Atualidades

Vida de Nutricionista – Ser Mãe

A nossa homenagem vem em forma de reflexão sobre o quanto ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Feliz Dia das Mães!

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Eu não sou mãe. Talvez não seja a melhor pessoa para escrever sobre esse assunto? Provavelmente. Falar sobre isso surgiu de uma reflexão constante nos últimos meses sobre como algumas profissões “invadem” a vida pessoal. Para mim, a nutrição é uma delas. 

Digo isso porque comemos todos os dias, várias vezes ao dia, e com certeza o faremos até o fim de nossas vidas. Já pensou como para o nutricionista é difícil “apenas comer”? Sem analisar a própria refeição com um olhar clínico? Claro, há um lado positivo, mas há outros negativos que merecem atenção. 

Quando um nutricionista é mãe (ou pai) imagino que essa atenção se estenda para a alimentação da criança, a qual é parte de você e de sua responsabilidade cuidar e nutrir. Torna-se difícil desligar o “modo nutricionista”, mas já pensou o quanto isso é necessário?

Assim como para um psicólogo não seria benéfico analisar constantemente o comportamento de um filho, para nós, talvez não seja a melhor alternativa agir como nutricionistas em casa, e sim como mães. O cuidado excessivo em torno da alimentação não é saudável aos adultos, muito menos às crianças.  

“Em tempos alarmantes a comida pode parecer um jeito de manter seu filho a salvo do perigo (…), mas mantê-los numa bolha em que todos os alimentos sejam nutricionalmente perfeitos não é a maneira de protegê-las. As crianças precisam desenvolver a habilidade de navegar nesse ambiente por si mesmas.” – Bee Wilson

Escrevendo sobre esse assunto lembrei de um podcast que escutei.

Um dos tópicos era justamente sobre o excesso de cuidados em torno da alimentação. Será que essa é a melhor forma de cuidado, ou não pode ser a origem de uma visão inadequada sobre o que é ser saudável? Cito a fala de uma das mães participantes, que é nutricionista, para finalizar esse assunto tão importante: 

“(…) tratar alimentos de forma neutra, sem julgamento moral sobre a comida, é um dos maiores fatores, ambiente protetores, que você pode oferecer ao seu filho.”

Para acesso ao episódio do podcast citado acesse esse link 🙂

Até mais! 

Sem categoria

Vida de Nutricionista – Atendimentos

5 estratégias para o dia a dia de atendimento nutricional

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Muitos saem da faculdade com uma visão pouco aprofundada da área de atuação que escolheram seguir. A complexidade do atendimento nutricional em consultório se apresenta desde os primeiros momentos, mesmo aos que se dedicaram aos estágios e cursos durante a graduação.

Há as dificuldades iniciais: acostumar-se com a dinâmica dos atendimentos, escolher o perfil de clientes com quem deseja trabalhar, ou qual será a conduta clínica e a organização da rotina de atendimentos, já que muitos tornam-se seus próprios “chefes”. 

No entanto, a questão é mais profunda, pois dificilmente somos ensinados sobre organização financeira, atendimento ao cliente ou empreendedorismo. Por isso, a importância de expandir o horizonte e também aprender com outras áreas.  

Diante de tudo isso, que tal conhecer cinco estratégias que podem te auxiliar no dia a dia do atendimento nutricional?

1. Não trabalhe sozinho: acredito que a primeira estratégia é contar com colegas de profissão, trocar experiências, condutas clínicas, ter apoio é fundamental! 

2. Cuide primeiro de si: estabelecer prioridade no autocuidado é essencial para cuidar do próximo. Busque manter uma rotina condizente com a sua realidade, ter apoio da psicoterapia, além de supervisão profissional se precisar. 

3. Contato multiprofissional: a nutrição é terapia complementar em muitos quadros clínicos, por isso, tenha contato com outros profissionais que atendem ao seu cliente, como o médico, psicólogo ou educador físico.

4. Estudo e mais estudo: mesmo após formados essa vida de estudos não acaba, inclusive escrevi um blog sobre isso com 4 sugestões bem interessantes, confira clicando aqui! 

5. Ferramentas importantes: além de livros e equipamentos você pode contar com um software completo, como o Allivici, para tornar o seu dia a dia de atendimento nutricional mais assertivo e simples!

Claro, essa são apenas algumas estratégias que podem te ajudar, há outras dependendo da sua área de atuação! Para finalizar, um lembrete importante: não tenha vergonha de pedir ajuda a um colega e avalie o seu sucesso profissional sempre baseado no seu progresso, não se comparando aos outros!

Até mais! 

