Atualidades, Estudante de Nutrição

Vida de Nutricionista: Carta Aberta aos Estudantes

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Essa semana estava um pouco nostálgica sobre a minha época na faculdade quando parei para escrever pro Allivici. Lembrei do primeiro post que escrevi aqui (em 2019) e decidi escrever para a estudante de nutrição que fui um dia.

Eu sei que anda torcendo pra tudo acabar logo, venho lhe dizer pra aproveitar enquanto durar. Passe por cada semestre com mais calma, se possível. Ao contrário do que parece, a faculdade não é um lugar que você vai para terminar algo. 

Há muito para celebrar no “durante”, não apenas ao pegar o diploma (o qual você ainda nem foi buscar). Faça as pazes com o seu desespero todo fim de semestre, ele faz parte.

Cada um tem uma história com a nutrição, você vai comparar a sua com a de outras pessoas. Vai achar um máximo quem dizia que sempre quis ser nutricionista, enquanto nem sabia dessa profissão até uns anos atrás. Não caia nessa cilada, cada um tem a sua história. Valorize a sua. 

Você vai continuar achando que a vida é muito longa para não sermos múltiplos. Tenha os seus hobbies, uma profissão, uma carreira, seja curiosa por outras áreas e cultive vários interesses. Você não precisa ser uma só, não é, pare de tentar ser. 

Sim, a gente tem que decidir ainda muito novos sobre a nossa “carreira” como se ela fosse definida na faculdade. Na verdade, cada tijolinho dela está no que você faz no dia a dia, quem você admira, o que você escuta, quem você é

Uma carreira de sucesso é estar satisfeito com o serviço que você exerce, conectado aos seus valores e interessado em sempre aprender. 

A sua visão do nutricionista continua a mesma, ainda acredita em “oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação”, mas algumas coisas mudaram no meio do caminho. 

Você se deparou com algumas realidades da profissão. Ser nutricionista é estar disposto a nutrir, alimentar, se doar. Requer energia, flexibilidade emocional, apoio de colegas e organização financeira. 

Olhando pra trás e buscando por um conselho, talvez tenha esse: aproveite tudo como se você estivesse montando um quebra-cabeças de 1000 peças. 

Tenha sempre um olhar vigilante para as oportunidades, acredite na sua intuição, tire uma pausa se precisar, volte descansado, peça ajuda, continue, você nunca sabe quando aquela peça que faltava pode surgir!

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Doenças Tireoidianas

As doenças tireoidianas englobam um grupo de condições clínicas que atingem a tireoide, responsável pela produção de T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). 

A etiologia, os sinais e sintomas mudam de acordo com a disfunção presente, hipertireoidismo ou hipotiroidismo, e suas variações clínicas (1). 

Como em muitas condições de saúde, o tratamento das doenças tireoidianas também é multiprofissional, incluindo a importante atuação do nutricionista.

E qual o papel da nutrição e alimentação nas doenças tireoidianas?

O metabolismo da tireoide pode ser afetado pelo excesso ou falta de iodo, assim como pela deficiência de micronutrientes importantes. Para a saúde pública, intervenções como a iodação do sal visam regular exatamente isso.

No atendimento individual o nutricionista pode, entendendo qual o quadro de disfunção tireoidiana presente, avaliar quais estratégias nutricionais podem ser aplicadas para prevenção de agravamentos ou auxiliar na estabilidade do quadro clínico atual.

Estratégias nutricionais

  • Atenção aos exames laboratoriais: para o acompanhamento de disfunções tireoidianas é possível solicitar os níveis de TSH e T4 livre, lembrando que o diagnóstico é sempre médico;
  • Educação nutricional: é importante promover autonomia alimentar, principalmente em condições crônicas de saúde, assim podem realizar melhores escolhas ao entender as suas restrições;
  • Adequações dietéticas: o consumo de alguns nutrientes são essenciais para o funcionamento da tireoide e produção dos hormônios que regulam as funções tireoidianas. Atenção para:
    • Selênio – as enzimas tireoperoxidase, glutationa peroxidase e deiodinases são dependentes de selênio;
    • Ferro – mineral essencial para reações de peroxidação presentes no metabolismo dos hormônios tireoidianos;
    • Zinco e Magnésio – minerais atuantes em diversas reações enzimáticas, por isso essenciais para o metabolismo da tireóide.

Esse foi um breve resumo, esperamos que a sua conduta clínica esteja sempre baseada em evidências científicas e com apoio de outros profissionais qualificados! 

Deixamos dois consensos brasileiros sobre o tema nas referências, confira!

