a ser utilizado inicialmente como suporte para o tratamento do estresse, mas atualmente faz parte do pacote de intervenções para o tratamento de diversas patologias, associadas de forma direta ou indireta a obesidade.  

Mindfulness é de forma geral, um estado de consciência, é estar presente no momento atual, é prestar atenção à experiências de forma intencional e sem julgamentos.  Esse conceito agrega processos internos e do ambiente, estar consciente do que é presente de forma mental, emocional e física, sem deixar com que pensamentos do passado ou do futuro tomem conta do presente. Essa técnica requer treinamento entre corpo e mente, e para mim seu principal benefício é possibilitar a mudança no relacionamento com as suas experiências, o modo como lida com elas.

Já o Mindful eating é a aplicação dos conceitos do mindfulness na alimentação, com o objetivo de tornar esse momento mais consciente, sair do automático, principalmente nos dias de hoje onde assumimos múltiplas tarefas, temos informações e distrações a todo instante e pressa para cumprir todos os afazeres em 24 horas.

Com essas mudanças no estilo de vida, o processo de alimentação vem mudando também, o tempo para preparar as refeições e consumi-las com calma e atenção é reduzido, as escolhas alimentares são baseadas em praticidade e conveniência, deixando a qualidade e sabor em segundo plano, e é exatamente o que o mindful eating quer resgatar.

Os principais conceitos do mindful eating englobam:

  • Se permitir aproveitar as oportunidades positivas e nutritivas que estão disponíveis através do processo de preparação e consumo alimentar
  • Escolher alimentos que sejam tanto prazerosos para o seu paladar quanto nutritivos para o seu corpo.
  • Reconhecer suas respostas em relação aos alimentos, se são neutros, gostosos ou não, sem julgamentos, apenas observar as reações e sentimentos.
  • Aprender a ter consciência da fome (real, física) e da saciedade, que irá te guiar para o ato de comer e parar de comer assim que se sentir saciado.

Como já mencionado, atualmente a técnica de comer com atenção plena tem sido utilizada para o tratamento de alguns transtornos alimentares e de patologias como a obesidade e todas as condições associadas à ela como esteatose hepática, dislipidemias, hipertrigliceridemia, diabetes melitus II, entre outras.

Estudos recentes com praticantes de mindfulness, encontraram mudanças em regiões específicas do cérebro que estão associadas com:  tomada de decisão, empatia, regulação das emoções e aumento da capacidade de estar atento o que reflete na produtividade e satisfação tanto pessoal como profissional. Além disso encontrou-se entre os participantes, menores índices de transtornos mentais, melhor auto-imagem e auto-confiança, níveis maiores de bom-humor, maior facilidade em se adaptar, mais maturidade e auto-suficiencia.

Outro estudo, realizado em 2010, que colocou em prática os conceitos do mindful eating em paciente obesos e demonstrou de forma significativa a diminuição no peso, desinibição alimentar, compulsão alimentar, depressão, estresse percebido, sintomas físicos, afeto negativo e proteína C-reativa.

            Para avaliar o nível de atenção com os hábitos alimentares, em 2009 foi criado o Mindful Eating Questionnaire (MEQ), que indicou quem pessoas com um índice de massa corporal (IMC) mais alto, apresentam uma alimentação menos consciente do que pessoas que praticam esportes, ioga e meditação e por isso possuem uma consciência corporal maior.

            Com todos esses dados podemos observar que o conceito de mindful eating pode ser uma ótima ferramenta para auxiliar as estratégias nutricionais relacionadas a redução de peso e das patologias associadas à obesidade.

Referências

Agee, J. D., Danoff-Burg, S., Grant, C. A. (2009). Comparing brief stress management courses in a community sample: Mindfulness skills and progressive muscle relaxation. Explore: The Journal of Science and Healing, 5, 104–109.

Annels, S., Kho, K., Bridge, P.. Meditate don’t medicate: How medical imaging evidence supports the role of meditation in the treatment of depression. Radiography 2016; 22, e54–e58. 

Arch, J. J., Ayers, C. R., Baker, A., Almklov, E., Dean, D. J., Craske, M. G. Randomized clinical trial of adapted mindfulness-based stress reduction versus group cognitive behavioral therapy for heterogeneous anxiety disorders. Behaviour Research and Therapy, 2013; 51, 185–196. 

Berkovich-Ohana, A., Dor-Ziderman, Y., Glicksohn, J., Goldstein, A. Alterations in the sense of time, space, and body in the mindfulness-trained brain: A neurophenomenologically-guided MEG study. Frontiers in Psychology 2013; 4, 912. 

C. Framson, A.R. Kristal, J. Schenk, A.J. Littman, S. Zeliadt, D.Benitez.Development and validation of the Mindful Eating Questionnaire. Journal of the American Dietetic Association, 109 (8) (2009), pp. 1439-1444.

Dunne, J. Toward an understanding of non-dual mindfulness. Contemporary Buddhism 2011; 12, 71–88. 

Dalen J., Smith B.W., Shelley B.M., Sloan A.L., Leahigh L., Begay D.Pilot study: Mindful Eating and Living (MEAL): Weight, eating behavior, and psychological outcomes associated with a mindfulness-based intervention for people with obesity. Complementary Therapies in Medicine, 2010; 18  (6) , pp. 260-264.

Kabat-Zinn, J. Mindfulness-based interventions in context: past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice 2005; 10, 144–156.

Pintado-Cucarella, Sheila; Rodríguez-Salgado, Paulina. Mindful eating and its relationship with body mass index, binge eating, anxiety and negative affect. Journal of Behavior, Health & Social Issues, 2016; 8, 19-24.