Atualidades

Estratégias nutricionais no vegetarianismo

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (1) vegetariano é todo aquele que não possui como parte de sua alimentação carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

O veganismo é uma forma de vegetarianismo, porém busca a exclusão do consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados em animais também. Ou seja, o foco não é apenas no consumo alimentar.

As razões para a adesão do vegetarianismo são diversas, mas em geral focam em questões de saúde, preservação do meio ambiente, éticas e sociais. Além disso, há classificações dependendo das restrições de consumo alimentar: 

  • Ovolactovegetariano
  • Lactovegetariano
  • Ovogevetariano
  • Vegetariano estrito
  • Vegano

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a redução. 

Independente da escolha, ou seus motivos, quando a alimentação é bem orientada não há motivos para não ser adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há algumas estratégias que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Estratégias nutricionais 

  • Cálcio: a biodisponibilidade é menor devido o ácido oxálico. Frutas e vegetais ricos em potássio e magnésio contribuem para absorção do cálcio; 
  • Zinco: menor biodisponibilidade devido a fatores como o fitato, por isso é importante que o consumo seja maior e associado à vitamina C, visando reduzir o efeito do ácido fítico; 
  • Ferro: ter atenção aos fatores que estimulam a absorção (vitamina C) e inibem (alimentos fonte de cálcio ou polifenóis como taninos e catequinas);
  • Vitamina B12: não há fontes alimentares de origem vegetal, podendo ser suplementada e os níveis séricos devem ser monitorados com maior frequência;
  • Consumo de fibras: a distensão gástrica pode estar associada ao consumo excessivo de fibras vegetais, o mesmo pode ser ajustado até que ocorra a adaptação intestinal; 
  • Modo de preparo das refeições: preparações fritas, ou que necessitam da adição de grande quantidade de farináceos devem permanecer sendo exceções, se atente para isso também.

O padrão alimentar vegetariano está associado a diversos benefícios para a saúde, como um maior consumo de fitonutrientes, redução dos níveis de colesterol sérico, melhora da pressão arterial e controle glicêmico. 

É importante ressaltar que objetivo dessa escolha pode estar muito além da saúde. Por isso, o nutricionista deve entender as razões do paciente ao aderir o vegetarianismo para poder adequar melhor a conduta terapêutica!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Vegetarianismo: o que é. Disponível em: https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e 
  2. DINU et al. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: A systematic review with meta-analysis of observational studies. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 57, n. 17, 2017. https://doi.org/10.1080/10408398.2016.1138447
  3. PARKER, H.W; VADIVELOO, M.K. Diet quality of vegetarian diets compared with nonvegetarian diets: a systematic review. Nutrition Reviews, v. 77, n. 3, 2019.  https://doi.org/10.1093/nutrit/nuy067 
Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Sem categoria

Vida de Nutricionista – Páscoa

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Domingo foi a Páscoa, você comeu chocolate?

A data muitas vezes é celebrada com chocolate, mas na verdade a Páscoa tem sua origem na tradição judaica em memória da libertação de um povo. É interessante observarmos como como hoje a celebração acaba sendo em torno do chocolate para muitas pessoas! 

A data não é apenas sobre chocolate, mas se esse alimento estiver presente é importante que esteja inserido sem julgamentos, exageros, promessas ou comportamentos compensatórios após o consumo. 

Muitas pessoas relatam um consumo excessivo de chocolate, ou outros doces, justificado pela “saudabilidade” desse alimento, quando esses são sem açúcar/lactose. Porém, sabemos que nenhum consumo em excesso, independente de qual seja, é saudável. 

É claro que o conceito de saudável passa pela qualidade alimentar, mas será que apenas não possuir lactose ou açúcar classificaria um alimento como saudável?

Em a “História do Chocolate”, um TED-Ed curto e bem interessante, uma questão importante é levantada sobre como é importante considerarmos a produção do que comemos, já que grandes empresas, muitas vezes, a realizam aos custos de condições inapropriadas de trabalho. Assista ao vídeo

Então, será que a atenção não deveria estar em outro lugar? 

Por exemplo, de que forma o chocolate foi consumido durante a páscoa, ou como o paciente está lidando com a disponibilidade desse alimento agora? Será que houve culpa ao comer? Restrições desnecessárias ao longo da semana para compensar o consumo? Tudo isso pode ser considerado, ao invés do “só voltar para a dieta“. 

E se estamos falando sobre o conceito de saudável, a sustentabilidade e condições de trabalho na produção desse alimento também deve ser considerada. Que tal valorizarmos mais o consumo de produtos locais? O cacau é um fruto com produção brasileira e existe diversas marcas de chocolate nacionais para experimentarmos! 