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SGARBI, J. A., et al. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Metab., v. 57, n.3, p. 166-183, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302013000300003
  2. MAIA, A. L., et al. Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Metab., v. 57, n.3, p. 205-232, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302013000300006 
  3. FARIAS, C. R; KNOBEL, M. in Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição: nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. Barueri: Manole, 2 ed., p. 1298-1324, 2020.
Atualidades

Nutrição, alergias alimentares e microbiota intestinal

Ontem (08/07) foi o Dia Mundial da Alergia, você sabe qual  o papel do nutricionista no tratamento das alergias alimentares? É importante mencionar que o diagnóstico para alergias, inclusive alimentares, é sempre realizado por médicos. 

O nutricionista pode:

  • orientar o consumo de alimentos seguros
  • ensinar sobre a leitura de rótulos
  • informar sobre o risco de contaminação cruzada
  • sugerir substituições e realizar adequações dietéticas 

Você já conhece o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar? Há muitas referências para você que é nutricionista poder se aprofundar no assunto! Acesse clicando aqui!

No blog de hoje também trouxemos um recente artigo científico que avaliou os mecanismos envolvidos nas alergias alimentares, os principais alimentos alergênicos, o papel da microbiota intestinal e possíveis terapias complementares. 

Introdução

Alergia alimentar é uma reação imunológica decorrente do contato ou consumo com determinado alimento. Associações entre fatores da microbiota intestinal e dietéticos têm sido descobertas em quadros de alergias alimentares. 

Entre as teorias do porquê há um crescimento para alergias alimentares, a principal é a hipótese da higiene, além disso, a recorrência observada tem sido maior para oito alimentos específicos, demonstrados na imagem abaixo. 

Os possíveis fatores que promovem ou reduzem o risco de alergias alimentares e terapias complementares foram estabelecidos para os principais alimentos alergênicos. Acesse a tabela original clicando aqui

Conclusão

Alterações na microbiota intestinal em quadros de alergia alimentar indicam possível conexão entre microbioma e resposta imunológica. Com futuros estudos, intervenções dietéticas e o uso de probióticos podem ajudar no tratamento e prevenção da doença. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Até mais! 

Atualidades

Vida de Nutricionista: Autocuidado Profissional

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

O autocuidado, processo diário de atender às suas necessidades, é essencial para o nutricionista do ponto de vista profissional para cuidar melhor do próximo.

Cuidar primeiro de si não quer dizer que você precisa estar “sem problemas” para poder lidar com o outro (seria impossível). Apenas significa que deve haver maior prioridade no autocuidado quando estamos exercendo essa posição.

Para outros profissionais, como psicólogos, essa questão é muito clara. Porém, na nutrição esse conceito sempre aparentou estar muito mais associado e restrito à estética, ou com a forma de se alimentar. É importante que o autocuidado vá muito além disso!

“o autocuidado vem primeiro”

Os que trabalham como terapeutas e cuidadores, como muitos nutricionistas, precisam estar 100% presentes em seu trabalho, escutando o outro sem comunicar muito sobre si. Mas, e nas outras horas do seu dia? Se continuar sendo esse “cuidador”, quem cuidará de você?

Tem um livro bem curtinho que se chama “Caderno de Exercícios para Cuidar de Si Mesmo”, vale muito apena adquirir, inclusive para propor exercícios aos pacientes. 

Segue a sugestão de um exercício rápido: 

  • Escreva uma coisa apreciável a respeito de si mesmo e sinta o que acontece dentro de si quando estiver lendo-a em voz alta. Como se sentiu? Poderia repetir isso diariamente?

Além disso, ser nutricionista é apenas a nossa profissão. Podemos ter dificuldades em se alimentar como gostaríamos, como um médico pode ficar doente com maior frequência do que gostaria. Somos assim, humanos.

Por isso, é preciso saber a hora de buscar ajuda. Ela pode ser encontrada com outro nutricionista, na terapia individual ou em supervisão profissional. Nem sempre podemos nos “tratar”, independente do nível de conhecimento e especialidade que temos, e tudo bem!

Lembre também que você não precisa saber de tudo, ou é responsável pela mudança do outro – o nutricionista é apenas um mediador, um facilitador! Precisamos entender que ninguém muda ninguém! 

Nosso objetivo é possibilitar que o cliente entre em contato com o seu curador interior, é ser um espelho para que ele se veja, ao invés de nos ver como modelo, querendo ser como nós (1).

Uma vez escutei uma frase que ficou muito marcada:

“o bom médico é aquele que desperta o curador no outro”.

Infelizmente não encontrei a fonte, mas ela reflete muito bem o quanto o cuidado não é de responsabilidade única daquele que “cuida” no processo terapêutico, é preciso despertar nos outros o desejo de cuidarem mais de si! 

Até mais!