Atualidades

Nutrição, alimentação e saúde digestiva

Amanhã (29/05) é o Dia Mundial da Saúde Digestiva, data que concede maior atenção e conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças do aparelho gastrointestinal (1).

A saúde da microbiota intestinal é uma temática muito discutida. Pensando nisso, trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sobre o papel da alimentação na composição da microbiota intestinal. 

Introdução

O ser humano é formado por mais células microbianas do que humanas. Mudanças na composição da microbiota intestinal, as quais podem ser causadas pela alimentação, resultam em diversas consequências para o hospedeiro e impactam nos processos fisiológicos. 

Métodos

Os estudos foram realizadas entre 2010 e 2018, apenas conduzidos em humanos e todos realizados em indivíduos adultos e saudáveis. 

Resultados e Discussão 

Trinta e oito estudos sobre os nutrientes que impactam a microbiota intestinal foram incluídos nesta revisão. Os resultados foram segmentados em: consumo calórico, macro e micronutrientes, além de alimentos e nutrientes específicos. 

Calorias: o excesso calórico entre refeições com a mesma composição nutricional resultou em alterações na diversidade da microbiota, reduzindo Bacteroidetes e aumentando Firmicutes; não sendo um fator preditivo de forma isolada, mas que pode levar a impactos negativos a longo prazo. 

Carboidratos: o tipo, quantidade e composição pode influenciar na diversidade microbiana. Um consumo alimentar rico em fibras é mais benéfico, pois carboidratos não digeríveis funcionam como substrato energético para a microbiota.

Gordura e Proteína: uma dieta onívora rica em gordura e proteína, porém baixa em fibras, pode afetar negativamente a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. Principalmente pela possibilidade de maior formação de N-óxido de trimetilamina (TMAO).

Micronutrientes: um estado de disbiose pode comprometer a absorção de diversos micronutrientes. Há também uma relação bidirecional, a microbiota intestinal utiliza e produz nutrientes, por isso o equilíbrio da mesma é essencial para a saúde.

Vinho, frutas vermelhas, cacau e chá: esses alimentos possuem compostos com potencial benefício, como: antocianinas (vinho), elagitaninos (frutas vermelhas), flavonóides (cacau), catequinas e ácido gálico (chá). 

Conclusão 

O consumo dietético, principalmente de fibras, afeta a composição da microbiota intestinal. Futuros estudos são necessários com mais ênfase na função (metabolômica), não apenas na composição (genômica) da microbiota intestinal. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

O que é Mindful Eating?

Hoje (21/05) é o Dia Mundial da Meditação, data celebrada em vários países com corridas ou horários definidos para meditar, por exemplo (1). Nos últimos anos a meditação tomou uma grande proporção, infelizmente sendo até mesmo banalizada por alguns. 

A verdade é que as práticas meditativas podem ser ferramentas de autoconhecimento, além de auxiliar na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente; até mesmo nas refeições! Você conhece o Mindful Eating? 

É a prática de comer com atenção plena, baseada em técnicas do mindfulness – o qual difere da meditação tradicional. Nesse modelo o objetivo é estar sempre no momento presente, com atenção ao ambiente e sensações. Ou seja, você pode praticar enquanto se exercita, lava a louça, cozinha ou come, por exemplo (2). 

Essas técnicas podem ser aplicadas para trabalhar questões alimentares, mas há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa ser uma consequências de desenvolver mais atenção ao comer (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Na página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! 

As práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Sugerimos três aplicativos que podem ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong 

Até mais! 

Atualidades

Estratégias Nutricionais no Tratamento de Lúpus

A última segunda-feira (10/05) foi o Dia Mundial do Lúpus. Pensando nisso, o blog de hoje será sobre o papel do nutricionista no tratamento multiprofissional em indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). 

Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, a sintomatologia varia de acordo com as fases de atividade e remissão. O desenvolvimento é decorrente da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais (1).

O tratamento é individualizado e dependente dos sintomas apresentados, inclui intervenção farmacológica para modulação das alterações imunológicas e controle de possíveis comorbidades, como hipertensão e dislipidemia.  

Por ser uma doença crônica é essencial que o tratamento seja o mais integrativo possível, contando com o apoio de outros profissionais, como um psicólogo, educador físico e nutricionista. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no LES?

A atuação do nutricionista será de atender as demandas alimentares desse paciente, associadas ou não ao LES, mas sempre orientando uma alimentação mais equilibrada, além de propor intervenções que possam vir a amenizar possíveis sintomas.  

Estratégias podem ser utilizadas para promover um consumo alimentar próximo ao adequado, mesmo com alterações no apetite características do tratamento, além da prevenção e controle de comorbidades, como hipertensão, nefrite lúpica e dor articular. 