E pra terminar… 

Eu não sei se você se sente da mesma forma, pode ser que não, mas já percebeu como muitas vezes um nutricionista aparenta não ter a mesma liberdade para também comer chocolate? Ou será que somos nós que não nos permitimos fazer isso? 

Tudo bem se você decidiu não comprar um Ovo de Páscoa, ou comer chocolate “só porque é Páscoa”, ou não comemorar essa data por motivos pessoais. A questão é se existe a necessidade de justificar o que você come, ou permanecer sempre dentro de certas regras e estereótipos.

Já parou para pensar como é a sua relação com a comida? Ser nutricionista é a nossa profissão, mas será que estamos nos permitindo viver uma vida que não gira em torno da alimentação? 

Espero que tenha tido uma boa paz(coa).

Até mais! 

Atualidades

Abril Azul: Conscientização do Autismo

A campanha do “Abril Azul” e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02/04) são iniciativas que visam conceder mais atenção para essa temática. Pensando nisso, trouxemos um blog sobre o papel da nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O autismo é classificado como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação e interação social, além de poder comprometer o comportamento em diferentes graus. Como a condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve sempre ter o cuidado multiprofissional em foco. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no TEA?

A orientação nutricional deve considerar as restrições e aversões alimentares, além de considerar as diferenças metabólicas associadas ao estado nutricional.

Há biomarcadores indicativos de insuficiência vitamínica, maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia. 

É importante sempre monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação nutricional. Há outros pontos a serem considerados e observados também:

  • Estado nutricional: impactado por maior seletividade alimentar – aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo;
  • Alimentação seletiva: risco de carência para fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C;
  • Consumo de nutrientes específicos: aminoácidos como cisteína e metionina, ácido fólico, vitamina B6 e B12 são essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM); 
  • Alterações gastrointestinais: maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação, e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal;
  • Suplementação de probióticos: quando realizada visa promover a melhora das alterações intestinais, regulação importante para a modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina.

Há estudos sobre a indicação de condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica. Porém, os mesmos ainda apresentam resultados bem conflitantes entre si e diversas limitações.

O principal cuidado a ser adotado é que mudanças comportamentais, como a seletividade alimentar, não impactem negativamente no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.

O contato com o terapeuta ocupacional ou psicoterapeuta é válido para estabelecer estratégias de como introduzir ou estimular o consumo de determinados alimentos, por exemplo. Algumas podem incluir: 

  1. Utilização de pratos com divisórias ou oferta dos alimentos de forma separada;
  2. Teste de diferentes formas de preparo, como alterando a textura ou os cortes;
  3. Não usar técnicas para “enganar” ou esconder alimentos durante as refeições. 

Quer se manter atualizado no assunto? A primeira revista brasileira e online sobre autismo contém diversos materiais e sugestões. Acesse aqui!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. KARHU et al. Nutritional interventions for autism spectrum disorder. Nutrition Reviews, p. 1-17, 2019. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuz092
  2. RISTORI et al. Autism, gastrointestinal symptoms and modulation of gut microbiota by nutritional interventions. Nutrients, v. 11, n. 11, p. 1-21, 2019. https://doi.org/10.3390/nu11112812 
  3. SIVAMARUTHI et al. The role of microbiome, dietary supplements, and probiotics in autism spectrum disorder. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 17, pg. 1-16, 2020. https://doi.org/10.3390/ijerph17082647  

Atualidades, Estudante de Nutrição

Rotina de estudos do nutricionista

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Desde criança eu sempre fui daquelas estudantes dedicadas, sabe? Acredito que por essa razão me acostumei com uma certa rotina na vida acadêmica. Foram vinte anos com calendário letivo, horário para estudar e claro dor de cabeça nos projetos em grupo (risos).

Faz dois meses que me tornei oficialmente nutricionista, desde então tenho aprendido como é a vida de estudos após formada. Não sei como foi, ou será, para você… por aqui senti aquele alívio de não ter mais datas para entregar relatórios, trabalhos, ou o TCC. Não demorou muito para que caísse a ficha: quem teria que colocar esses prazos era eu!

Como tudo, há sempre dois lados. Tentei ver o positivo – posso me dedicar ao que faz sentido para a área que escolhi e organizar a própria rotina. Só que naturalmente vem uma insegurança de não saber o suficiente, ou a cobrança de precisar saber mais. Seria esse o lado negativo? Me acompanhe em um outro ponto de vista:

Recentemente eu li um livro que trouxe a seguinte frase: 

“Quanto menos sabemos um assunto, menos somos capazes de avaliar o tamanho da nossa ignorância e achamos que sabemos mais do que outros. A melhor maneira de enfrentar isso é estudando. Quanto mais estudamos, mais ficamos inseguros, pois passamos a saber o abismo do nosso conhecimento real”. O lado bom do lado ruim

Apesar do que muitos dizem, a insegurança não precisa ser algo ruim. Ela demonstra nossas limitações e como podemos aprimorá-las. Claro, não precisamos saber sobre tudo, cada um possui sua especialização e área de atuação. Além disso, esse sentimento de preciso saber mais é inclusive positivo – “quem acha que sabe tudo, nada sabe”. 