Atualidades

Dietas da Moda

O nutricionista, principalmente na área clínica em consultório e/ou ambulatório, atualmente se depara com um contexto crescente dos quadros de obesidade e doenças crônicas, que acontecem concomitantemente a um aumento da preocupação excessiva, por uma parcela da população, com o peso e composição corporal. 

E na busca imediatista por um corpo magro, muitas pessoas buscam antes do atendimento com profissional habilitado, informações em sites e blogs não científicos, os quais reforçam o padrão de maciça valorização da magreza, tornando a gordura um símbolo de fracasso moral e algo socialmente indesejável.

Entretanto, são inúmeras dietas publicadas por sites e blogs não científicos com restrições calóricas expressivas e consequentemente inadequadas no fornecimento de micronutrientes utilizados em diversas reações metabólicas vitais. 

Vale ao profissional nutricionista além do estudo da ciência da nutrição, pautar suas condutas nas recomendações vigentes e se inteirar das dietas da moda, para ter respaldo científico no momento de desmistificar informações inadequadas que podem estar sendo veiculadas na mídia. 

Assim, para auxiliar em sua prática clínica trouxemos os dados de um estudo realizado em Minas Gerais e publicado em 2019 que avaliou a composição de dietas da moda publicadas em sites e blogs não científicos, estas eram segmentadas em dietas que seguiam o jejum intermitente, dietas com restrição de carboidratos e dietas isentas de glúten.

Estudo Analisa as Dietas da Moda

O estudo: pesquisadores analisaram cardápios disponíveis em sites e blogs, de acordo com o teor de carboidratos, fibras, proteínas, lipídios, iodo, sódio, cálcio, magnésio, ferro, zinco, manganês, potássio, fósforo, cobre, selênio, vitaminas A, C, B6, B12, D, niacina e folato, e os valores de nutrientes foram comparados com as recomendações da Ingestão Dietética de Referência (DRI) para mulheres com idade entre 19 e 50 anos.

O percentual de adequação dos macronutrientes foi baseado em uma dieta de 2.000kcal para indivíduos saudáveis, segundo a Organização Mundial de Saúde, correspondendo a aproximadamente 60% de carboidratos ou 1.200kcal (300g), 15% de proteínas ou 300kcal (75g) e 25% de lipídios ou 500kcal (56g).

Foram consideradas dietas com alto teor de restrição calórica, dietas que preconizavam o consumo diário entre 800 a 1200 kcal e uma dieta com restrição leve com consumo de 1200kcal. Os valores calóricos obtidos dos cardápios e avaliados estavam entre 229 kcal – 869 kcal para dietas que sugeriam o jejum intermitente, dietas low carb em torno de 622 – 1560 kcal e dietas com restrição de glúten 877 – 1750 kcal. 

Conclusões do Estudo

Valores de carboidratos e fibras estavam aquém do recomendado. Já com relação aos micronutrientes, analisados nos três tipos de dietas (Sódio, Magnésio, Zinco, Manganês, Potássio e Cobre), esses estavam menores que a DRI. 

Sabemos que a deficiência de sódio e potássio causam desequilíbrio hidroeletrolítico e disfunções celulares; a deficiência de iodo provoca alterações cognitivas, bócio e hipotiroidismo; a deficiência de magnésio causa distúrbios neurológicos, cardiovasculares e gastrointestinais; a  deficiência de zinco reduz a função imunológica; a deficiência de manganês leva a neurodegeneração e; a deficiência de cobre causa anemia, alterações no sistema imunológico e na fertilidade. 

Já os minerais Cálcio, Fósforo, Ferro e Selênio foram superiores a 100% nos cardápios livres de glúten, e Fósforo e Selênio foram maiores na dieta pobre em carboidratos. 

A deficiência mineral e das vitaminas B6 e B12 esteve presente na dieta de jejum intermitente devido à ausência de ingestão alimentar em longo prazo, pois o indivíduo só faz duas refeições em um intervalo de 24 horas. 

Vale mencionar que a deficiência de vitamina B12 pode aumentar o risco de falha na gravidez, comprometimento cognitivo, osteopenia, doença oclusiva vascular – provavelmente devido ao acúmulo de homocisteína.

Nas dietas que propunham o jejum intermitente e restrição de glúten houve excesso de vitamina C, que pode causar diarreia, excreção urinária de oxalato e formação de cálculo renal. 

Em todas as três modalidades de dietas analisadas houve deficiência no fornecimento de vitamina D e B9, que podem causar, respectivamente, distúrbios ósseos e raquitismo, anemia megaloblástica, malformação congênita e doenças cardiovasculares. 

Vitaminas C e B3 estavam deficientes na dieta pobre em carboidratos. A deficiência de vitamina C está associada a doenças neurodegenerativas, incluindo Doença de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e lateral amiotrófica.

A vitamina A estava acima dos níveis recomendados e esse excesso pode causar perda de cabelo, visão dupla, vômitos, dores de cabeça e danos ao fígado e aos ossos. 

Ainda, vale sempre lembrarmos aos pacientes/clientes que dietas com alta restrição calórica são ineficientes para perda de peso a longo prazo e que dietas deficientes em micronutrientes, promovem efeitos nutricionais e emocionais desfavoráveis. 

O nutricionista, assim, deverá estar sempre disposto a esclarecer que dietas altamente restritivas, promovidas pelas mídias sociais podem contribuir para o aumento de doenças por deficiência nutricional e transtornos alimentares, uma vez que tanto os macronutrientes quanto os micronutrientes estão deficientes nessas dietas.

Referência

Braga DCA, Coletro HN, Freitas MT. Composição nutricional de dietas da moda publicadas em sites e blogs. Rev Nutr. 2019; 32: e170190. http://dx.doi.org/10.1590/1678-9865201932e170190