Estratégias nutricionais

  • Monitoramento dos níveis de vitamina D: os níveis séricos de vitamina D são impactados com a redução à exposição solar para evitar as lesões cutâneas. A sugestão é a manutenção acima de 30ng/mL; 
  • Prevenção ou controle de outras comorbidades: quadros de dislipidemia, diabetes, obesidade, hipertensão e osteoporose podem estar presentes na LES. A orientação alimentar precisa ser condizente com as condições clínicas apresentadas; 
  • Atenção para alterações no apetite, humor e variação no peso: ajustes na densidade calórica das refeições podem ser utilizadas para manter um consumo alimentar próximo às necessidades; 
  • Interação medicamentosa: corticóides podem impactar no apetite, ou causar sintomas de inchaço em algumas pessoas, orientações para amenizar a retenção de líquidos podem ser realizadas. 

É importante ressaltar que esse é um quadro clínico complexo, o nutricionista estará como participante de uma terapia complementar, mas toda orientação deve estar de acordo com a conduta médica vigente.

Para o tratamento nutricional é essencial que a autonomia alimentar seja promovida, assim os benefícios de uma alimentação saudável podem ser levados para a vida. 

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Orientações ao Paciente – Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) Cartilha da SBR, 2011. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/lupus-eritematoso-sistemico-les-cartilha-da-sbr/ 
  2. FANOURIAKIS, A. et al. 2019 update of the EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis, 1-10, 2019. 10.1136/annrheumdis-2019-215089 
  3. MEDEIROS M. C. et al. Dietary intervention and health in patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review of the evidence. Critical rev food science nutrition, v. 59, n. 16, p. 2666-2673, 2018. https://doi.org/10.1080/10408398.2018.1463966
  4. KLUMB, E.M. et al. Consenso da sociedade brasileira de reumatologia para o diagnóstico, manejo e tratamento da nefrite lúpica. Rev Bras Reumatol, v. 55, n. 1, p. 1-21, 2014. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.09.008
  5. SOUSA, J. R. et al. Effect of vitamin D supplementation on patients with systemic lupus erythematosus: a systematic review. Rev Bras Reumatol, v. 57, n. 5, p. 466-471, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbre.2017.08.001
Atualidades

Vida de Nutricionista – Ser Mãe

A nossa homenagem vem em forma de reflexão sobre o quanto ser nutricionista pode influenciar na maternagem. Feliz Dia das Mães!

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Eu não sou mãe. Talvez não seja a melhor pessoa para escrever sobre esse assunto? Provavelmente. Falar sobre isso surgiu de uma reflexão constante nos últimos meses sobre como algumas profissões “invadem” a vida pessoal. Para mim, a nutrição é uma delas. 

Digo isso porque comemos todos os dias, várias vezes ao dia, e com certeza o faremos até o fim de nossas vidas. Já pensou como para o nutricionista é difícil “apenas comer”? Sem analisar a própria refeição com um olhar clínico? Claro, há um lado positivo, mas há outros negativos que merecem atenção. 

Quando um nutricionista é mãe (ou pai) imagino que essa atenção se estenda para a alimentação da criança, a qual é parte de você e de sua responsabilidade cuidar e nutrir. Torna-se difícil desligar o “modo nutricionista”, mas já pensou o quanto isso é necessário?

Assim como para um psicólogo não seria benéfico analisar constantemente o comportamento de um filho, para nós, talvez não seja a melhor alternativa agir como nutricionistas em casa, e sim como mães. O cuidado excessivo em torno da alimentação não é saudável aos adultos, muito menos às crianças.  

“Em tempos alarmantes a comida pode parecer um jeito de manter seu filho a salvo do perigo (…), mas mantê-los numa bolha em que todos os alimentos sejam nutricionalmente perfeitos não é a maneira de protegê-las. As crianças precisam desenvolver a habilidade de navegar nesse ambiente por si mesmas.” – Bee Wilson

Escrevendo sobre esse assunto lembrei de um podcast que escutei.

Um dos tópicos era justamente sobre o excesso de cuidados em torno da alimentação. Será que essa é a melhor forma de cuidado, ou não pode ser a origem de uma visão inadequada sobre o que é ser saudável? Cito a fala de uma das mães participantes, que é nutricionista, para finalizar esse assunto tão importante: 

“(…) tratar alimentos de forma neutra, sem julgamento moral sobre a comida, é um dos maiores fatores, ambiente protetores, que você pode oferecer ao seu filho.”

Para acesso ao episódio do podcast citado acesse esse link 🙂

Até mais!