E pra terminar, um recado: a vida de estudos após formados não acaba! Seja com as diversas especializações que muitos escolhem fazer no decorrer da carreira, ou no dia a dia mesmo, com cada paciente/cliente que atendemos e suas singularidades clínicas que merecem tanta atenção!

Sabendo como tudo pode ser complexo trago aqui 4 sugestões que podem deixar a sua rotina de estudos mais completa:

1. Cronograma: já pensou em colocar na sua agenda horários para estudar, ler artigos e se atualizar? Se você ainda não tem esse hábito, comece aos poucos, 1h por semana! 

2. Software: grande parte da sua rotina é destinada ao planejamento alimentar dos pacientes/clientes? Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o Allivici! Assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar!

3. Trocar experiências: ter apoio de colegas de profissão e dividir condutas é uma ótima ideia, principalmente se você está no começo na carreira, ou em transição para o atendimento clínico. Já pensou nisso?

4. Apoio científico: se manter atualizado por artigos e diretrizes é um caminho, mas também podemos contar com bons livros! Deixo aqui três que uso em minha prática clínica: 

Até mais! 

Atualidades

Como a pandemia tem afetado a qualidade do sono?

Hoje, 19/03 é o Dia Mundial do Sono! Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico recém publicado sobre uma realidade que ainda estamos vivendo: a pandemia do novo coronavírus. Entre tantos impactos que a mesma gerou, sabia que o nosso sono também foi afetado?

Uma revisão sistemática e meta-análise (JAHRAMI et al., 2021) avaliou justamente isso, o impacto da pandemia na prevalência de distúrbios do sono na população em geral, profissionais da saúde e pacientes com COVID-19.

Introdução

Doenças infecciosas, como a COVID-19, estão associadas com diversos sintomas, como maior estresse psicológico e menor qualidade de sono. Uma boa qualidade de sono é essencial para saúde física e mental, além de auxiliar na regulação da resposta imunológica. Descobertas sobre como a pandemia causada pelo SARS-Cov-2 impactou a qualidade do sono podem ser úteis para desenvolver intervenções que reduzam esses problemas.

Métodos

Uma revisão sistemática e meta-análise foi realizada sobre sono e COVID-19 em toda literatura disponível, os critérios de inclusão foram: intervalo definido de publicação, artigos originais, estudos que relataram dados numéricos para problemas de sono. A qualidade dos artigos encontrados foi avaliada pela escala Newcastle-Ottawa. A análise foi de 44 estudos publicados após março de 2020, os quais incluiram 54.231 mil participantes de 13 países.

Resultados e discussão

A meta-análise da prevalência de problemas de sono indicou uma taxa de 35,7%, referente a todas as populações dos estudos. A população geral e os profissionais de saúde demonstraram taxas próximas, com 36,0% para o primeiro grupo e 32,3% para o segundo, respectivamente. Pacientes com COVID-19 foram os mais afetados, com uma prevalência de 74,8%.

Em comparação com outras meta-análises, as quais avaliaram a prevalência de estresse, ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19, a porcentagem encontrada de problemas de sono é similar a todas as outras.

Era esperado que pacientes com COVID-19 apresentassem maior distúrbios do sono, devido aos sintomas como tosse, febre e dificuldade em respirar, os quais podem atrapalhar o sono. No entanto, essa sobreposição das taxas e similaridade entre resultados apontam para possíveis associações entre comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono; como a possibilidade de maior estresse e ansiedade entre pacientes com COVID-19.

Uma das limitações do estudo deve ser destacada, a investigação não considerou fatores como: atividade física, fumo e uso de substâncias, estresse pós-traumático ou fatores de confusão social, como mudança de estado civil ou emprego; os quais poderiam ser relevantes.

Conclusão

Problemas de sono durante a pandemia da COVID-19 afetou aproximadamente 40% da população estudada. O grupo que apresentou maiores taxas de prevalência para problemas do sono foram pacientes com COVID-19. É necessário que outros estudos sejam conduzidos, principalmente longitudinais, para determinar o impacto da COVID-19 no sono. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Novo posicionamento sobre consumo de gorduras

Recentemente, em fevereiro de 2021, a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou um Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Considerando que a última publicação sobre a temática foi a Diretriz de 2013 (link), essa foi uma produção revelante para a área!

Sabemos que a nutrição exerce um papel essencial na gênese, prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares. Por décadas, diversos artigos, diretrizes e posicionamentos foram publicados sobre o papel do consumo alimentar na saúde cardíaca e cardiovascular, principalmente em relação aos alimentos fontes de gorduras.

No entanto, muitos resultados divergentes entram constantemente em discussão. Esses conflitos podem ser compreendidos pela imprecisão metodológica em muitos estudos, além da impossibilidade de comparação entre os mesmos quando há disparidade no tamanho da amostra, população ou nutriente estudado, por exemplo.

Também é necessário reconhecermos que, muitos sites e blogs fazem uso e divulgam dados de forma não correspondente à publicação científica realizada, gerando confusão na população, ou até mesmo entre nós.

As primeiras orientações dietéticas publicadas sobre o tema são dos anos 50, e desde então muita coisa mudou. O que há de evidência nessa temática atualmente? Destacamos alguns pontos:

Impacto no perfil lipídico

  • Gordura trans e saturadas exercem maior potencial para aumentar os níveis plasmáticos de colesterol total (CT) e LDL-c. Já a concentração de triglicerídeos (TG) pode ser aumentada por um maior consumo de carboidratos refinados;
  • Diferentemente de anos atrás, não há mais uma recomendação de ingestão máxima por dia de colesterol alimentar. No entanto, permanece orientado que mantenha-se o menor possível. Pois, mesmo não exercendo papel primordial no colesterol sérico, ainda causa impacto em indivíduos hiper-responsivos.
  • Ácidos graxos saturados, principalmente o palmítico, apresentam capacidade de ativar resposta inflamatória e de estresse oxidativo, prejudicando a integridade do endotélio vascular e potencialmente contribuindo para a gênese da aterosclerose; além de prejudicar a funcionalidade de receptores de insulina;
  • O contexto alimentar exerce maior impacto do que o consumo de alimentos isoladamente. Ou seja, mesmo sendo alimentos ricos em ácidos graxos saturados, e sabendo dos efeitos que esses causam quando consumidos em excesso, eles podem exercer um menor impacto na saúde quando estão inseridos em um contexto saudávelcom adequação calórica, inclusão de grãos, frutas, hortaliças e redução do consumo de açúcar, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e trans.

Óleos e gorduras

  • Além do óleo de oliva, pode ser orientado o uso do óleo de canola ou soja para o preparo das refeições, esses possuem menor teor de ácidos graxos saturados e maior quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) em sua composição, em comparação com outros óleos vegetais; 
  • Não há indicação para a substituição de óleos vegetais, como de canola ou oliva, por óleos de coco ou palma, os quais devem ser consumidos apenas de forma ocasional, devido o alto teor de gordura saturada.

Microbiota intestinal

  • Dietas hiperlipídicas, especialmente ricas em ácidos graxos saturados, são capazes de alterar a composição da microbiota intestinal, induzir a redução de diversidade bacteriana e aumentar a permeabilidade intestinal; favorecendo a disbiose e até mesmo inflamação sistêmica de baixo grau. O padrão alimentar é muito importante na modulação intestinal, destacando a importância de um consumo alimentar rico em fibras.

Ácidos graxos ômega 3

  • A relação de consumo entre ácidos graxos poli-insaturados ômega 6 e ômega 3 deveria ser menor do que é atualmente na população ocidental. No entanto, a orientação para consumo ainda deve ser realizada baseada na porcentagem de consumo de cada gordura, e não estritamente na relação entre os mesmos; 
  • potencial anti-inflamatório derivado de um consumo alimentar rico em ácidos graxos ômega 3. Entretanto, mesmo com os possíveis benefícios, não há evidência suficiente para recomendação de suplementação em muitas condições clínicas;
  • O óleo de krill é uma ótima fonte de ácido graxo eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), apresentando maior biodisponibilidade do que o ômega 3 marinho por ter a maior parte de seus ácidos graxos na forma de fosfolípides.

Esse posicionamento trouxe atualizações sobre a temática, mas também um lembrete importante: “devemos priorizar a avaliação de padrões alimentares, propondo orientações e melhorias também qualitativas, não valorizando alimentos individualmente ou os classificando como proibidos”.

Toda orientação ou intervenção nutricional deve capacitar o indivíduo com conhecimento necessário sobre os alimentos para que ele mesmo possa realizar escolhas alimentares mais saudáveis! 

Para acesso ao posicionamento na íntegra acesse esse link!

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Obesidade

Ontem, dia 04/03, foi o Dia Mundial da Obesidade

A data surgiu com o objetivo de conceder maior atenção para essa condição multifatorial de saúde que só no Brasil atinge 19,8% da população (1). Muito progresso tem sido alcançado nos últimos anos, mas a verdade é que essa condição ainda é recente para a humanidade e estudada há menos de 100 anos. Além disso, é mal compreendida por muitos, afetando o próprio desenvolvimento e tratamento da obesidade.

É notoriamente conhecido que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e do sedentarismo podem aumentar o risco para obesidade. No entanto, seria apenas isso? Todos que se alimentam dessa forma, ou não praticam exercícios físicos, desenvolvem obesidade? Por que muitos tratamentos focam apenas nesses aspectos? 

Em 2020, duas publicações na Nature Medicine e The Lancet  refutaram essa visão simplista sobre a obesidade e trouxeram temas essenciais a serem reconhecidos e discutidos. Destacamos cinco pontos, entre tantos significativos:

  • Obesidade não é uma condição existente por preguiça, falta de força de vontade, ou causada voluntariamente por comer em excesso e não se exercitar; assim como não é reversível apenas ao “comer menos e se exercitar mais”. (2,3); 
  • O atual diagnóstico para obesidade, apenas baseado no IMC, precisa ser reconsiderado, sendo necessário que mais sinais e sintomas sejam avaliados, como comorbidades associadas e redução da qualidade de vida (2); 
  • Reconhecer que nem todos os caminhos que levam à perda de peso corporal sempre funcionam, para todos, é muito importante; a própria manutenção do peso já pode ser considerada um resultado positivo durante o tratamento (3);
  • Profissionais de saúde passam menos tempo atendendo indivíduos com obesidade e muitos pacientes declaram sofrer preconceitos em ambientes médicos ou de cuidado à saúde (2); 
  • É importante se atentar para a linguagem utilizada, sem generalizações ou termos com conotações negativas. Assim como o ambiente em que o paciente é acolhido, cadeiras com apoios laterais limitam o acesso físico e equipamentos com capacidade superior a 150kg devem estar disponíveis (3);

Além dessas publicações, o Canadá lançou um novo guideline, também abordando essas questões. O mesmo traz pontos interessantíssimos, como o papel da saúde mental, a redução de estigma do peso e como intervenções comportamentais podem impactar no manejo da obesidade. Para acessar todos os capítulos clique aqui

A obesidade deve ser discutida de forma multidisciplinar e a conduta de tratamento reconsiderada, não sendo tão somente focada no peso corporal. Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Para mais, é necessário falar sobre gordofobia e todo estigma acerca do peso corporal, muitas vezes existente entre os próprios profissionais de saúde. Diversos movimentos precisam ser reconhecidos, pois somente aqueles que vivem com obesidade sabem e sentem como isso os afeta. Sendo a escuta uma premissa fundamental do cuidado, mais atenção ao paciente de forma integral deveria ser concedida (4). 

Com o objetivo de promover menos estigma, mais consciência e acolhimento à temática, o Instituto Obesidade Brasil irá realizar um evento online e gratuito amanhã, dia 06/03. É muito importante se manter atualizado, principalmente sendo nutricionistas, pois somos muito buscados para auxiliar no manejo da obesidade. Para se inscrever e participar é só acessar esse link

Até mais!

REFERÊNCIAS

  1. BRASIL. Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, Brasília, 2019.
  2. RUBINO et al. Join international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature Medicine, v. 26, p. 485-497, 2020. 
  3. ALBURY et al. The importance of language in engagement between health-care professionals and people living with obesity: a joint consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol, v. 8, p. 447-455, 2020. 
  4. BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas. Nota: um convite à reflexão sobre o movimento contra a gordofobia e o fenômeno da obesidade. Brasília, 2020.

Estudante de Nutrição

Estágios Curriculares em Nutrição

Oi, no meu primeiro post pro Allivici eu falei sobre como no último ano da graduação nós passamos um ano realizando estágios nas quatro principais áreas da nutrição. Comecei o meu em nutrição clínica há duas semanas e pensei que seria uma boa ideia vir aqui contar como está sendo!

Na área de Nutrição Clínica o nutricionista é responsável pelo tratamento, controle e prevenção de enfermidades. Nessa área há espaço para a atuação do nutricionista em hospitais, consultórios, clínicas, ILPI’s (Instituição de Longa Permanência) enfermarias, lactários ou bancos de leite humano.

O meu estágio está sendo em um hospital, o qual é referência em cardiologia aqui em São Paulo, entre outras especialidades! O programa de estágio tem funcionado de maneira que cada estagiária acompanhe e auxilie na rotina de uma das nutricionistas do hospital. Como a “minha nutricionista” é responsável pela UCO (Unidade Coronariana), tenho acompanhado essa realidade do ambiente hospitalar. Há outras estagiárias que estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na pediatria, ou na oncologia, por exemplo.

Apesar da rotina do nutricionista depender muito da unidade em que ele trabalha, podemos dizer que há um certo padrão, pois ele tem algumas responsabilidades, como: realizar visitas de admissão e de retorno de acordo com o nível de assistência dos pacientes; acompanhar o estado nutricional de todos, avaliando exames bioquímicos, alterações de peso e no consumo calórico e proteico diário; realizar modificações nas dietas de acordo com preferências, aversões, alergias e necessidades nutricionais; conferir as refeições a serem servidas pela copeira com o mapa de dietas; realizar orientações de alta;desenvolver e aplicar pesquisas de opinião sobre o serviço de alimentação e nutrição do local; entre outras…

Sendo sincera, antes de começar eu estava bem nervosa! É que na teoria é muita coisa para estudar, decorar e lembrar. Tem os cálculos das necessidades nutricionais, o volume de infusão de dieta enteral ou parenteral, as prescrições dietéticas, as interações fármaco-nutriente, as indicações de dietas e modificações necessárias de acordo com o caso clínico…  muita coisa, não é mesmo?

Mas, trago boas notícias a você estudante: a prática é MUITO diferente da teoria. Tenho visto nessas últimas semanas que tudo que aprendemos na faculdade torna-se muito mais fácil quando visto no dia a dia na prática, e isso tem sido maravilhoso!

Também saiba que há um certo “espaço” para consultar manuais, diretrizes e protocolos. Ou seja, não precisamos ser um tratado de nutrição ambulante. O mais importante, muitas das vezes, vai além do conhecimento técnico. O essencial nessa área de atuação é ver o paciente como outro ser humano, o qual está debilitado, em um local que não gostaria e muitas vezes há um bom tempo. O seu papel como profissional da saúde será de conceder uma melhor qualidade de vida, atenção e cuidado!

Mas e você, já pensou em seguir carreira na área de nutrição clínica? Eu já, bem no comecinho da graduação. Acabei escolhendo iniciar esse ano letivo com o estágio em nutrição clínica justamente para saber como é a rotina do nutricionista hospitalar na prática. Bom, ainda tenho algumas semanas no hospital para descobrir isso… mas, posso te dizer que até agora está sendo uma experiência incrível e que de qualquer maneira vou levar tudo como aprendizado! 

Até mais,Daniela. 

Estudante de Nutrição

“Mas… você não é nutricionista?”

Antes de tudo, duas coisas importantes precisam ser ditas:

  1. Com o passar do tempo as pessoas irão ver você, mero estudante, como nutricionista.
  2. Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio (tema desse post).

Claro, não são todas as pessoas que têm a mesma visão do que vou dizer aqui, já que somos todos diferentes, não é mesmo? Mas, acredito que falo em nome da maioria. Vamos lá?!

Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio. OK… talvez esteja sendo meio shakespeariana? Mas, há alguns pontos sobre ser visto como nutricionista que diria serem um pouco… indigestos?

Como estudante provavelmente comece a perceber isso logo no início da graduação. Seus amigos começam a te pedir dietas, muitas e muitas dietas. Vão começar a te olhar meio torto toda vez que te verem adoçando seu café ou tomando um refri de vez em quando. Também é notado um certo espanto das pessoas se arriscar dizer que não segue nenhuma dieta. Outra coisa que também acontece é que muitos passam a te ver como uma “TACO ambulante” e acham totalmente normal te perguntaram quantas calorias tem em 50g de chuchu. Outros até se consideram no direito de questionar sua conduta alimentar se te encontrarem por aí comendo uma batata frita. 

Responder ou relutar geralmente não ajuda muito. O problema é mais profundo. As pessoas de fato acreditam que ao ser nutricionista tudo se torna muito fácil e simples e que é seu dever seguir 100% do que é “saudável”. Na visão de alguns somos praticamente um robô que se alimenta de salada. 

Essa realidade passa a ser mais complicada para o profissional nutricionista. Não sendo suficiente as responsabilidades que acompanham a profissão, há algumas outras impostas pela “sociedade”. Aqui vão algumas: 

  • um nutricionista não pode ser visto em locais como hamburguerias, pizzarias ou sorveterias;
  • nunca deve estar acima ou abaixo do peso, demonstrar qualquer problema em sua relação com a comida, e claro, não deve apresentar nenhum transtorno alimentar; 
  • deve saber as calorias e macronutrientes de todos os alimentos (“não é isso que você aprende na faculdade?“);
  • deve saber como transformar qualquer preparação culinária em algo “fit” e não consumir as que não são. 

Ao não seguir essas “regras” a seguinte frase poderá ser dita: “mas… você não é nutricionista?” Talvez você já tenha escutado isso tantas vezes que a frase virá naturalmente ecoando em sua mente sempre que estiver fazendo algo que “um nutricionista não deveria fazer” (mesmo que ninguém esteja vendo). Isso deveria parecer absurdo, porém muitas vezes essa é a realidade.

Essa frase questiona o seu valor e capacidade profissional. Isso não é algo simples. É por isso que muitos estudantes e nutricionistas de fato acreditam que devem ser o exemplo a todo custo, ou que não podem ter problemas com a alimentação.

Vou compartilhar uma coisa que aprendi: 

Tudo bem você também ter problemas. Tudo bem você também ter dificuldades em seguir um plano alimentar. Tudo bem você também ter dificuldade em perder, ou ganhar, peso. Sabe por quê? Isso faz de você um ser humano, assim como seu futuro ou atual cliente. Poder dizer “eu também passo por isso e sei o quanto pode ser difícil” não tem valor!

Até mais,

Daniela. 

Estudante de Nutrição

MINHA HISTÓRA COM A NUTRIÇÃO

Você nutricionista tem saudades da sua época da faculdade? E você estudante? Não vê o momento de se formar? Eu sou estudante de nutrição e me encontro no dilema de estar ansiosa pra acabar, mas também querer que passe mais devagar por saber que vou sentir saudades. A época da graduação é sempre um misto de amor e ódio… amamos a profissão que escolhemos, mas odiamos o desespero todo fim de semestre (momento em que me encontro).

Como esse é o primeiro post que estou fazendo, acho legal contar um pouco da minha história com a nutrição. Pode ser? Eu sou a Daniela, tenho 22 anos e nutrição está sendo minha primeira graduação. Sou estudante no Centro Universitário São Camilo em São Paulo e estou indo para o meu último ano no próximo semestre.

Para começar essa história acho importante dizer que nutrição nunca foi minha primeira escolha. Na verdade, na época do ensino médio não sabia o que era ser um nutricionista e não conhecia ninguém que queria cursar nutrição. Eu nasci com o presente de gostar de muitos assuntos diferentes, mas naquela época via isso como indecisão. Me dizer que deveria decidir apenas uma área para o resto da vida era demais para mim.

Já quis fazer de direito a biologia com a maior empolgação. Já para os meus pais, medicina era a profissão dos sonhos. Acredito que talvez tenha sido por isso que comecei a me interessar pela área da saúde e no meu último ano do ensino médio estava decidida a fazer odontologia.

Várias coisas aconteceram, mas resumindo: não deu certo. Logo que me conclui o ensino médio tive a oportunidade de ficar um ano em intercâmbio, quando voltei para o Brasil a decisão era fazer algum curso na área de comunicação. Pensei em jornalismo. Amar escrever foi meu argumento (acredite se quiser). No dia de fazer a matrícula senti algo dizendo “que tal repensar isso aí?” e fui embora.

Um mês depois conheci uma nutricionista pela primeira vez. Perguntei como era a profissão, o que se aprendia na faculdade e contei um pouco sobre mim. O que ela disse foi: “pelo que vejo nutrição tem tudo a ver com você!” E foi assim que comecei a pesquisar e percebi que realmente era um curso que tinha tudo a ver comigo!

Quando criança os meus pais passaram por um processo de reeducação alimentar intenso e também decidiram se tornar vegetarianos. Cresci em um ambiente que valorizava a alimentação saudável e a importância da conexão entre corpo e mente. Hoje acredito que esse conceito ainda está muito presente em como vejo a nutrição – valorizar o ser humano como um ser completo e oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação.

Por sempre gostar de várias áreas diferentes tenho que ser sincera em dizer que nesses três últimos anos já repensei a minha decisão em me tornar nutricionista. Mas diferentemente da época de ensino médio, não vejo isso como indecisão. Hoje acredito que podemos sim gostar de áreas diferentes e conciliá-las, ou talvez tê-las como hobby. Não é por estudar nutrição que deixei de escrever, gostar de fotografia e ler sobre filosofia.

Estando no fim da graduação e com melhor percepção de quantas oportunidades estão surgindo nessa área vejo a nutrição como um leque de opções. Isso me anima! Sei que posso tentar de tudo, gostar de tudo e ainda estar trabalhando com o que amo: nutrição! No próximo semestre vou começar os estágios obrigatórios, ficamos cerca de três meses atuando nas quatro principais áreas da nutrição e por enquanto posso dizer que: estou muito animada!

Até mais,
Daniela.